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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Clara Não e as alegrias de ser uma cabra

Outro dia estava de boa na internet, se é que isso é possível, quando me deparo com o seguinte: um tipo pediu a namorada em casamento durante a cerimónia de formatura dela - aquela cena que fazem lá na América. Achei lame, depois pensei mais um pouco e senti arranques de vómito, especialmente ao pensar na quantidade de pessoas que iam achar aquilo uma fofura. Um bonequinho a vomitar resume bem o que acho de muita coisa que encontro por aí. Claro que só fiquei a saber da situação porque outras feministas, outras cabras, desmancha prazeres, também apontaram o quão tóxico e coercivo é este tipo de comportamento. Vamos inverter isto, só por graça:

 

Então sempre vai acontecer?

Sim, pedi ontem o Zé em casamento.

Que giro, como foi? 

Oh, ele estava a meio da apresentação da tese e eu entrei por ali a dentro e com toda a gente a ver fiz o pedido! E claro que ele disse que sim!

Aposto que ninguém mais ligou àquelas equações chatas dele...

Pois não, foi épico!

 

Supondo que vocês não são criticadas por fazerem o pedido (mulher deve ser passiva, deve esperar que a peçam. Não escolher, mas ser escolhida...) e interromperem o momento de superação do vosso companheiro, é impossível ignorar o nível de desconforto da cena. A diferença entre um oh que fofinho! e um: que original não é? Estas raparigas de hoje...Se ninguém disser que vocês humilharam o coitado. Fazer estas inversões permite-nos ver que o cavalheirismo, por exemplo, é claramente machista e ver a misoginia por trás das histórias de princesas e das ideias românticas tão comuns...

 

"(...) já avisei os meus pais, que se me casar, são os dois que me levarão ao altar e o meu hipotético noivo terá de ser levado também, que o meu pai não vai passar nenhuma propriedade; e não há cá “pode beijar a noiva”, mas sim “podem-se beijar”, porque nós só nos beijamos se ambos quisermos, o homem não pode decidir sozinho se beija a mulher ou não"

 

(entrevista de Clara Não na Vogue)

 

Que homem quer trocar de lugar com a princesa? Que lhe segurem a porta ou puxem a cadeira? É humilhante. É humilhante ter uma mulher a explicar-lhes algo, a ajudá-los com uma tarefa qualquer ou a defendê-los no recreio. Se é normal, porque é que os homens não são cavalheiros uns com os outros? Porque é que não dizem uns aos outros para sorrirem mais? Somos educadas para aceitar com honra e deleite tudo o que os homens nos oferecem, mas muitos preferem bater a bota a ser associados a algo feminino - o feminino representa para eles tudo o que é fraco e inferior.

 

A3 (2).jpg

(Instagram)

 

Também recentemente andava à procura de opiniões sobre um livro - e vi que alguém lhe deu uma estrela por causa da política da autora de não citar homens brancos. Deleite-me a imaginar a situação inversa: Bom dia. Hoje venho falar deste livro. Não gostei porque o autor não cita nenhuma filósofa ou teórica. Uma estrela. 

 

"Quando publiquei o Manifesto no Instagram, houve um homem que me atirou à cara teóricos e referências como se eu fosse burra (...): “Já estudou Situacionitas? Já estudou os Neo Primitivistas? Já estudou o quê afinal? Zines feministas? Já estudou etnografia? (…) Já estudou Hegel?” Quando li isto fiquei enfurecida, porque eu pesquiso sobre o que falo, li e leio tudo o que encontro sobre Feminismo, da Judith Butler à Simone Beauvoir, Betty Friedan e Roxane Gay, e além disso, e acima de tudo, sou mulher."

 

(da mesma intrevista)

 

No seu Teoria King Kong, Virginie Despentes faz um exercício de inversão:

 

"Dou de caras sem querer na Internet com uma carta assinada por Antonin Artaud [um escritor] (...) endereçada a uma mulher que ele declara não poder amar (...) no final, a coisa acaba assim: "preciso de uma mulher que seja unicamente minha, que eu possa encontrar em casa o tempo todo (...)

Desenvolvi uma paixão pela inversão, só para ver no que dá.

"Preciso de um homem que seja unicamente meu, que eu possa encontrar em casa o tempo todo." Isso soa diferente de imediato (...) A música é outra."

