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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Mulheres na Fotografia

De facto, é difícil bater o poder de uma boa foto. O poder que têm de comover, de alertar para uma realidade. Estar lá na hora certa e captar um único momento para sempre. Ao mesmo tempo são a visão da própria pessoa que as tira. Nada como ir à procura de mulheres na História da fotografia. Aqui ficam 5 fotógrafas com histórias de vida incríveis:

 

 (Evelyn, a little native maid sitting in kitchen with basket on her lap.1909)

 

Jessie Tarbox Beals foi uma das primeiras fotojornalistas americanas e a primeira fotógrafa nocturna. Tudo começou em 1888 quando como paga por vender subscrições de uma revista ela recebeu uma pequena câmara. Ficou entusiasmada e em pouco tempo já tinha comprado uma câmara melhor e tinha transformado um armário num quarto escuro e o alpendre da casa num estúdio. Em 1900 deixou a sua ocupação de professora e conseguiu emprego em dois jornais. Dona de uma notável força física - vale lembrar que todo o equipamento fotográfico pesava mais de 20 quilos e que nesta altura se usavam espartilhos de baleia - ela era também hábil a criar oportunidades. O seu primeiro exclusivo foi sobre um julgamento em que os fotógrafos tinham sido proibidos de entrar: ela tirou uma foto à socapa ao subir para cima de uma estante para chegar a uma pequena janela no cimo da porta. Em 1904 numa exposição universal em St. Louis interrompeu a visita do Presidente Roosevelt e tirou-lhe várias fotos. Quando lhe disseram que não podia subir num balão de ar quente para fotografar de cima, ela saltou lá para dentro no momento em que o balão ia a subir deixando toda a gente atónita. Apesar da forte concorrência num campo masculino Jessie conseguiu continuar a fotografar até quase aos 70 anos tendo colaborado ao todo em mais de uma dezena de publicações.

 

 (Mrs. Herbert Duckworth. 1872)

 

Quando em 1863 Julia Margaret Cameron então com 48 anos recebeu de presente das filhas uma câmara a atracção foi imediata:"From the first moment I handled my lens with a tender ardour (…) and it has become to me as a living thing, with voice and memory". Tornou-se um dos mais importantes fotógrafos do século XIX com um valor impressionante de 1.200 fotos produzidas. O processo não era fácil: aplicava-se uma camada de colódio líquido numa chapa de vidro, passava-se a chapa por uma solução de nitrato de prata (para a tornar sensível à luz) e colocava-se na câmara ainda húmida. A seguir a chapa tinha de ser passada em sulfato de ferro e tiossulfato de sódio, lavada em água e posta a secar. Os trabalhos de Julia saíam muitas vezes desfocados o que era motivo de troça, mas ela gostou do efeito e adoptou-o. Ela rejeitou o meticuloso detalhe em favor da suavidade, evocar sentimentos em vez de mostrar factos - os seus retratos têm aura especial que os torna difíceis de esquecer. Mulher inteligente e letrada conviveu e retratou várias pessoas importantes como Lewis Carroll e Darwin. Além dos retratos Julia também gostava de encenar e fotografar cenas bíblicas e literárias. Em 1875 mudou-se para Ceilão onde continuou a fotografar até à sua morte 4 anos depois. 

 

 (Women Sewing Flags. 1940) 

 

Um dia quando Margaret Bourke-White era criança o pai levou-a à fabrica onde trabalhava. Ela ficou fascinada quando viu a parte da fundição - “To me at that age, the foundry represented the beginning and end of all beauty”. Também gostava de outras coisas: mapas, insectos, tartarugas...Queria ser cientista, mas em 1927 precisava de um emprego e decidiu começar a tirar fotografias à sua faculdade e a vendê-las. Foi um sucesso. Em 1936 foi a primeira fotógrafa contratada pela Life. Fotografava desde barragens a arranha-céus, tornando-se uma pioneira da fotografia arquitectónica e industrial. Também viu os efeitos que a industrialização tinha nas pessoas. Ela captou o rosto desses trabalhadores, usando a fotografia como instrumento para examinar as questões sociais do ponto de vista humano. Foi a primeira pessoa do ocidente a conseguir entrar na Rússia para documentar a industrialização soviética em 1930. Durante a guerra esteve no norte de África, voou numa missão de combate e cruzou o Reno com as tropas aliadas em 1945. Esteve em Buchenwald e Bergen-Belsen e fotografou o que viu lá - estas fotos em particular são difíceis de descrever em palavras. Depois da guerra esteve na índia onde entrevistou Gandhi: é autora da conhecida foto onde Gandhi aparece sentado ao pé da roda de fiar. Escreveu vários livros e uma autobiografia. "The camera is a remarkable instrument. Saturate yourself with your subject and the camera will all but take you by the hand”

