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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Deuses e Heróis

Provavelmente já falei disto: ao ler autoras deparo-me com um grande número de histórias em que as mulheres são as protagonistas. Não é obrigatório claro, mas faz-me lembrar um artigo que dizia haver uma relação entre mais mulheres realizadoras e mais filmes com protagonistas femininas e histórias focadas em mulheres. Do que tenho lido estes anos (e mesmo pelos ainda poucos filmes que vi), esta relação sem dúvida existe. Há muita gente que se acha para a frente porque diz que não vê raça ou género...Mas isso na verdade é uma cegueira, pois implica passar por cima das desigualdades que nos rodeiam. Também não acho que as mulheres escrevam todas de uma certa maneira...

 

Tenho lido muita coisa diferente e tenho lido também histórias que versam sobre a vida das mulheres dentro do casamento e a sua relação com os homens (poderia arranjar uma editora eu própria se recebesse um euro cada vez que leio algo escrito por uma autora classificado como ficção doméstica...), não é como se os homens fossem empurrados para fora do cenário, mas é interessante como a "câmara" muda de foco criando um contraste com a literatura clássica masculina...É possível que nem todos gostem de um retrato mais honesto, em comparação com os clássicos que os apresentam como deuses, heróis ou trágicos monarcas, pensando nisso não admira que muitos se vejam dessa forma...

 

Mas os senhores têm sorte pois podem escolher não ler escritoras porque a nossa experiência é acessória enquanto eu cresci com este tipo de personagens porque a experiência deles é essencial e é o que tem de se ler. Serem os salvadores do pedaço é outro papel que desde os primórdios os homens encarnam - pensamos na questão do salvador branco, por exemplo. É triste pensar que só muito recentemente comecei a pensar a sério neste aspecto que no entanto é tão comum em livros [sim, não vamos fingir que não estamos a pensar em livros como Não Matem a Cotovia] e filmes. E no entanto basta desviar só um pouco a câmara.

 

"In most cases, white savior come out as the good guy. They come out when the audiences are fed up with all the misery and injustice minority characters suffered through the story. The minorities need saving, and we the audience need to see justice done, we need to be told that the world is fair, and good people get to be winners. But more importantly, white savior trope serves a on-screen audiences avatar for the white audiences.

 

The trope separate white people into two groups: The bad white people who oppress the minorities, and the good white people who save the minorities. Once the story adds a white savior, the story has ceased to be a story about minority struggle to raise up against all odds, instead it becomes a story about good white people struggle against bad white people."

 

(Citação tirada daqui)

 

Basicamente é uma forma de darmos palmadinhas nas costas e é tentador enquanto mulheres brancas também assumirmos este complexo quando, por exemplo, olhamos para as outras mulheres que vivem em diferentes culturas: coitadas, tão pobres, submissas e iletradas...Por vezes a experiência feminina conecta-se de uma maneira que arrepia: pode não parecer muito provável que três autoras completamente diferentes descrevam a mesma experiência de ter de sorrir e fazer conversa por puro terror de não serem mortas. Mas é verdade.

 

Na minha leitura actual quando a personagem pega numa revista feminina e lê que para salvar o seu casamento tem de analisar todos os seus gestos, expressões e palavras para perceber o que é que ela está a fazer de errado vejo que seja em Corroios seja no Gabão, estas revistas são um autêntico lixo. Ao mesmo tempo cada experiência tem as suas nuances e questões e todas têm direito a voz.

 

Ignorância do mundo

A verdade é que este desafio [autoras pelo mundo] tem estado constantemente a reduzir-me à minha ignorância. Só nos últimos tempos tive de pesquisar sobre: guerra na Bósnia; conflito no Saara Ocidental, sítio que nem sabia que existia, ditadura no Uruguai (já tinha lido sobre outras na America do Sul, inclusive sobre a infame ditadura na República Dominicana e o assassinato das Irmãs Mirabal que levou à criação do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de Novembro. E no entanto o feminicídio, tanto quanto sei, nem sequer é ainda considerado um crime internacional e punido nos tribunais...); escravatura no Equador...

