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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Leituras de Fevereiro

- Li Ghost in Summer , uma colecção de contos de Tananarive Due. Tinha planeado lê-lo o ano passado para ver se poderia inclui-lo na lista dos 13 livros para ler em dias escuros, mas já não foi a tempo.     

 

- Também li: um romance histórico, The Journal of Dora Damage. A época vitoriana não é o meu período de eleição, mas tinha isto em espera já há bastante tempo. Comprei em segunda mão, só pela capa. Um conjunto de textos feministas - Feminasty: The Complicated Woman's Guide to Surviving the Patriarchy Without Drinking Herself to Death, Erin Gibson. É bom sentir que não estamos sozinhas...E que não estamos a enlouquecer . 

 

- Estou a pensar ler apenas mulheres este ano. Quão complicado deve ser a esta altura? 

 

- É contraditório dizer que tenho de parar de pesquisar livros e logo a seguir clicar numa lista como esta: 100 Must-Read Biographies and Memoirs of Remarkable Women. Como resistir...

 

- E A Acidental da Ali Smith. Discordo da pontuação do Goodreads, umas meras 3,3 estrelas. Eu daria 5. O que levanta a questão: que título dela devo ler a seguir?

 

- Ando a adiar a leitura de Not That Bad: Dispatches from Rape Culture,  Roxane Gay. Quero muito lê-lo, mas há uma parte do meu coração que se encolhe quando o tema é este. 

 

- Coragem, pequeno coração. Que acho que ainda vamos ter de ler muito sobre abuso sexual este ano.

Certos pensamentos ao Sábado

Obviamente que não estou contente com a chegada de calor. Há que aproveitar as coisas boas da vida enquanto é possível, por exemplo, no Sábado passado acordei mais cedo do que era necessário - não liguei o pc. Fui à cozinha comer e depois voltei para debaixo dos cobertores como uma lontra. E lá fiquei feliz e peluda a ler. Também são as vantagens de ser solteira, vantagens que este mundo tenta provar que não existem e que devia ter vergonha de estar a contar que estava deitada sozinha com um monte de almofadas, a ler coisas subversivas, sem ter que me preocupar em atender às necessidades de ninguém nem em arrancar qualquer pelinho. A bem dizer um tipo que ficasse maçado com isso (ou hum, com pingas de sangue na casa-de-banho) podia sair pela mesma porta por onde entrou. Que pressão viver assim. Ainda bem que o São Valentim já passou - dia mais piroso, hipócrita e patriarcal. Não quer dizer que não possam fazer algo com real significado neste dia...

 

Não é uma celebração. É uma mentira

g.jpg

 

(Tirado daqui)

 

Sem Título.jpg

(tirado daqui)

 

A minha reação:

 

 

Melhor do que usar tinta seria terem usado um machado. Já não basta essa merda dessa foto estar em todo o lado. Até quando vamos permitir que homens brancos continuem a manipular a História? Até quando vamos engolir passivamente o produto dessa manipulação - uma versão da História enviesada e mentirosa? Permitir que as nossas raparigas aprendam isto? Que elas não valem nada, que até devem agradecer terem sido beijadas à força por um bestalhão qualquer? Vivemos num mundo em que pessoas se passeiam alegremente com bandeiras racistas e defendem conteúdos que promovem o abuso sexual, mas há quem olhe para imagem e diga: que maldade terem vandalizado o património, isto já foi longe demais!

 

E uma simples estátua de uma menina sentada representando todas as raparigas e mulheres que foram sexualmente escravizadas durante a guerra provoca uma crise diplomática. Quanto mais tempo vamos aceitar ficar de fora da História, ter o nosso sofrimento obliterado porque não é importante? Mas o grupo dominante nunca está satisfeito: tem que ter sempre mais livros, mais estátuas, mais filmes...Glorificando o seu poder.

 

Mary Beard no seu livro Mulheres & Poder dá um excelente exemplo: a estátua de Benvenuto Cellini, Perseu Segurando a Cabeça de Medusa. Que não apenas mostra o herói erguendo a cabeça cortada de Medusa enquanto pisa o seu corpo morto, mas também Aquiles a raptar violentamente uma princesa troiana. A cena do beijo ali de cima é descendente desta. Claro que não podemos dizer que tal obra é um símbolo claro de demonstração de poder patriarcal - é "arte". E aquele realizador é um "artista" e vamos todos perder se ele não continuar a fazer filmes. Chega de mentiras.

 

Bravo também para a pessoa que escreveu isto em resposta à notícia no Twitter. Diz tudo e assim não preciso eu de escrever um texto maior - e que iria incluir mais vernáculo.

 

"It represents misogynistic culture. The nurse didn't know the soldier, and the soldier didn't ask to kiss her. In that era, men treated women like pets, and that iconic photo is an example."

 

"The nurse didn't consent. I wonder how many decades we'll have to fight defensive old people, who try to brand misogyny, racism, and homophobia as traditional and cultural."

 

"The nurse may not have felt violated or offended. That doesn't make it okay. Do you have any idea how much sexual harassment women dealt with back then? What was normal to them? If one slave refused freedom, does that minimize the severity of slavery?"

A Blogger vai à livraria

Se há algo que dá matéria para posts são as minhas idas a livrarias. Não que eu não vá a outros sítios, mas o que pode ser mais interessante do que prateleiras cheias de livros? Também não quer dizer que compre sempre, mas andei rabugenta toda a semana e estava na disposição de trazer algo para me animar. Não julguem. Na primeira loja nada me cativou ao ponto de decidir trazer. Havia lá o Mein Kampf. Já sabia que não estava mais proibido, há para aí uns dois anos, mas ainda não me tinha cruzado com essa abominação. Distraí-me com isso e acabei por não verificar se havia novidades da Nora Roberts. Que espécie de leitora sou eu? Ao lado estava uma edição de capa dura do Manifesto Comunista. E do outro estava o 101 Sítios Para Fazer Sexo antes de Morrer. Não é verdade.

