Estas tags costumavam ser muito populares, as pessoas até se nomeavam umas às outras nos blogs o que era giro...Também era uma forma fácil de ter conteúdo para posts e de partilhar leituras. Depois deixei de encontrar coisas que me despertassem a atenção, há um limite para o número de livros com capas azuis ou com histórias passadas no campo de que nos conseguimos lembrar até se começar a tornar repetitivo...Mas esta tag pareceu-me interessante pois envolve diversidade - e acho que todas as oportunidades são boas para falar da importância de expandir as nossas leituras. Puxando um pouco pela cabeça consegui arranjar pelo menos um título para cada categoria, há uns anos teria sido bem mais difícil. É um work in progress - que só se torna possível através de um esforço consciente pois diversidade e igualdade não nos são "oferecidas" by default nos escaparates ou em listas.
1. Find a book starring a lesbian character
We Are Okay, Nina LaCour -- La Bastarda, Trifonia Melibea Obono -- Patience & Sarah, Isabel Miller
2. Find a book with a Muslim protagonist
3. Find a book set in Latin America
Títulos na TBR: People in the Room, Norah Lange; Bruna and Her Sisters in the Sleeping City, Alicia Yanez Cossio; Voladoras, Mónica Ojeda; A Cadela, Pilar Quintana; The Naked Women, Armonía Somers (Há autoras que gostava de ler mas não tenho na TBR como Karina Sainz Borgo. Autoras que já li e que também recomendo: Samanta Schweblin, María Fernanda Ampuero, Lina Meruane, Liliana Colanzi e Silvina Ocampo)
4. Find a book about a person with a disability
Penso que esta categoria se está a referir a coisas físicas mas não encontro um livro que encaixe a menos que contemos com Sete-Sóis com a sua mão esquerda perdida na batalha de Jerez de los Caballeros ou com a personagem principal de Of Human Bondage, que é manco por causa de um problema nos pés - por isso fui pela via da saúde mental
5. Find a science-fiction or fantasy book with a POC protagonist
Esta foi difícil porque são géneros que normalmente não leio então isto foi o que consegui arranjar - Karen Lord é uma autora dos Barbados e este livro é um retelling de um conto tradicional senegalês
6. Find a book set in (or about) any country in Africa
7. Find a book written by an Indigenous or Native author
Na TBR: Crazy Brave: A Memoir, Joy Harjo
8. Find a book set in South Asia
9.Find a book with a biracial protagonist
Na TBR: Oreo, Fran Ross
10. Find a book starring a transgender character or about transgender issues
Tenho a vaga lembrança de existir uma personagem transgénero neste livro, tive que ir confirmar porque já faz bastante tempo que o li...Também não havia outra opção, porém a TBR é promissora: Tomorrow Will Be Different: Love, Loss, and the Fight for Trans Equality, Sarah McBride; I Am Afraid of Men,Vivek Shraya; Temporada de Furacões, Fernanda Melchor
11. Find a comic book or graphic novel by a POC author
Este também foi o único que me ocorreu para esta categoria - escrito por Marguerite Abouet que é uma autora da Costa do Marfim, onde a história decorre. São vários volumes, mas só consegui encontrar o primeiro. Na TBR: Wake: The Hidden History of Women-Led Slave Revolts, escrito por Rebecca Hall
“Merricat, said Connie, would you like a cup of tea?
Oh no, said Merricat, you’ll poison me.
Merricat, said Connie, would you like to go to sleep?
Down in the boneyard ten feet deep!”
Já há algum tempo que não faço uma coisa destas, com perguntas, então para relaxar do post anterior vamos a este que encontrei no Sweet Stuff e que consiste em relacionar livros com chás - não sou nada elegante pois não bebo chá a não ser que esteja doente. Mas também não bebo café a menos que tenha algo importante para fazer e esteja com muito sono, o sabor é péssimo - nunca percebi o que é que algumas pessoas pretendem provar quando dizem orgulhosamente que gostam do café muito amargo e que só comem chocolate negro...Mas independentemente do gosto em bebidas, todos podemos concordar que os livros são a melhor coisa.
- English breakfast: um livro que é uma leitura essencial
-Earl grey: um livro clássico e sofisticado, mas com um toque especial
"What women have endured is not only the history of men, but also their own specific oppression. Extraordinarily violent. Hence this simple suggestion: you can all go and get fucked, with your condescension toward us, your ridiculous shows of group strength, of limited protection, and your manipulative whining about how hard it is to be a guy around emancipated women. What is really hard is actually to be a woman and to have to listen to your shit.”
