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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Por obrigação?

Os casamentos estão cheios de rituais fascinantes. Quando vou gosto sempre de observar, até porque observar é a única coisa que tenho para ocupar o tempo além de comer. Não sou do tipo festivo. Mas antes também acontecem algumas coisas dignas de nota e uma delas é a tendência de o noivo se fazer ou ser feito de vítima: não posso ter sido a única a já ter ouvido que o noivo vai de preto porque está de luto. Outro dia vi num site uma t-shirt que mostrava dois nubentes e ele estava preso com uma corrente e em cima dizia que a vida dele tinha acabado...A sério isto estava à venda. Parece-me que isto é mais uma manifestação misógina que a sociedade aceita sem pestanejar - a noiva é um carrasco como se tivesse apontado uma arma à cabeça do tipo ou tivesse ameaçado que lhe cozia o coelho vivo. Mas quem o obriga? O processo todo resulta de uma escolha de ambas as partes. É que há mesmo pessoas que são obrigadas a casar: meninas que não vão à escola e que são obrigadas a fazer todo o serviço e a ter um filho por ano - uma vida pior do que a de um boi de carga. Elas sim precisam de ser salvas. Aliás, quando objectivamente na História da humanidade tipos foram obrigadas a casar? Qual dos géneros tem mais razão para dizer que o casamento é como ser enforcado? Em Portugal só caducou depois da Revolução uma lei que punia o marido que matasse a esposa adúltera...com seis de meses de desterro da comarca onde ele vivesse! Em Itália só em 1981 caducou a lei que obrigava uma rapariga violada a casar com o seu agressor. Sem falar que há pessoas que querem casar e não podem. Também me parece um bocado desrespeitoso para com a outra pessoa: estar com ela é assim tão mau que seja comparado a uma escravidão? Então aprendam a mexer na máquina de lavar e fiquem como estão...Claro que está fora de questão uma noiva lamuriar-se ou fazer piadas - para elas a vida de solteira deve ser por tradição um deserto árido e o casamento um Eldorado por isso têm de estar sempre radiantes. Alguém te tirou da prateleira!

Uma questão de cortesia?

Não percebo as pessoas que não levantam os tabuleiros em sítios onde é suposto fazer isso, como no Mcdonald. Os caixotes nunca estão longe, é só deitar para lá o lixo e arrumar - as mãos não vão cair e de certeza que ninguém vai estar no seu leito de morte a pensar no que podia ter aproveitado da vida se não tivesse perdido tempo a fazer isso. E se o restaurante estiver cheio? Então está ali alguém à espera de mesa e finalmente alguém se levanta...E está lá o lixo? Com franqueza. Válido também para as áreas de restauração: se não fosse para levantar não haveria lá aqueles carrinhos como nos refeitórios. Já lá deixei umas poucas de vezes porque estava com pressa, mas depois decidi não fazer mais isso...Se toda a gente abandonasse assim o tabuleiro com o tamanho que estas áreas têm e com o vai e vem durante as horas de almoço e jantar seria o caos, sendo que um funcionário não se materializa junta à mesa sempre que nos apetece. Outro exemplo: supermercados. Essas pessoas que ficam de braços cruzados enquanto a operadora ensaca. Salvo certas excepções toda a gente é capaz de meter algumas coisas nos sacos, fazendo assim com que a fila avance mais depressa. Também não me parece que os funcionários fiquem desempregos por causa disso - de certeza que a sua funções não é só levantar tabuleiros e de qualquer modo há uma diferença entre uma pessoa prestar um serviço e ser criada...Claro que há quem ache que assim que sai à rua os outros devem prestar vassalagem. Não é porque a função do varredor é limpar a rua que posso mandar lixo da minha janela ou sujar o chão todo de um café só porque não sou eu que vou limpar. Acho que as pessoas não estão habituadas a aligeirar o dia umas das outras - pelo contrário o que queremos é descarregar tudo no primeiro incauto. Enfim, a mim parece-me um gesto de cortesia mas pode ser que eu seja picuinhas...Digam lá o que acham desta interessante questão.

