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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Uma triste dúvida...

Se acabam com os canis de abate para onde vão todos aqueles cães? Uma notícia que encontrei diz que desde 1 de Janeiro até à data de 17 Agosto tinham dado entrada nos pontos oficiais 7937 cães e 1644 gatos - 42 por dia (ainda assim menos que o ano passado em que foram 86 por dia). Alguns destes muito dificilmente serão adoptados por estarem velhos, doentes ou traumatizados...Junto com os dos anos anteriores, não admira que esteja tudo a rebentar pelas costuras. Não deve haver nada mais horrível para um ser social do que estar a morrer lentamente numa jaula...Por exemplo, podiam começar por dizer às pessoas para deixarem de reproduzir os seus animais à toa. Às vezes ando pela blogosfera e vejo pessoas a mostrarem ninhadas cheias de orgulho e depois vai-se ler e aquilo já é uma dinastia lá em casa que começou com uma cadela em 1932 - filhos, pais, avós e por aí vai...

 

Ora, se alguém tem uma ninhada de seis (nem falando de quem deixa a cadela parir todos os cios para depois vender os bebés a 150 euros cada um) e mesmo que decidam ficar com dois deles...Será que há quatro pessoas em quem confiem tanto ao ponto de lhes colocar um ser vivo assim nas mãos? E vão saber o que é feito dessas pessoas treze anos depois? Estes cachorros são para dar a amigos - têm garantias que esses amigos não vão dar um chuto no animal quando ele crescer, largar pêlo, comer o telemóvel ou quando esse amigo mudar de casa, emigrar, se divorciar, tiver filhos...Enfim, as desculpas do costume. A responsabilidade não acaba só porque o cão (ou gato) mudou de mão, pois se ele acabar na rua a culpa é para começar de quem o deixou nascer. E algumas associações esterilizam os animais a preços em conta...E há o problema tipo bola de neve: se eu tenho um filho e lhe digo que não faz mal espetar ferros ou fazer qualquer outro tipo de maldade contra animais e depois ele cresce e diz o mesmo aos seus...Uma bola de neve de falta de valores. Se os outros pouco importam, quanto mais seres que consideramos inferiores. Não há soluções limpas que resistam a isto...

Temas que nunca morrem...

Isto de espectáculos que envolvem espetar ferros em animais é um tema que nunca morre...Quando uma pessoa acorda a pensar no bom que é viver no novo milénio lembra-se disto e fica um pouco menos contente. Eu estava precisamente a ler sobre o assunto lá na Cave do Markl a propósito da nova campanha da ANIMAL que podem ver aqui - é inacreditável que os organismos do Estado continuem a canalizar subsídios para isto, muitos milhares de euros. A que propósito é que uma pessoa tem de andar a sustentar tal coisa? Como diz o Senhor Nuno e muito bem: "O que separa as touradas do resto é a sua natureza violenta e fracturante: um evento que vai contra os princípios mais elementares de tanta gente, por envolver uma série continuada de agressões a um ser vivo, não pode ser pago com o dinheiro dos contribuintes". Isto não é cultura nem deve ser tratado como tal: cultura é o teatro, o cinema e todas essas coisas que enriquecem de uma maneira ou outra, são os monumentos que estão a cair de podres porque não há dinheiro para os arranjar aparentemente. E tradição: bem, era tradição mandar baldes com porcaria pelas janelas dos edifícios em Lisboa...Ainda não havia esgotos. É saudável que vá havendo uma evolução com o tempo, ou seja, sustentar uma tese neste argumento é nonsense, além de que acaba por justifica tanta coisa. É que consigo assim de repente lembrar-me de umas quantas tradições que não deviam voltar...

