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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

As melhores leituras de 2016

 

Assim se faz a contagem quando não se tem Goodreads nem esses mimimis. Lembrei-me de colocar aqui uma foto porque não preparei texto introdutório nenhum de jeito para este post - enfim, folhear os meus apontamentos foi giro. Havia algumas coisas que já não lembrava de ter lido. Como já devo ter contado aqui algures, a minha memória temporal é atrofiada. Conheço todos os livros que tenho na estante, mas não sei quando os li. Quando se instala uma zaragata cá em casa para saber em que ano estivemos no sítio x nunca posso ajudar. Já fazer a lista com os melhores não foi muito bom, derivado de ter acabado com 24 candidatos para 10 lugares. A sério. Pensando bem o contrário era pior. A ordem da lista é meio aleatória, algum tinha de ficar em primeiro e assim por diante. Aqui está: 

 

1. A Room of One's Own, Virginia Woolf

2. O Exílio, Pearl S. Buck

3. Maus: A Survivor's Tale, Art Spiegelman

4. On the Road, Jack Kerouac

5. O Castelo, kafka

6. Moby Dick, Herman Melville

7. Persuasão, Jane Austen

8. Os Versículos Satânicos, Salman Rushdie

9. A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares

10. A Oeste Nada de Novo, Erich Maria Remarque

11. O Amor de Uma Boa Mulher, Alice Munro

12. Fala, memória; Vladimir Nabokov

13. Cândido ou o Optimismo, Voltaire

14. Ragnarok: The End of the Gods, A.S. Byatt

15. Delta de Vênus, Anaïs Nin

 

E ainda menções honrosas a: 

 

Still Alice, Lisa Genova

(pela vida das borboletas)

Coraline, Neil Gaiman

(pela coragem, mesmo quando se é pequeno para a idade)

The Drowning Girl, Caitlín R. Kiernan

(pela transmissão de fantasmas)

 

E pronto foi isto, agora adeus

 

 

Mulheres na Fotografia

De facto, é difícil bater o poder de uma boa foto. O poder que têm de comover, de alertar para uma realidade. Estar lá na hora certa e captar um único momento para sempre. Ao mesmo tempo são a visão da própria pessoa que as tira. Nada como ir à procura de mulheres na História da fotografia. Aqui ficam 5 fotógrafas com histórias de vida incríveis:

 

 (Evelyn, a little native maid sitting in kitchen with basket on her lap.1909)

 

Jessie Tarbox Beals foi uma das primeiras fotojornalistas americanas e a primeira fotógrafa nocturna. Tudo começou em 1888 quando como paga por vender subscrições de uma revista ela recebeu uma pequena câmara. Ficou entusiasmada e em pouco tempo já tinha comprado uma câmara melhor e tinha transformado um armário num quarto escuro e o alpendre da casa num estúdio. Em 1900 deixou a sua ocupação de professora e conseguiu emprego em dois jornais. Dona de uma notável força física - vale lembrar que todo o equipamento fotográfico pesava mais de 20 quilos e que nesta altura se usavam espartilhos de baleia - ela era também hábil a criar oportunidades. O seu primeiro exclusivo foi sobre um julgamento em que os fotógrafos tinham sido proibidos de entrar: ela tirou uma foto à socapa ao subir para cima de uma estante para chegar a uma pequena janela no cimo da porta. Em 1904 numa exposição universal em St. Louis interrompeu a visita do Presidente Roosevelt e tirou-lhe várias fotos. Quando lhe disseram que não podia subir num balão de ar quente para fotografar de cima, ela saltou lá para dentro no momento em que o balão ia a subir deixando toda a gente atónita. Apesar da forte concorrência num campo masculino Jessie conseguiu continuar a fotografar até quase aos 70 anos tendo colaborado ao todo em mais de uma dezena de publicações.

 

 (Mrs. Herbert Duckworth. 1872)

 

Quando em 1863 Julia Margaret Cameron então com 48 anos recebeu de presente das filhas uma câmara a atracção foi imediata:"From the first moment I handled my lens with a tender ardour (…) and it has become to me as a living thing, with voice and memory". Tornou-se um dos mais importantes fotógrafos do século XIX com um valor impressionante de 1.200 fotos produzidas. O processo não era fácil: aplicava-se uma camada de colódio líquido numa chapa de vidro, passava-se a chapa por uma solução de nitrato de prata (para a tornar sensível à luz) e colocava-se na câmara ainda húmida. A seguir a chapa tinha de ser passada em sulfato de ferro e tiossulfato de sódio, lavada em água e posta a secar. Os trabalhos de Julia saíam muitas vezes desfocados o que era motivo de troça, mas ela gostou do efeito e adoptou-o. Ela rejeitou o meticuloso detalhe em favor da suavidade, evocar sentimentos em vez de mostrar factos - os seus retratos têm aura especial que os torna difíceis de esquecer. Mulher inteligente e letrada conviveu e retratou várias pessoas importantes como Lewis Carroll e Darwin. Além dos retratos Julia também gostava de encenar e fotografar cenas bíblicas e literárias. Em 1875 mudou-se para Ceilão onde continuou a fotografar até à sua morte 4 anos depois. 