(Teoria King Kong, Virginie Despentes)
- Chai: um livro exótico, que se passa num país diferente do teu
Quando li a primeira vez pensei que era erótico em vez de exótico e já ia lançada para recomendar o 1001 Sítios Para Fazer Sexo Antes de Morrer, que um dia aconteceu folhear, sendo assim coloco aqui descaradamente o meu mapa de viagens do ano passado
- Chá de hortelã-pimenta: um livro revigorante
-Chá verde: Um livro refrescante e ligeiramente diferente
Orlando, refrescante mesmo passado noventa anos, mas também:The Bloody Chamber da Angela Carter por tornar os contos tradicionais muito mais interessantes; As paixões de G.H e Constança H. por tantas razões, uma delas por conterem tantos sentimentos brutais, desesperados e nada bonitos; Lucy da Jamaica Kincaid, pela luta agridoce pela independência num sítio novo de uma rapariga vinda de uma ilha do Caribe; The Colour Purple, porque laços profundos de amizade (e não só!) entre mulheres, especialmente negras, não é algo sobre o qual se leia todos os dias [pena que a autora tenha perdido um pirolito...]; The Hearing Trumpet da Leonora Carrington, por ser uma história fora do comum com senhoras de idade; A Guerra não Tem Rosto de Mulher por trazer à luz do dia histórias de mulheres que estiveram no inferno.
- Chá de camomila: Uma leitura aconchegante para a hora de deitar
-Chá de rosas: Uma leitura florida e gentil
"It was midday. From the building's garden we could hear the shouts of children playing in the springlike weather. The plants near the window, enveloped in the gende sunlight, sparkled bright green; far off in the pale sky, thin clouds gently flowed, suspended. It was a warm, lazy afternoon (...) There we were, eating breakfast, all sorts of things set out directly on the floor (there was no table). The sunlight shone through pur cups, and our cold green tea reflected prettily against the floor."
Vi por aí esta espécie de desafio que consiste em numerarmos dez curiosidades literárias sobre nós - parece uma coisa gira de se fazer quando se abre um blog e vocês querem dar uma ideia de quem são enquanto pessoas que lêem, nem tanto quando o dito blog já tem dez anos... Mas acontece que esta é mais uma daquelas alturas em que tem de se aproveitar o que está à mão - especialmente porque estou constipada [nada de grave] e não me apetece pensar. Para tornar isto mais interessante coloco aqui uma rara foto minha a ler:
1. Geralmente quem lê diz que não há nada melhor do que chegar a uma livraria e comprar aqueles livros que queríamos muito, mas sair de casa com outra intenção e de repente encontrarmos um sítio a vender livros como uma feira, podendo lá estar coisas que nos interessam ou não...Não sabemos. É ainda melhor. E dá para comprar o dobro ou triplo. Tenho saudades disso.
2. O primeiro livro que li deve ter sido um álbum do Calvin - aquele em que, antevendo já a exploração espacial, eles vão para Marte no carrinho. Os miúdos de hoje não fazem ideia do que estou a falar.
3. Não ter tido nenhuma experiência traumática com as leituras obrigatórias, gostei da maior parte, também se ficou a dever ao facto de nem o Amor de Perdição nem As Viagens na Minha Terra fazerem parte do currículo. Depois de os ter lido passei a olhar com um pouco mais de consideração para os espectros fatais. Não que eu ache que o problema de os miúdos não lerem é das próprias obras. Ah uma opinião controversa!
4. O Mr. Darcy é altamente sobrevalorizado. A minha ideia, que irei colocar em prática um dia, de ler todos os livros por ordem não tem como objectivo um enriquecimento literário, é apenas para provar este ponto.
5. Se já levaram livros para os lugares mais improváveis onde ninguém espera que pessoas estejam a ler, têm a minha solidariedade. Até para o cinema já levei livros, em papel mesmo.
6. Gostava de me lembrar das partes racistas de Os Maias, mas na verdade as três coisas que me lembro melhor da obra inteira são por esta ordem: as queijadas, as ervilhas com chouriço e a pinta na mama da Cohen. A memória tem estranhos processos.
7. Uma pergunta que suscitaria respostas interessantes: quando foi a primeira vez que encontraram uma cena picante num livro. Não me lembro, mas lembro-me quando encontrei a palavra orgasmo. Tive certas dúvidas, mas sabiamente guardei-as para mim mesma.
8. Da primeira vez que tentei ler O Cão dos Baskervilles e a Alice no País das Maravilhas, requesitados na biblioteca da escola, não consegui acabar nenhum dos dois. Achei o primeiro demasiado assustador e o segundo demasiado nonsense. As crianças costumam ser boas a lidar com o nonsense - nenhum ser humano em outro estágio da vida podia perseverar em Wonderland. E cresci nos noventa, criar desenhos animados que fizessem sentido não era uma prioridade (e alguns não passariam hoje). Mas eu era um bocado sensível. São óptimos livros.
9. Hoje devem existir edições mais completas, mas a minha edição do Diário de Anne Frank é antiga e não dá detalhes do que aconteceu a seguir, resumindo tudo numa dúzia de linhas. Sempre achei esta economia de palavras ominosa, não sei porquê...
10. Continuo a achar estranho o hábito de saltar partes de um livro (e continuo a achar que as partes do Levin na Anna Karenina não devem ser passadas à frente, como algumas pessoas advogam), não vejo nada de errado em deixar um livro a meio e voltar a ele no futuro (ou nunca), mas se saltarem partes depois podem considerar o livro lido, no final do ano?
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