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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Quem lê mais: os homens ou as mulheres?

Penso que todos os leitores em alguma fase do seu crescimento devem ter sido brindados com a frase: tens de largar os livros e conviver mais, sair mais! É uma das razões porque prefiro os dias frios: uma pessoa não se sente culpada por ficar em casa a ler se uma chuva gelada estiver a cair a potes. Não ajuda o facto de vivermos numa sociedade que parece não valorizar muito o livro nem o acto de ler como importante pilar do desenvolvimento pessoal e em maior escala vivermos num mundo capitalista que dá pouco valor às letras e artes. Como mulher é contraditório pois recebo a mensagem que devo ser recatada e ao mesmo tempo que devo sair, mas até que ponto posso sair sem arruinar a minha preciosa reputação? Os livros também podem ser um perigo para as mulheres afinal de contas.

Ironicamente há uma certa aura feminina que paira sobre o acto de ler. Por isso muita gente começa a ficar inquieta quando os seus filhos rapazes parecem ter mais interesse em ler livros do que em jogar futebol. Um rapaz recatado é um conceito estranho, não é por nada que as secções de brinquedos dos supermercados tão meticulosamente separadas por género nos dizem que o lugar dos rapazes é no exterior e não no interior. Estas pessoas estão em constante alerta contra tudo o que possa tornar os seus filhos menos homens, tudo o que seja vagamente feminino pois isso é igual a fraqueza. 

Agora que é comum o pessoal expor os seus problemas e pedir opiniões em certas páginas da internet temos um manancial de coisas dignas de reflexão como este post no Bored Panda: Father Lists All The Reasons He Thinks His 1-Year-Old Is Gay, Mother Left Speechless. E sim lá está um dos sinais: gostar demasiado de livros, para um rapaz. Se pesquisarem por "boy bullied for reading" vai vos aparecer o nome de Callum Manning, um jovem inglês que foi notícia por estar a sofrer bullying devido a ser um ávido leitor e partilhar as suas opiniões no Instagram. 

Então pensei: afinal quem lê mais? Esperei que o Google me pudesse dar uma resposta concreta, vão me perdoar pois comecei por escrever em inglês. Apareceu um artigo de 2007. Inicia com a história do dia em que o autor Ian McEwan andou a oferecer livros num parque londrino, em poucos minutos já tinha entregue trinta romances mas enquanto as mulheres os aceitavam de bom grado os homens olhavam para a oferta com suspeição - "When women stop reading, the novel will be dead".

Quase: as mulheres [americanas] liam em média nove livros por ano enquanto os homens liam cinco. Um dado curioso é que a esta altura mais rapazes tinham lido o Harry Potter do que raparigas - se bem que estamos falar de uma autora que assina com iniciais neutras e não com o seu nome feminino, granjeando assim mais respeito e mais interesse do público masculino. De qualquer modo as mulheres andavam a ler mais em todas as categorias, excepto biografias e História. Os homens perfaziam apenas 20% do mercado de ficção. Então, a despeito do cânone literário ser maioritariamente masculino, o grosso das pessoas que leem não o é. Que ironia.

O que inclinará os homens para a não-ficção? O artigo adentra esta questão através da neurologia, procurando explicações no cérebro mas eu sou muito céptica quanto às tentativas de encontrar diferenças como se existisse um cérebro feminino e masculino. Na cultura popular é o célebre: os homens são de Marte e as mulheres de Vénus - elas mais empáticas, eles com um espectro emocional menor. Esta teoria é como o All i Want for Christmas is You, podem bater-lhe com um pau mas ela volta sempre. Um excelente livro de não-ficção, que já mencionei aqui antes, é Delusions of Gender onde a autora, Cordelia Fine, desmonta estes estudos e mostra como é tudo uma questão cultural e como os estereótipos de género são projectados na criança mesmo antes de ela nascer. 

Vamos ver: que características são geralmente associadas à não-ficção? Um tipo de leitura mais séria, mais densa, objectiva, factual - menos emocional? E quais são as características que a sociedade diz que fazem um homem "a sério"? Controlados, racionais, analíticos, objectivos - menos emocionais? Os homens têm realmente menos probabilidade de ler livros que lidem com sentimentos e emoções e bastante mais probabilidade de abandonar esses livros a meio. Podemos procurar na mioleira algo que diga que as pessoas com um falo vão ler teoria política, mas será assim tão surpreendente que eles não tenham interesse nestes livros quando estão inseridos num mundo que lhes diz que sentir e mostrar emoções é errado num homem? Onde ainda é considerado normal dizer a crianças coisas como: porta-te como um homem ou os homens não choram?