 

Se é. A inversão revela a nossa dualidade de critérios quando julgamos a acção de homens e mulheres, nos assuntos que escolhemos discutir - passamos alegremente à frente de casos brutais de violação ou de raparigas queimadas vivas por denunciarem assédio na escola. Levando em conta o que algumas pessoas dizem é preferível pegar fogo a seres humanos do que ser feminista. Planos para 2020?

O feminismo envolve um questionamento constante: como seria se isto fosse feito por uma mulher ou se tivesse uma personagem feminina? estamos a julgar a personagem feminina e masculina de um livro ou filme da mesma maneira? Porque é que nesta situação pensamos de imediato numa figura masculina? E se trocássemos o ele por ela?

 

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Consciente ou inconscientemente há um ego frágil por trás da ideia daquele pedido de casamento: a incapacidade de aceitar que uma mulher receba reconhecimento pelo seu intelecto e esforço, ter que intervir e ser o centro das atenções. E se a mulher quisesse dizer não como poderia - com uma multidão a ver? Ela não vai querer ser desmancha prazeres...

 

Tenho gosto em ferir o ego, se esse ego é machista

(tirado daqui)

 

Ser feminista é ser desmancha prazeres: é estar toda a gente a aplaudir um jogador e vocês apontarem o seu péssimo exemplo, é apontar que essas piadas não têm graça, que isso não é normal, não é fofo ou romântico, apontar que essa versão da História é uma mentira. É ferir egos machistas. Sim, pessoas vão ficar ofendidas e dizer que estamos a arruinar a comédia, o cinema, as relações, a produção de abacaxis...Mas quando nos rimos de algo só para não parecer mal e ninguém ficar maçado estamos a ser cúmplices da nossa própria opressão. Por isso: muito obrigada, mas não.

11 comentários

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    Sara 05.08.2019

    Dizer que nem tudo deve ser um campo de batalha não é desviar o assunto do principal? A misoginia está na base da sociedade logo manifesta-se em todas as suas vertentes - não só na educação, saúde, mercado de trabalho, etc, etc. Mas nas séries que vemos, nos filmes que nos comovem, nos espectáculos de humor que nos fazem rir. Está presente ainda antes de nascermos e manifesta-se bem cedo, como essa experiência prova. Tal como o racismo, é um esquema destinado a manter oprimida uma classe inteira de indivíduos e naturalmente onde quer que esses indivíduos vão, eles enfrentam desafios específicos. Quando as pessoas dizem que vemos machismo em todo o lado - Bem, ele está mesmo em todo o lado. ¯\_(ツ)_/¯

    Há extremismo no desporto, na religião, no vegetarianismo, na defesa dos animais - perde tudo a credibilidade então, mais vale atirar a toalha ao chão. Na verdade tenho visto muito (muito mais) extremismo por parte de misóginos para quem toda e qualquer coisa é uma ofensa e que atacam  e ameaçam as mulheres que têm a coragem de falar. 


    Não acho que exista machismo mais grave e menos grave - só há um e agride e rebaixa sempre. Hoje em dia o que não falta é informação. Não vou esfrangalhar os dedos a tentar provar a alguém que sou um ser humano. Em relação a passar a noiva, é apenas mais uma forma de mostrar que as mulheres nada mais são do que uma propriedade do homem, algo que tem acontecido por tantos e tantos séculos.


    Obrigada pela visita e comentário
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    Sarin 05.08.2019

    Não disse que há machismo mau e menos mau - nunca o poderia dizer por ser falso.


    Refiro-me ao tratamento daqueles que o exercem - há o machista consciente, assumido; e há o que perpetua atitudes machistas sem disso se aperceber. Estes não merecem o tratamento de machistas porque o não são. Mas se forrem escorraçados, tratados da mesma forma, tenderão a reagir à injustiça com injustiça.
    Queremos transformar e aproximar, não dividir.
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    Sara 05.08.2019