 

 

Mulheres na página do Google - II

(Continuação deste post com alguns dos doodles deste ano referentes a personalidades femininas)

 

 

Caroline Herschel nasceu em 1750 em Hannover. Começou por estudar música, mas trocou as notas por outra carreira menos convencional. Aos 22 anos mudou-se para junto do irmão William Herschel (conhecido por ter descoberto Úrano) e tornou-se sua assistente. Participava activamente nas suas pesquisas e nas horas vagas estudava e observava o céu. Descobriu três nebulosas, vários cometas e uma galáxia elíptica. Em 1787 foi a primeira mulher a ser nomeada astrónomo da corte e em 1846 recebeu uma medalha de ouro pelos seus "valiosos serviços, descobertas, observações e cálculos". 

 

 

Most reforms, most problems are complicated. But to me there is nothing complicated about ordinary equality. Alice Paul nasceu em 1885 em New Jersey numa família Quaker. Em 1907 enquanto estudava em Inglaterra tornou-se uma sufragista activa e foi presa três vezes. Em 1913, já na América, organizou uma marcha com 8000 mulheres de todas as classes e que foi vista por 500.000 espectadores. Para Alice actos que chamassem a atenção da opinião pública eram a única via. Ela deixou o American Woman Suffrage Association que era um movimento moderado e fundou outro mais radical, o National Woman's party. Logo estaria nas notícias pelas manifestações feitas mesmo em frente à Casa Branca. Elas foram agredidas e presas: em celas infestadas de ratos onde eram alimentadas à força. Alice foi presa duas vezes nesse ano (1917) e com o objectivo de a descredibilizarem chegaram a mandá-la para um hospital psiquiátrico. O Direito de voto na América foi conquistado a 26 de Agosto de 1920.

 

 

Sou obcecada por Ballet, filme e teatro, e tenho uma tara por Mozart. Assim se definia Lotte Reiniger nascida em 1899 em Berlim. Em criança ela gostava de recortar figuras em papel e animá-las em teatros feitos com caixas de papel. Mais tarde, ficou fascinada com o aparecimento do cinema e decidiu estudar técnicas expressionistas de iluminação. Em 1919 apresentou o seu primeiro filme feito com a técnica de animação de silhuetas e em 1921 ela e o marido abriram um estúdio especializado nesse minucioso processo: as partes que compunham as figuras eram recortadas em cartão, depois a figura era montada e levada para uma mesa com uma abertura sobre a qual era colocada uma placa de vidro e por cima desta uma folha de papel transparente. A placa era iluminada por baixo. Lotte tinha de mover as figuras e cada movimento era fotografado. "As aventuras do príncipe Achmed" de 1926 foi uma das primeiras longas metragens de animação da História: 11 anos antes da Branca de Neve. Até hoje os seus filmes continuam a surpreender pela sua incrível fluidez e graciosidade.

 

Mulheres na Guerra

Recentemente em conversa nos comentários aqui no blog surgiu o tema do papel das mulheres na guerra - pouco conhecido, como acontece em muitas outras áreas. Manuais de História e afins passam a imagem das senhoras a acenar com lenços e depois a voltarem para os seus novelos, fomentando a ideia que elas eram umas incapazes especialmente em "assuntos de homens". O ano passado escrevi um post sobre isto e lembro-me de ter ficado sem espaço para tantas personagens femininas que encontrei. Elas eram aviadoras, condutoras de tanques, espiãs, mecânicas...Assim, é com prazer que este estaminé apresenta mais um episódio da rubrica que também se podia chamar: histórias sobre as quais Hollywood fará cerca de zero filmes. 

 

 

Filha de mãe americana e pai indiano, descendente de uma dinastia imperial, Noor Inayat Khan era uma princesa de coragem invulgar. Em 1940 entrou para a Women's Auxiliary Air Force onde recebeu treinamento como operadora de rádio e em 1943 tornou-se a primeira mulher operadora a ser enviada para a França ocupada. O trabalho era tão arriscado que em média um espião só conseguia trabalhar seis semanas antes de ser descoberto. Mas quando o grupo de Noor foi descoberto ela recusou-se a fugir, tornando-se o único operador de rádio em Paris - tinha que estar em movimento constante para não ser apanhada. Isso aconteceu duas vezes: quando se recusou a assinar um papel renunciando a novas tentativas de fuga enviaram-na para Dachau. Noor foi morta a tiro lá em Setembro de 1944.

