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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Livros e Ar Livre

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Têm sido dias difíceis para esta que vos escreve por isso aqui fica uma foto dos meus dois livros novos, de um já tinha falado aqui. Tive que encomendar porque não havia na loja. A secção de História nessa loja só ocupava umas três prateleiras, o que achei inadmissível. Novo Mundo é da editora Sibila, tem uma bela capa e é mais uma autora portuguesa - que já li antes, Quatro Novelas que tirei do site Adamastor. O que está no telemóvel é o We Were Young and at War: The First-Hand Story of Young Lives Lived and Lost in World War II, também já mencionado aqui antes penso eu. Tenho lido no meu pátio aproveitando o ventinho deitada de barriga para cima. Foi conselho médico.

Livros e convites ao amor

Depois de me ter apaixonado pelo The First-Hand Story of Young Lives Lived and Lost in World War II e de me ter resignado ao facto de ele não existir em lado nenhum que me seja acessível, agora estou apaixonada por este: Ravensbruck: Life and Death in Hitler's Concentration Camp for Women. Não é frequente que a história das mulheres seja considerada digna de ser contada e isto é uma densa investigação com mais de 700 páginas. Não que eu seja doida, mas sim: fiquei com vontade de me precipitar para a Fnac mais próxima. Só que depois vi que custava trinta euros e já não me precipitei. Dramas de um leitor, ou o livro a) não existe b) existe, mas têm primeiro que vender os vossos globos oculares no mercado negro c) já existiu no ano em que a Torre Eiffel foi construída e agora nada d) faz parte de uma série e) só o primeiro e (talvez) o segundo estão publicados. Numa nota mais positiva continuo a ler autoras e acabei Esta Distante Proximidade da Rebecca Solnit que trouxe da Feira do Livro. Se todos os que trouxe de lá forem como este sou uma leitora feliz. Eu podia apimentar este blog com outros assuntos, mas geralmente só me apetece escrever sobre livros e feminismo. É pena que os homens não olhem para estes dois temas como um convite ao amor. Se o meu príncipe encantado entrasse agora no meu quarto: primeiro iria tropeçar na bagunça, depois iria olhar para mim de pijama e peúgos a escrever um texto de mulherzinha com uma pilha de livros ao lado, iria suspirar e virar costas. Morada errada, amigo. Na verdade, penso muito em textos feministas enquanto lavo loiça...Ah, quando o coitado percebesse já seria tarde demais para fugir.

Algumas leituras mortas

Acabei Stiff - The Curious Lives of Human Cadavers. Não é o primeiro livro sobre cadáveres que leio este ano. Antes dele li Smoke Gets in Your Eyes: And Other Lessons From the Crematory, uma óptima leitura (Caitlin Doughty é agente funerária e começou a carreira trabalhando num forno crematório. Tem um canal de Youtube) Já o da Mary Roach é tão mal escrito e forçado que chega a ser embaraçoso. Ainda assim podemos tirar dele algumas reflexões, por exemplo - é muito esquisito que uma pessoa esteja a ler um capítulo sobre transplantes de cabeças e pense: puxa já li isto! já conheço essa história da cabeça do cão que foi implantada noutro. Isto leva a pessoa a questionar-se em que contexto anterior apreendeu esta informação. E logo a seguir a tentar apaziguar-se: é apenas curiosidade pelo mundo. Pensando bem deve ter sido isto o que os cientistas que andaram a encaixar cabeças de cães e de macacos devem ter dito. Não pesquisem por isto. Nem por sapatos de ferro. Claro que se o fizerem aumentarão o vosso leque de desbloqueadores de conversa, mas depois de alguns testes práticos posso dizer que falar de tortura envolvendo ratos que escavam estômagos ou sobre os vários estágios da decomposição humana nem sempre resulta.

Coisas Terminadas

Não este blog. Calma. Alguns livros. Jane Eyre - puxa, como eu amo este livro com a sua mistura de romantismo, estranhas coincidências, escrita maravilhosa, feminismo, orgulho britânico exagerado e raparigas espertinhas. Lembrava-me do geral da história mas agora muitas coisas saltaram-me à vista de uma forma nova. É de facto mais hilário do que eu pensava (aqueles diálogos entre os dois...), tem mais tensão sexual e é sem dúvida feminista em várias partes. Charlotte percebeu em 1847 o que algumas pessoas não conseguem em 2018. Que uma mulher não tem como ser feliz uma relação que não é igual. E não só. Jane é como um cavaleiro pequenino enfrentando desafios para ganhar não um prémio físico, mas para se tornar um ser humano mais completo e independente. No fundo o que os humanos sempre desejaram: encontrarem a felicidade consigo mesmos, na relação com outros e neste caso também com Deus - tinha passado este tópico meio por alto da primeira vez.

 

Enquanto isso também foram terminados: uns contos de terror clássicos muito levemente picantes, incluindo um que era sobre mulheres que levam a cabo um ritual sexual com uma pedra. Aquilo era um bocado vago por isso é possível que não fosse nada disso, mas esta minha versão é mais gira. Devia escrever. O Let's Pretend This Never Happened da Jenny Lawson que é anterior ao Furiously Happy lido algures este ano. É lunático. Estava curiosa para saber alguns detalhes como a história por trás do rato morto empalhado vestido de Hamlet (que aparece na capa) e de como ela e o marido se conheceram - não fiquei desapontada. Vou incluir um lince na lista dos itens que preciso para seleccionar um marido. Esta lista inclui, porque também me preocupo com o assunto, uma cópia do documentário como sobreviver ao holocausto zombie e o Dom Quixote.

 

Parece aleatório mas se vou dar a minha vagina a alguém por um longo período de tempo tenho de ter critérios. Devia ter dito coração? E o Prime of Miss Jean Brodie, o meu terceiro livro da Muriel. Não sei como é que isto aconteceu. Mas faço referência a ele para mostrar que as obras-primas podem ter vários tamanhos. Estou entusiasmada com as próximas leituras: falam de cadáveres e de vaginas. Não vaginas de cadáveres. E da Cleópatra, se arranjar tempo. Não sobre a vagina do cadáver da Cleópatra. São temáticas diferentes. Se não perceberam vocês têm um problema. Oportunamente darei detalhes. 

Relendo livros e assim

Além da ideia de ler mais não-ficção feminista ando mesmo com a ideia de reler alguns livros, não sei se já tinha falado disto aqui. Ainda não coloquei em prática pois cada vez que olho para a estante e tento escolher o que vou reler acabo com uma pilha de dez títulos no mínimo...Muita gente não gosta de voltar a algo que já foi lido com tantos livros interessante à espera de uma oportunidade. Mas acho necessário por várias razões: já quase me esqueci da história de alguns e não gosto disso, eu devia conhecer todos os livros. Por exemplo amei o Vermelho e o Negro e já quase não sei por quê...Isto de andar a experimentar coisas novas é giro, mas também é cansativo. Não posso viver tanto tempo sem os meus clássicos, especialmente quando as últimas leituras não foram nada de extraordinário. Li Carol, que deu origem depois ao filme em 2015, mas achei aborrecido. E li um livrinho que me foi amavelmente sugerido: os estranhos eventos que levaram a personagem principal, uma jovem chamada Shirley, a iniciar a sua luta contra o patriarcado.

 

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A minha reacção sempre que alguma coisa feminista se cruza no meu caminho. Ao reler há uma forte probabilidade de descobrir que alguns livros são sexistas não é?

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