 

E também não há qualquer restrição á entrada de crianças ou ao seu envolvimento. Nem tinha pensado nisto: como é que objectivamente se explica a uma criança pequena o que é que se está ali a passar? Ou como é que objectivamente se explica a diferença entre se poder magoar aquele animal e não poder magoar o labrador que vive lá em casa? Não, o meu filho não vê esse tipo de filmes pois são muito violentos. Porque não subsidiar lutas de cães também? Não que eu já tenha assistido a alguma mas aquilo é tipo uma arena com dois cães á luta e um monte de gente em volta...E envolve muito dinheiro. Ao menos ali os dois seres vivos envolvidos estão em pé de igualdade. Ah, a beleza do domínio do homem sobre a besta. Depois há a estória que sem touradas vai o touro á vida que nunca consegui perceber muito bem...Mas não existiram sempre touros neste planeta? E que argumento é este: usar um espectáculo como as touradas como método de preservação de uma espécie. Puxa, se na China nos ouvem vão construir uma arena e mandar para lá os pandas - afinal estão em extinção. E o zoo de Lisboa podia fazer isso com os tigres...Devia ser uma animação. Isso não é o mesmo que dizer que os tigres vão desaparecer se deixar de haver caça ? E obviamente: qual é a moralidade de manter uma espécie para isto? 

 

E não, não acho que comer carne tenha alguma coisa que ver...A menos que nos matadouros os animais sejam espetados e tal antes de serem mortos e nesse caso digam-me que matadouros são esses. Há sempre alguém que vem com esta...Por acaso acho que a carne de touro se come, mas nunca provei. Vai na volta há uma razão biológica para gostarmos tanto de sangue e de o ver derramado...Não gozem, que há uns tempos li um livro bem interessante que dizia que há uma razão biológica para, por exemplo, não conseguirmos evitar comer logo uma coisa que gostamos muito - geralmente uma coisa gordurosa. Os antigos povos faziam sacrifícios humanos, os romanos tinham lá o coliseu, nós espetamos animais se calhar porque já não fica bem usar pessoas, outras também crentes esfolam os joelhos - somos criaturas estranhas. Ou então é a boa e velha questão da dominância: aquela tendência de os humanos se acharem superiores aos demais seres só porque falam e vivem em cidades. E embora já esteja mais que provado que os animais têm sentimentos complexos - já foram vistos elefantes a realizarem rituais de luto. Será que posso enfiar o meu periquito no microondas com a desculpa que ele não tem capacidade de sofrer? Não me parece, então talvez devêssemos arranjar outras formas de nos entretermos...

Sobre o senso de superioridade...

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Outro dia vi esta notícia curiosa: tribunal de Nova Iorque analisa se chimpanzés presos devem ser considerados pessoas. Basicamente há quatro símios a viver em cativeiro no estado de Nova Iorque e o tribunal tem de decidir se eles devem ser considerados pessoas legais e como tal ter direito á liberdade. A ideia partiu de uma organização pelos direitos dos não humanos que pretende que os animais sejam colocados num santuário onde possam viver em paz. Fiquei a pensar nisto e com franqueza parece-me muito ridículo. Não pelos motivos óbvios - símios serem considerados pessoas, o horror! Mas pelo simples facto de se perder tempo a discutir se um ser vivo deve ter ou não direito á liberdade...Porque não tiram logo os animais das condições em que estão? Quando escrevi aquele post sobre o feminismo fiz de questão de ressalvar que todos, mulheres e homens, devem ter direito a uma vida digna. Esqueci-me de dizer que também os não humanos têm direito a isso - se não puderem viver em liberdade nos sítios em que a natureza os destino, porque os racionais já destruíram esses lugares, ao menos que possam viver num sitio seguro com condições. Percebo a ideia da organização, claro, mas não deixa de ser triste que se tenha de ir a tribunal provar que os animais têm sentimentos...

 

Um dos problema do ser humano, de nós todos, é o senso de superioridade que se manifesta a vários níveis. Achamos sempre que somos superiores aos nossos semelhantes porque temos três telemóveis e o outro só tem um, ou porque andámos na faculdade e o outro só tem a primária...Ou simplesmente achamos que as nossas escolhas são as melhores e desprezamos quem prefere outros rumos. Eu sou superior porque penso assim, porque me visto assado, porque faço isto e estou absolutamente certo. O passo seguinte, porque ninguém é uma ilha, é ir procurar outras pessoas que também pensem ou façam x e y. A internet, que devia ser um espaço de abertura, está cheio disto - grupos fechados e que se tornam até agressivos. Também temos tendência a nos achar superiores enquanto colectivo - já não somos nós enquanto indivíduos, mas nós enquanto nação, território ou raça. Há pouco tempo li um livro do Eça, um conjunto de crónicas que ele escreveu em Londres, e dizia numa delas com o seu sarcasmos habitual que nos achamos no direito de escravizar outros povos só porque eles não sabem construir pianos ou escrever óperas cómicas. Somos tão apegados aos nossos computadores e foguetões que ficamos perplexos aos descobrir que há pessoas no mundo que vivem sem isso.

