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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Algumas leituras mortas

Acabei Stiff - The Curious Lives of Human Cadavers. Não é o primeiro livro sobre cadáveres que leio este ano. Antes dele li Smoke Gets in Your Eyes: And Other Lessons From the Crematory, uma óptima leitura (Caitlin Doughty é agente funerária e começou a carreira trabalhando num forno crematório. Tem um canal de Youtube) Já o da Mary Roach é tão mal escrito e forçado que chega a ser embaraçoso. Ainda assim podemos tirar dele algumas reflexões, por exemplo - é muito esquisito que uma pessoa esteja a ler um capítulo sobre transplantes de cabeças e pense: puxa já li isto! já conheço essa história da cabeça do cão que foi implantada noutro. Isto leva a pessoa a questionar-se em que contexto anterior apreendeu esta informação. E logo a seguir a tentar apaziguar-se: é apenas curiosidade pelo mundo. Pensando bem deve ter sido isto o que os cientistas que andaram a encaixar cabeças de cães e de macacos devem ter dito. Não pesquisem por isto. Nem por sapatos de ferro. Claro que se o fizerem aumentarão o vosso leque de desbloqueadores de conversa, mas depois de alguns testes práticos posso dizer que falar de tortura envolvendo ratos que escavam estômagos ou sobre os vários estágios da decomposição humana nem sempre resulta.

Um porco-espinho literário

Não entendo o pessoal que lê dramalhões lamechas, em especial os "femininos, com capas rosas e flores ai que isto deve ser tão romântico, vou ter um orgasmo aqui mesmo no meio da Fnac". Agradeço a atenção das editoras em pensarem naquilo que gosto, mas estereótipos e sexismo não estão entre as coisas que me excitam. Um de vez em quando tá, mas se lerem muitos seguidos não vai parecer tudo igual? Nos escaparates parece tudo igual. Livros para não pensar, não é mais fácil abrir a net e ficar a navegar na maionese...Claro que vocês lêem o que bem entendem. Em alguns aspectos sempre fui espinhosa. Outro dia estava a pensar que estou a ficar a velha, que realmente o mundo por si já é duro e que nenhum tipo quer uma mulher de gostos hostis, então talvez devesse ler algo para melhorar o humor diria tipo contos de fadas mas depois lembrei-me que originalmente estes incluem gente a ser atirada para caldeirões cheios de cobras e a ser torturada com sapatos de ferro, entre outros. Fui à net procurar (coisas felizes, não sapatos de ferro...), mas acabei por fracassar: alguns minutos depois encontrei um livro com cartas e diários escritos por jovens na segunda guerra e pensei logo: preciso disto na minha vida. Com pena não consegui encontrar em lado nenhum [We Were Young and at War: The First-Hand Story of Young Lives Lived and Lost in World War II, Svetlana Palmer & Sarah Wallis]. Se vocês são como essas pessoas que possuem um radar interno que as afasta de todas as coisas deprimentes, tenho inveja. Definitivamente eu não tenho isso.

Ter-te perto de mim (e mais não-ficção)

Ainda não arrumei os livros que trouxe da Feira do Livro - por arrumar entenda-se levá-los para a estante (que está noutra divisão que não o meu quarto) onde irão aguardar vez. Só os arrumo logo se o meu quarto estiver tão caótico que eu fique com medo que eles acabem debaixo da cama por acidente. Gosto de os ter ao pé por um tempo. Para olhar para eles; analisar as contracapas; pegar-lhes e ler algumas frases...Antecipar como vai ser a leitura. É um prazer ridículo e feliz. Ando mais numa de não-ficção agora. Os dois últimos livros que: "Why I’m No Longer Talking to White People About Race" [Reni Eddo Lodge] e "Quiet: The Power of Introverts in a World That Can't Stop Talking" [Susan Cain]. São ambos excelentes. Agora estou a ler "Nothing to Envy: Real Lives in North Korea" [Barbara Demick]. Mais uma sugestão para levarem para a praia. Além da não-ficção feminista em si, tenho outros do género em espera: os da Svetlana, a biografia da Cleópatra da Stacy Schiff (já era para ter sido lido mas alguma coisa que já não me lembro meteu-se no meio) um sobre cadáveres ["Stiff - The Curious Lives of Human Cadavers"] e um sobre a Wonder-Woman ["The Secret History Of Wonder Woman"], só de pensar neste hiperventilo um pouco (ok, tem 400 páginas) Pensando na ginástica para encaixar estes e outros títulos na agenda e na variedade de temas, só posso ter pena das pessoas que quando se fala em ler mais autoras insistem em dizer que isso é redutor e limita muito...