 

 

Simone Segouin era membro de um grupo da resistência durante a ocupação. Era mensageira (passava secretamente mensagens de um grupo para outros), participava nos combates de rua e em missões que incluíam explodir pontes, descarrilar comboios e capturar soldados alemães: em Agosto de 1944 (e com 19 anos) ajudou capturar 25 na sua cidade natal Thivars, a cerca de 80 km de Paris em cuja libertação também se envolveu. A sua coragem valeu-lhe a Cruz de Guerra, uma condecoração militar. O ano passado foi dado o seu nome a uma rua  e ela esteve presente na cerimónia.

 

 

 Rose Valland era funcionária do Museu Jeu Du Paume - uma galeria nas Tulherias que está anexada ao Louvre - quando em 1940 o Reich decidiu usar o espaço para guardar obras recolhidas em outros museus ou retiradas a famílias judias e que depois eram enviadas para a Alemanha. Rose foi o único funcionário francês que não foi despedido, pois além de trabalhadora era discreta. Tão discreta que eles nunca perceberam que Rose era fluente em alemão e que entendia tudo o que era dito. Num diário ela ia secretamente registando o nome de cada peça e o sítio para onde seria enviada. Mais: ela entregava esses registos à resistência que tentava impedir o embarque. Ao longo de 4 anos ela catalogou mais de 20 mil obras: graças a isso quase todas foram recuperadas no fim da guerra. 

 

2015 no feminino

Tal como o ano passado, também este decidi fazer um post com alguns exemplos de mulheres que se destacaram. Digo alguns porque mencionar todos implicaria dividir o post em quatro ou cinco...Para começar temos a fantástica lista do BuzzFeed: 17 badass womem you probably didn´t hear about in 2015. Inclui as 57 raparigas que conseguiram escapar ao Boko Haram e voltar à escola; Tu Youyou, chinesa galardoada com o prémio Nobel da medicina pela criação de um fármaco contra a malária e a primeira unidade de combate à caça furtiva constituída só por mulheres na África do Sul. Também: a Croácia elegeu a sua primeira presidente, na Arábia Saudita as mulheres podem finalmente votar e ser eleitas - 17 já foram. Nos EUA elas passaram a ter acesso a todos os postos militares (e de lá chegou igualmente a notícia de que a cadeia Target decidiu acabar com a distinção de género nos brinquedos), o Canadá tem agora o primeiro governo igualitário do mundo: o governo de Justin Trudeau é composto pelo mesmo número de homens e mulheres (e não só); Svetlana Aleksievich ganhou o Nobel da literatura - são agora 14 as galardoadas com este prémio. O nosso cantinho não fica de fora: temos cientistas (uma das quais recebeu o prémio jovem investigador de 2014); campeãs de padel e até uma "sushi woman" - a primeira por cá. Mais histórias que fui vendo ao longo do ano: 

 

 

Nasima Akter de 18 anos é a primeira surfista do Bangladesh. Aos 7 anos foi expulsa de casa por recusar a se prostituir para ajudar nas despesas - encontrou abrigo numa comunidade de surfistas que lhe ensinaram o desporto e em pouco tempo já estava a bater surfistas mais experientes em competições locais. A sua história invulgar chamou a atenção de um realizador americano que fez um documentário sobre ela chamado The Most Fearless

 

 

Brittney Exline é a mais jovem engenheira afro-americana - aos 19 anos tornou-se bacharel em ciências da computação pela universidade da Pensilvânia (uma das escolas da prestigiada Ivy League) e foi também a mais jovem afro-americana a ser aceite por esta instituição, quando tinha 15 anos.  Além de engenharia, estudou matemática, psicologia e humanidades, fala fluentemente várias línguas e já participou em concursos de beleza

 

 

Quando ouviu a mãe dizer que iria ter de se casar, Sonita Alizadeh de 16 anos fez um vídeo (gravado clandestinamente) em que cantava uma música rap a que chamou "Filhas à venda": uma tentativa desesperada para fugir a uma realidade que afecta milhões de meninas em todo o mundo. O vídeo colocado no Youtube chamou a atenção de uma ONG que lhe conseguiu uma bolsa para estudar na América. Agora pretende continuar a gravar músicas sobre os direitos das mulheres

 

 

 

Mulheres na Ciência

Há uns tempos encontrei uma página sobre mulheres cientistas e guardei algumas imagens que lá estavam...Nunca mais me lembrei delas até que no Fim-de-Semana fiz uma incursão à minha pastinha e achei que era algo a ser partilhado. A verdade é que muitas vezes encontro gente por essas interwebs que acredita realmente que laboratórios e mulheres são universos opostos: houve uma eminência que disse que a ciência é rapazes a mexer em brinquedos. Permitam-me discordar:

 

 

Hooper foi a primeira mulher a conseguir o doutoramento em matemática na Universidade de Yale em 1934. Em 1942 entrou para a marinha onde ajudou a programar o Mark I - o primeiro computador electromecânico automático de larga escala. Pioneira no processamento de dados, ajudou a criar o COBOL (common business-oriented language) - uma linguagem de programação que ainda é utilizada hoje

 

 

Em 1952 Franklin conseguiu imagens do DNA utilizando o Raio X. Uma delas - a foto 51 - mostrava a estrutura de dupla hélice. Sem autorização o seu colega  de laboratório Maurice Wilkins (que pelas costas a chamava de bruxa) apropriou-se da foto e mostrou-a a James Watson e Francis Crick. No ano seguinte eles publicaram a descoberta da dupla hélice na revista Nature sem citar o trabalho de Franklin e os três ganharam o prémio Nobel. Só em 2000 Watson reconheceu que nunca teriam chegado a esta descoberta sem Rosalind. Hoje ela é reconhecida como mãe do DNA

 

 

Mayer nasceu em 1906 no Império Alemão, aos 24 doutorou-se pela universidade de Göttingen e no mesmo ano partiu para a América onde trabalhou por décadas sem ser paga. O seu marido chegou mesmo a ser despedido da universidade Johns Hopkins porque o reitor considerava uma afronta a presença de Maria no laboratório. Os seus estudos permitiram compreender as propriedades magnéticas nos núcleos, conhecimento esse que é a base das ressonâncias magnéticas usadas hoje na medicina. Ganhou o Nobel da Física em 1963

 

 
 Em 1954 Rubin concluiu que as galáxias se aglomeravam em vez de se distribuírem aleatoriamente no universo. Elas formam blocos chamados Galaxy Clusters - termo que hoje é amplamente usado. Em 1965 tornou-se a primeira mulher a ter acesso aos telescópicos do Observatório Palomar - até meio do século muitos institutos ainda proibiam as mulheres de usar os instrumentos científicos. Mais tarde notou que os corpos celestes nas bordas das galáxias se moviam tão rápido que deviam ser projectados, mas em vez disso continuavam agrupados - tinha que existir mais matéria do que aquela que se conseguia ver. Pelo meio ainda criou quatro filhos.

 

 

Meitner nasceu em 1878 em Viena. Conseguiu entrar na Universidade em 1901 e doutorar-se 5 anos mais tarde. Depois foi para Berlim onde trabalhou com o químico Otto Hahn: ela estudava as propriedades físicas das substâncias radioactivas e ele as propriedades químicas. Conseguiram progressos na área da física nuclear e em 1938 descobriram o fenómeno que chamaram fusão nuclear. Só Hahn foi premiado por esta descoberta, erro nunca reconhecido pelo comité.

 

Mulheres na página do Google - I

Acho engraçado aquelas alterações que o Google faz na página principal para celebrar uma data importante (acho que é doodles que se diz) e tenho reparado que há muitas figuras femininas em destaque: escritoras, cientistas, artistas...qualquer tentativa de tirar os feitos femininos das brumas do esquecimento, que é onde eles costumam estar infelizmente, é sempre bem vinda. Não sei se vocês costumam reparar...Aqui ficam alguns bem bonitinhos:

 

 

 

(Maria Gaetana Agnesi, nascida em Milão em 1718, ficou conhecida pelas suas obras sobre cálculo diferencial e integral onde expôs o que ficou conhecido por curva de Agnasi. O seu trabalho mais importante, Analytical Institutions for the Use of Italian Youth, abrangia álgebra elementar, teoria das equações e cálculo, unindo pela 1ª vez os princípios de Newton e  Leibniz - espantou os académicos pela sua qualidade. De carácter modesto e tímido, ela recusou leccionar na faculdade e preferiu dedicar-se ao estudo religioso e ao trabalho social)

 

 

(Audrey Hepburn não foi apenas uma actriz oscarizada e um modelo de elegância. Em 1987 ela tornou-se embaixadora da UNICEF e passou os anos seguintes, até ao seu falecimento em 1993, a viajar pelo mundo - a Etiópia foi um dos sítios onde esteve - a dar conferências e a organizar eventos de solidariedade, tentando melhor a vida das crianças, algumas fortemente afectadas pela guerra como ela havia sido - em jovem participou em espectáculos de ballet clandestinos para angariar dinheiro para a resistência. Para dar continuidade ao seu trabalho foi criado um fundo: Audrey Hepburn Children's Fund)