 

E ás vezes achamos que temos mesmo o direito de destruir quem não partilha das nossas ideias...É relativamente simples: basta alguém com o mínimo de carisma em cima de um palco a debitar umas larachas. Ao contrario do amor que precisa de ser cultivado e isso, o ódio só precisa de um pequeno rastilho para se espalhar mais rápido que o ebola. Não é um acontecimento datado no tempo, está sempre a suceder. A um nível mais vasto o ser humano acha-se superior ás demais formas de vida no planeta e por isso usa e abusa dos recursos. Ficamos reconfortados ao pensar que os animais não têm sentimentos ou raciocínio complexo - um touro é uma simples besta porque não havíamos nós de o espetar? Estar um tribunal a decidir se os animais devem ou não ser libertados, não passa de mais uma prova em como nos consideramos superiores a tudo o resto. Claro que ganharíamos mais se vivêssemos em comunhão com outros seres vivos, animais e plantas, mas...O mais perigoso é talvez aquela ideia: são apenas quatro macacos - é apenas um cão, apenas uma mulher numa terrinha, apenas uma escola, apenas um milhão de pessoas. É como naquele poema - um dia levaram o meu vizinho e eu não me importei. Então levaram-me a mim. Espero que tenham conseguido libertar os chimpanzés...

 

E quantas vezes posso espirrar?

 

Que este país em termos de leis estapafúrdias é um fartote, já nós sabemos, mas é sempre interessante quando surge mais uma. Agora parece que Assunção Cristas não quer portugueses com mais de dois cães por apartamento. O pessoal manifestou-se e ela voltou atrás, dizendo que não perdeu um minuto a olhar para aquilo...

 

Eu tenho um papagaio e três periquitos, já tive cães e tive e ainda tenho maus vizinhos e péssimos exemplos de civismo, de maneira que me apetece comentar umas coisinhas sobre isto. Em primeiro lugar não estou a ver como é que esta medida iria ser posta em prática...É que já existe um limite de cães por apartamento que é de três, creio eu, e ainda não vi ninguém ficar sem os bichos por não cumprir isso. A medida não é fiscalizada, nem esta o seria. É o problema das leis tugas: são feitas no gabinete e não se adequam á realidade. Como meter trinta alunos por turma...Quem faz estas leis deve levitar numa realidade á parte. Não há como andar a ver quem tem três ou quatro cães...A menos que contem com a vizinhança para isso. Que saudável em democracia fomentar a cultura do bufo...Nunca nos livrámos totalmente dela pois não? Já me estava a imaginar a ir á casa do vizinho de cima pedir uma chávena de açúcar, a espreitar lá para dentro e a seguir ir malevolamente ligar para a polícia...

 

Acontece como a lei dos potencialmente perigosos. Uma aberração sem qualquer cumprimento útil em que os animais são sempre os que pagam: mordem e são abatidos. E os donos pagam a multinha e vão alegremente arranjar outros. Depois há uma coisa que não cheguei a perceber: imaginem que tenho três peludos em casa que não ladram nem cheiram mal e que o meu vizinho de cima tem um que uiva dia e noite como se o estivessem a esfolar. A lei iria prejudicar-me a mim, enquanto a fonte de barulho iria continuar. Qual é o sentido disto? Também não me parece que isto fosse melhorar as condições de higiene dos prédios. As pessoas quando são porcas e incivilizadas, tanto faz terem um cão, três, ou nenhum.

