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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Segunda-Feira: festejos

 (Zoe Kravitz)

 

Pronto, já me posso queixar do ano novo. Realmente não gosto: Para começar ninguém se cala com a história das resoluções, não importa que no final acabem por não cumprir nada daquilo. É um ciclo vicioso. Depois não sou festiva. Só quero o meu sossego e o menos de confusão possível (e passas são um nojo), mas o ano novo é como o Verão: se ficamos em casa a ler ou debaixo das cobertas ficamos com a sensação de que não estamos a aproveitar a vida. Devíamos estar às cambalhotas com alguém em vez de ler romances históricos sobre pontes. Também não gosto de coisas que envolvam mudanças: não é que não queira que este ano acabe, também não quero que o outro comece...Aff. Continuo com o Vale das Bonecas, não tenho avançado nada e não é por estar a ler mais três. A Ponte Sobre o Drina foi sugerido num post anterior. Quem tem bons seguidores tem tudo. 

Segunda-Feira: Experiências

 (Jean Jani)

 

Por muito tempo achei que comer gelado com batatas fritas era nojento. Mas ontem fui ao McDonald's e vi a luz: batatas quentes molhadas no gelado é tão, mas tão bom...Quase tanto como comer bolachas dentro do pão. Recomendações gastronómicas da semana. Também fui a uma feira de velharias. Havia rádios, máquinas registadoras, bercinhos, bonecas...Todas essas coisas que propiciam que pessoas de idade comecem a contar episódios da sua vida e que já não se encontram em mais lado nenhum. Havia uma caixa com fotos daquelas já amarelas! Também havia uma máscara de gás - por um momento tive que considerar o que seria mais estranho: se mostrar interesse na máscara ou numa pilha de velhas revistas da Playboy que estavam umas bancas mais atrás. Umas horas depois em casa descobri o que é o amor - quando gostamos de um autor a ponto de tentar ler em PDF no tablet. A sério...

Segunda-Feira: Lembrar

 (Elizabeth Taylor, fotografia de Peter Basch)

 

Eu sei, está calor e o pessoal está contente...Mas hoje já acordei suada e não gostei. Depois de tantos posts com queixas do frio, chegou a minha vez de reclamar. Não sei se vocês costumam orientar as leituras consoante o tempo que faz - eu nunca consegui tal. Foi por isso que acabei a ler o Jogador do Dosto numa noite de Verão deitada no meu pátio e o Equador num dia de Dezembro. Há livros que são melhores para ler na praia, por exemplo. Também nunca fui boa nessas conjugações: um dia decidi meter no saco um pequeno livro sobre refugiados que li sentada à sombra. Ainda me lembro do contraste entre o texto e a calma do ambiente. Isto acontece-me amiúde: lembrar-me de onde estava, em que posição e em que estado de espírito quando li certo livro. Talvez seja um pouco deprimente que uma parte das memórias de alguém sejam: pessoa a ler qualquer coisa em qualquer lado. Mas é assim. Há aqueles livros que se lêem melhor numa certa posição, de noite e não de dia...São objectos caprichosos, pesados de tantas memórias. Se pensarmos por esta perspectiva uma estante torna-se de algo de muito íntimo. E no entanto como gostamos de as exibir!

Segunda-Feira: Old Soul

 (Elizabeth Olsen)

 

Ando viciada na nova rubrica da Rádio Comercial - gira discos. Há episódios que me fazem o coração dar saltinhos de alegria. Fico a pensar se não será mais difícil para os miúdos de hoje desenvolver um conceito de nostalgia. É tudo tão incrivelmente rápido: uma banda que é hoje e amanhã já é outra, um livro que se vendeu muito e agora apodrece nas estantes. Não há tempo para desenvolver real afeição por alguma coisa. E uma pessoa com vinte anos já se sente velha...Eu na verdade não podia passar sem Youtube, já o Face pode ter um treco que não me faz falta. É obvio que o conceito de privacidade já sofreu grandes alterações e que o conceito de memória terá também inevitavelmente de passar por essas mudanças - um dia teremos um dispositivo para armazenar todas as memórias (24 horas por dia), tudo guardado por pastas e com possibilidade de apagar e reorganizar a gosto...Por exemplo, por culpa do gira discos não consigo agora tirar o glory of Love da cabeça. Entretanto acabei o Castelo do Kafka - estive contar o número de livros que já li este ano e achei deprimente, mas com leituras como esta não faz mal. E sim, há quem ache difícil, sem sentido e se irrite por a obra não estar acabada. E é isso tudo, por isso é que é tão boa. Vamos ver se agora começo o Maus. 

