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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

O que fiz ontem e o que acontecerá amanhã

Só me lembrei de que faziam ontem setenta e cinco anos da libertação de Auschwitz quando ao final da tarde abri o pc e li um post sobre o assunto. Estive ocupada a avançar na minha actual leitura - How to Lose a Country: The Seven Steps from Democracy to Dictatorship - e a tirar apontamentos (vou agora para o passo 5) para um caderno às flores que incongruentemente diz na capa que o amor nunca morre. Fiquei um bocado deprê. Depois pensei que realmente um dos grandes problemas de hoje é os ignorantes acharem que têm direito a estar em pé de igualdade com os informados...Qualquer facto do senso comum tem de ser apresentado como uma opinião pessoal nossa aberta a contraditório, para não ofender estes ignorantes que "pensam diferente" e que exigem respeito porque a democracia é respeitar todas as ideias. Logo, eu não deveria ter começado o texto desta maneira como se aquilo fosse um facto. Peço desculpa, não me torturem quando chegarem ao poder. 

Certos pensamentos ao Sábado

Obviamente que não estou contente com a chegada de calor. Há que aproveitar as coisas boas da vida enquanto é possível, por exemplo, no Sábado passado acordei mais cedo do que era necessário - não liguei o pc. Fui à cozinha comer e depois voltei para debaixo dos cobertores como uma lontra. E lá fiquei feliz e peluda a ler. Também são as vantagens de ser solteira, vantagens que este mundo tenta provar que não existem e que devia ter vergonha de estar a contar que estava deitada sozinha com um monte de almofadas, a ler coisas subversivas, sem ter que me preocupar em atender às necessidades de ninguém nem em arrancar qualquer pelinho. A bem dizer um tipo que ficasse maçado com isso (ou hum, com pingas de sangue na casa-de-banho) podia sair pela mesma porta por onde entrou. Que pressão viver assim. Ainda bem que o São Valentim já passou - dia mais piroso, hipócrita e patriarcal. Não quer dizer que não possam fazer algo com real significado neste dia...

 

28

1M.jpg

(tirada daqui)

 

Fiz 28 anos na semana passada. Não escrevi aqui nada na altura - bem, primeiro porque não é o mais interessante dos temas e porque calhou entre dias não muito bons então preferi escrever sobre outras coisas. Mas outro dia estava a sair do duche e pensei: seria deprimente escorregar aqui e partir algum osso. Depois vesti-me e sai para a rua com o guarda chuva a servir de bengala, especialmente nas escadas. Eu tenho medo de cair em todo o lado. Mais sinais de velhice para acrescentar à lista. E não consulto o telemóvel enquanto ando. Também porque não nasci com coordenação suficiente para executar tais tarefas em simultâneo. Enfim, para não deixar esta efeméride ainda mais deprimente decidi posar para a foto com um gorrinho catita. 

Diz-me que sou um perigo

Cada vez que alguém diz que as feministas são umas terroristas e que isso devia ser proibido, eu sinto-me sexy e perigosa. Não que isso até agora tenha atraído algum homem à minha cama, mas ainda assim. Também há quem diga que isso é assunto sobre o qual não se deve falar, que de modo nenhum deve estar em destaque num blog - ou que a palavra igualitarismo é a que se deve usar. Isto faz-me sentir subversiva. Sim, eu digo a palavra feminismo e acho que dois mais dois são quatro e não cinco. Há pessoas que dizem que não são feministas porque não pertencem a nenhum grupo - parece que estão a falar da máfia (e há quem diga coisas como: vou dizer isto, espero que as feministas não me ataquem. Tarde demais. Agora vais de ter de dizer olá ao meu pequeno amigo). Quem diga que somos umas guerreiras da justiça social, o que no início eu achava que era um elogio e claro: há quem nos chame de nazis. Como não amar? Foi por isso que virei feminista. Vi filmes da Riefenstahl e achei que me ia divertir imenso. Mas até agora nem sequer um país invadi. Um desapontamento.

Aviso: este texto contém vernáculo

Acabei A Pianista da Alfried Janelik - a história de uma pianista falhada de 35 anos que vive com a mãe, controladora e despótica. Fala de relações de poder não só entre mãe e filha, mas também entre géneros, de repressão sexual, de objectivação feminina e faz uma crítica incisiva a uma sociedade que esconde os seus mais sombrios desejos sob uma capa de pacatez burguesa. Antes de começar já sabia que ia ser duro. Só que este livro é mais que isso: é dilacerante. Visceral. Claustrofóbico. E muito bom. No posfácio diz o seguinte: “e de quebra se proclama admirada [a autora] com o fato de as mulheres não serem autoras de uma literatura mais agressiva.” É uma obra que dá muito que pensar e esta frase também. Um grande cliché é que as mulheres só escrevem lamechadas...Isto caiu por terra assim que comecei a descobrir mais autoras com diferentes formas de se expressarem incluindo com horror e violência. Mas pensem na repressão que as mulheres têm sofrido ao longo da História.

 

Motivos mais do que suficientes para que os nossos livros se tornem um grito. Uma vez uma pessoa, talvez fosse um senhor talvez fosse um habitante do planeta Kepler-16b, ficou ofendido com um texto meu e disse que eu era odienta...Comentário típico. Porque é que as feministas são tão agressivas e odeiam homens? Querem transformar o coração das jovens num bloco de gelo!!! São umas ofendidas que não se calam!! São pessoas que vêem uma notícia sobre homens que foram ilibados de terem violado uma mulher por ela ter consumido álcool, encolhem os ombros e pensam que é a vida, que é um azar...Se não acenarem em concordância. Que importa? É mais importante falar do drama que é deixarem de haver grandes planos de rabos e mamas em competições desportivas - já não se pode olhar para nada!! Não se pode apreciar a beleza do mundo! Que vou fazer? Furar os globos oculares? Arrancar a minha pila? Mulheres vêem os seus agressores saírem em liberdade, bebés meninas nunca viverão mais do que uns minutos, adolescentes são violadas e queimadas vivas....E vem pessoal choramingar sobre “atentados à liberdade”. Querem saber? Vão-se foder.

 

Sempre que vocês tentam defender quem está fora do grupo dominante, mulheres, refugiados, minorias - alguém vai aparecer para tentar descredibilizar a vossa raiva, dizendo que o problema não existe e que está tudo na vossa cabeça. Só que não está. Lembrem-se sempre que não são só vocês ou uma prima vossa a ter “azar”, são milhões de mulheres no mundo. Alguém diz que o feminismo é uma coisa irritante? Óptimo! Também sei o que algumas pessoas dizem: não se pode pensar assim, detestar mulheres ou pessoas de outra cor é só uma forma diferente de pensar, tens de ouvir e tens de debater e a liberdade de expressão! Há uns tempos escrevi aqui um texto sobre o paradoxo que é ter que respeitar este tipo de "opiniões". Mas há uma versão bem mais curta e não censurada desse texto, que já devem estar a ver qual é: misóginos neo-nazis querem debater ideias? Vão-se foder. 

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