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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Ler mais devagar?

Tal como disse no post anterior, para este ano é plano literário é mesmo não ter nenhum. Não que alguma vez tenha feito planos certos e ordenados, mas...Entretanto, senti vontade de contrariar aquela que costuma ser a tendência geral: ler o mais depressa possível afim de se chegar ao fim do ano com uma lista extensa e recheada. Também é verdade que há tanta coisa que gostaríamos de ler que é fácil ficarmos stressados...Apetece-me abrandar. Parece difícil de acreditar que existiu um tempo em que eu não tinha nem um blog nem um diário de leituras - o que significa que no fim do ano não sabia quantos livros é que tinha lido...E isso não tinha importância nenhuma.

Assim como passar um mês ou mais com o mesmo livro também não tinha importância. A ideia de manter um diário de leituras foi mais porque achei que podia melhorar as minhas capacidades de análise\compreensão se escrevesse sobre o que li em vez de saltar logo para a próxima leitura, saber quantos livros li veio por acrescento...Pode esta ideia abrir caminho a algumas releituras, há muito adiadas? Quem sabe. Por agora estou a reler um dos meus livros preferidos, O Dia Dos Prodígios. A  primeira vez que li não foi em papel, mas depois arranjei uma versão analógica que tem essa coisa maravilhosa que são margens onde se pode escrever. Assim o avanço tem sido mais lento do que seria de esperar num livro de duzentas páginas. Mas tenho de me lembrar que isso não interessa.

Autoras pelo mundo: o balanço

A2.png

(Mapa feito neste site. Para ficar mais apelativo dividi por cores: livros a laranja,

contos e outros textos a verde e filmes a cor-de-rosa)

 

Como anunciado cá está o post com o balanço do desafio! Esta ideia de ler escritoras de diferentes países surgiu já 2019 ia a mais de meio, mas foi quando me apercebi de que as minhas leituras estavam muito centradas em certas áreas. Mesmo lendo apenas mulheres é fácil saltar por cima da diversidade e ficarmos apenas pelo que nos é próximo - as anglo-saxónicas, até mais do que as portuguesas. Logo nessa altura decidi ler escritoras de outros países que estivessem na minha lista de espera e ainda consegui, junto com a leitura de contos, preencher 21 locais. Parece alguma coisa, mas olhando para o mapa era evidente que seria preciso muito mais esforço e tempo...

Ler à volta do mundo não é um conceito novo e muitas pessoas até criam blogs\sites de propósito para partilharem as suas viagens literárias (como o da Ann Morgan - A Year of Reading the World), mas fazer isso exclusivamente com autoras já não é tão comum (um que encontrei, e de onde terei sugestões, foi este - Reading Women Worldwide). E a verdade é que muitos desafios mistos acabam por ter um número bem superior de homens...Pode ser um tanto desanimador. Não posso dizer que tenha pesquisado todos os territórios que existem, mas pesquisei em todos os continentes e dentro destes tentei o máximo de países que consegui. Usei listas e o método simples mas eficaz de abrir um mapa e ir escrevendo no Google o nome dos países + autoras [ou realizadoras] e ver o que acontecia.

E o que aconteceu é que tantos, mas tantos nomes foram surgindo diante dos meus olhos que não tardei a ficar assoberbada. Não houve nenhum sítio onde não tivesse encontrado produção feminina em qualquer das três categorias: contos, livros ou filmes. E mesmo falando apenas dos livros o número de países que pesquisei e em que nenhum nome surgiu foi muito residual...As expectativas foram completamente superadas. O problema é o acesso aos livros. Encontrei várias autoras sem nenhuma obra traduzida para inglês [é a única língua estrangeira que leio]. Por exemplo, a percentagem de livros traduzidos nos Estados Unidos é muito baixa, cerca de 3%. Destes menos de 30% são de autoras.

 

"Less than a third of all literary translations published in the UK are written by women, and the ones that are translated win far fewer prizes than male writers. (...) Book agents, and even translators themselves, tend to try to convince presses to publish a book by calling it a “classic” when the author is a man (...) They’re less likely to do so when a woman wrote the book. And influential publications (...) review books by men more often than those by women." 

