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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Na Pasta das Imagens - VI

A pedido de muitas famílias (mentira, foi só do Tiago) retomo a rubrica em que publico algumas fotos históricas do meu agrado. O que acontece com algumas rubricas que tentei criar para este blog é que cada pesquisa que faço leva a outras e outras e lá se vai o tempo para fazer o post. Ao contrário do que tinha pensado em vez de ter menos coisas na pasta tenho mais. Infelizmente há outras tarefas que têm de ser feitas, tal como na escola nunca podia fazer só os trabalhos de História e Português e deixar os de matemática...A minha professora não aceitava a desculpa estive a ver um documentário sobre Carlos Magno para as equações não aparecerem feitas. Uma pena. 

 

 

 (Mulher fazendo uma entrega de carvão, França. 1917. Com o começo da guerra muitos postos de trabalho ficaram vagos e foram ocupados por mulheres: em fábricas, minas, departamentos de polícia e bombeiros, reparação de linhas e condução de transportes, em laboratórios...Num ciclo de emancipação nunca visto anteriormente)

 

 

 (Dois soldados alemães e um nobre corcel com as máscaras de gás postas. 1917)

 

 

 (Rapaz sem abrigo mostra aos amigos onde ficava o seu quarto antes da casa ter sido destruída num bombardeamento, subúrbio da zona oriental de Londres. 1 de Janeiro de 1940. Crédito: Central Press)

 

 

 

(Homem do leite fazendo as suas entregas depois de mais uma noite de bombardeamento intenso, durante o Blitz. 9 de Outubro de 1940. Foto de Fred Morley)

 

Segunda-Feira: Queen of Hearts

 (Saoirse Ronan)

 

Sei que é altura de falar de eleições, aliás depois de umas certas declarações machistas haveria algo para dizer (you mad bro?) mas não nos deixemos desviar deste facto: eu, ser humano e mocinha, estou um ano mais velha. Duas décadas e meia. Incrível...Nem havia Youtube na altura, como era possível? Os tempos eram mais difíceis e simultaneamente mais fáceis. Na verdade o mundo moderno deixa-me céptica...Tenho saudades de beber sumos de pacote enquanto vejo as Navegantes da Lua. Também faço isso agora, mas é diferente. A pressa em correr para a vida adulta arrepia-me. Há dias em que gostava de ficar a apanhar os miúdos no campo de centeio para evitar que eles se atirem. Por falar nisso, acho que ainda não tinha dito mas gostei muito do Norwegian Wood ...Triste, mas muito belo. O nosso H. M. escreve bem sobre isto das dores de crescer. Felizmente nunca fui boa em datas e com facilidade me esqueço delas, com sorte o dia passa despercebido. Uma pessoa sabe que está a envelhecer quando vê pessoas da sua idade a ter filhos propositadamente. Bem, eu às vezes ponho-me a cantar Spice Girls muito alto. Quem é melhor afinal? Ah! 

A aquisição mais recente...

 

...e que é uma lindeza. Apetece-me dançar com ele pelo quarto, mas o tamanho desencoraja essas demonstrações de alegria. Provavelmente vai acabar por ficar um bocado estragado depois de o ler: pegar, pousar, folhear, abrir (ai esta lombada), sublinhar...Essas coisas. Ainda não sei quando é que vou começar, porque acabei agora o Norwegian Wood. Não foi planeado, mas agora quero fazer uma pausa - nunca é bom quando as relações vão depressa demais. Neste momento não estou a ler nada, quer dizer nada por acabar na mesa de cabeceira. Ando tão boa menina...

Os Óscares ou um sistema errado

Já ninguém se cala com os Óscares, especialmente depois do comité decidir ignorar actores negros pelo segundo ano consecutivo. A coisa já vai em boicote de várias celebridades...Eu até costumo ver: muito glamour, vestidos, pessoas que choram de emoção...Mas a crua realidade é que isto é uma cerimónia feita por e para homens brancos, onde eles trocam prémios entre si por papéis que quase só eles é que desempenham e pelos quais ganham quase sempre mais. De vez em quando lá aparecem uns outsiders para não parecer tão mal e claro que há categorias para premiar actrizes...Mas não é como se elas realmente tivessem importância: aí até aos trinta ainda são "usáveis", mas a partir daí é melhores começar a empurrá-las discretamente para debaixo de uma pedra. A ideia de que os homens são tipo o vinho do porto é treta: eles apenas têm o direito de envelhecer e elas não. Esta é a diferença.

 

Entre tantas que perpetuam a dominância masculina: salários, oportunidades, respeito...Quando forem um dia ver um filme com efeitos espectaculares lembrem-se que muito provavelmente houve mulheres a trabalhar na equipa e que é muito provável que só nesse dia elas tenham aturado duas faltas de respeito e três propostas porcas...Longe das luzes é isto o que acontece. Quantos candidatos a melhor filme tem minorias ou mulheres em destaque? Por exemplo, vejamos 2015: No primeiro caso apenas um: Selma, que é sobre as marchas lideradas por Luther King. No segundo caso, nenhum: se contarem com Selma, quatro dos oito filmes eram especificamente sobre figuras masculinas da História, dois deles cientistas. Este ano a lista de indicados tem apenas 24% de mulheres. Sou a única a achar estes padrões francamente negativos? E não se trata de estabelecer quotas.

