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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Parecia tão boa pessoa...

Encontrei isto por aí e decidi partilhar: nunca é demais estarmos atentos e ainda mais numa altura em que os mais variados meios glorificam e romantizam este tipo de comportamento...Não é aceitável. Os Jovens em especial precisam deste tipo de alertas. Nenhuma menina precisa de príncipe para ser princesa e vice-versa e quanto maior a pressão para entrar num relacionamento maior a probabilidade de tragédias virem a acontecer. Outros sinais: comportamentos controladores, ciúmes exagerados, esperar que seja a outra pessoa a tratar de tudo e a satisfazer todos os desejos; crueldade para com animais, tentativa de isolar o outro - tudo isto acontece, não é teoria. Mantenham-se protegidos. 

Uma questão de consentimento

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Não tenho grande experiência em relações humanas, mas gosto de observar e às vezes noto coisas que francamente não sei se sou eu que sou burra ou se é o juízo das pessoas que não anda bom. Uma dessas coisas é a aparente dificuldade em perceber o que é um não e o que é um sim. De facto, esta questão do consentimento parece andar meio nublada nos últimos tempos...Vamos a um exemplo nível fácil - ela está meio bêbada. Há consentimento? Não, visto que não está totalmente lúcida. Outro: Ela está perturbada porque tem a mãe doente, o cão morreu...Há consentimento? Não pelos mesmos motivos (e evidentemente embebedar alguém de propósito constitui á mesma um abuso e mesmo se for praticado por alguém próximo). Parece a lógica da batata não é? E se ela disse que sim no início e depois quis parar? E se ela disse que não, mas no dia anterior tinha dito que sim? E se ela não disse explicitamente que não? Há consentimento? Não, não e não. Acho que quando se tem uma relação minimamente saudável pedindo para a outra pessoa para parar, porque o quer que estejamos a fazer está a ser desconfortável, ela não vai forçar. É um direito, assim como é um direito mudar de ideias - um não num dia não é anulado pelo sim da semana anterior. As pessoas arranjam todo e qualquer argumento para desculpar o abuso: ela disse que achava que era má ideia isso não conta como um não! Coisas como: Querida, estas a pensar demais! linda, estás a ser chata, não faz mal nenhum...deviam fazer quem ouve fugir pelo lado aposto. É tudo menos romântico.

 

E claro que coisas como: bebé, devias seguir mais os teus instintos também estão longe de qualquer romantismo. Não é por alguém estar em algum nível de excitação que faz com aquele momento ou sitio seja o mais apropriado - se uma pessoa quiser criar laços com algum animal compra ou cão ou um gato. O problema é quando o pessoal começa a usar o consenso precisamente como desculpa, ou seja, o que estão a dizer na prática é: viveste dez anos com um psico abusador, mas consentias não consentias? Então a culpa é tua. Mas como é que alguém com a auto estima destruída ou que vive com medo pode realmente consentir em algo? Ela disse que sim a tudo por isso não faz mal - e as consequências do não quais eram? Se alguém não se sente livre para dizer que não, por qualquer motivo, então não há consentimento logo trata-se de um abuso e quando se trata de um abuso não devia haver dualidade de critérios - oh não que horror! Então e isto? Ah, isso é fofo...E o sim também não é desculpa para se fazer tudo o que se quiser. Não acho que haja maneira de alterar esta percepção quando se continua a dizer às raparigas que devem abrir as pernas porque senão eles vão procurar outra, que não faz mal uma mão atrevida ou que elas valem pouco e por isso devem aceitar qualquer migalha de atenção.

 

Diz que sim, ele gosta tanto de ti...Os psicos têm um sentido especial para descobrirem as pessoas mais vulneráveis e continuar a meter isto na cabeça das miúdas só as torna um alvo fácil. É provavel que muitas pessoas pensem que nunca ensinariam nada disto, mas quantas ideias destas são passadas inconscientemente no normal dia-a-dia? Uma vez que são consideradas normais ninguém pára para as analisar realmente...Parece que o pessoal precisa de voltar ao tempo das revistas Bravo - será que é amor? Responde as estas perguntas e descobre! Primeiro item: ele (ou ela) trata-te como um lixo? Devo ser mesmo velha porque acho que numa relação minimamente saudável e satisfatória deve haver sei lá respeito? Cuidado? à vontade? Não sei o que chamar a este tipo de relações de hoje, nem àquilo que as pessoas esperam delas...Não admira que algumas destas relações consigam ser menos fortes que aquelas pulseiras das urgências - não gozem da última vez achei mesmo que ia ter de passar a vida com aquilo no pulso - e que algumas dessas acabem em sangue.

A Beleza da Violência Doméstica

Enquanto lia este texto sobre violência doméstica num dos blogs que sigo e lembrei-me de um assunto: a romantização da violência. Não parece que está por todo o lado? Livros, música, filmes...Até nas notícias: dois adolescentes a cometer assaltos? Vamos chamar-lhes os novos Bonnie e Clyde! A história destas duas pessoas é interessante, mas eram assassinos de qualquer modo por isso talvez seja melhor não incentivar a miudagem a tentar imita-los. Acho que hoje em dia ninguém com o mínimo de cérebro vai dizer em público coisas como ela quanto mais lhe bato mais gosta, mas a questão é mais insidiosa do que parece - mesmo que vocês achem a frase anterior horrível podem acabar por achá-la normal de tal maneira está bem camuflada. O problema do sexismo, por exemplo, também é esse: é fácil apontar para as mulheres de burka no Afeganistão, mas é difícil eliminar a discriminação do dia-a-dia neste nosso cantinho. Alguém se lembra daquela música dos Fun que passou na rádio quase ao ponto do vómito? Tonight, we are young, So let's set the world on fire...Blá blá blá. Há uma parte que diz - Asking about a scar and, I know I gave it to you months ago, I know you're trying to forget. Como assim uma cicatriz que ele lhe deu?! Uma pessoa ouve uma música engraçada, começa a trautear e quando vai a ver é isto...