Se os homens parecem ter uma panóplia de emoções menos vasta não é porque nasçam assim - é porque estas são sufocadas à medida que vão crescendo. Com que resultado?

 

 "There’s evidence that men who adhere more strongly to masculine ideals see getting psychological help more negatively. That can result in their feelings building up without an escape valve – either a personal one, through talking with friends and family, or a professional one, through therapy or other mental health services – and can escalate to a crisis point. Studies show that in the year before they killed themselves, only 35 percent of men saw a mental-health practitioner, while 58 percent of women did.

If a guy says, well my sense of being a man means that I can’t disclose any vulnerabilities, because that will make me look weak, if something [like depression] does come up, what do I do with that? I have to keep it to myself,” says John Oliffe, founder and lead investigator of the Men’s Health Research program at UBC [University of British Columbia]"

(Tirado daqui)

 

Claro que vocês podem argumentar que aquele artigo de 2007 já é muito antigo e que só diz respeito aos Estados Unidos, mas também encontrei este artigo da Deloitte datado de Dezembro de 2021:

 

"This trend persists despite global illiteracy impacting women more than men. In the coming year and beyond, Deloitte Global predicts that boys and men in almost every country will continue to spend less time reading books, and read them less frequently, than girls and women.

(...) boys also report enjoying reading less. A 2018 study of children at age 15 found that more than 40% of girls reported reading at least 30 minutes a day, compared to only about a quarter of boys who did the same. The same study found that 44% of girls said that reading was one of their favorite hobbies, while only 24% of boys said the same"

 

Quando fiz a pesquisa em português apareceram dois artigos da Marktest, um de 2013: "Enquanto 55.8% dos homens refere ter lido pelo menos um livro nos últimos 12 meses, entre as mulheres a percentagem sobe para 73.4%." E depois outro de 2020 - "Enquanto 53.5% dos homens refere ter lido pelo menos um livro nos últimos 12 meses, entre as mulheres a percentagem sobe para 68.8%".

O estudo da Deloitte apresenta algumas razões interessantes para estas discrepâncias que temos estado a observar: além de os rapazes serem mais incentivados a ocuparem-se com outras actividades, um motivo apontado é a falta de uma figura paterna com hábitos de leitura. Um artigo brasileiro cita um estudo onde o pai aparece em terceiro lugar como figura incentivadora da leitura atrás dos professores e da mãe. E os pais [figura paterna] lêem mais para as filhas do que para os filhos.

E há também o problema da forte divisão por género do mercado livreiro, algo que todos podemos observar com muita facilidade ao entrar numa livraria: ali estão os escaparates com um mar de capas com brilhantes, saltos altos e senhoras de vestido - é esperado que as senhoras mergulhem de cabeça neste mar enquanto os senhores colocam calmamente sobre o balcão um livro histórico de guerra. Nada disto é natural mas sim um reflexo dos estereótipos de género, aquilo que o mundo diz que homens e mulheres devem ser e gostar. 

 

"Em artigo publicado no jornal “The Guardian” em 2010, a autora Lionel Shriver disse que seu livro “Game Control” [ela também é a autora de We Need To Talk About Kevin], com protagonista masculino e sobre um plano de assassinato, quase recebeu uma capa que mostrava “uma moça jovem e cativante, usando chapéu e olhando para o horizonte”. Quando sugeriu carcaças de elefante, ouviu do departamento comercial que animais mortos repelem as mulheres (...) As ideias do mercado editorial sobre o que as mulheres querem são antigas e condescendentes”

(Tirado do artigo citado acima)

 

No que toca à ficção os homens tendem a preferir livros que falam de alienação, indiferença e luta solitária como O Estrangeiro ou À Espera no Centeio. Vale mencionar que The Catcher in the Rye é também conhecido por ser um dos livros predilectos dos psicopatas, o caso mais conhecido é o do tipo que assassinou John Lennon mas há outros. Claro que nem todos os homens são psicopatas nem o pobre Holden tem culpa disto - eu li o livro duas vezes. Mas mostra como os rapazes precisam de livros que transmitam uma variedade de sentimentos porque esta fixação com a imagem do ranger solitário combinada com outras manifestações de masculinidade tóxica e desequilíbrios emocionais que não são tratados é uma desgraça à espera de acontecer.

