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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

caracóis intensos e homens complicados

Os caracóis têm uma vida sexual intensa. Sim, sou o tipo de pessoa que pesquisa coisas destas em vez de estar a dormir, mas desta vez o assunto foi-me trazido à atenção por um livro que li. Basicamente, a autora ficou gravemente doente e nem se conseguia levantar da cama, um dia a pessoa que cuidava dela levou-lhe um vaso com violetas e um caracol. Para ajudar a passar o tempo a autora começou a observar o comportamento do caracol. O livro tem várias informações interessantes: sobre o padrão da casca (uma espiral logaritmica), a baba (o caracol não produz apenas uma baba genérica, mas diferentes tipos de baba dependendo da função para a qual é necessária e as composições são específicas de cada espécie), a dentuça (2,640 dentes), o modo como "veem" o mundo (os tentáculos de baixo para o sabor e os de cima para o olfacto)...E aparentemente as suas actividades reprodutivas faziam corar os pobres naturalistas vitorianos. Era fácil fazer corar o pessoal daquela época, paradoxalmente a factos como as ruas Londres estarem pejadas de prostitutas. O ano passado numa pesquisa relacionada com o livro que andava a ler encontrei um artigo com os números concretos...É como se costuma dizer: os homens são difíceis de entender, deviam vir com um manual de instruções.

 

 

[Deep Look é um óptimo canal. Recomendo]

 

Leituras femininas em português

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(Ilustração de María Hesse)

 

Eu sei, este blog anda moribundo. Estou a tentar reduzir tempo passado ao pc e o blog foi a primeira coisa a ressentir-se. E anda mesmo a precisar de mudar de imagem, coitado. Continuando o post anterior, já terminei o volume de contos da Maria Judite de Carvalho. Dividido em três partes: Flores ao Telefone (gostei muito); Os Idólatras (contos com um inesperado toque de ficção-científica, gostei) e Tempo de Mercês (foi a parte que gostei menos, começa com um conto longo que achei um pouco aborrecido). Fiquei interessada em ler mais, talvez devesse comprar o primeiro volume. Também já acabei o Dia dos Prodígios da Lídia Jorge. É Fantástico. Podia fazer parte do currículo obrigatório, se fosse permitida a entrada de mulheres. Entretanto lembrei-me que não mencionei aqui outros dois livros em português que li: Laços de Família da Clarice e A Casa da Cabeça de Cavalo, Teolinda Gersão. Um romance. Tão bons...Agora vou já saltar para o livro da Paulina Chiziane. 

Espionagem e Contos

Outro dia fiquei contente de encontrar este livro: Name: Lise. The True Story of the Woman Who Became WWII's Most Highly Decorated Spy. Tenho no pc em inglês, mas pensei que se lixe quero! Mas rapidamente deixei de querer: 20 euros! Devia ter ficado pelo que estava em promoção. Tenho dois livros nesta situação, sobre mulheres escritos por homens: este e o Fly Girls: How Five Daring Women Defied All Odds and Made Aviation History. E também quero muito ler O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico. Para o ano se verá. Entretanto descobri que tenho aqui outro livro sobre uma espiã na WW2, escrito por uma autora. Há muito material para explorar, pena que o cinema continue a alimentar as mesmas pilhas de lixo. Entretanto também comecei os contos da Maria Judite de Carvalho (volume III). Junta-se a outros livros do género que já li este ano, da Lídia Jorge, da Clarice e da Shirley Jackson. E ainda há pessoal que diz que os contos valem menos que os romances....

Mescla de pensamentos literários

1. Constatei que a ideia de ler só escritoras este ano não é assim tão espectacular - é que já faz mais de um ano que li o último autor. Está cumprido o desafio e nem tinha dado conta. Mas agora vamos em frente.

 

2. Em tempos encontrei um artigo que dizia que se houveram mais mulheres atrás das câmaras como realizadoras, o número de filmes com personagens femininas aumenta. Posso comprovar isto por experiência com os livros: desde que comecei a ler escritoras o número de livros com personagens femininas no papel principal aumentou e muito (e nem contando o número de livros que abordam experiências femininas e que falam de desigualdade, directa ou indirectamente). Nunca acreditem em quem diz que não faz diferença o género da pessoa que escreve ou realiza.

 

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(tirado daqui)

 

 

3. Com frequência fico abismada com a diferença entre a experiência masculina e a nossa. Em coisas grandes como liberdade, mas também em coisas corriqueiras. Como bolsos. Ou cabides...

 

4. Escolher as leituras aleatoriamente tem os seus contratempos, depois de terminar o The Sweet Dove Died da Barbara Pym o Random.org sugeriu que eu lesse The Death of the Heart da Elizabeth Bowen e após nova tentativa Os Anos, da Virginia. Não me pareceu que esta combinação fosse dar certo...