 

Há uns posts atrás eu disse que andava a ler um livro YA daqueles típicos com uma rapariga insonsa que encontra um rapaz perfeito. Pois bem, já acabei e posso dizer que aquilo é tão mau que até fiquei zonza. A rapariga só chora e o tipo que supostamente gosta dela vive obcecado por lhe saltar para as cuecas. Metade dos diálogos giram á volta do tema fazerem ou não fazerem sexo - "Sinto-me mal por não te dar a coisa que tu disseste que querias", e ele responde - "como devias". Pode isto gente? Também já vos falei daquele em que uma rapariga leva uma estalada e fica toda meiga logo no início...E sim, estes livros são recomendamos para adolescentes. É algo que também acontece com outros títulos: o Monte dos Vendavais é uma história de amor tão linda...Não, não é! As personagens são para lá de loucas. Infelizmente desde o Crepúsculo este livro também passou a ser recomendado para jovens. Nem a Lolita...O Nabokov deve dar voltas na tumba cada vez que alguém diz isto. O que não impede que sejam dois livros muito bons. Só não são histórias de amor simplesmente. Ás vezes quando falo sobre as cinquenta sombras, o caminho disto em direcção ao esquecimento está muito lento, dizem que sou exagerada ou que toda a gente tem direito a expressar a sua opinião...Claro que tem, aliás os autores podem publicar os livros que quiserem, mas isso não vai fazer com que seja certo colocar culpas numa personagem de dezasseis anos por não querer dormir com um tipo qualquer...Não importa quantas larachas bonitas ele lhe disse. E naturalmente também não vai fazer com que coisas como estas sejam aceitáveis, mesmo que se ganhe rios de dinheiro á conta disso:

 

 - You're obviously not listening to the right part of your body. Alaska is very cold and no place to run. I would find you. I can track your cell phone – remember?

- You need to learn to manage my expectations. I Am not a patiente man (...) I worry and it´s not an emotion i´m familiar with and i don´t tolerate it very well

- No, I protest, trying to kick off. He stops. If you struggle, I´ll tie your feet too, if you make a noise Anastacia, i will gag you

- you have one thing, one thing to remember. Shit! I don´t fucking believe it. How could you be so stupid?

 

Já li algumas coisas românticas nesta vida mas não se comparam com isto....Que classe! Não me julguem, mas cada vez que alguma coisa sobre esta treta vem até mim é sempre pior do que antes - quando o fenómeno explodiu na blogosfera eu achava simplesmente que era um livreco mal escrito, mas agora faltam-me palavras para descrever ou melhor ocorre-me uma pergunta - há algum tipo de abuso que esta edificante trilogia não glorifique? Apenas quatro frases (se tiverem interesse em saber o contexto, acreditem não vale a pena) e pelo menos duas configuram crimes. O pessoal da APAV é que é sortudo, pois vê isto todos os dias ali ao vivo e a cores. Claro que vocês podem ler os livros, estes ou quaisquer outros do estilo (há todo um género de romances eróticos com machos alfa...Se souberem ler inglês têm literatura para o resto da vida) só pela piada, seja ela qual for. O problema aqui é quando o pessoal começa a extrapolar - ler O Monte dos Vendavais e gostar é uma coisa, querer um Heathcliff na vossa vida é outra...Ou seja concordam que agir como um stalker doente é aceitável e por consequência não devem ficar chocadas quando no telejornal ouvem falar que uma mulher foi espancada até á morte. Estão a ver como a romantização da violência é insidiosa? Sim essas notícias são horríveis, mas isto não tem que ver...Isto é fofinho! Gente, é a mesmíssima coisa. "Terrível esses casamentos arranjados na Índia...Olha lá quando é que estás a pensar dar-me um neto, depois ficas velha. Ninguém te mandou andar a abrir as pernas para este e aquele".

 

A nossa sociedade ainda é muito condescende: ou ela não é uma boa esposa, ou ela andava na rua até tarde, ou toda a gente sabe que elas gostam é dos maus...Parece que qualquer tipo de desculpa serve. E depois é preciso admitir que somos uns consumidores do mais fácil que há - um livro bem trabalhado pela equipa de marketing ou uma música com uma boa batida e o resto é secundário...Mas romantizar ou glorificar abusos é especialmente perigoso - é a este tipo de "amor" que queremos a que uma jovem aspire? Imagino que para quem produz algo destinado a venda seja mais apelativo dar um ar obscuro do que incluir essas coisas comezinhas como respeito, lealdade ou compreensão, aliás não percebo esta história do consenso - ela (ou ele) disse que sim logo posso fazer o que quiser. Não! Se vocês notam que aquele não é o melhor momento ou que a pessoa está mais nervosa do que um estagiário no primeiro dia de trabalho, simplesmente não continuam. É o que penso...E também penso que este mundo está cada vez mais estranho.

 

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