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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

África e um pouco além

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(ilustração de Annya Karina Marttinen)

 

Um apanhado das últimas leituras. Gostei de todos, houve um ou outro que achei que poderia ter uma melhor execução mas nada demasiado frustrante. Em termos de temas não foi dos lotes mais fáceis.

 

As Alegrias Da MaternidadeBuchi Emecheta: abrangendo um período desde o início do século XX até aos anos cinquenta na Nigéria colonial, The Joys of Motherhood foca-se na vida de Nnu Ego, filha de um chefe tribal. Uma mulher que como tantas outras foi levada a acreditar que só poderá ser um ser humano completo quando tiver filhos rapazes. Quando não consegue engravidar, quase enlouquece. Então é lhe arranjado um segundo marido e ela tem de se mudar para Lagos, aí confronta-se com um ambiente completamente diferente, com novos valores e ao mesmo tempo as suas expectativas sobre criar filhos começam a colidir com a realidade.

 

Wave, Sonali Deraniyagala (Sri Lanka): no dia 26 de Dezembro de 2004, Sonali estava a aproveitar os últimos momentos de férias com a família no parque nacional de Yala no sudeste do Sri Lanka, junto ao oceano Índico. Mas o que parecia ser mais um dia depois do Natal transformou-se num pesadelo quando o tsunami atingiu o parque provocando ali 250 vítimas. Ela conseguiu sobreviver ao se segurar a um ramo de árvore, mas perdeu o marido, os filhos de 8 e 5 anos e os pais. Escrito como parte da sua terapia e publicado em 2013, neste livro Sonali revive os horríveis acontecimentos desse dia e conta a longa e extremamente dolorosa jornada que se seguiu.

 

Out of Darkness, Shining Light, Petina Gappah (Zimbabwe): em 1873 quando o famoso explorador escocês David Livingstone terminou para sempre as suas expedições as pessoas negras que o acompanhavam podiam tê-lo enterrado logo ali. Em vez disso decidiram carregar o corpo desde o que hoje é a Zâmbia até à costa, em Zanzibar, para que depois este pudesse seguir para Inglaterra. Uma jornada de 1500 milhas por pântanos e savanas feita por 69 pessoas, homens, mulheres e crianças e que durou nove meses. Neste romance Petina resgata este acontecimento real do esquecimento ao mesmo tempo que aborda o tema do colonialismo.

 

The Secret of Hoa Sen, Que Mai Phan Nguyen (Vietname): uma colecção de poemas plenos de beleza e com uma forte ligação à natureza onde autora resgata memórias suas, faz uma homenagem aos seus pais e avós - e às pessoas simples e anónimas que todos os dias lutam para sobreviver - e aborda temas como a guerra e as feridas por ela causadas.

 

"MY MOTHER’S RICE
Through the eyes of my childhood I watch my mother,
who labored in a kitchen built from straw and mud.
She lifted a pair of chopsticks and twirled sunlight into a pot of
boiling rice,
the perfume of a new harvest
soaked her worn shirt as she bent and fed rice straws to the
hungry flames.
I wanted to come and help, but the child in me
pulled myself into a dark corner
where I could watch my mother’s face
teach beauty how to glow in hardship,
and how to sing the rice to cook with her sunbaked hands.
That day in our kitchen,
I saw how perfection was arranged
by soot-blackened pans and pots,
and by the bent back of my mother, so thin
she would disappear if I wept, or cried out."

 

Mornas Eram as Noites, Dina Salústio (Cabo Verde): um conjunto de trinta e cinco textos curtos que quase se lêem como poemas pois são bastante líricos, mas também abordam temas fortes como pobreza, violência e vários falam da vida das mulheres e os seus problemas.

 

Sem gentileza, Futhi Ntshingila (África do Sul): com um título tirado de um poema de Dylan Thomas sobre resistência em face da morte, este livro conta a história de Zola, uma mulher que está a morrer com SIDA, e de Mvelo a sua filha de quatorze anos - e dos desafios colossais que elas enfrentam todos os dias para sobreviver numa favela em Durban. 

 

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