 

 

(Amalie Noether nascida em 1882 na Baviera é considerada a criadora da álgebra moderna. Estudou línguas e deu aulas de piano até se decidir pela matemática. Em 1908 doutorou-se com uma tese sobre invariantes algébricos na universidade de Erlangen onde passou a dar aulas - o seu modo de ensino atraía alunos até da Rússia, muitos deles também fizeram mais tarde contribuições importantes. Resolveu o problema da conservação da energia que é conhecido pelos físicos como o teorema de Noether o que foi essencial para a formulação da teoria da relatividade)

 

(Hannah Arendt, uma das pensadoras mais influentes do século XX autora de livros como A Condição Humana e As Origens do Totalitarismo. Em 1963 causou polémica ao expor a teoria da banalidade do mal, depois de três anos antes ter assistido ao julgamento de Eichmann em Jerusalém. Ela esperava ver um monstro, mas em vez disso viu um burocrata simplório - O perigo não são as mentes psicopatas mas a violência diária que é exercida por gente banal)

 

 

(Dian Fossey, zoóloga americana conhecida pelo seu trabalho com os gorilas no Ruanda e no Congo. Passou anos na selva a observar um grupo a ponto de ganhar a sua confiança e conseguir sentar-se no meio deles. Isto permitiu-lhe estudar a fundo o seu comportamento e hábitos - também lutava activamente contra a caça furtiva e contra a retirada dos animais do seu habitat. Acabou por ser assassinada por causa disso em 1985. Graças ao seu trabalho, os gorilas da montanha que hoje são cerca de 800 indivíduos, passaram a ser protegidos por diversas entidades internacionais)

 

Ilustres desconhecidas - III

 

Como disse num post anterior, muita gente toma por certo que as mulheres nunca participaram em nada da História...Por isso hoje só para contrariar temos algumas corajosas militares da segunda guerra que não só enfrentaram o rigor dos combates como o preconceito e o escárnio da sociedade. Na foto, Aleksandra Samusenko nascida em 1922 que comandava um tanque T-34 onde servia também como oficial de comunicações. Esteve em várias frentes  - Bryansk, Voronezh e Kursk onde se deu a célebre batalha em 1943 em que também participou. A dada altura do combate o comandante do batalhão foi morto e ela tomou o seu lugar e conduziu as tropas para fora de uma emboscada - esta acção valeu-lhe uma medalha de honra. Em 1945 ela participou na ofensiva russa na Pomerânia onde morreu a 3 de Março quando um tanque a atropelou acidentalmente. Outra condutora foi Mariya Oktyabrskaya que ingressou no exército em 1943 depois de saber que o seu marido tinha sido morto. Como não a queriam deixar entrar nas brigadas ela vendeu todos os seus bens e comprou um tanque que chamou de Fighting Girlfriend e que ofereceu ao exército com a condição de ser ela a conduzir. Ninguém a levava a sério, mas logo no seu primeiro combate ela foi a primeira da brigada a conseguir furar as linhas inimigas e quando o tanque foi atingido ela saiu para o reparar mesmo debaixo de fogo.

 

Irina Levchenko que além de comandante era também enfermeira e foi a primeira russa a receber a Florence Nightingale Medal pelos seus serviços. Ela ajudou a retirar mais de uma centena de soldados feridos do campo de batalha. Durante um combate ela feriu-se com gravidade mas recusou-se a ir para a reserva e continuou a lutar. Havia uma mulher na marinha: Ekaterina Mikhailova que participou missões como militar e enfermeira. Como protesto contra a desigualdade entre homens e mulheres na distribuição de títulos honorários recusou os que lhe foram atribuídos depois da guerra. Engenheiras como Ludmila Kalinina que comandava uma unidade de reparação de tanques. Aviadoras como Lydia Litviak e Katia Budánova - as duas únicas mulheres a receberem o título Ás da Aviação que era atribuído aos aviadores militares que abatessem cinco ou mais aeronaves inimigas, durante uma batalha. Em 1941 foi criado um regimento de bombardeio nocturno exclusivamente feminino - aviadoras e mecânicas a maioria com não mais de 20 anos. O perigo de voar á noite sobre campo inimigo em frágeis biplanos não as demoveu - entre 1942 e 1945 realizaram mais 30.000 missões. Para evitar serem descobertas elas desligavam os motores e ficavam a planar  por isso os alemães chamavam-lhes as bruxas da noite. Havia mulheres na artilharia como Zina Kozlov - apanhada em acção nesta foto aqui. Não cabem aqui todas as estórias envolvendo senhoras durante a guerra...

 

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