Pensando em patinhos e outras coisas

Às vezes dizem-me que não cresci, que nem pareço adulta. Ontem estive a pensar nisto e cheguei à conclusão que são afirmações injustas. Por exemplo, penso em muitas coisas importantes e adultas e para comprovar decidi ir buscar papel e caneta e tomar nota daquilo em que reflecti no decorrer desta última semana [é possível que eu estivesse a pensar nestas coisas enquanto pessoas falavam para mim, mas isso é um detalhe]

 

- porque é que aquele caracol subiu mais de um metro no tronco daquela árvore? Quanto tempo terá demorado? E se cair dali? 

 

- qual será o melhor lugar da casa para me esconder no caso de querer escrever coisas subversivas contra o governo? [que nunca se diga que eu não faço planos para o futuro]

 

- porque será que daqueles sete patinhos, cinco nasceram castanhos e dois nasceram amarelos? Porque há muito mais patinhos castanhos que amarelos? (a ideia que todos os patinhos são bolinhas amarelas é realmente um mito, porque no ribeiro aqui perto quase só vejo castanhos. Também são fofos)

 

- [encostada a um muro, olhando para baixo] Ora bem, se eu cair daqui será que morria ou só partia alguns ossos? Será que os meus miolos ficariam espalhas na erva?

 

- Quais serão os melhores nomes nórdicos antigos para as minhas guerreiras [mencionadas no post anterior]? Que passado lhes hei-de arranjar? E tenho que arranjar uma arma badass para cada uma. Qualquer coisa que esmague cabeças 

 

- porque não decoram o interior das instituições bancárias de cor-de-rosa?

Desejos Literários Nocturnos

Por alguma razão quando estou com insónias acabo a ler uma de três coisas: a) coisas ridículas, que irei abandonar pela manhã. Foi assim que acabei a ler um erótico sobre um tipo que entra em sonhos de senhoras e depois se apaixona por uma e passa para o mundo real. A sério. Já perdi a conta ao que foi começado a meio da noite e nunca acabado...b) coisas bem densas que estão na estante à espera, porque a hora certa para as começar é às três da manhã c) géneros que nunca leio, tipo fantasia. Para que conste não tenho nada contra este género. Se vocês decidirem escrever a história de duas guerreiras que voam em dragões em Asgard e que por causa de uma guerra qualquer ficam separadas e não se lembram uma da outra excepto quando trincam umas maçãs especiais, podem contar comigo. Se decidirem estender isto  por dez volumes muito possivelmente não contem. Podem argumentar que não é possível escrever este tipo de histórias em vá dois volumes, mas eu não me dou com séries.

Feira do Livro: compras (e certas tristezas)

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Começando pelas tristezas: os planos previamente traçados (e até abordados aqui) tiveram que se resumir apenas a um: conseguir sair de casa. Porque a minha ansiedade decidiu que estava na altura de um meltdown. Mas já que a Feira não ia estar aberta até o meu humor estabilizar e já que não comprava livros há quase um ano (verdade), fui. Vi tudo, nada em especial me fez palpitar. Pode ter sido influência do meu estado de espírito. Só talvez um Pynchon numa das bancas de usados, mas tal como o ano passado não queria autores. Decidi partilhar esta informação com quem estava comigo e recebi olhares de incompreensão. Como uma das minhas resoluções para este ano é maçar pessoas também fora da internet com o meu feminismo irei persistir. Acabei por trazer o que já tinha pensado: a Simone e a Svetlana. As Cientistas é um livro ilustrado que destaca as contribuições de várias mulheres notáveis no campo das ciências. Achei fofo. Diz na parte de trás: "É um facto científico: as mulheres são o máximo!" Fora isto não choveu e vi vários Pugs. Esta informação é muito importante. 

 

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Depois voltei para aproveitar a hora H. Já estava mais próxima do meu estado de espírito costumeiro na FL: o quer ver e trazer tudo. Mas desta vez levei mesmo uma lista, uma folhinha impressa. Fui pesquisar ao site para saber o preço e onde encontrá-los (alguns não apareceram na pesquisa não sei porquê, mas depois dei com eles lá...). E andei a abordar funcionários. Já não sei quem sou. Tudo bem que a lista só tinha quatro títulos. Foram esses que trouxe: o da Rebecca, outro da Svetlana -sim, já li o War's Unwomanly Face mas não o tinha e os outros dois dela desta editora que sobravam (As Últimas Testemunhas e Rapazes de Zinco) não estavam em promoção. Além disso estou em fase de seleccionar livros leves para ler na praia; o da Maria Teresa Horta que ouvi dizer por aí que era bom e o da Siri que encontrei referenciado numa lista algures. Claro que tinha que trazer uns fora da lista...Mas a Meg também estava em promoção (só A Paixão Segundo Constança H não estava por ter sido reeditado agora). Verão só custou três euros. Estou contente, ainda que tenha a noção que isto saiu branco demais. Felizmente tenho alguns títulos em espera que irão equilibrar. 

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