Lendo e Vendo

Acabei de ler o Frankenstein. Gostei - a escrita é linda e a densidade psicológica das personagens é notável. Também levanta questões relevantes para os dias de hoje como os limites do conhecimento e a nossa responsabilidade moral perante aqueles que são afectados pelas nossas acções...E é considerado o primeiro livro de ficção científica. É estranho afirmar-se que este género não é para senhoras. Também acabei A Guerra dos Mundos que é simplesmente fantástico - é impossível parar de ler e cada página provoca um arrepio, talvez por ser tal como o anterior bem actual...Na verdade quando o leitor começa a ligar os pontos entre ficção e realidade, as máquinas (fazem-me lembrar os walkers da Guerra das Estrelas) com os aliens deixam de ser o mais arrepiante. Agora estou a ler o Deus das Moscas, comecei ontem numa sala de espera abafada e estou a gostar, e mais um livro em papel que é uma estória daquelas verídicas. Há mais dois que quero começar a ler e há pouco encontrei a Agência de investigações holísticas Dirk Gently do Douglas Adams...Acho que vou passar este à frente. É tão difícil decidir! Várias coisas para ver também, aliás quase todos os dias encontro coisas que parecem interessantes. Descobri que a CBS está a produzir uma nova série: não é um pássaro, nem um avião, nem um homem - é a Supergirl!

 

 

Claro que alguns senhores nas interwebs ficaram logo muito desgostosos: porquê perder tempo com esta personagem? Porque não escolheram uma actriz com um rabo maior? Esse fato não mostra nada, não é sexy. A sério...E também fiquei a saber que a Taylor Swift lançou o vídeo do Bad Blood e isso merece menção aqui porque tem mais mulheres e é mais badass em 4 minutos do que a maior parte dos filmes de Hollywood. Quem sabe talvez as minhas netas possam ir ver um filme de acção só com senhoras se ainda houver mundo nessa altura. Por falar nisso parece que um grupo de misóginos tentou sabotar o novo Mad Max por aparentemente ser um filme feminista. Percebe-se como a sociedade é quando o facto de um filme ter uma personagem feminina forte é motivo de discussão, não devia ser uma coisa, tipo...Normal?

A pior bibliófila...

Um dos mandamentos que os bibliófilos em geral seguem é o de não aproximar das páginas de um livro nenhum material de escrita...Eu no entanto sou uma pecadora impenitente: não começo uma nova leitura sem ter um lápis (ou até uma caneta) à mão. A verdade é que não acho que os meus livros devam ser tipo peças de museu, impecáveis como se tivessem sido acabadinhos de comprar...Gosto de os tornar meus por assim dizer. Quando marco uma determinada passagem o livro deixa de ser igual aos outros: incorporei nele a minha experiência fazendo uma escolha selectiva - que mais tarde pode deixar de fazer sentido. Além disso sou uma despistada: qualquer coisa escrita à parte vai acabar por desaparecer. Acho que já contei aqui a vez em que coloquei um livro no chão, esqueci-me e acabei por tropeçar nele...A sério. Claro que não os estrago de propósito, nem pensar. Também não sigo à risca esse mandamento de ler um livro por vez - sou como o chinês das 17 namoradas - embora agora só esteja a ler um. Talvez não seja muito boa ideia sublinhar se depois for preciso vender, mas quem quer os meus livros de qualquer modo...Mais razões para não prescindir do lápis:

 

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Economia: para quê ir em busca de um papel quando se tem estas margens tão apetecíveis...

 

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Registar factos extra como a bela estória das flores edelweiss: Elas crescem nas encostas dos Alpes e segundo as lendas austríacas (eles têm esta flor como símbolo nacional)  é uma prova de amor verdadeiro quando um rapaz sobe aos Alpes para ir buscar uma flor destas para oferecer à sua amada pois o caminho é muito perigoso...Só quem ama a sério se arrisca a isso. Há pequenos detalhes que podem mudar a nossa perspectiva de uma determinada leitura.

 

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E registar belas passagens...

 

[Também é por isto que os livros digitais não podem substituir os livros em papel]

Todas as formas da beleza

Gosto de campanhas com modelos grandes...Em mil com modelos magrinhas é bom uma pessoa sentir-se identificada. Mas há coisas que dão que pensar: outro dia estava a ver uma coisa dessas na TV e puxa aquelas mulheres eram perfeitas: pele sem defeitos, curvas no sítio...Acredito que por comparação ao padrão tradicional elas sejam consideradas gordas, mas eu não via nada disso. A representação dos diversos tipos de corpo nos média é ridiculamente baixa e mesmo quando o assunto são modelos plus-size nem todas as mulheres são assim: umas têm mais barriga, outras menos peito, gordura em sítios diferentes, marcas diversas...Por exemplo, Candice Huffine é uma mulher linda - a primeira modelo plus-size a entrar no famoso calendário Pirelli - mas nem todas somos assim e isso não tem mal nenhum...Não é como se houvesse certo ou errado. Diversidade é a palavra cheve! Acho que há muita hipocrisia quando se fala disto: as pessoas adoram falar de aceitação corporal mas se aparece na TV uma mulher com estrias acham nojento...Toda a gente conhece o all about that bass, já escrevi sobre esta música aqui, mas na mesma altura em que escrevi sobre ela encontrei referência a uma outra artista chamada Mary Lambert: as músicas são óptimas, cheias de sentimento, sem falar na voz, porque não é igualmente conhecida? A sério...isto vem também a propósito de uma estória que encontrei há dias: Jes Baker autora de um site que tem um dos melhores subtítulos de sempre - lose de bullshit. Love your body - ficou desiludida quando viu a campanha de uma certa marca de roupas plus-size. O objectivo era estimular todas mulheres a gostarem de si mesmas só que todas as da campanha tinham o mesmo tipo de corpo...Como é que se pode tentar elevar a auto-estima das mulheres, gordas ou magras, continuando a impor um modelo como certo? Vai daí ela decidiu fazer a sua própria campanha:

