Let's Play a Game
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(ilustração de Gemma Correll tirada daqui)
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(ilustração de Gemma Correll tirada daqui)
Aqui se vê a injustiça no mundo: eu digo que passei um ano a ler (quase) só autoras e que foi óptimo e tenho gente à perna a dizer que isso não é igualdade, que é misandria, que devemos escolher os livros pelo conteúdo e não pelo género - pára de estar sempre a puxar a conversa do género! Mas este tipo pode literalmente dizer - é, eu acho a maior parte das autoras insuportáveis mas esta até escapa" e está tudo bem. Deve ser porque eu não sou um autor famoso e premiado. Deve ser incrível poder dizer qualquer imbecilidade sem consequências..."Não digas que há livros escritos por homens para homens, isso é tão redutor e exagerado...Quê? Ah não, não aprecio escrita feminina." Se fosse escritora iria exigir que a minha editora pusesse na parte de trás do meu livro quatro homens a dizerem que a minha escrita é maravilhosa. Nada de autoras. Só homens. Para me sentir plenamente validada. Talvez deva começar a aplicar este "elogio" noutras facetas da vida. Por exemplo, se um dia casar e alguém me perguntar a razão da escolha vou responder: é que a maioria dos homens não presta para nada, este é dos poucos que consigo tolerar. Se o meu marido não ficar tão comovido com isto que me leve logo para cama e coloque a cabeça lá em baixo para uma boa sessão de beijinhos, não sei....
Eis a razão porque gosto da música da Netta: porque é uma combinação capaz de implodir a galáxia, canção infecciosa + feminismo + intérprete gorda confiante. Estas últimas estão bem posicionadas na lista de coisas que a sociedade odeia deveras, porque minam as suas bases. Como feminista estou consciente de que o mundo quer continuar a ver-nos como objectos e como mulher acima do peso em particular também estou consciente de que há muitas coisas que não é suposto fazer, como sentir-me uma criatura bonita e estar num palco mundial a fazer a minha cena. Tristemente muitos dos comentários que vi mostram isso mesmo. No fim da noite (ou no fim do dia, dependendo de onde estão) esta é a mensagem que podemos tirar do que vimos: não importa que vocês sejam mulheres, negros, gordos (ou que decidam colocar dois bailarinos masculinos a actuar na vossa música fofa, fazendo a vossa parte na implosão da galáxia. E de contractos), vocês são importantes e podem ter uma chance naquele palco (e noutros). "Não precisamos de nos encaixar nos padrões normais de como devemos ser, pensar, falar ou criar". E quando as pessoas enchem o coração de coisas ruins e aproveitam qualquer detalhe para agirem como bullies, elas só estão a perder - porque não vêem a beleza desta mensagem e a beleza das coisas diferentes.
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