    Isso não faz sentido para mim. Se um tipo insiste em explicar-me coisas sem eu lhe ter pedido, não importa se ele faz isso com boa intenção, é uma atitude machista. E tenho o direito de apontar isso e dizer ao tipo que está a ser machista - porque está. Se ficar ofendido, não é um problema meu. Há muitos bons rapazes que nunca mandaram uma mulher para a cozinha nem nunca gritaram com nenhuma, mas são bem machistas. Aliás este machismo dito "inconsciente" consegue ser tão ou mais perigoso: assume formas mais subtis que são amplamente apoiadas pela sociedade e que são praticadas por uma grande massa de indivíduos. Todos nós fomos criados numa sociedade patriarcal - cabe a cada um de nós questionar-se e tentar lutar contra estas tendências impostas por essa sociedade. Aqueles que mandam mulheres para cozinha geralmente são tudo menos machistas assumidos, na cabeça deles. Ficam muito irritados quando lhe chamamos isso. Para mim ser desmancha-prazeres e feminista são duas coisas unidas - a questão principal é: reconhecer que vivemos numa sociedade patriarcal, identificar o seu modo de funcionamento e o que fazer em relação a isso. O feminismo é naturalmente disruptivo. 
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    Sarin 05.08.2019

    Tentas explicar alguma coisa a um machista assumido? Perda de tempo e de energia.
    Já não é perda de nada quando o explicas a quem tem atitudes machistas sem o ser por opção, que tem tais atitudes porque foi assim treinado e nunca questionou. Não falo do óbvio "mulher na cozinha", mas falo do que "ajuda a mulher na lida da casa". Falo do que se oferece para te mudar o pneu não por achar que não o consigas fazer mas porque sempre lhe disseram para ajudar uma mulher em apuros e fá-lo sem questionar.
    Falo, finalmente, de se rejeitar um cumprimento sobre o aspecto por se achar que é emitido com base na "avaliação de carne em exposição" mas que não se reaja da mesma forma perante um cumprimento sobre o teu intelecto, como se ser bonita fosse menos digno de elogio do que ser inteligente, ambas condições genéticas que podem ou não ser aproveitadas. Não é o elogio que é digno de repulsa, é a forma e a oportunidade.


    Lamento se para ti tudo é o mesmo, porque apenas se criam fossos onde se pretende criar pontes.
    O machismo começou a considerar o feminismo o seu oposto há menos de 30 anos. Penso que seria bom pensarmos no porquê, já que o feminismo tem mais de 150 anos.
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    Sara 06.08.2019

    Um dá-me uma chapada, outro insiste em puxar-me a cadeira, outro risse de uma piada de violação - tudo tentáculos do mesmo polvo.  São situações que é preciso apontar, é isso que tento fazer de forma o mais clara possível - depois a pessoa tem duas opções: pode questionar-se, o que não falta é boa informação sobre igualdade com estatísticas e tudo para que fique bem claro à frente dos olhos. Ou pode ficar ofendida. Nesse caso não posso fazer nada. O feminismo está cada vez mais largo, com discussões sobre religião, raça, classe, ambiente, masculinidade tóxica. Tantas pontes. Mas há quem decida excluir-se. Não quero saber o que o machismo considera, eu quero que ele desapareça - e não continue a matar milhões de mulheres e homens todos os anos.
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    Sarin 06.08.2019

    Não fico ofendida, fico triste. Porque os extremismos convocam extremismos, criam-se antagonistas onde se pretendia diálogo. Só assim se alcança a paridade. E não será numa geração, não o foi antes e já vamos em 5 ou 6, os direitos duramente conquistados. Mas direitos é uma questão, mentalidades é outra. E se a urgência nos é legítima, o facto é que os direitos humanos estão a regredir no nosso ocidente e cada vez mais é necessário separar as causas para que as pontes de diálogo se mantenham.

    Talvez conheça melhor do que tu tais estatísticas - é um facto que desconheces e eu também. E que apenas aponto porque não é presumindo que se debelam as causas. Presumir que alguém é machista por ter atitudes com cunho machista é como presumir o que o interlocutor sabe ou sente: meio caminho para lado nenhum.
    Exemplifiquei com casos de machismo implícito e culturalmente assimilado mas que não transformam os seus protagonistas em machistas, respondeste com exemplos de violência física. Talvez estejas a ser redutora na tua visão do machismo. 
    E rir de uma piada que fala de violação como meio para chegar à piada não é rir de uma piada em que a violação é o objectivo da piada - nem é rir da violação.  É bom lembrar que há diferença. Rir da piada não traumatiza. A piada pode incomodar, mas é um dos preços da liberdade de expressão. O ataque ao Charlie Hebdo é o expoente da reacção ao incómodo. Porque alguém confundiu o direito à indignação com o dever de punição. 