 

 

 

 

 [Mais aqui]

Temas que nunca morrem...

Isto de espectáculos que envolvem espetar ferros em animais é um tema que nunca morre...Quando uma pessoa acorda a pensar no bom que é viver no novo milénio lembra-se disto e fica um pouco menos contente. Eu estava precisamente a ler sobre o assunto lá na Cave do Markl a propósito da nova campanha da ANIMAL que podem ver aqui - é inacreditável que os organismos do Estado continuem a canalizar subsídios para isto, muitos milhares de euros. A que propósito é que uma pessoa tem de andar a sustentar tal coisa? Como diz o Senhor Nuno e muito bem: "O que separa as touradas do resto é a sua natureza violenta e fracturante: um evento que vai contra os princípios mais elementares de tanta gente, por envolver uma série continuada de agressões a um ser vivo, não pode ser pago com o dinheiro dos contribuintes". Isto não é cultura nem deve ser tratado como tal: cultura é o teatro, o cinema e todas essas coisas que enriquecem de uma maneira ou outra, são os monumentos que estão a cair de podres porque não há dinheiro para os arranjar aparentemente. E tradição: bem, era tradição mandar baldes com porcaria pelas janelas dos edifícios em Lisboa...Ainda não havia esgotos. É saudável que vá havendo uma evolução com o tempo, ou seja, sustentar uma tese neste argumento é nonsense, além de que acaba por justifica tanta coisa. É que consigo assim de repente lembrar-me de umas quantas tradições que não deviam voltar...

 

E também não há qualquer restrição á entrada de crianças ou ao seu envolvimento. Nem tinha pensado nisto: como é que objectivamente se explica a uma criança pequena o que é que se está ali a passar? Ou como é que objectivamente se explica a diferença entre se poder magoar aquele animal e não poder magoar o labrador que vive lá em casa? Não, o meu filho não vê esse tipo de filmes pois são muito violentos. Porque não subsidiar lutas de cães também? Não que eu já tenha assistido a alguma mas aquilo é tipo uma arena com dois cães á luta e um monte de gente em volta...E envolve muito dinheiro. Ao menos ali os dois seres vivos envolvidos estão em pé de igualdade. Ah, a beleza do domínio do homem sobre a besta. Depois há a estória que sem touradas vai o touro á vida que nunca consegui perceber muito bem...Mas não existiram sempre touros neste planeta? E que argumento é este: usar um espectáculo como as touradas como método de preservação de uma espécie. Puxa, se na China nos ouvem vão construir uma arena e mandar para lá os pandas - afinal estão em extinção. E o zoo de Lisboa podia fazer isso com os tigres...Devia ser uma animação. Isso não é o mesmo que dizer que os tigres vão desaparecer se deixar de haver caça ? E obviamente: qual é a moralidade de manter uma espécie para isto? 

 

E não, não acho que comer carne tenha alguma coisa que ver...A menos que nos matadouros os animais sejam espetados e tal antes de serem mortos e nesse caso digam-me que matadouros são esses. Há sempre alguém que vem com esta...Por acaso acho que a carne de touro se come, mas nunca provei. Vai na volta há uma razão biológica para gostarmos tanto de sangue e de o ver derramado...Não gozem, que há uns tempos li um livro bem interessante que dizia que há uma razão biológica para, por exemplo, não conseguirmos evitar comer logo uma coisa que gostamos muito - geralmente uma coisa gordurosa. Os antigos povos faziam sacrifícios humanos, os romanos tinham lá o coliseu, nós espetamos animais se calhar porque já não fica bem usar pessoas, outras também crentes esfolam os joelhos - somos criaturas estranhas. Ou então é a boa e velha questão da dominância: aquela tendência de os humanos se acharem superiores aos demais seres só porque falam e vivem em cidades. E embora já esteja mais que provado que os animais têm sentimentos complexos - já foram vistos elefantes a realizarem rituais de luto. Será que posso enfiar o meu periquito no microondas com a desculpa que ele não tem capacidade de sofrer? Não me parece, então talvez devêssemos arranjar outras formas de nos entretermos...

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