 

5. Andei a imprimir pequenas imagens fofas para colar no meu diário de leituras actual e assim torná-lo mais bonito - e até ficou mesmo sem stikers coloridos nem tinteiro a cores, mas isto foi uma coisa que me lembrei à uma da manhã.

 

6. Deram-me um livro de presente: Marquesa de Alorna, Maria João Lopo de Carvalho. Fiquei bem contente porque preenche as duas condições que me interessam e é um romance histórico volumoso.

Leituras de Abril

Links interessantes:

 

Collective Biographies of Rad Women Through History 

 

10 Best Literary Instagram Accounts for Book-Lovers 

 

Conta de Instagram do Planned Parenthood

 

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Algumas coisitas lidas:

 

The Member of The Wedding, Carson McCullers (1946): no verão dos seus doze anos Frankie Addams sente-se solitária. As quentes tardes são passadas na cozinha com as duas únicas pessoas com quem mantém uma relação próxima: o primo de seis anos e a criada negra. Mas quando o seu irmão anuncia inesperadamente que vai casar, Frankie vê a tão deseja oportunidade de ser parte de alguma coisa e conseguir fugir da sua opressiva cidadezinha sulista. Que livro maravilhoso!

 

Maria: or, The Wrongs of Woman (1798): em sequência de Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher, Mary Wollstonecraft começou a escrever uma obra de ficção em que a personagem é presa num hospício pelo seu marido tirano. Aqui não há argumentação: a pena de Mary torna-se ainda mais directa e frontal, inclusive abordando temas que eram completamente tabu. Infelizmente o livro ficou por acabar, pois ela morreu pouco depois de dar à luz a sua filha Mary [shelley].

 

 

“Women who have lost their husband’s affection, are justly reproved for neglecting their persons, and not taking the same pains to keep, as to gain a heart; but who thinks of giving the same advice to men (...) ?"

 

 "A false morality is even established, which makes all the virtue of women consist in chastity, submission, and the forgiveness of injuries"

 

 

Marido e Outros Contos, Lídia Jorge (1998): o amor de uma sobrinha por um tio e a sua bicicleta; um professor que procura nos pássaros provas da existência de Deus, um cabeleireiro com um hábito fora do comum, uma mulher submetida à violência do marido...São alguns dos excelentes contos desta pequena colecção. Ao mesmo tempo um retrato preciso de um Portugal (talvez) passado....

 

A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te, Rosa Montero (2013): tirando por algumas informações sobre Marie Curie, que me fizeram desejar uma biografia como deve ser, não gostei muito deste livro...

 

Racismo no País dos Brancos Costumes, Joana Gorjão Henriques (2018): retratos concretos de descriminação de negros e afro-descendentes em várias áreas como educação, justiça, habitação...Que continuam a acontecer num país que vive na ilusão do bom colonizador e que aqui racismo não existe.

 

 

"No país dos brandos costumes (...) ninguém é racista porque racista são os outros (...) há cidadãos portugueses tratados como emigrantes, mas todos se vangloriam sobre as políticas de integração. No pais dos brandos costumes toda a gente é bem vinda, mas algumas pessoas têm mais probabilidade de ir para a prisão do que outras (...) Não se olha a cores, mas quase não há negros em posições de destaque (...). Numa sociedade inebriada com a mitologia de que não há racismo."

 

 

The war Against Women (1992): Marilyn French, feminista americana, traça um amplo retrato da sociedade dominada pelo patriarcado e das suas constantes guerras para nos subjugar e mesmo erradicar.  É quase um guia, abordando uma variedade de temas em vários lugares do mundo.

 

Está dividido em quatro partes: discriminação sistemática contra as mulheres - fala, entre outros, de como as revoluções da História nunca nos incluíram, aliás as nossas contribuições são simplesmente apagadas; como o trabalho da mulher é ignorado pelos índices económicos, como os governos tentam regular a nossa sexualidade, reprodução e o nosso corpo - incluindo mutilar o nosso pobre pipi (como se o resto que lhe fazem já não fosse suficiente...), muito pertinente a relação entre o surgimento de seitas fundamentalistas e extrema direita na América com a luta das mulheres.

 

Guerras institucionais contra as mulheres (tentativas de provar a suposta "superioridade" dos homens através da biologia; assédio, impedimento de progressão na carreira, descriminação na obtenção de justiça...); Guerra cultural contra as mulheres e a última parte - Guerra pessoal dos homens contra as mulheres (económica, violência e abuso sexual...).

 

Comprados:

 

- A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te, Rosa Montero [já lido]

 

- Os Íbis Vermelhos da Guiana, Helena Marques

 

- A Doce Pomba Morreu, Barbara Pym

 

- A Morte do Coração, Elizabeth Bowen

 

- Todos os Nossos Ontens, Natalia Ginzburg

 

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