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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Este post foi escrito durante

uma dor de cabeça

Numa novela vi a seguinte cena - como é sabido eu não vejo este género de conteúdo. E também sou o tipo de pessoa com quem não se consegue ver novelas porque a meio de cenas de grande emoção não contenho a curiosidade e pergunto coisas como: porque é que está um abacaxi aberto ao meio na fruteira? Não devia estar no frio? Mas às vezes quando passo ao largo apanho partes aqui e ali - e dão para reflectir de tal maneira que quase competem com A Crítica da Razão Pura.

Uma cena que sempre me fascinou é quando a personagem feminina e a masculina estão na cama e ela não está com vontade de fazer sexo e por isso diz que lhe dói a cabeça, o que é seguido por um revirar de olhos por parte dele. Uma vez ouvi um tipo queixar-se disto ao telemóvel (apeteceu-me dizer-lhe que nenhuma mulher teria vontade de foder um tipo que tem conversas íntimas demasiado altas nos transportes públicos...) Na minha opinião ter de inventar uma desculpa é estranho e um trabalho desnecessário quando um não chega perfeitamente, obrigada e boa noite.

Também não me ocorre usar as dores de cabeça como desculpa porque realmente sofro delas, fortes e com muita frequência. É um dos problemas de saúde mais desvalorizados, afinal quem é que deixa de fazer coisas por uma dor de cabeça? É como a dor de costas: toda a gente tem e a vida segue. Mas a verdade é que podem ter um grande impacto na nossa qualidade de vida. Gosto especialmente quando abro os olhos de manhã já com dores...Ugh.

Ou melhor dizendo: um não devia chegar perfeitamente. Parece-me pouco saudável uma relação onde a pessoa não pode ser honesta sobre o que lhe apetece ou não fazer. E igualmente muito pouco saudável estar com alguém que não respeita a nossa vontade ou que faz disso um drama. Imagine-se andarmos a perder tempo com alguém que se acha tão no direito que até arranja um ficheiro para registar as vezes em que não quisemos abrir as pernas, como se fosse nosso dever. Eu realmente li a história de um homem que fez isso e partilhou na net, não é invenção da minha mente feminista.

Não percebo nada disto (sou mais livros e vídeos de animais fofos) mas consigo pensar em algumas maneiras mais inteligentes de abordar a situação...Ou ainda pior: aguentar anos de mau sexo porque se tem medo de magoar o parceiro. Ele tem as suas necessidades, poor thing. E o mundo quer convencer-me que estar numa relação, mesmo que seja uma porcaria, é sempre preferível do que estar sozinha...Por coincidência um dos últimos livros que li é sobre um casal que se muda para Paris cheio de esperanças mas a relação começa a ir de mal a pior.

Ela está presa em casa com o filho enquanto ele viaja e desfruta de uma carreira de sucesso. Inicialmente tive vontade de entrar no livro e dar à personagem feminina um dildo e os papéis do divórcio. Mas depois ela também revelou não ser grande espingarda. Podem imaginar o quão contente eu estava ao fim de mais trezentas páginas...Nop. Há esta cena em que ela se enfia dentro da tenda de brincar do filho, já não sei porquê, e depois diz que não pode estar ali quando o marido chegar se não ele vai mandar interná-la num hospício e darem-lhe injecções.

Se calhar era isso que fariam as pessoas adultas e normais, mas eu sou muito infantil então esta reacção pareceu-me de uma secura digna da Antárctida, não admira que depois os pipis também fiquem secos. Se um tipo assim me visse a correr em direcção a um fontanário para enfiar lá as mãos e chapinhar era Júlio de Matos na certa. Especialmente quando lhe pusesse as mãos frias sem aviso. Que posso dizer? Sou infantil e irritante. 

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