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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Perfeitamente razoável

Tinha a intenção de entrar numa livraria para comprar um livro de um autor. Um livro para celebrar a mudança de ano, além disso cheguei à conclusão que neste momento já não preciso de comprar só escritoras...Também não queria demorar muito tempo. Tudo perfeitamente razoável. Ora, algum tempo mais tarde e depois de ter entrado em dois sítios diferentes, regressei a casa com dois títulos ambos de autoras. O que posso fazer...

Viciados (as) em listas

Voltando aos reading journals, percebo que há pessoas que são realmente viciadas em listas quando vejo fotos de inúmeras páginas preenchidas com listas não só dos livros que leram, mas dos que têm na estante por ler, dos que compraram, dos que ainda não têm mas querem ter/ler um dia, com títulos de clássicos, dos que não chegaram a acabar...O meu coração estremece quando encontro alguém que em vez deste minimalismo de escrita, divaga muito sobre cada livro...Mesmo que estes journals não fiquem tão estilosos. Claro que estas listas têm a sua utilidade (tomar nota das leituras abandonadas é um bocado deprimente...Ainda há pouco desisti de um), mas o meu amor por listas literárias vai mais no sentido de ir à procura delas e adicionar aos favoritos para consulta futura (aliás, a ideia de ler mais autoras envolve uma grande pesquisa nesse sentido), não tanto de fazer as minhas próprias. Dos livros que tinha listado para ler até ao final do ano passado, alguns ainda estão à espera...

Reflexão profunda sobre DIY com livros

Estava a pesquisar por reading journal, só para ver coisas bonitinhas e bem-feitas, quando encontrei tutorais que mostravam como transformar livros em objectos de decoração, em colares...Deve ser este o seu fim quando todos aderirmos ao digital, pensei logo. Depois dei por mim a ler um artigo em que se discutia esta questão polémica em que de um lado estão as pessoas que não acham mal e do outro as que acham um crime. Eu tendo para este último grupo...

 

É verdade que algumas pessoas só se interessem pela parte decorativa dos livros. Quando eu nasci não haviam livros em casa, portanto nada daquela visão romântica de colocar às escondidas uma escada para chegar aos títulos proibidos na parte mais alta da estante. Mas compravam-mos então comecei a criar uma mini biblioteca. Ao ver estantes cheias de livros que pareciam nunca ser tocados ou gente que ignorava estantes que já lá estavam em casa...Não conseguia perceber. Acabei por me tornar um bocado agarrada aos meus livros.

 

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(tirado daqui)

 

É certo que eu se fizesse caixinhas usando os livros do Crepúsculo (tenho de começar a pensar em outros títulos embaraçosos para estarem na berlinda), não se perderia grande coisa, mas eles lembram-me outros tempos...Já escrevi aqui antes sobre as memórias que os livros encerram e de como gosto de pensar nas estantes como retratos pessoais nossos. Isto contraria aquela teoria moderna de que só devemos ter na estante livros que mostrem aquilo que queremos ser...Não gasto dinheiro em livros de auto-ajuda, obrigada. Nem em coffee tables books cujo conceito não atinjo...

 

Se tivesse uma mesa dessas estaria cheia de tralha e de leituras em andamento...A menos que o coffee table book seja o The Big Penis Book. Em alguns tutorais as pessoas evitam a fúria de book lovers por sugerir o uso de jornais ou listas telefónicas; há quem fale em usar livros que já ninguém quer (conceito discutível), usados (tadinhos dos muitos que tenho comprados já velhinhos) ou aqueles que já não queremos por várias razões, como já os termos lido...Ok, percebo que esta solução se aplique a quem já não consegue entrar em casa com tanto livro, que já nem saiba o que tem, ou que  descubra que por alguma razão tem cinco edições do mesmo livro...

 

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(Tirado daqui)

 

Ou que prefiram transformar em decoração no recato do lar esses livros do Gustavo e do Chagas que agora vos causam aquela vergonha, em vez de correrem risco de serem apanhados na rua a tentarem colocá-los no lixo... Mas eu cá não recomendaria deitá-los fora: são óptimos espantas espíritos. Os espíritos veem esses tomos e preferem voltar para o décimo circulo do inferno. Mas ainda não cheguei a essa fase, só tenho uma estante e mais um bocado de outra...O artigo falava em especial de pessoas que gostam de ler e de estar rodeadas de coisas livrescas.

 

Mas também é por isso que existe à venda imensa coisa com motivos livrescos. E assim poupamos a Jane Eyre de virar um Abajur. Claro que todos temos telhados de livro, já me livrei de livros. Aconteceu recentemente com uns que resgatei do lixo - fiquei com vários, mas alguns eram de autores que nem conhecia e depois achei que não valia a pena...No fundo o pessoal do DIY está certo, se bem que com o meu jeito de certeza que em vez de decorações elegantes iriam virar decorações de Halloween...

Rituais pós-Feira do Livro

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(Ilustração de María Hesse, tirado daqui)

 

Ir à Feira do Livro é giro (claro) mas há uma felicidade em chegar a casa com os livros novos e este ano não foi excepção. Normalmente os livros ficam um tempo em cima da secretária, só naquela de olhar para eles, e depois lá pego e vou arrumá-los na estante. Desta vez porque a secretária estava uma bagunçada e eu não estava com paciência para arrumar naquele momento - não consigo perceber as  pessoas que publicam fotos das mesas de trabalho\estudo e são coisas pequenas e elegantes todas limpas e arrumadas - levei os novos livros directamente para a divisão onde tenho estante, ficaram ali um tempo, às vezes ia-lhes deitando um olho. Há uma felicidade na expectativa.

