Normalmente o tema Feira do Livro fica despachado num post, para partilhar impressões e mostrar aquisições - e tentar justificar essas mesmas aquisições, mas este blog está um bocado no lodo por isso decidi partilhar a minha lista de títulos desejados. Podem perguntar porque raio fiz uma lista quando disse que este ano não ia comprar livros...
Tenho mesmo de ir à Feira, está prometido a Leitora Júnior. O ideal seria ir apenas como companhia e só para observar mas também temos de ser realistas quanto aos nossos objectivos. Por isso fiz uma pequena e restrita lista. Achava que o problema não era tanto o que colocamos numa lista, mas o que se vai comprando sem estar planeado ao longo do caminho, três euros ali, cinco acolá...Mas tendo em conta que não ficou lá muito pequena nem restrita o problema simplesmente é que queremos sempre demais. Não sei se é também o vosso caso e se planeiam de antemão o que querem comprar.
Na Leya só seleccionei um livro, não me odeiam por comprar neste sítios grandes, Estendaisde Gisela Casimiro - já não sei de onde veio esta sugestão, tenho uma pasta nos favoritos para onde vou atirando os títulos que me despertam interesse, é uma autora nascida na Guiné-Bissau. Na Tinta da China: Catarina e a Beleza de Matar Fascistas - este post lembro-me de o ir pescar à dita pasta e está como livro do dia - e Racismo em Português da Joana Gorjão Henriques. Comprei Racismo no País dos Brancos Costumes na Feira, mas este em particular nunca está a metade do preço ou como livro do dia por isso agora vai com o preço que está [13,50] e a autora lançou este ano uma continuação.
E já agora aproveito para dizer que terem colocado o Ain't I a Woman? da bell hooks, Mulheres, Raça e Classe da Angela Davis e Memórias da Plantação da Grada Kilomba como livros do dia, estes dois últimos no mesmo dia, é sacanagem. O primeiro já li e posso garantir que são 10 euros bem gastos. Na FFMS há dois títulos como livros do dia que achei interessantes - um sobre saúde mental em Portugal e outro sobre livros, precisamente (A Religião dos Livros: Alfarrabistas, Livrarias e Livreiros). Na Penguin escolhi quatro títulos: Casa de Dia, Casa de Noite da Olga Tokarczuk; Mulheres Más da María Hesse, não cheguei a trazer aquele sobre a Marilyn o ano passado e agora este já está a metade do preço, parece maravilhoso; Aquário - crónicas da Capicua e A Sexta Extinção de Elizabeth Kolbert - este livro têm me passado tantas vezes à frente dos olhos e as reviews são positivas...
Não-ficção de ciência\natureza é sempre um pouco intimidante para mim, mas acho uma boa compra a metade do preço. Há demasiada coisa a captar a minha atenção nesta praça, quanto mais se pesquisa pior é. Como compro quase tudo em segunda mão às vezes esqueço-me de quão altos são os preços dos livros neste país...Não que ache que é por causa disso que o pessoal não lê, mas são valores absurdos de qualquer modo. Na Bertrand: a biografia da Maria Teresa Horta pela Patrícia Reis - devia esperar até passarem os dois anos, mas não me apetece e quem é impaciente tem de pagar preço por isso - e Como Perder um País: os Sete Passos da Democracia à Ditadurada Ece Temelkuran.
Já o li (sem ser em papel) mas é apelativo que na promoção fique a menos de 9 euros. Vai é implicar ter de ir de uma ponta da Feira à outra...Estes detalhes não se podem ignorar quando se tem as perninhas de um dachshund.
Agora que penso nisso esta não é uma wishlist muito alegre, tenho dificuldade em encontrar livros ditos "leves" que não pareçam ser de caras um barrete. E por falar em coisas pouco alegres - vocalizei a ideia de irmos também no dia do fecho só para passear (muito arriscado, especialmente porque já caí no erro de ver quais são os livros do dia nesse Domingo) e comer um gelado. Não como na Feira, gasto tudo em livros e não gosto muito de o fazer em público. As únicas coisas que degluti naquele espaço foram um Corneto e um hambúrguer - não no mesmo ano. E agora por ironia não posso comer nada que tenha leite mesmo que queira. Gulodices à parte, estou a contar com um tempo bem passado e estes títulos parecem-me promissores.
Comecei a ler Sete Contos Góticos (1934) de Karen Blixen, mais conhecida pelo seu livro de memórias Out of Africa. Na verdade só tenho o primeiro volume que comprei no meu sítio de usados do costume, onde estou auto-proibida de ir, e que tem quatro contos - os outros três tive que ir arranjar online e tenho no telemóvel. Sim, foi o livro que estive a ler no dia do apagão, assunto sobre o qual penso que toda a gente já disse tudo o que havia para dizer e eu nada tenho a acrescentar até porque tive apenas uma vaga consciência do apocalipse que estava a acontecer no exterior. E também não senti o desejo de ir para a rua conviver, muito obrigada.
Entre as coisas que se tomam por garantidas, e não vejo muita gente mencionar este aspecto, está a respiração - um dia inteiro com a máquina desligada ou ir dormir com a forte possibilidade de não mais acordar? Assustador. Mais do que ter de almoçar e jantar atum. Voltando ao livro, li com ajuda de uma pequenina lanterna, uma vela estaria mais dentro do espírito mas só faltava pegar fogo à casa - não está a ser bem o que tinha pensado e também tem mais subtexto do que tinha previsto por isso entre sublinhar, anotar, voltar a ler passagens (enquanto oiço em fundo alguém a empacotar encomendas da sua loja, o estranho conteúdo que achamos relaxante) a leitura flui lentamente...É uma boa altura para relembrar que ler um ou dois livros por mês não é menos válido do que ler quarenta.
É certo que por vezes a leitura demora mais porque não estamos a gostar assim tanto e que às vezes há coisas que despachamos de uma assentada - esses é que eram os bons tempos a ler na mesma posição durante horas sem me distrair com nada - mas nem todos os títulos se prestam à rapidez, nem todos dão satisfação imediata. O que talvez esteja na base do estranho paradoxo de existirem pessoas em comunidades de livros nas redes sociais que na verdade não lêem nada do princípio ao fim, porque uma coisa é a estética outra é ter que fazer esforço...Até para o livro mais vácuo de conteúdo é preciso alocar o mínimo de esforço para chegar ao fim e ter a satisfação da resolução.
Se pensarmos bem para que serve a pressa? Vocês podem dizer que há muita coisa que gostavam de ler e o tempo que têm, que todos temos, é limitado - mas mesmo que leiam quarenta livros por mês ainda assim é pouco provável que cheguem realmente a ler tudo o querem na vida, sem contar com as novidades que estão sempre a sair...Nunca vai haver tempo que chegue por isso se calhar é melhor aproveitar o que estão a ler no momento. Esta arengada toda é só para me desculpar de ainda só ter lido três contos até agora.
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