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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Leituras terminadas e tal

Terminei The Notebook da Ágota Kristóf. Vi no Goodreads pessoas que diziam que se tratava de um livro difícil de digerir e isso atraiu-me. Se tivessem dito que era uma comédia, não teria. É a história de dois rapazes gémeos que são deixados pela mãe na casa da avó num lugar remoto cujo nome não é revelado, por causa de uma guerra também não revelada (é Hungria durante a Segunda Guerra). Eles vão registando o seu dia-a-dia num caderno, incluindo detalhes dos seus exercícios de endurecimento que levam a cabo para aprenderem a não sentirem nada...Fez-me lembrar de certo modo o Death in Spring, também passado num lugar remoto sem nome...

 

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Mas enquanto aí encontramos poéticas descrições da natureza que contrastam com a crueldade dos habitantes, The Notebook (1986) é de uma contenção férrea de palavras - parece ter contribuido para isso o facto de ter sido escrito em francês, língua que a autora teve que dominar já em adulta depois de fugir para a Suíça. São menos de cem páginas de uma objectividade fria, sem elevações poéticas ou resquícios de sentimentalismo. A aparente simplicidade da narrativa e o modo como parece evocar um conto dos irmãos Grimm pode enganar no começo, mas cada frase é um estilete bem afiado. À medida que os gémeos tentam sobreviver no caótico ambiente de guerra, onde a morte é quotidiana e os valores éticos e humanos caíram por terra.

 

O livro faz parte de uma triologia: The Proof (1988) e The Third Lie (1996). Também já li o segundo que se passa no mesmo sítio, mas retrata a desolação do pós-guerra e a vida debaixo do regime soviético. Está escrito de maneira mais tradicional na terceira pessoa e é um pouco mais descritivo...Agora vou fazer uma pausa com algumas short-stories e depois avanço para o terceiro. 

Reflexão profunda sobre DIY com livros

Estava a pesquisar por reading journal, só para ver coisas bonitinhas e bem-feitas, quando encontrei tutorais que mostravam como transformar livros em objectos de decoração, em colares...Deve ser este o seu fim quando todos aderirmos ao digital, pensei logo. Depois dei por mim a ler um artigo em que se discutia esta questão polémica em que de um lado estão as pessoas que não acham mal e do outro as que acham um crime. Eu tendo para este último grupo...

 

É verdade que algumas pessoas só se interessem pela parte decorativa dos livros. Quando eu nasci não haviam livros em casa, portanto nada daquela visão romântica de colocar às escondidas uma escada para chegar aos títulos proibidos na parte mais alta da estante. Mas compravam-mos então comecei a criar uma mini biblioteca. Ao ver estantes cheias de livros que pareciam nunca ser tocados ou gente que ignorava estantes que já lá estavam em casa...Não conseguia perceber. Acabei por me tornar um bocado agarrada aos meus livros.

 

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(tirado daqui)

 

É certo que eu se fizesse caixinhas usando os livros do Crepúsculo (tenho de começar a pensar em outros títulos embaraçosos para estarem na berlinda), não se perderia grande coisa, mas eles lembram-me outros tempos...Já escrevi aqui antes sobre as memórias que os livros encerram e de como gosto de pensar nas estantes como retratos pessoais nossos. Isto contraria aquela teoria moderna de que só devemos ter na estante livros que mostrem aquilo que queremos ser...Não gasto dinheiro em livros de auto-ajuda, obrigada. Nem em coffee tables books cujo conceito não atinjo...

 

Se tivesse uma mesa dessas estaria cheia de tralha e de leituras em andamento...A menos que o coffee table book seja o The Big Penis Book. Em alguns tutorais as pessoas evitam a fúria de book lovers por sugerir o uso de jornais ou listas telefónicas; há quem fale em usar livros que já ninguém quer (conceito discutível), usados (tadinhos dos muitos que tenho comprados já velhinhos) ou aqueles que já não queremos por várias razões, como já os termos lido...Ok, percebo que esta solução se aplique a quem já não consegue entrar em casa com tanto livro, que já nem saiba o que tem, ou que  descubra que por alguma razão tem cinco edições do mesmo livro...

 

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(Tirado daqui)

 

Ou que prefiram transformar em decoração no recato do lar esses livros do Gustavo e do Chagas que agora vos causam aquela vergonha, em vez de correrem risco de serem apanhados na rua a tentarem colocá-los no lixo... Mas eu cá não recomendaria deitá-los fora: são óptimos espantas espíritos. Os espíritos veem esses tomos e preferem voltar para o décimo circulo do inferno. Mas ainda não cheguei a essa fase, só tenho uma estante e mais um bocado de outra...O artigo falava em especial de pessoas que gostam de ler e de estar rodeadas de coisas livrescas.

 

Mas também é por isso que existe à venda imensa coisa com motivos livrescos. E assim poupamos a Jane Eyre de virar um Abajur. Claro que todos temos telhados de livro, já me livrei de livros. Aconteceu recentemente com uns que resgatei do lixo - fiquei com vários, mas alguns eram de autores que nem conhecia e depois achei que não valia a pena...No fundo o pessoal do DIY está certo, se bem que com o meu jeito de certeza que em vez de decorações elegantes iriam virar decorações de Halloween...

Viajar mais com livros

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(Trips in Mind, Elina Luukanen. 2010)

 

Depois de andar a pesquisar por livros de autoras traduzidos, como contado no post anterior, ficou-me a martelar na cabeça a ideia de um ano à volta do mundo em leituras no feminino. Penso que este ano já estive em todos os continentes habitáveis, de forma muito incipiente é verdade...Algo que tem ajudado é ler short-stories. Gosto muito de contos e são uma boa forma de conhecer uma variedade de novas escritoras, além de se encontrarem com facilidade na net. Mas quando penso na imensidão do que falta conhecer sinto-me a afundar um bocadinho...

 

A ideia geral é que não é possível encontrar autoras em certos países, aliás a ideia é que simplesmente não existem muitas autoras em lado nenhum. E previsivelmente, quanto mais pesquiso mais percebo que nada disto corresponde à verdade. Talvez não coloquemos o Ruanda ou o Iraque no topo da produção literária feminina, mas ela existe. Conseguir de facto chegar à leitura desses livros é que pode ser complicado....Nem tudo se encontra com facilidade e o mercado pouco ajuda. Quando estava a ler Mercè Rodoreda descobri que há dois livros dela editados cá...Nem aparecem na Wook. Certo.

 

Outra coisa gira que descobri é que se pesquisar por Alberto Moravia na wook são me apresentados dezenas de resultados, mas se pesquisar por Elsa Morante, com quem foi casado, aparecem dois resultados. La Storia, o seu trabalho mais conhecido foi publicado...O ano passado. Está certo também. E notem que estamos a falar de autoras europeias. A verdade é que sem direcção as nossas leituras vão sempre parar às mesmas costas, aos mesmo sítios...Algo que tenho de melhorar no futuro. Agora estou entusiasmada com alguns títulos que desconhecia (outros têm sido desleixadamente deixados para trás) e estou a ler Things We Lost in the Fire, contos de Mariana Enríquez.

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