 

Para arrumá-los tive de andar a colocar mais livros uns à frente dos outros para vagar mais prateleiras, até não ficou mal. É uma oportunidade para folhear os livros novos, ler as contracapas e esses bons mimimis e para ver o que está por ler. Neste momento o que está por ler de autoras só em papel ultrapassa largamente o número de autores. Penso que posso incluir autores na minha próxima lista para a FL, se bem que da dúzia de livros que assim de repente me ocorrem para preencher essa lista nenhum é de um escritor. Fiquei fisgada pelo O Romance do Genji - 15 euros uma edição nova, não vi se estava completa mas pareceu que sim. Já estava de partida quando vi. Tantas autoras, tão pouco tempo (e orçamento). Agora não estou a ler nada porque estou a actualizar o meu registo de leituras.

Razões para ter um diário de leitura

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E porque escrever (à mão) nunca devia passar de moda:

 

1. Ginástica para o cérebro: acho que é um bom exercício pensar no que se lê, tentar analisar os temas, as personagens, a estrutura narrativa de um livro...Em vez de acabar e colocá-lo logo na estante. Nas aulas sempre gostei de tudo o que implicasse escrever e analisar textos - é verdade, sou sopinha de letras. Então achei que devia continuar a escrever sobre o que ia lendo para não ficar destreinada. 

 

 

"One of the most effective ways to study and retain new information is to rewrite your notes by hand. That's because putting ink to paper stimulates a part of the brain called the Reticular Activating System"

 

(Esta citação e a seguinte tiradas daqui)

 

 

2. A pressão do ecrã: como amo papel e caneta pensei logo em algo feito à mão e fui comprar um caderno para esse efeito. E assim escuso de passar mais tempo em frente a um ecrã - posso escrever sem distracções e sem aquela pressão do cursor a piscar, especialmente quando o pensamento fica embrulhado. Nada pode superar a serenidade e a paciência do papel. 

 

 

"when you're all GIF'd-out and it's time to work on that dissertation, there's something to be said for the elegant simplicity of having only a pen and paper in front of you... especially since that paper probably isn't plugged into the distraction-laden internet. Try writing with laser-like focus for short 20-minute stretches at a time."

 

 

3. Os longos e os curtos: ter de andar cortar um post por ter ficado grande demais é doloroso, mas este problema não se coloca se estiver a escrever só para mim. Posso discorrer sobre um livro por seis, oito páginas ou mais. 

 

4. Judge free zone: por exemplo, quem tem um blog literário não vai publicar textos às três pancadas. Têm no mínimo de estar articulados e sem erros - querem que as pessoas gostem dos vossos posts e voltem para ler mais. O que escrevemos tem influência e há sempre um julgamento implicado. Pessoas vão julgar os vossos gostos literários e a vossa visão da história (e às vezes vão ficar irritadas por não concordarem). Ao manter um registo pessoal não tenho de me preocupar com isso.

 

 

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Diários de  Marilyn Monroe (tirado daqui)

 

 

5. Erros: enquanto cada post publicado aqui é lido várias vezes para despiste de erros, no meu registo de leituras isso não acontece. Não é que escreva de qualquer jeito, mas não vou andar a corrigir tudo nem a colocar acentos...É libertador.

 

6. Do fundo do coração: penso que já falei disto em tempos - não publico literalmente tudo o que me vem à cabeça, embora às vezes dê vontade...Tem de haver uma filtragem e isso também é válido para quando falo de livros. É bom ter um espaço privado e seguro onde se possa escrever tudo.

 

 

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(Fed up with teaching young girls their lessons, future novelist

Charlotte Brontë began a diary entry that grew into a fictional fantasy - mais aqui)

 

 

7. Be happy: não tenho dúvidas que escrever além de ginasticar o cérebro também ajuda a aliviar o stress, contribui para o equilíbrio mental e para a felicidade. Escrever sobre livros (e não só) é algo que me deixa feliz e há qualquer coisa de gratificante no acto de escrever com a própria mão numa folha.

 

 

Expressive writing is a route to healing -- emotionally, physically, and psychologically. Dr. James Pennebaker, author of Writing to Heal has seen improved immune function in participants of writing exercises. Stress often comes from emotional blockages, and overthinking hypotheticals. He explains, "When we translate an experience into language we essentially make the experience graspable." And in doing so, you free yourself from mentally being tangled in traumas.

 

(tirado daqui)

 

 

8. Espera, mas eu escrevi isto? Num mundo onde nada é apagado e tudo o que postamos fica a flutuar até mesmo depois de perecermos, é bom saber que podemos simplesmente arrancar uma página com um texto que saiu torto e mandá-la para o lixo...

 

9. 2+2=5: temos de conviver com o facto de as nossas informações, incluindo preferências literárias, quantos livros lemos, quanto tempo demoramos em cada página...Serem escrutinadas. Com certeza que quem disponibiliza ebooks e kindles não ia deixar de aproveitar esse manancial de informação. Não há modo de evitar deixarmos um rasto atrás de nós...Mas quando estou a escrever acontece pensar nisto - e sentir-me subversiva. Estou offline, quem me vai controlar ou ver qual é o assunto do meu texto? Ninguém! Por enquanto. 

 

10. Uma questão de peso: tal como os livros em papel, um registo físico é algo em que podemos pegar e folhear, algo que tem peso. Além de que pode ser personalizado a gosto. Por exemplo, pegando no meu primeiro caderno (com uns sete anos) vejo que usei oito páginas para falar do Atonement e que o que escrevi sobre uma das releituras do Memorial do Convento não poderia aparecer aqui. 

 

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(Diário de Frida Kahlo. Tirado daqui)

 

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