 

Na Feira do Livro é mais fácil encontrar certos livros - já sei que editoras têm coisas que me interessem e as que não, mas com a organização por áreas tenho de pensar onde terão encaixado aquele livro de não-ficção ou os feministas. Na segunda livraria investiguei as áreas de História, política e biografias e depois Psicologia, Filosofia e Sociologia. Sou sopinha de letras, ainda bem que não se nota nada...Nesta última encontrei um título que queria sobre tráfico sexual. Tinha-o na lista de títulos a comprar na FL, mas não resisti. Entretanto já tenho dois candidatos ao espaço vago: 100 Portuguesas com História, Anabela Natário (para este teria de ir à Porto Editora...meh) e Mulheres Portuguesas, Helena Pereira de Melo e Irene Flunser Pimentel. Preciso de parar de pesquisar livros.

A velhinha em passeio

Voltando ao tema: pessoas tecnicamente novas, mas que agem como velhinhas - lembrei-me da vez em que fui às Berlengas. Já devo ter falado disso aqui algures, mas vem a calhar pois foi um sítio que desafiou todas as minhas ideias sobre como devo viver a vida. Para começar aquilo é só água a toda a volta - é um bocado redundante dizer isto tratando-se de ilhas...Só que há umas tão grandes que deve ser fácil esquecer esse detalhe, não como a ilha que se atravessa de um lado ao outro numa hora. Apareceu no concurso de cultura geral. É o Nauru. Já quem vive em Petropavlovsk-Kamchatsky precisa de percorrer 6.770 Km para chegar a Moscovo. Também depende do governo em que se vive: um país pode ser enorme e a população ter uma noção geográfica que não vai para lá da soleira da porta.

 

Gosto de saber onde fica a porta de saída e ficar perto dela. Depois aquilo era íngreme, a subir vá, e eu prefiro sítios planos. Das vezes que fui ao Gerês não trepei a coisa alguma, mas vi muita gente a fazer isso...A irem pelas rochas acima, algumas com crianças, outras de sandálias - calçado que algumas pessoas acham apropriado para qualquer lugar, mesmo para aqueles em que é óbvio que é melhor uns ténis. De um lado havia uma falésia abrupta que terminava na praia em baixo. Tenho medo das alturas e comecei a panicar, a pensar que ia tropeçar a qualquer momento e cair. Apesar da largueza do caminho. Só tenho menos medo das alturas em castelos, porque é uma coisa que gosto muito. Voltei para trás e fui-me sentar.

 

Não cheguei a ir ver o Forte de São João Baptista, que aparece em todas as fotos, nem descobri como é que se ia para a pequena praia. Nunca me convidem para nada radical tipo descer rios, explorar minas, ou esquiar. Vocês esquiam enquanto eu vou a pé até ao lugar mais próximo onde se vendam bebidas quentes. E se namorarem comigo não me ofereçam o livro 101 Sítios Para Fazer Sexo antes de Morrer. Outro dia estive a folhear e é insano. Gente, só preciso de pizza, um sofá e um filme (nada de comédias ou chachadas românticas) e temos programa. Se querem fazer sexo num teleférico ou numa montanha-russa não contem comigo. 

Amor & Guerra

- Outro dia ao olhar para a minha mesa-de-cabeceira vi que lá estavam: um tablet, um telemóvel, um par de auscultadores, duas canetas, um caderno, dois livros, um tesoura, grampos de cabelo, além do candeeiro. É por isto que gosto de mesas-de-cabeceira grandes e sólidas.

 

- Um dos livros que ando a ler é de capa dura. Gosto de todos os livros, mas os de capa dura são ainda melhores de agarrar e abraçar. Gosto de parar a leitura um pouco para passar a mão pela capa e pelas páginas. Não é tão bonita a visão de um livro aberto?

 

- Se um (a) booklover diz que gosta de vocês como de um livro considerem isso com um bom sinal. 

 

- Tenho ando em guerra com a minha letra. Sempre foi feia. A minha motricidade é deficiente, tanto a grossa como a fina, então se estiver a escrever com pressa ou mais livremente aquilo fica medonho. Se escrever mais devagar fica um pouco melhor mas apesar de ser algo que gosto bastante de fazer não me apetece gastar uma hora a tentar escrever meia dúzia de frases com letra direita. Então às vezes fico com raiva e arranco a folha o que me deixa ainda mais chateada porque é estragar papel.

Festival da Canção 2019

Fui ouvir as músicas do Festival da Canção. Gostaria agora de saber para onde envio a minha morada para receber o prémio por ter conseguido ouvir aquilo tudo sem cometer actos extremos. Na verdade, acho que não vou ter direito ao prémio porque de algumas só consegui ouvir um minuto. Tirando a Surma, que pelo menos é uma proposta diferente, tudo o resto é genérico e esquecível. Também não percebo porque se aplaude que todas as músicas sejam em português quando aquelas letras são tão pobres...E sim, ouvi a tal cantiga sobre partir tecnologia. Não entendo o entusiasmo. Este cenário não me deixa com muita vontade de ver o programa. Não costumo ver TV por isso se vou ficar sentada a ver algo, esse algo tem de valer a pena. O ano passado vi o Festival todo e no fim sentia-me alienada.  

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