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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Mas que mundo este...

Ontem, devia estar a dormir mas estava na net como acontece com certa frequência, encontrei um texto interessante do Nuno Markl no Facebook sobre os acontecimentos em França, as coisas estão a suceder-se a um ritmo de pesadelo alucinante, aqui está um excerto: "Alarmado com a quantidade de participantes num fórum radiofónico que defendia a tese de que os artistas do Charlie Hebdo estavam a pedi-las. E que a liberdade de expressão deve ter limites e controlo. Um dos crimes dos monstros que mataram ontem aquelas pessoas foi terem adormecido o artista livre que havia nelas; o outro foi terem acordado o ditador fascista que há noutras". E porque estou a citar o famoso humorista? Porque, depois de ler sobre o assunto em vários blogs e sites, vinha escrever algo no mesmo sentido. Certas catástrofes libertam o psicopata que há em algumas pessoas. Subscrevo também quando ele diz que está cansado de estupidez. É que não é só o argumento de que os jornalistas estavam a pedi-las...Eu pensava que esse argumento só servia para senhoras que saem á noite e são abusadas, porque toda a gente sabe qual deve ser o lugar de uma mulher, mas pelo vistos tem uma aplicação mais ampla.

 

Portanto, a culpa é das vitimas que não souberem ter tento nas canetas? Este argumento é perverso porque parece dar razão aos assassinos: foram eles que começaram, nós só retaliámos! E também porque é exactamente isso que eles querem: querem que vocês pensem que é melhor estarem caladinhos e não falarem de certos assuntos. Puxa, não vivemos sob a inquisição e o lápis azul o tempo suficiente? Agora temos de pensar que assuntos é que podemos ou não abordar? I’m not going to censor myself to comfort your ignorance. Por esta ordem de ideias, como li num blog e muito bem, a Malala mereceu o tiro porque não ficou calada quando lhe mandaram. Na verdade a comparação com uma mulher que é violada não me parece descabida: Ah, aconteceu isso? E o que é que ela trazia vestido?, Ah, aconteceu isso? Então e esse jornal era sobre quê? Há uma linha que separa o ficar ofendido, que é de direito (cada um tem as suas sensibilidades), de uma matança. Também é um argumento que acaba por justificar a acção dos ditadores passados e presentes - se esse pessoal foi enviado para um campo de reeducação foi porque se meteu a jeito não obedecendo. E assim nos vamos enfiado lentamente num colete de forças...Quanto tempo falta para vivermos num clima de terror como em certos países?

 

E acaba por ser um argumento algo paradoxal: então queremos ser livres de poder dizer que a liberdade de expressão deve ser limitada, mas se a limitamos depois não podemos falar daquilo que queremos quando queremos certo? Ou é só quando dá jeito? Se calhar há outros aspectos que seria importante discutir, em vez de se andar a brincar ás culpas: a que necessidade dos jovens não estamos enquanto sociedade a corresponder para eles aderirem a semelhante coisa? A História parece mostrar que em alturas de crise social e pessoal as pessoas tendem a ser mais susceptíveis a lavagens cerebrais...E depois temos de levar com o pessoal que não sabe destingir religião de extremismo e insulto gratuito de sátira, embora aqui em Portugal até tenhamos uma tradição de Jornais satíricos e de caricaturistas - A rir se castigam os costumes já dizia Gil Vicente no longínquo século XVI; com os discursos da Le Pen, que aproveita sempre, e o pessoal que gosta de mandar comentários incendiários nas redes só para ter atenção. Realmente não há estômago que aguente...

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