Para afunilar ainda mais, os homens leem muito menos livros escritos por autoras. Alguns artigos que encontrei dizem que existe uma tendência para escolher autores do nosso género, no entanto: "A study by Nielsen Book Research found that, of the 10 bestselling male authors, readership was roughly evenly divided by gender, with 55% male readers and 45% female readers. In contrast, only 19% of the 10 bestselling female authors’ readers were male, compared to 81% female"A experiência masculina é considerada universal, a feminina - limitada e acessória...

 

“I’ve known this for a very long time, that men just aren’t interested in reading our literature,” the Booker prize-winning novelist Bernardine Evaristo told me in an interview for The Authority Gap. “Our literature is one of the ways in which we explore narrative, we explore our ideas, we develop our intellect, our imagination. If we’re writing women’s stories, we’re talking about the experiences of women. We also talk about male experiences from a female perspective. And so if they’re not interested in that, I think that it’s very damning and it’s extremely worrying.”

(Tirado daqui)

 

Isto tem graves consequências: não só os rapazes vão ficando cada vez mais para trás nas habilidades de leitura e compreensão de texto, como se estão a privar de uma excelente ferramenta para o desenvolvimento da empatia e imaginação pois quando lemos estamos a "calçar os sapatos" da personagem - tentamos entender as suas motivações e as suas conexões com os outros na trama, somos confrontados como novas questões, com ambiguidades...E se eles também não leem autoras, são oportunidades que se estão a perder de percepcionar as mulheres como protagonistas. Somos vistas somente pela lente masculina o que vai reforçar a incompreensão pelas nossas experiências.

O ponto não é fazer disto uma competição - estamos diante de um problema inserido em outro ainda mais profundo, pois parece-me que o chalupa que acha que o seu filho é gay por gostar de ler e tocar em flores não é caso isolado. Isto traz-me à mente um outro post que encontrei algures - coisas que os homens não sabiam até estarem numa relação com uma mulher. Parecia engraçado mas fiquei logo deprimida pois a terceira coisa mencionada eram abraços...Que mundo é este? Muitas coisas ainda precisam de ser normalizadas no que ao género masculino diz respeito: flores (um dia será normal os homens receberem flores de presente) abraços, maquilhagem, terapia...E livros. 

Filmes: especial maternidade

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2011

"Eva Khatchadourian, a travel writer, puts her career aside to give birth to Kevin. The relationship between mother and son is difficult from the very first years. Two days before his sixteenth birthday, Kevin does something unforgiveable (...) After the event, Eva grapples with her own feelings of grief and responsibility: how much of what Kevin did was her fault?"

 

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2016

"Alice Lowe is the writer, director and star of Prevenge, a slasher comedy about pregnancy: Ruth is 7 months pregnant and on top of mood swings, nausea and struggling to roll over in bed she now must deal with something far worse. Grief…And a murderous misanthropic foetus telling Ruth to kill those responsible for the death of her partner."

(Tirado daqui)

 

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Jennifer Kent

2014

"After the death of her husband, Amelia struggles to discipline her out-of-control six-year-old, Samuel – a son she finds difficult to love. One night Samuel asks Amelia to read him a book he finds on a shelf, called Mister Babadook. Amelia finds the book disturbing, and quickly burns it. However, the story isn’t over as she soon discovers a sinister presence lurking in the house."

 

Últimas leituras e reflexões variadas

Decidi reler O Clube da Sorte e da Alegria de Amy Tan. Não posso dizer que teve cem por cento a magia da primeira leitura, mas seja como for é um livro da qual gosto muito. Nem sequer pestanejei quando li algures que esta obra, que fala de quatro mulheres que imigraram da China para os Estados Unidos e da relação com as suas filhas, contém misandria. Dizem o mesmo de A Cor Púrpura. Qualquer livro que não se foque em homens e que apresente personagens femininas com um pouco mais de vida que um esfregão é considerado um ataque. Dá muita vontade de rir.

