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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

O que fiz ontem e o que acontecerá amanhã

Só me lembrei de que faziam ontem setenta e cinco anos da libertação de Auschwitz quando ao final da tarde abri o pc e li um post sobre o assunto. Estive ocupada a avançar na minha actual leitura - How to Lose a Country: The Seven Steps from Democracy to Dictatorship - e a tirar apontamentos (vou agora para o passo 5) para um caderno às flores que incongruentemente diz na capa que o amor nunca morre. Fiquei um bocado deprê. Depois pensei que realmente um dos grandes problemas de hoje é os ignorantes acharem que têm direito a estar em pé de igualdade com os informados...Qualquer facto do senso comum tem de ser apresentado como uma opinião pessoal nossa aberta a contraditório, para não ofender estes ignorantes que "pensam diferente" e que exigem respeito porque a democracia é respeitar todas as ideias. Logo, eu não deveria ter começado o texto desta maneira como se aquilo fosse um facto. Peço desculpa, não me torturem quando chegarem ao poder. 

Quente e Frio

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(Tirado daqui)

 

Terminei: Clear Light of Day de Anita Desai (Índia); Minaret de Leila Aboulela (Sudão) e The Greenhouse de Auður Ava Ólafsdóttir (Islândia). O primeiro é maravilhoso e recomendo, o segundo é meh e o terceiro é tão mau que fiquei exangue...Uff. Tirado à sorte, vai seguir-se: um livro de não-ficção de uma autora turca que me parece promissor. Qual acham que devia ser a paragem a seguir a esta? 

 

Perfeitamente razoável

Tinha a intenção de entrar numa livraria para comprar um livro de um autor. Um livro para celebrar a mudança de ano, além disso cheguei à conclusão que neste momento já não preciso de comprar só escritoras...Também não queria demorar muito tempo. Tudo perfeitamente razoável. Ora, algum tempo mais tarde e depois de ter entrado em dois sítios diferentes, regressei a casa com dois títulos ambos de autoras. O que posso fazer...

Viciados (as) em listas

Voltando aos reading journals, percebo que há pessoas que são realmente viciadas em listas quando vejo fotos de inúmeras páginas preenchidas com listas não só dos livros que leram, mas dos que têm na estante por ler, dos que compraram, dos que ainda não têm mas querem ter/ler um dia, com títulos de clássicos, dos que não chegaram a acabar...O meu coração estremece quando encontro alguém que em vez deste minimalismo de escrita, divaga muito sobre cada livro...Mesmo que estes journals não fiquem tão estilosos. Claro que estas listas têm a sua utilidade (tomar nota das leituras abandonadas é um bocado deprimente...Ainda há pouco desisti de um), mas o meu amor por listas literárias vai mais no sentido de ir à procura delas e adicionar aos favoritos para consulta futura (aliás, a ideia de ler mais autoras envolve uma grande pesquisa nesse sentido), não tanto de fazer as minhas próprias. Dos livros que tinha listado para ler até ao final do ano passado, alguns ainda estão à espera...

O útero pouco comovido

A conversa de que neste país nascem poucos bebés anda-me a irritar. Primeiro porque periodicamente isso ocupa espaço nas notícias como se tivessem medo que nos esquecêssemos que não estamos a cumprir a nossa missão de ter 2,1 ou 2,5, seja lá qual for o número de filhos necessários para que não se extinga a raça lusa. Que fêmeas egoístas estamos a criar? E em segundo porque quando se fala do assunto não vejo serem abordadas medidas concretas para tornar menos difícil a vida das mulheres.

 

Nada sobre eliminar os obstáculos que dificultam conjugar a maternidade com o trabalho, nada sobre as mulheres trabalharem o dobro ou o triplo (trabalho extra que não é sequer valorizado), nada sobre melhorar os cuidados de saúde para que os preciosos números não nasçam na estrada porque não havia obstetras no hospital que ficava mais perto, nada para diminuir o fosso salarial entre homens e mulheres, nada concreto para diminuir a violência doméstica...

 

E depois esperam que o meu útero se comova. Quando eu era uma feminista no início dos dias, fiquei pasmada diante da clara explicação dada por outras feministas sobre o papel do corpo feminino nesta sociedade e neste sistema económico. Agora não tenho nenhuma dúvida que para este mundo nós somos coisas. Não temos valor humano, somos um recurso que é útil porque serve para expelir mais mão-de-obra para o sistema e mais carne para canhão para os sucessivos conflitos provocados pelos lunáticos que ocupam o poder.

 

Somos um recurso que eles desejam controlar ao máximo. Quanto mais controlado, mais comprimido dentro dos sistemas patriarcais (sendo o casamento, já sabemos, o preferido e muito provavelmente o mais eficaz), mais vigiado e escrutinado - e claro: quanto mais pesadas forem as sanções para as que se rebelarem - melhor para eles. Não é nenhuma coincidência que os momentos de forte luta feminista sejam acompanhados pelo despoletar de movimentos fascistas, conservadores e afins - tão importante é terem as patas em cima de nós que atacam com toda a força. Quando começamos a descascar a cebola vemos o quanto tudo na História se resume a isto: controlar o nosso corpo. Políticos e homens ornamentados com vistosos paramentos religiosos gostam de falar sobre a importância da vida, mas é mentira. Eles não querem saber de vida nenhuma.

A leitora sofre

No que toca a atribuir estrelas às minhas leituras não me considero sovina - dou a várias cinco estrelas, é por isso que acabo com listas de favoritos de um tamanho absurdo. Mesmo em livros que não se revelam tão bons geralmente encontra-se qualquer coisa para "puxar para cima", penso que só dei uma estrela o ano passado...Já acabei os dois livros mencionados no post anterior e é possível que isto seja uma vingança da Circe: duas leituras uma estrela. Leitora (às vezes) sofre.

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