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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

A Leitora Focada

Sou bastante desorientada em centros comerciais (na vida em geral, ok), do tipo: se me afastar de um corredor já não sei como voltar depois...Como já comentado aqui não sou fã destes espaços. São uma autêntica agressão (muito barulho, muita gente, luzes impiedosas - não consigo absorver toda essa quantidade de estímulos) e não percebo quem acha que são um bom sítio para passear. No último Domingo fui passear até à praia - estava um frio de rachar. Declaro aberta a minha época de praia. Depois passei por um centro comercial, tinha um objectivo específico em mente. Isto fez-me pensar que dizer que sou desorientada é um bocado injusto: em para aí uns três sítios destes eu sei o caminho desde a porta principal até à livraria. Sou focada no que realmente interessa. 

13 livros para ler em dias escuros

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Não há melhores meses do que Outubro e Novembro para ler coisas estranhas. Quando escurece cedo, faz frio e vocês estão no aconchego do quarto não sabendo que aquilo que respira aos pés da cama não é o vosso cão e que o tap tap que ouvem na janela não é apenas o vento...Então fiz uma lista. São histórias de que gostei e que representam uma pequena parte daquilo que pode ser encontrado, escrito por autoras, dentro deste género. Não admira já que fomos pioneiras tanto no terror como na ficção-científica (esta ilustração da Mary, bem como as outros duas neste post, foram tiradas daqui e são do livro “Literary Witches: A Celebration of Magical Women Writers” de Taisia Kitaiskaia e Katy Horan). Porque haveríamos de achar que as mulheres percebem menos de horror do que os homens...

 

 

 

A Impopular

Não gosto do programa dos restaurantes...Costumava ver programas similares na cabo, mas agora acho aquela agressividade desgastante. Prefiro mudar para aquilo da música que dá no outro canal. Outro dia vi pessoas queixarem-se por se mostrar a história de vida dos concorrentes e que isso é lame. Ainda assim prefiro isso a insultos voando em cozinhas. A maior parte das vezes não vejo nada. É uma opinião impopular, mas eu sou a pessoa que discute feminismo à mesa do jantar (quando agora vejo certas notícias só rosno) e que acha o peito do frango superior e mais saboroso que as pernas e as coxas. Também faço o possível para não atender telefones - nunca é demais fazer este apelo: não liguem incessantemente nem sejam aquele tipo de pessoa que liga e só depois manda mensagem. Resolvam tudo por mensagem. Não sejam maçantes.

Arrepios nas pernas

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(Tinha planeado publicar um texto longo e opinativo, mas acabei empacada a tentar reformular um dos parágrafos então aqui fica uma humilde apreciação pelos arrepios de frio que ontem senti nas pernas. Espero que não estejam neste momento a anunciar que vão fazer quarenta graus para a semana, pois já estou a fazer planos para em breve dormir como uma toupeira debaixo de três cobertores, além de dormir com as minhas três almofadas habituais. Isto sim são condições)

Ler Autoras: sempre a ser desafiada

A verdade é que as minhas ideias sobre escritoras, sobre as mulheres e o seu papel no mundo, estão constantemente a ser desafiadas à medida que vou lendo. Por exemplo, o último livro que li. Uma história atribulada: em 1954 Violette Leduc deu à estampa um romance intitulado Ravages, que retratava a história de três ligações amorosas (sendo as primeiras duas com mulheres e a terceira com um homem) baseadas nas experiências da própria autora. O tom era tão ousado que a Simone [de Beauvoir] viu logo que não ia ser publicado. Mesmo suavizando o tom, o manuscrito foi recusado. Violette teve que mutilar o livro e caiu numa depressão aguda.

 

Teresa e Isabel, a história de duas colegiais e primeiro capítulo do livro, foi publicado autonomamente em 1966 e foi este livro que dei por mim a ler. Fiquei fascinada por ser possível em humildes 102 páginas colocar tanta paixão e intensidade, descrever com tanta minúcia as sensações de prazer erótico de uma mulher. “Não procuro o escândalo mas somente descrever com precisão o que uma mulher sente nessa altura”. É cru, directo, belo. Não admiram as tribulações que passou, numa nota no final do livro aparece esta citação da Woolf: “se uma mulher escrevesse os seus sentimentos, tais como ela os experimenta, nenhum homem os editaria”. Dá-se tanta importância ao prazer masculino...Mesmo o prazer feminino tem de ser descrito por um homem, do seu ponto de vista. Quanto é que se perde quando não se sai deste enquadramento?

 

Um dos (muitos) livros que desejo ler um dia é Kristin Lavransdatter, trilogia com mais de 1000 páginas passada na Noruega no século XIV. Parece apelativo não? Séries épicas, tempos medievais, sítios com neve...Só que foi escrito por uma mulher e a personagem principal também é fêmea. Apesar do prémio Nobel e de ser reconhecida na sua Escandinávia natal, de acordo com o que li Sigrid Undset está esquecida fora daí. Quantas personagens femininas não vou conhecer e quantas autoras talvez nunca vá encontrar porque as regras do mundo, que não foram feitas pelo meu género, decidiram que elas não são importantes

 

Há uns tempos disse num post que tinha andado à procura de autoras num género específico - foi no género terror, surreal...Homens é fácil citar de cabeça, mas e mulheres? Aqui está o relatório do que encontrei durante o curto tempo que durou a pesquisa: dois livros, sete short-stories que já tenho prontas para imprimir, além de um desejo de ler Thus Were Their Faces da Silvina Ocampo. Porque tive dúvidasHouve o dia em que algures na net encontrei alguém a apontar que o número de testemunhos (ou histórias) de homens sobreviventes do holocausto é muito maior que o número de testemunhos de mulheres. Nem me lembro de nenhuma. Até no mais profundo sofrimento tem de haver uma hierarquia...Sei tão pouco sobre como as mulheres viviam, como vivem neste mundo. Ao mesmo tempo é um incentivo para continuar a lê-las.

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