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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

A leitora presunçosa

Como já contei aqui, gosto de listas de e sobre livros: mesmo aquelas que dizem o que é obrigatório ler. Muita gente não gosta, mas também não é preciso levar a parte do obrigatório tão a sério. O pessoal do New York Times não se importa com o que vocês lêem (pensamos todos) e portanto não têm de ir a correr comprar o que lá está indicado. Mas podem ser um bom ponto de partida para encontrar novos autores. Sou reticente quanto a fazer eu própria este género de lista...sei lá o que vocês devem ler, não trabalho no New York (acham vocês todos), mas vi a ideia num blog que sigo e pensei porque não? Aqui ficam os primeiros títulos que me ocorreram e que acho que toda gente devia ler because of reasons...Também se aceitam sugestões, se alguém tiver: 

 

1º. Jane Eyre, Charlotte Brontë

(Uma lição sobre como podemos vencer adversidades e ser féis a nós próprios)

 

2º. 1984, George Orwell

(Uma vez respondi a alguém aqui com uma das minhas citações favoritas e a pessoa ficou ofendida, prova que há sempre quem nunca tenha lido o livro e por isso vale a pena recomendá-lo)

 

3º. Não Matem a Cotovia, Harper Lee

(Defender aquilo em que acreditamos às vezes exige uma grande dose de coragem...)

 

4º. A Rapariga que Roubava Livros, Markus Zusak

(... e temo que um dia ninguém tenha coragem de pintar a cara e desatar a correr como o jesse owens)

 

5º.Dom Quixote

(Obra imortal que versa entre outras coisas sobre a capacidade de sonhar, mesmo quando se riem de nós ou quando parece que as nossas ferramentas não são as melhores...Imaginam quando os manos puseram o primeiro avião no ar? Deve ter parecido uma luta impossível.Todos somos Dom Quixote)

 

6º. A Feira das Vaidades, William Thackeray

(Sátira social que acompanha a vida de duas mulheres: a doce Amélia e a deliciosamente perversa Becky Sharp. Mesmo sem nunca ter ouvido falar de selfies ou likes o autor captou o ponto essencial com perfeição..)

 

7º.Sem Destino, Imre Kertész

(Sobre um jovem judeu húngaro que é enviado para Auschwitz. Inquietante, não por ter descrições gráficas, mas pela maneira como destrói o confortável cliché do passado enterrado e dos monstros, tão diferentes de nós....Retratos da Europa Contemporânea, talvez)

 

8º. Matadouro 5, Kurt Vonnegut

(A história de Billy Pilgrim, pacato optometrista cuja a capacidade de viajar no tempo lhe permite revistar momentos da sua vida como a altura, ainda miúdo, em que foi enviado para guerra e assistiu ao bombardeio de Dresden. Uma mistura de romance com ficção cientifica, onde o humor é usado para denunciar o absurdo da guerra)

 

9º. Bell Jar, Sylvia Plath

(Romance extraordinário que aborda temas como a doença mental - a personagem principal sofre de depressão - o papel das mulheres, muito particularmente a sua libertação, e as dores de crescer...)

 

10º. A Metamorfose, Kafka

(O clássico sobre a condição humana alienada que envolve baratas)

 

Menções honrosas:

- Moby Dick

Hamlet

 (A conversa com a caveira é sublime)

- As Farpas do Eça

(Crónicas de um país que não mudou quase nada )

- Os Memoráveis de Lídia Jorge

(Excelente livro que aborda a Revolução de Abril e que dá muito em que pensar)

Dear Fat Girl

O nível de fatphobia na nossa sociedade é muito elevado. Quando dizem que as mulheres são todas umas neuróticas imagino o que seria criar uma menina (e mesmo um menino) num mundo sem certas revistas e programas de TV, sem pressão...E quando se fala em positivismo corporal as pessoas associam logo a conceitos errados: não é incentivar à obesidade, mas a que todas as pessoas se sintam confiantes e gostem de si. Decidi fazer mais um top ten: coisas que as raparigas gordas já ouviram ou vão ouvir. Já agora no post que tive em destaque sobre feminismo pediram-me para divulgar um blog que faz parte de uma investigação sobre obesidade e imagem corporal: se quiserem vão lá e deixem o  vosso testemunho (anónimo) - aqui. Agora vamos lá: 

 

1ª. És gorda, mas és bonita: Não se pode ser as duas coisas. Como a palavra "gorda" continua a ser considerada um insulto as pessoas sentem que devem acrescentar um mas de piedade; és gorda, mas tens uma cara bonita ou és gorda, mas tens um bom coração. 