 

Até um chihuahua pode incomodar um prédio inteiro, quando não existe respeito. O problema não é o número de animais, é as pessoas serem pura e simplesmente umas porcas...Há prédios onde o pessoal deixa sacos de lixo no patamar a ponto de se tropeçar neles. Tive uma vizinha que arrastava móveis a meio da noite, enquanto a minha cadela ressonava pacificamente. Para mim, não é ter dois cães ou três gatos que iria aumentar a higiene urbana...O civismo é que iria. O problema são os bípedes como sempre...Confesso que achei esta parte da notícia do Público inquietante: basta haver uma queixa para a respectiva câmara ter o dever de retirar do apartamento os animais em excesso", independentemente dos incómodos que eles causem ou não à vizinhança. Imaginem que eu não gosto da vizinha da frente, poderia vingar-me fazendo queixa dela sem qualquer motivo. Está bom, mas melhor ainda era prenderem a vizinha lá em Peniche...Se é para viver como á trinta e tal anos, então que seja á séria.

 

E acho graça terem pensado nesta medida, mas não em nenhuma que proteja os animais contra os maus tratos, que puna essas bestas, sem ofensa para as mesmas, que abandonam os animais em qualquer esquina, nenhuma que vise evitar a propagação de cães e gatos errantes, nenhuma que vise melhorar as condições dos canis como o de Monsanto que é uma nojeira, nenhuma que vise acabar com as lutas de cães...Nada que seja realmente útil. Qualquer dia ainda limitam o número de vezes que podemos espirrar. big brother is watching you...

Animais em Lojas

 

Outro dia fui á Orimundo e constatei que aquilo tem toda a espécie de animais: cães, gatos, aranhas até cães da pradaria e imensa passarada também...Como seria de esperar estava imensa gente á volta da zona dos cachorros que batiam com patinhas no vidro para chamar a atenção (os gatos, é claro, estavam-se nas tintas). Eu derreti-me igualmente com aquela visão...Não resisto a mamíferos bebés sejam cães ou ratinhos, até aos dragões barbudos acho graça com aquele ar zen. Mas quando sai da loja fiquei a pensar e acho que não deveria ser permitido vender assim animais, especialmente cães e gatos.

 

Alguns humanos que se acham o supra sumo da batata dizem que os animais não sentem nada, mas eu não creio nisso...Acho que os bichos devem sofrer imenso ali fechados sozinhos no escuro, sem falar ao fim de semana em que não devem ver mesmo ninguém. Os cachorros são um pouco como os bebés: gostam de colo, não gostam de estar sozinhos e ganem que se desunham. Todo o ser gosta de afecto, até as plantinhas. Devia haver uma fiscalização ás condições em que algumas lojas têm os animais. Por acaso a Orimundo não é muito má, mas há sítios em que os cachorros estão em espaços mais pequenos que a gaiola do meu pássaro...

 

A pior loja que já vi é uma no Oeiras Park: os cachorros e gatos estão mesmo na montra e têm uma data de coelhos ao monte num jaula minúscula. Muito mau...Depois faz-me alguma confusão comprar assim um cão sem ver os pais e muitas vezes sem registo...Se é por que é fofinho, bom...Os canais estão cheios de cães fofinhos de todos os feitios e alguns até de raça. Creio também que isto de vender animais assim fomenta as compras por impulso...O pessoal vê os cachorros pequeninos ali mesmo a pedir um dono e esquece a parte racional. Muitas pessoas não têm noção que os cachorros crescem, que fazem muita, mas muita sujeira, que estragam coisas inclusive as belas das férias, que precisam de comer e que ás vezes ficam mesmo doentes e é um dinheirão, que precisam de tempo, muitíssima paciência e certo desapego a algumas coisas tipo tapetes e divisões imaculadas.

 

Além disso muita gente também não têm noção que nem todas as raças que se adaptam a certos estilos de vida...Eu, por exemplo, adorava ter um dobermann (a sério, são lindos de morrer...), mas nunca terei pulso suficiente para tal. É por isto que se dão os acidentes...E infelizmente qualquer desculpa parece válida quando se trata de abandonar um animal: vão de férias, vão imigrar, suja, cresceu demais...Se até os velhos deixam em qualquer lado, o que não hão-de fazer a um simples cão. É preciso ter consciência que não é só trazer um animal e é um mar de rosas. E devia haver uma fiscalização a estas lojas que têm os bichos em péssimas condições...É preciso ganhar dinheiro, mas não estamos a falar de bibelots. 

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