 

Para alguém chegar ali primeiro precisa de um papel, precisa de espaço. Não se podem premiar papéis que não existem. A sério: se eu quiser ver mais um exemplo de supremacia branca masculina não preciso de ficar a pé até tão tarde...Basta ir aos meus manuais de História ou pesquisar um pouco na net. Quando é que poderei ir ao cinema ver um filme sobre uma cientista? Ou um filme com uma actriz plus-size que não seja uma comédia? Ou filme com minorias que fale de coisas que não sejam apenas a escravatura? E ainda é preciso passar pelo sexismo da passadeira vermelha...Quase me esquecia disso. Devíamos boicotar sim, mas era todo o sistema. Porque ele está errado. 

Segunda-Feira: Bobby McGee

 (Kayslee Collins)

 

Uma das coisas que ando a ler agora é Canário do Rodrigo Guedes de Carvalho. É o segundo que leio dele, depois da Casa Quieta. Estava na dúvida se ia ser tão bom quanto esse, mas está a ser uma óptima leitura. E bem dura: fala de vidas artificiais, mentiras e erros. Como li algures: é sobre o que fica quando as máscaras caem. Cada capítulo abre com uma excelente banda sonora. Uma compensação depois de ter abandonado o A leste do Paraíso. Ainda não aprendi a deixar as coisas ir, mesmo as mais simples como livros aborrecidos. Não posso ser a única que fica a pensar em erros que fez há oito anos atrás...É injusto que algumas pessoas consigam viver tão em paz consigo mesmas, se bem que algumas dessas também não podem ser classificadas de "seres humanos". O meu cérebro é um troll: gosta de me lembrar que não arranjei bem o cabelo de manhã e que de qualquer modo sou ridícula não vale apena fingir que o tipo sentado no banco da frente não está a pensar isso mesmo. Felizmente temos muita coisa com que nos ocupar. Um estudo que mostra que um número grande de pessoas prefere levar choques eléctricos do que ficar sozinha com os seus pensamentos...Quem as pode censurar. 

Coisas que a leitora cobiça

Edições lindas...Quem não ama? A nível de comprar pela capa sou comedida: o orçamento não permite e além disso as maior parte das capas que se vêem nos escaparates não me atraem. Costumo comprar em segunda mão e o aspecto não me importa muito. Está meio rasgado ou com mofo? Ok siga, desde que consiga ler...Bem houve um cujas páginas tive de cortar com uma tesoura, pois estavam coladas e não dava para ler. Mas depois ficou bem, tadinho...A net está cheia de coisinhas lindas para cobiçar e conforme vou encontrando vou guardado os links ou as imagens. Aqui vão algumas para apreciar: 

 

 

(Colecção de clássicos de capa dura da Penguin)

 

 

  (A colecção de clássicos modernos - Nabokov )

 

 

 (Murakami covers by Noma Bar)

 

O que se aprende nos livros...

...sobre o amor. A literatura está cheia de histórias destas - talvez saturada, visto que alguns autores acham que é uma maneira mais rápida e fácil de vender. Quais são as primeiras que vos ocorrem? Romeu e Julieta? Monte dos Vendavais? Talvez o Great Gatsby...Se estes títulos ainda se lêem hoje em dia. Sempre me pareceu estranho considerar o Monte dos Vendavais uma história de amor: o livro é excelente sem dúvida, mas aquele pessoal é doido. Quem quer uma relação assim? Não seria grave se as pessoas de repente não começassem a associar amor a violência doméstica e abuso sexual. É todo um género, conforme se pode ver aqui. Até para uma céptica como eu é triste de ver. Vai daí, decidi repescar uma lista que fiz nos primórdios desta casa e dar-lhe um ar mais composto - tive de pensar um pouco para me lembrar de relações\casais saudáveis, mas deu para um top ten. Vamos lá:

 

 

10.  Liesel e Rudy, The Book Thief

 

São crianças, eu sei, mas mostram o quão bonito pode ser esse sentimento que designamos por amizade...Mesmo quando por causa dela temos de chegar encharcados a casa. Também fala sobre o amor entre pais e filhos e pelos livros em tempos difíceis. A dona desta casa recomenda fortemente. 

 

9. Winston e Julia, 1984

 

Há pessoal que se tem em grande conta por espalhar maldade e que tem espasmos de prazer quando pessoas curtem as barbaridades que dizem. Isto acontece porque o ódio é quase imediato, espalha-se facilmente - É cobarde. Mas o amor exige coragem. Às vezes é a única coisa preciosa que resta. 

 

 

 (tirado daqui

 

8. Jane e Mr. Rochester, Jane Eyre

 

Este é um clássico que ensina muita coisa e mencionar tudo levaria um post inteiro. Alguns pontos interessantes: antes de querer gostar de alguém a pessoa deve gostar de si mesma. Não faz mal exigir que sejamos respeitados, pelo contrário - nunca devemos ter medo de tal. Ninguém é perfeito e às vezes os planos não saem como esperado, mas há que saber perdoar. 

 

 

 

7. Agnes e Mr. Weston, Agnes Grey

 

Publicado em 1847 por Anne, a mais nova das Bronte, é história de uma jovem honesta que se vê obrigada a servir como preceptora e que logo descobre as dificuldades dessa posição, sujeita a todo o tipo de abusos. A tendência social dos humanos pode levá-los a mudar ou anular aquilo que são para ficarem melhor vistos - mas Agnes mostra-nos como ser perseverantes ante pessoas que não nos aceitam. Com sorte, entre elas estará alguém capaz de ver a verdade. Não é certo, mas quem sabe. 

 

6. Julie e R, Warm Bodies

 

Às vezes encontramos as pessoas numa fase má, o passado está mal resolvido e elas nem sempre se conseguem expressar da melhor maneira sobre isso. Pode ser que nem todas as tentativas de nos agradar corram bem: como tentar eliminar cérebros humanos da dieta. É preciso paciência para fazer o coração dessas pessoas bater de novo! 

 

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