 

2ª. Que dieta estás a fazer agora? o bom de haver tantas é que dá para inventar uma com um nome engraçado e trollar os cuscos. Um dos privilégios de ser magra  que eu cobiço é poder colocar uma foto minha a comer pizza e receber mensagens a dizer que não dou a mínima para as regras e que sou uma rebelde...Em vez de dizerem que sou nojenta. 

 

3ª. Se fosse a ti fazia isto: resultou com a prima de uma vizinha de uma amiga...É sabido que o corpo das mulheres em geral é considerado bem público: quando é que devemos arranjar marido, ter filhos, etc...E claro - há quem fique logo interessado em partilhar conselhos, porque é para vosso bem como se vocês andassem com um relatório médico colocado na testa. 

 

 

4ª. Não queres um namorado? Se vocês não forem magras nunca serão amadas: imaginem esta ideia a entrar todos os dias na cabeça de milhões de meninas. Este mundo diz que só podemos ser princesas se tivermos um príncipe e que temos de fazer tudo para não acabarmos esquecidas na prateleira. Depois ficamos neuróticas e o pessoal faz piadas. Mais: devemos ser competitivas - assim ao ver outras mulheres ficamos contentes por não estar "tão mal". Esta sociedade Injecta tanta vergonha que acabamos por projectar essa vergonha sobre os outros. 

 

5ª. Ele gostava mais de ti se fosses magra:  Às vezes as pessoas fazem coisas por outras que depois se constata não merecerem assim tanto. Quando oiço isto penso: somos de carne, não vamos ficar jovens e fantásticos para sempre...Se uma relação já começa nestes moldes o que será o resto?

 

 

Conceitos errados sobre feminismo

Aqui está um tema que para muita gente continua a ser um terror. Quando ando a pesquisar encontro tantas ideias associadas ao feminismo que não me parecem correctas...Nem sei como é que continuam a ser passadas havendo informação esclarecedora disponível. juntei algumas num top. Vamos lá: 

 

1ª. Feministas são extremistas: andam de cutelo na mala prontas a castrar homens indefesos porque os odeiam a todos. Andar com um cutelo pode até dar jeito, mas para castrar indivíduos parece-me um consumo de tempo e um nojo. Já viram como é difícil tirar o sangue das unhas? Com franqueza. 

 

2ª. O feminismo ensina as mulheres a serem desavergonhadas: porque elas não casam nem têm filhos. Mas vocês podem escolher ter filhos, ficar em casa com eles e serem feministas. Não acho que seja mau ensinar as meninas a gostarem de si mesmas, a assumirem o controlo e a expressarem-se da maneira que querem. Vai haver sempre alguém a sentir a sua posição ameaçada...

 

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3ª. Não usam vestidos: ou seja - têm de abdicar de serem femininas. Para começar o conceito de ser feminina foi em grande parte construído pela sociedade patriarcal: ser meiga, doce, discreta...E de qualquer modo usar calças, vestidos ou um monóculo é uma questão pessoal. Podem continuar a defender a igualdade mesmo com saltos altos. 

 

4ª. Não depilam as pernas: a questão aqui é a necessidade de entender o corpo feminino como uma coisa natural. Esta é outra construção tipicamente patriarcal: mulheres limpinhas e puras, sem marcas. Mas nós suamos e sangramos e é extremamente prejudicial criar tabus à volta disso ou perpetuar a ideia que o corpo de uma mulher é nojento. O resto é de novo uma questão meramente pessoal. 

 

5ª. O feminismo é inútil: muita gente diz coisas como - feminismo é uma palavra feia, prefiro dizer que defendo a igualdade. Ou perguntam - se o feminismo defende todos não devia ter outro nome? Porque o movimento foi criado por mulheres para lutarem pelos seus direitos. Nada caiu no colo: foi preciso muito esforço e sangue derramado. Acho que conquistámos o direito a ter algo chamado assim. Além disso não podemos correr o risco de as conquistas femininas serem obliteradas ou "sequestradas"  Coisas do tipo: direito de voto porque foram os homens que lhes deram. E ainda persistem muitas situações sobre as quais é preciso falar, mesmo em países desenvolvidos. 

 

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