    Tentar eliminar o machismo é óptimo - apenas discordo da tua visão do machismo e alerto para as suas diferentes manifestações.
    Afinal, o desfile na igreja num belo vestido branco não passava de exibição de castidade e pureza da fêmea que se entregava ao esposo - e há quem continue a desejar tal desfile, embora com mãe e pai porque não se é mercadoria. Devo apelidar de machista quem desfila vestida de noiva invocando a virginal virtude? É este o ponto do meu alerta.
    Vale o que vale. Mas procuramos o mesmo, as consequências de como o fazemos é que podem ser distintas.
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    Clara Silva 11.08.2019

    O Feminismo é, na verdade, o contrário de extremismo, é a defesa da Igualdade. 
    Não quer distinguir mulheres de homens, mas sim tê-los no mesmo patamar de igualdade, de respeito, de opções.
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    Sarin 11.08.2019

    E por isso eu alertar para que se evitem atitudes extremistas - como considerar machistas tanto os homens que assumidamente o são como os que acreditam na paridade mas replicam atitudes machistas porque nunca lhas explicaram; ou querer desfilar de branco na nave da igreja mas acompanhada de pai e mãe porque não se é mercadoria para ser entregue e se é para ser acompanhada que seja por ambos os progenitores porque iguais, enquanto se perpetua a tradição de expor publicamente a virtude da donzela no desfile virginal.
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    Sara 12.08.2019

    Clara: concordo :)


    Sarin: machismo inconsciente, escondido nas sombras das actividades mais quotidianas - isso é o que mais há. A percentagem de "machistas assumidos", como lhes chamas, não é grande em comparação ao resto dos homens - muitos são, de facto, bons companheiros e cidadãos. Mas de uma maneira ou de outra ajudam a perpetuar este sistema opressivo. Eu posso ter uma atitude racista e achar normal porque nunca ninguém me explicou o contrário - tudo bem, mas a atitude está lá. Muitos homens concordam que a igualdade é importante, mas nunca saíram da sua bolha de experiência para entender aquilo que passamos e isso é tão ou mais perigoso que o "machismo assumido"


    É precisamente por isso que apontar situações é tão importante, para que a pessoa caía em si e tente mudar essas atitudes, se assim o entender. Imaginando que tenho um companheiro que amo e respeito - vou-me coibir de dizer: estás a ser machista? Claro que não. Se bem que teria graça dizer outra coisa em vez de machista: estás a ser fiambre! 


    Todos nós temos entranhadas ideias sexistas e racistas - por isso precisamos de abanões. Bem podes querer construir pontes, mas isso não vai servir de nada se as pessoas não entenderem porque é que essas pontes são importantes em primeiro lugar. Lamento que consideres extremista algo que eu considero essencial para o feminismo.


    Graças à luta de outras mulheres com menos liberdade que nós, hoje temos mais opções no que respeita ao casamento. Quem disse que tens de fazer um desfile virginal? O teu companheiro pode desfilar, podem entrar os dois, podes casar fora de uma igreja, podes ir de preto. Cada um toma as decisões que entende. Também lamento que aches que há algo neste textos ou comentários que seja extremista - se assim fosse, tal como disse antes, eu simplesmente teria apagado os teus comentários sem hipótese de debate, mas isso não acontece aqui. Sente-te livre para comentar aqui quando desejares.
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    Sarin 12.08.2019

    Sara, o extremismo está em classificar como machistas os homens que têm atitudes machistas sem disso se aperceberem. As atitudes são-no, eles muitas vezes não.


    Questiono todas as atitudes, desde criança que o faço - evito classificar, rotular as pessoas pelas atitudes  exactamente para que as pontes se mantenham. Claro  que há pontes que não se desejam - como disse, não discuto com machistas. Travo-lhes o passo quando comigo se cruzam, salto-lhes por cima do insulto e ostento a vitória de os desprezar.




    Sobre o casamento, nada tenho contra - apenas relembro que se a entrega da noiva tem um simbolismo específico, o desfile da noiva também tem, e o vestido branco idem. Quando apontamos um como machismo convém apontarmos todos sob pena de parecer que apenas apontamos os que desagradam :)


    Como disse, queremos o mesmo. Teremos formas algo diferentes de o alcançar, e daí este diálogo.
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