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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

O consentimento é uma coisa atraente

Estava a pensar numa coisa que li: que o consentimento é uma coisa sexy. Concordo e tenho pena que durante os meus anos de formação (expressão estranha, não é como se não estivéssemos sempre em formação) este tema tivesse tão pouco espaço - pelo menos do que me lembro. Entretanto, quando comecei a ler sobre feminismo e dentro dele a ler sobre violência e abuso comecei a perceber que os sinais de alerta eram muitas vezes aquilo que a sociedade dizia que eu devia achar atraente.

E também cheguei à conclusão que o padrão de comportamento ditado para os rapazes se tornarem homens a sério, não só não os torna a sério como tem forte potencial para os transformar em monstros.  É curioso porque enquanto pequenas lemos sobre monstros debaixo da cama, mas depois somos ensinadas a amar os reais que podem aterrar em cima. Não é de espantar que algumas pessoas se chateiem com esta ideia de que agora é preciso pedir autorização para tudo, dizem que o amor e a arte da sedução estão em risco. É inquietante a continua existência deste conceito distorcido em que o amor não existe sem impormos a nossa vontade e forçando o outro. 

 

A2 (4).png

(Tirado daqui)

 

Mas isto é algo fácil de interiorizar, basta na pensar na quantidade de conteúdos que promovem a ideia de que as mulheres nunca dizem que não, é sempre um sim disfarçado e assim torcemos para que o herói consiga convencer a casmurra e obter o santo graal, altura em que deitamos uma lagrimita porque é tão fofo. Passamos incontáveis horas a assistir a mãos não solicitadas em sítios, a beijos roubados e a admirar personagens masculinas que exsudam confiança e não pedem licença para nada porque não são nenhuns...Bem, já deu para perceber. Que domínio, que dureza - não é tão sexy? Alguns no fim descobre-se que até têm coração, que pena que na vida real uma mulher vá parar debaixo da terra antes de conseguir descobrir o dito.

Culpa dela que não cumpriu a sua obrigação de tornar o companheiro uma pessoa melhor, claro. No extremo podemos pensar no tempo que passamos fascinados com a mente dos psicopatas, que os filmes têm uma tendência inquietante de fazer parecer atraentes...Na verdade, a grande maioria simplesmente odiava mulheres. Não é assim tão profundo, podem parar esse documentário que estavam a ver no Youtube (Be there done that) e aproveitem antes para encomendar o Desaparecer na Escuridão da Michelle McNamara. Talvez digam que uma mãozita atrevida não é o mesmo que uma violação - de certeza que não é tudo parte do exacto problema? 

 

A4 (3).jpg(Tirado daqui)

 

A razão porque decidi num post que também escrevi sobre este assunto incluir uma cena de O Ódio Que Semeias - em que o namorado da protagonista lhe diz que aquela não é a melhor altura para fazerem sexo apesar de ela querer, porque ela esta a passar um difícil período emocional - não é porque me faltasse texto, mas é tão raro encontrar este tipo de situação. É algo que me deixa perplexa, e na verdade não é que o gesto merecesse aplausos, chama-se apenas ser um ser humano decente. 

No entanto, aqui estamos nós (a seguir ao livro da Michelle podem encomendar este da Angie Thomas) e quantas pessoas diriam que o protagonista foi idiota em não aproveitar a oportunidade? O que mais lhe pode interessar do que isso? Quando é que vamos colectivamente aceitar que coisas como o respeito e a gentileza são sexy? Ter um coração funcional, sem subterfúgios, é sexy. 

 

"I found out love has to be soft to be strong
Soft to be strong, soft
I believe the world is beautiful
Only the weak ones are cruel"

 

Também me parece que as pessoas que dizem que agora tudo é errado, desconsideram isto: assédio sempre foi errado, mas a diferença é que antes não havia nenhumas consequências. E como agora há (e ainda assim tão poucas e tão leves) alguns senhores acham que estão a ser oprimidos. Não estão. Chama-se progresso. 

Foi cringe, não foi?

Tenho neste momento um fogo questionante que não consigo apagar. Estas pessoas que viram todos os candidatos aos Óscares e estavam a comentar que nem prós - como é que raio vocês viram estes filmes? Eu nem sabia que eles existiam até ontem. Não estavam os cinemas fechados? Perdi alguma coisa? Para variar nunca estou por dentro de nada. Mas tenho a intenção de os ver, no que às senhoras diz respeito. E tenho o prazer de anunciar que encontrei o documentário do professor polvo, se tudo correr bem mais notícias em breve. Também não posso deixar de notar que a cerimónia, de acordo com o que fui vendo no Twitter, foi parecida comigo quando tinha um exame de matemática - no começo: isto vai correr bem, não vou cometer os erros do passado, afinal até gosto de matemática! No fim: foda-se isto. E pegava fogo ao papéis do exame. Velha Hollywood, nunca consegue deixar de se embaraçar e de mostrar a sua verdadeira (e muito feia) natureza.

Amores e cadáveres: últimas leituras

Entretanto, a vida literária desta que vos escreve tem sido pautada por emoções diversas. Tive uma desilusão com Giovanni's Room do James Baldwin. Apesar de tantas opiniões positivas no Goodreads eu não gostei muito. Também Li Will My Cat Eat My Eyeballs? da Caitlin Doughty, já ia a contar que fosse uma óptima leitura pois também li os outros livros dela - Smoke Gets in Your Eyes, que é autobiográfico, e From Here to Eternity que fala de rituais funerários e da percepção da morte em diferentes culturas.

Este é uma recolha de perguntas feitas por crianças, além da que está no título temos por exemplo: porque é que mudamos de cor quando morremos? Depois de mortos podemos doar sangue? O que acontece a um astronauta se morrer no espaço? Ou: pode a minha avó ter um funeral viking?

Também li Patience and Sarah de Isabel Miller e também gostei bastante. Ao contrário do anterior não sabia bem o que esperar, tinha lido uma opinião que dizia que este livro era sobre duas mulheres que se apaixonam, mas de uma perspectiva positiva e feliz - confere! Agora estou a ler Os Anjos Morrem das Nossas Feridas de Yasmina Khadra, um livro que comprei algures na outra vida e depois esqueci - como se pode ver estou a fazer um esforço para ler autores. Entre escrever sobre as últimas leituras e começar este livro houve um hiato e senti que já não lia há tipo um mês, mas fui verificar nem tinha passado uma semana...Até ver é o máximo que esta leitora aguenta.

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