(Citação tirada daqui e daqui)

 

Elas são a minoria de uma minoria. Este desafio fez-me pensar bastante na invisibilidade feminina e como isso também tem impacto no modo como olhamos para outras mulheres, especialmente em certas partes do mundo: como submissas, pobres, analfabetas...Porque tão poucas vezes as vemos como protagonistas. Como mulheres corajosas e dignas. À medida que o ano foi avançando tornou-se claro que não daria para encaixar tudo o que eu gostaria. Não estabeleço metas ou planos literários e tendo em conta 2020 penso que é especialmente importante referir que os números não passam disso mesmo. Ninguém é menos leitor só porque não conseguiu ler a quantidade que lhe era habitual...

No final, em termos de aprendizagem e prazer na leitura este desafio também superou largamente as expectativas e isso deixa-me feliz. Alguns detalhes técnicos: a ideia foi escolher escritoras que tivessem nascido nos países. Não é uma questão assim tão simples mas o que não pretendia era uma história passado no Egipto escrita por uma autora inglesa, por exemplo. Fora isso as histórias podiam passar-se em qualquer lado e dentro do possível tentei diversificar os géneros.

Como tenho o hábito de ter à mão contos para ler entre livros então eles foram naturalmente sendo incluídos e a ideia de intercalar filmes com leituras foi algo que vi neste site e pensei: porque não? Pode parecer uma forma fácil de preencher países, mas é todo um universo em si mesmo e quero continuar a explorá-lo. Já a nível literário o plano é mesmo não ter planos e ler qualquer coisa que me apeteça, mas sou capaz de pegar em livros que tiveram de ficar de fora deste desafio. Agora aqui fica a lista com tudo (incluindo os países que não se veem no mapa). A ordem é a de leitura\visionamento.

 

 

Filmes ao Molho - V

(Os últimos três de 2020)

 

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Maria in No Man's Land  (2011)

Marcela Zamora Chamorro

"It narrates the journey immigrants make to reach the american dream through the female face of this phenomenon (...) three women whose heart-wrenching stories shed light on the thousands of kidnappings, sexual abuse, human trafficking, and torture suffered by migrants who travel across Mexico each year with the hopes of reaching a brighter future."

(Sinopse tirada daqui e daqui)

 

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Death is a Caress (1949)

Edith Carlmar

"The first Norwegian film directed by a woman presents an archetypal noir tale about an unhealthy, burning love full of escalated emotions and destructive passion, which drives both participants to their doom. The retrospectively narrated film deals with the (...) relationship between young car mechanic Erik and an older lady from a higher social class."

(Sinopse tirada daqui)

 

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The Perfect Candidate (2019)

Haifaa al-Mansour

"(...) a tale of one woman's quest to challenge not only the system but also herself. A determined young doctor who decides to run for municipal council sweeps up her family and community as they struggle to accept their town’s first female candidate and watch her fight for social change on a local level."

(Sinopse tirada daqui)

 

Assim valeu a pena

Coisas que fazem valer a pena ter atingido os trinta [ainda não, mas está quase. Momento para me deitar em posição fetal e chorar]:

- Ver na televisão o exército a ocupar o Capitólio e alguém à mesa faz a pergunta que se impõe e que os analistas descuram: eles não estão a passar frio ali?

- Desinfectar com álcool um frasco de álcool. 

- Verificar que os fascistas além de serem tudo aquilo que já sabemos (e estamos num ponto em que nem é preciso disfarçar nada já que algumas pessoas vão engolir qualquer merda e ainda pedir mais) são realmente chatos para c****. Alguém devia ter a língua comida por coelhos...Vão bem melhor servidos com a língua do que se tentarem o coração. 

- Ter sangrado pela primeira vez do nariz, acontecimento que ficou imortalizado porque o sangue caiu nas folhas do caderno onde estava a escrever. 

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As opiniões sobre livros e filmes podem conter spoilers. Comentários insultuosos serão apagados e fascistas não são bem-vindos. Este blog não adopta o novo acordo ortográfico.

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