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As insónias podem tirar anos de vida mas por outro lado aumentam a cultura geral. Particularmente gosto de pesquisar sobre personagens e criaturas mitológicas. Reparem: o meu cérebro é um bocado inútil, não sei desenhar nem fazer contas de cabeça, nunca consegui aprender a tocar a malfadada flauta, ele só funciona quando se fala em histórias - se pensarmos bem não foi saber fazer equações que salvou Sherazade. Acho fascinante como os mitos são\foram usados para explicar a natureza, a criação do mundo, a vida e a morte e como projecção de desejos e receios.

E assim acabei a ler este livro: The Book of Mythical Beasts and Magical Creatures. É mais direccionado para um público juvenil com uma página de texto para cada personagem ou criatura e dividido por capítulos: tricksters, creatures of deep, winged wonders, shapeshifters...Achei muito interessante e agradavelmente diverso (quem poderia adivinhar que também existem fadas na mitologia de algumas zonas de África? Nunca vi nenhuma fada, salvo seja, que não fosse branca), além de que as ilustrações são lindas.

No livro há referência a algumas deusas como Itzpapalotl da mitologia Asteca, representada como um esqueleto com asas de borboleta. Não consigo deixar de pensar nesta incrível imagem. Mas as figuras femininas nem sempre parecem muito apelativas: fantasmas vingativos, monstros que devoram homens ou o coração das almas pecadoras, espectros que anunciam a morte gritando muito alto, velhas bruxas que se deslocam num almofariz...

É também fascinante como alguns mitos se repetem em culturas tão díspares apenas com ligeiras variações - há uma tendência para atirar a culpa dos problemas para cima das mulheres: se Pandora tivesse contido a curiosidade os males não teriam saído, se Eva tivesse sido obediente eles não teriam sido punidos, na mitologia chinesa a Deusa da Lua era uma mulher que roubou o elixir da imortalidade do marido.

Uma coisa que fiquei a saber foi a origem da Medusa: uma bela mulher que foi violada (muitas vezes nestes casos aparece a expressão "a beleza de x atraiu..." o que tem muito que se lhe diga) no templo de Atena. Esta não gostou de ver o seu local sagrado conspurcado e puniu Medusa transformando-a num monstro. As suas duas irmãs, Esteno e Euríale, ficaram do seu lado e foram transformadas também, assim elas viraram as górgonas sendo que Medusa era a única que era mortal. 

Fica para reflexão se continuamos a transformar mulheres, de vítimas em monstros e porque será que os artistas têm mostrado tanta predilecção por retratar uma Medusa grotesca e o victorioso herói a segurar na cabeça como troféu, mas nunca a outra parte da história.

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Mais recentemente terminei de ler um livro de contos de María Fernanda Ampuero, uma jornalista e premiada autora - e feminista - do Equador. Já tinha lido um conto dela há algum tempo atrás, mas esta colecção ultrapassou as expectativas. É composto por treze histórias curtas, mas bem fortes - ela não usa nenhum frufru para descrever a violência física e psicológica exercida sobre as mulheres e chega a ser agoniante. Tem sido um enorme prazer descobrir mais escritoras latinas, a minha lista de nomes continua a crescer.

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Voltando atrás às autoras africanas que fui lendo durante a volta ao mundo, tenho-me perguntado se fui injusta na atribuição das estrelas...No geral gostei de tudo o que li, mas haverá uma "parede" criada pela falta de hábito de ler livros que não sejam de autoras brancas? Infelizmente o ensino do Português deixa muitíssimo a desejar a este nível. Ou por achar que as personagens (femininas) deviam antes ter feito isto ou aquilo de acordo com a minha perspectiva branca e europeia. É preciso mesmo continuar a diversificar as leituras.

E diversificar as leituras não só em termos de cor: estou a pensar num modo de ler mais livros queer. O ano passado foram só três (todos óptimos) então pensei em ler um por mês - só de pensar nisto já estou a sentir a pressão, mas ainda assim já seleccionei alguns títulos e avancei com a ideia. Com o projecto da Austen é que não há avanço...oh well. 

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Quem Escreve Aqui

Feminista * plus size * comenta uma variedade de assuntos e acha que tem graça * interesse particular em livros, História, doces e recentemente em filmes * talento: saber muitas músicas da Taylor Swift de cor * Blogger há uma década * às vezes usa vernáculo * toda a gente é bem-vinda, menos se vierem aqui promover ódio, esses comentários serão eliminados * obrigada pela visita

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