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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Goodbye My Love Goodbye

No dia de hoje em que personagens insuspeitas como poetisas e moscas certeiras adentram o palco da actualidade, há também lugar para alguma desilusão por parte dos leitores que claro que têm sempre os seus preferidos - o que eu questiono é o seguinte: quantas pessoas têm consciência que os livros do Murakami, apesar de sem dúvida mostrarem talento, também são muitas vezes sexistas e mostram uma clara dificuldade em construir personagens femininas, para lá da mera projecção masculina dos protagonistas. Raramente vejo este aspecto ser abordado e eu li para aí uma dezena de livros por isso sei do que estou a falar...Não admira que agora arranje qualquer pretexto para me escapar de reler alguns livros que tenho na estante, pois tenho medo. Um coração feminista é um coração que está sempre a sofrer desilusões. 

Duvidoso Ensino

É triste que os programas de Português contemplem tão pouca ou nenhuma literatura dos países de expressão portuguesa. Lembro-me de ter analisado um conto, talvez do Mia Couto, envolvia uma vaca e um menino que pisava uma mina. E nada mais. Também tenho memória de um manual ter um conto da Clarice, ou pelo menos parte dele, aquele da rapariga com o livro [Felicidade Clandestina], mas é uma memória mesmo muito vaga, posso tê-lo visto noutro lugar. Dá-me a sensação que não damos a mínima para a literatura brasileira, que fará para os restantes. Será recíproco? Já contei aqui que quando estava à procura de informação sobre O Dia dos Prodígios da Lídia Jorge pasmei diante de duas teses de mestrado de pessoas brasileiras sobre o livro - pode ser um exemplo pouco importante, mas é mais interesse do que aquele que eu vi os meus programas de Português demonstrarem pela autora. Ou por escritoras em geral. Sem surpresa, com a História era igual - dava-me ao trabalho de estar acordada às oito da matina para ter duas horas daquilo e nem tinha o direito de abrir o manual e ver-me representada. Foi assim que aprendi o que é amor não correspondido. Talvez as coisas agora estejam diferentes...A culpa não era das docentes, é assim que o sistema está feito. Há coisas que não interessa analisar. E continuo a ver as discussões centrarem-se muito na dificuldade dos livros que fazem parte do programa e pouco na questão da diversidade e da igualdade. 

Factos e imaginação

Quando digo que gosto de clássicos e que pouco sei do que está na berra, que não leio muitas coisas românticas nem de supernatural, de fantasia ou auto-ajuda...Faz parecer que sou uma esquisitinha. Mas constato agora que não sou nada comparado à pessoa que encontrei num vídeo algures a dizer que os miúdos na escola deviam era ler coisas práticas com factos e estatísticas em vez de romances, que não são produtivos...Não é a primeiro vez que encontro opiniões como esta e gente que ostensivamente diz que não lê ficção. Que vida literária triste...Também há a versão, menos dramática: não leio romances. Como se um sem número de autores consagrados não tivessem construido as suas carreiras escrevendo romances e como se isso não fosse uma boa parte do cânone literário...Talvez um dos motivos seja a confusão que se faz entre romance e romântico. Depois do outro lado há quem diga que nunca lê não-ficção - o que também não me faz muito sentido. Há não-ficção sobre todos os temas, escritos numa variedade de estilos...São dois tipos de leitura que podem muito bem conviver.

A leitora sofre

No que toca a atribuir estrelas às minhas leituras não me considero sovina - dou a várias cinco estrelas, é por isso que acabo com listas de favoritos de um tamanho absurdo. Mesmo em livros que não se revelam tão bons geralmente encontra-se qualquer coisa para "puxar para cima", penso que só dei uma estrela o ano passado...Já acabei os dois livros mencionados no post anterior e é possível que isto seja uma vingança da Circe: duas leituras uma estrela. Leitora (às vezes) sofre.

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