 

 (Women Sewing Flags. 1940) 

 

Um dia quando Margaret Bourke-White era criança o pai levou-a à fabrica onde trabalhava. Ela ficou fascinada quando viu a parte da fundição - “To me at that age, the foundry represented the beginning and end of all beauty”. Também gostava de outras coisas: mapas, insectos, tartarugas...Queria ser cientista, mas em 1927 precisava de um emprego e decidiu começar a tirar fotografias à sua faculdade e a vendê-las. Foi um sucesso. Em 1936 foi a primeira fotógrafa contratada pela Life. Fotografava desde barragens a arranha-céus, tornando-se uma pioneira da fotografia arquitectónica e industrial. Também viu os efeitos que a industrialização tinha nas pessoas. Ela captou o rosto desses trabalhadores, usando a fotografia como instrumento para examinar as questões sociais do ponto de vista humano. Foi a primeira pessoa do ocidente a conseguir entrar na Rússia para documentar a industrialização soviética em 1930. Durante a guerra esteve no norte de África, voou numa missão de combate e cruzou o Reno com as tropas aliadas em 1945. Esteve em Buchenwald e Bergen-Belsen e fotografou o que viu lá - estas fotos em particular são difíceis de descrever em palavras. Depois da guerra esteve na índia onde entrevistou Gandhi: é autora da conhecida foto onde Gandhi aparece sentado ao pé da roda de fiar. Escreveu vários livros e uma autobiografia. "The camera is a remarkable instrument. Saturate yourself with your subject and the camera will all but take you by the hand”

 

 

Na Pasta das Imagens - IX

Então, ontem estava a olhar para o Oeste em cima da mesa de cabeceira (leitora cobarde, pousar o livro quando só falta um capítulo para acabar) e lembrei-me que costumava haver neste blog umas adoráveis rubricas de História...Que foi feito disso. 

 

 

Médico alemão com o seu companheiro canino.1915. Originalmente treinados pelos alemães nos fins de 1880, estes cães conhecidos como casualty (ou mercy) dogs durante a Grande Guerra tinham a função de procurar soldados feridos no terreno e de lhes levar suprimentos médicos como ligaduras de modo a que eles se pudessem tratar a si próprios. Se o soldado estivesse demasiado ferido os cães permaneciam ao pé e eram uma fonte de conforto. Os cães também ajudavam a lidar com o stress.

 

 

Oficial francês escreve uma mensagem enquanto um cão aguarda ao seu lado pronto para levá-la.1939 (Topical Press Agency/Getty Images). A comunicação na frente era sempre um problema: para um homem era demasiado perigoso passar mensagens pois podia ser facilmente abatido, mas um cão era um alvo menos óbvio e podia correr distâncias muito maiores em menos tempo, mesmo em terrenos difíceis. Os cães também eram úteis no patrulhamento pois conseguiam detectar um inimigo mais depressa e a mais de 900 metros de distância.

 

 

 Lutando contra a corrente. Saigon (Vietname) 13 de Setembro de 1968 

 

 

O oficial americano Blake Soller acaricia a cabeça do seu companheiro Rico, um MWD (Military Working Dog), no War Dog Cemetery na base naval de Guam. 2006. Este memorial foi feito para homenagear os 25 cães que morreram durante a libertação de Guam em 1944. No topo está a estátua de Kurt que salvou a vida de 250 marines ao avisá-los silenciosamente que um ataque japonês estava perto.

A Leitora Famosa

Porque parece que deu uma entrevista. Ide lá ver no blog da Edite, o livro pensamento. E vede também as entrevistas dos outros participantes da rubrica que é sobre livros e é muito gira. Por acaso ando meio preguiçosa: trouxe três livros da estante e só comecei um que foi o A Oeste Nada de Novo. Não é a coisa mais divertida: comecei a chorar logo a meio do primeiro capítulo. Verdade. 

Os bonitos e os Feios...

Fico surpreendida com o número de pessoas que parecem genuinamente chateadas cada vez que se fala em diversidade corporal. Vêem uma mulher plus size num desfile e ficam como se tivessem visto assombração: oh não, as nossas filhas vão pensar que podem ser gordas! Que mau exemplo! Que politicamente correcto! Podia fazer um texto enorme sobre como tudo isto é bullshit, mas não estou com paciência porque cada vez que olho é isto que eu vejo: meninas que não se conseguem olhar no espelho e que são constantemente bombardeadas com a ideia que nunca serão amadas se não forem assim ou assado; actrizes que são afastadas de filmes por serem velhas...Enquanto estamos a criticar o corpo alheio, uma adolescente está meter os dedos pela garganta abaixo porque não consegue ser igual ao que vê na TV. Enquanto discutimos se as mulheres devem usar burkinis ou se devem usar menos maquilhem, uma menina teve de abandonar a escola ou viu a mãe ser morta à pancada. Parece-me que algumas pessoas gostariam de voltar aos anos 50: mulheres só na cozinha e negros enforcados...Porque continuamos a julgar outros de maneira tão cruel?

 

 

 Não importa o país onde vocês...

(foto tirada daqui)

 

 

 ...acordam todas as manhãs,

(Foto tirada desde blog)

 

 

 ou se o vosso corpo tem algumas particularidades...

(Foto tirada daqui)

 

 

 ...vocês são lindas à mesma!

(Foto tirada daqui)

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