Mas a pesquisa mais embaraçosa: foi ter digitado Massacre de Batepá, nunca tinha ouvido falar em tal, para descobrir que foi um massacre horrendo, com torturas e violações, levado a cabo pelasm forças coloniais portuguesas em São Tomé em 1953, que se prolongou por meses e que resultou em mais de mil mortos. Por ironia macabra, ouvi uma concorrente no concurso de cultura geral que, quando tentava adivinhar que país invadiu a Etiópia, colocou Portugal logo de lado - porque é um país pacífico que nunca invadiu nada...O que quer que nos ajude a dormir melhor à noite, não é? Estou contente por ter algo que me propele a fazer este tipo pesquisas, já falta tão pouquinho para acabar...Seleccionei alguns poucos de livros que ainda quero ler, vamos lá ver.

Filmes ao molho - I

[Realmente um filme por post é uma ideia utópica, especialmente com a minha falta de organização. Por isso aqui fica tudo o que vi ultimamente]

 

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Larissa Sansour

 

A Space Exodus (2008)

"The film follows the artist herself onto a phantasmagoric journey through the universe echoing Stanley Kubrick's thematic concerns for human evolution, progress and technology. However, in her film, Sansour posits the idea of a first Palestinian into space (...)"

Nation Estate (2012)

"With its glossy mixture of computer generated imagery, live actors and an arabesque electronica soundtrack, the Nation Estate film explores a vertical solution to Palestinian statehood. Palestinians have their state in the form of a single skyscraper: the Nation Estate."

(Sinopses tiradas daqui)

 

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Nu te supara, Dar...

Adina Pintilie

2007

"In an institution for the mentally impaired in Romania, Nu te supara, dar follows the everyday existence of its residents (...) A self sufficient universe, with rules that escape the common logic, and, even though, perfectly valid. Days go by, between daily routine and endless conversations about life, death, God, weather forecast: what is divine and what is not? Who brings and who stops the rain?"

(Sinopse tirada daqui e daqui)

 

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 Macherie Ekwa Bahango

2019

"Survivors of sexual violence in the DRC [ Democratic Republic of the Congo] came together to write a screenplay based on their own real experiences: Sema (which means speak out in Swahili) follows the lives of two women from different backgrounds whose lives are changed forever by rape, and who must find the strength to survive and make a difference for themselves and their children."

(Sinopse tirada daqui)

 

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Daphne Matziaraki

2016

"In the Oscar-nominated short film 4.1 Miles, Daphne Matziaraki follows a day in the life of Kyriakos Papadopoulos, a captain in the Greek coast guard who is caught in the middle of the refugee crisis in which Europe is embroiled. Despite limited resources, the captain and his crew attempt to save thousands of migrants from drowning in the Aegean Sea."

(Sinopse tirada daqui)

 

Línguas e passado

Estou tão habituada a ouvir música em inglês, ler artigos na net, livros (para que conste não é a minha primeira escolha, mas às vezes não há alternativa)...Que fico fascinada ao ouvir pessoas nos filmes falar outras línguas. Não estava à espera que isto fosse uma questão e assim é mais uma razão para estar contente por ter decidido incluir filmes no desafio da volta ao mundo. Por falar nisso, estava a passear nos arquivos do blog - há uma razão porque não se deve ter um blog por muito tempo. Como eu era fofa, ainda sou é claro. E escrevi num comentário que não me parecia que conseguisse ler autoras por um ano inteiro. Claro que não, querida...

Livros da Svetlana

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"The Chronicle of the Big Utopia"

 

A Guerra não Tem Rosto de Mulher, 1985 (lido mas sem ser em papel,

guarda na estante para ser relido em papel)

As Últimas Testemunhas, 1985 (lido)

Rapazes de Zinco, 1991 (não lido, falta comprar)

Enchanted with Death, 1993 (não lido, não tem tradução)

Vozes de Chernobyl , 1997 (lido)

O Fim do Homem Soviético, 2013 (não lido, na estante)

 

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