Segunda-Feira: Apetites

 (Reese Witherspoon)

 

Prossigo com a leitura do Castelo. Li vinte páginas, voltei ao início, li sessenta voltei ao início de novo. Agora já vou a meio. Persistência - é um livro genial por isso vale a pena. No sábado avancei um bom bocado, mas ontem não resisti a trocá-lo por um juvenil adorável que encontrei por aí. Não posso dizer que tenha avançado muito nos outros três que estão na mesa de cabeceira. Dois provavelmente vão voltar para a estante e o terceiro vou acabar, porque assim como assim já vou a meio: é um romance de espionagem..Envolve um historiador irritante - onde é que já vi isto. Esta é a prova que não consigo seguir qualquer tipo de planeamento a nível literário. Não vou acabar os livros que tinha estipulado e ainda vou buscar outros. Na verdade, trinta segundos depois de fazer o plano já estava a achar que era má ideia...Entretanto depois de algumas contas cheguei à conclusão que o orçamento para a FL está curto. Vou acabar sentada num banco a comer uma bola de berlim enquanto olho para as bancas - a bola de berlim da depressão. Por acaso comi uma com chocolate esta semana: não há fotos porque não me lembrei e porque de qualquer modo não é socialmente aceite gordas mostrarem que comem essas coisas - e regras sociais é comigo. Mas não atenuou o meu desejo incessante de comer strudel de maçã com gelado de baunilha a meio da noite - ou queijo, ou pringles...

Segunda-Feira: Pontos

 (Frances Bean Cobain. Fotografia de Hedi Slimane)

 

Opinião: está tudo animado por causa da chegada da Primavera, mas eu não partilho desse sentimento devido a - alergias, torturar as pernas porque fica demasiado calor para usar meias e esta sociedade é uma treta, não conseguir mais dormir confortável debaixo de três cobertores, olhares de lado quando visto de preto e depois é o Verão e os anúncios para ter um "corpo de praia", as fotos nas redes (ainda querem que abra uma conta no Face) e ficar entediada é pior quando está muito calor. As praias cheias de gente...Não é rabugice do momento. Genuinamente não sou fã do Verão e pretendo até abrir uma associação para reunir as pessoas que também não o são.

 

Novas do meu pé torcido: dor 

 

Actualização das leituras: li uma coisa chamada Miss Peregrine's Home for Peculiar Children. Algumas pessoas já devem ter ouvido falar especialmente porque o Tim Burton fez um filme dele a estrear em breve. Gente, é péssimo...O livro, não o Tim obviamente. Até fiquei abananada. A vida não gosta de desafios: então andas a ler coisas boas, cinco estrelas e tal? Como disse no post anterior não se pode ser muito picuinhas com este tipo de livros, mas ainda assim...Entretanto acabei a História do Cerco de Lisboa e fiquei mais contente. Tenho neste momento três em leitura. 

 

Um obrigado: a uma pessoa que entrou aqui usando o termo de pesquisa - "coisas que se dizem e não se cumprem"...Vou por isto na descrição do blog. 

Segunda-Feira: Tristessa

 (Lana Del Rey)

 

Não vi os Óscares. Já não tenho televisão no quarto: há meses que não a ligava até que me cansei de a ter ali. Devia tê-la tirado depois da cerimónia, mas de qualquer modo não sinto falta. Entretanto passei por uma variedade de sentimentos literários. Ligeiro enfado: o romance histórico sobre D.Sebastião nunca mais chega à parte fatal tadinho, desespero: decidi continuar com a minha ideia de um dia ler todos os contos de Lovecraft, irritação: tentei ler um romance com uma boa premissa, mas não deu. Escolhi outro e o sentimento provocado por este é difícil de definir. Uma tristeza, mas não pelos motivos habituais quando personagens morrem ou assim. É qualquer coisa que vem da maneira como alguns livros estão escritos, como são tristes de uma maneira tão íntima e simples que conseguem quebrar qualquer coisa bem cá dentro. É como uma vez em que olhei para um céu estrelado e tive vontade de chorar - era tão bonito que doía. Só me ocorrem três livros que num passado recente me tenham feito chorar do nada, simplesmente pelo poder das palavras. A Strange melancholy pervades me to which I hesitate to give the grave and beautiful name of sorrow. Não é estranho como alguns autores se afadigam a escrever volumes quando uma única frase pode atingir um coração? 

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