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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Reflexões sobre submissão e laçarotes

 

Há pouco tempo encontrei, enquanto pesquisava coisas aleatórias na net, um blog bastante porreiro onde entre outras coisas a autora falava do artigo acima do Huffington Post sobre o que aparentemente os homens acham de certas modas femininas. Parece uma piada, mas já não é a primeira vez que encontro artigos deste genéro...Uma vez encontrei um algures que terminava a dizer que as leitoras não deviam vestir nada daquilo se quisessem agradar aos seus homens. Já agora entre as coisas odiosas estão batons brilhantes (que é coisa de puta), unhas postiças, fatos (Men's business suits...you're a woman, not a man), camisolas largas e calças de cintura subida. Que matéria informativa...Só que não. Mas isto fez-me pensar...Eu tenho um blusão branco com uma Minnie e uma vez a minha amiga olhou para mim e disse que eu difícilmente ia conseguir engatar alguém com aquilo vestido. Claro que não fiquei chateada, ela uma mazona...Até porque deve verdade. Mas por outro lado o blusão é confortável e quentinho...

 

Se vocês encontram alguém e essa pessoa diz-vos que têm vestir isto e aquilo, ou cortar o cabelo assim ou andar assado, acho que não está certo. Num dos livros que ando a ler o protagonista vai bater á porta do quarto da protagonista e esta fica em pânico porque está vestida com um pijama  do batman. E eu fiquei a pensar, se ele não gosta do pijama, é porque não deve ser o gajo certo...Tipo, é o Batman. Portanto se alguém exige um dia que eu mande fora o blusão da Minnie é porque algo não está bem...Quando se gosta de alguém aceita-se tudo não é? Quer dizer, as calças de fato treino com nódoas, o cabelo desgrenhado e os olhos com ramela de manhã...Ou tenho de fazer uma extreme makeover? É muito irritante estar sempre a ouvir coisas do género encontravas um namorado se emagrecesses, ou as pessoas iam gostar mais de ti se cortasses essa trunfa.

 

Na verdade é mais que irritante, porque significa basicamente que vocês não são digas de ser amadas. Sei que já falei disto aqui mas é uma coisa em que penso bastante: seremos sempre demasiado gordas, ou demasiado magras, ou demasiado lisas ou sei lá...Eu ainda por cima sou um bocado cínica e tenho os anos trinta como tópico de interesse, além de seguir blogs como aquele. Creio que posso ser considera um desastre...Mas a verdade é esta: devíamos fazer as coisas primeiro para agradar a nós próprios e só depois aos outros. É o que nunca dizemos ás miúdas: primeiro tu. É sempre: tens agradar, seja qual for o preço, tens de fingir, tens de ficar no teu lugar.

 

É lixado quando não conseguimos fazer isto...Esta sensação diária que não valemos nada e se alguém olhar para nós é só para catalogar todas as falhas. Veredicto: rejeitada, venha a próxima. E depois ainda há estes artigos que dizem que não seremos objecto de desejo (bela expressão...) se usarmos um laçarote no cabelo...Imaginem se ensinássemos as garotas que não têm de ceder a nada? Se contarmos que vivemos num mundo que funciona na base da submissão, seria o caos não? Talvez gostar de cenas do século passado não seja assim tão deslocado, dado que há tanta gente que anda vive lá...

Distopias?

 

Há uns dias atrás comecei a ler o Clockwork Orange. Estava na hora do jantar e não apetecia ligar o pc por isso fui á estante e tirei a primeira coisa que apareceu. Por lógica devia ler os livros que já estão á espera há mais tempo, mas enfim...Peguei no livro, uma edição de capa dura bem catita que entretanto se desfez, li os primeiros capítulos e fui então jantar. Esta é única altura em que vejo notícias, fora isso leio o que me interessa na net, e entre as coisas do costume vejo uma peça sobre uns assaltos numa faculdade do porto levados a cabo por miúdos de quinze e dezassete anos, pelo vistos armados...Antes que eu tivesse tempo de dizer algo, a minha mãe começou com um discurso sobre como estes jovens andam violentos e como o mundo está cada vez mais louco. Fiquei a pensar nisto e quando voltei ao livro senti um arrepio na espinha...É que tinha pensado que a Laranja era uma distopia, mas se pesarmos o que é distópico e o que se pode aplicar á realidade a primeira fica a perder. Estamos assim tão longe do que é  descrito neste livro?

 

Não nos entra todos os dias violência a um nível insano pelos olhos a dentro? Acho que o conceito de distopia está a ficar um bocado ultrapassado, deviam classificar estes livros simplesmente como factos do nosso mundo. É por isso que isto que estou a ler agora me arrepia. Pela violência também claro (ficar indiferente ao sofrimento é outro inquietante sinal dos tempos...Alguém vira a cara quando aparecem cadáveres nas notícias?), mas sobretudo porque um dia poderemos estar a viver num mundo paralelo àquele. Isso é o que assusta mesmo...Talvez eu seja pessimista e de facto devo confessar que acredito pouco no ser humano, mas é assim que penso. "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural", já dizia o Brecht que também viu muita ultraviolência nos dias dele...Especialmente quando pessoas pegam, por exemplo, no Orwell e pensam que aquilo é um manual sobre como governar bem um país. Mal sabia o autor que o grande irmão ia estar mesmo em todo o lado. You can run away but...

Filme: Maleficent

 

Toda a gente conhece a Aurora - a princesa enfeitiçada pela bruxa, como vingança por não ter sido convidada para a festa, e que depois pica o dedo e cai a dormir até chegar o príncipe. História adoçada pelos Grimm e depois transformada em clássico pela Disney, onde á semelhança de outros contos tudo acontece como devia: o bem vence e mal e todos acabam felizes. Não há meio termo: quem é bom é feliz e quem não é recebe a punição. Mas todas as histórias podem ser contadas de mais do que de uma maneira. Já olharam para dentro de um caleidoscópio? Não se vê apenas um fragmento, mas centenas deles juntos e rodando vê-se os vários padrões que formam. Assim são as historias, as reais e as imaginadas...As mesmas contas formando diferentes formas.

 

Maleficent é um destes exercícios caleidoscópicos: a história da Bela Adormecida, vista não por ela, mas pelo seu oposto. Somos levados a acompanhar Maléfica desde que era uma pequena fada dona de um coração brilhante e guardiã de uma terra encantada, até á sua passagem para o lado negro da força...Algo que normalmente é ignorado partindo do principio que os vilões têm simplesmente um carácter torcido e nada mais. Nesta versão, a maldade de Maléfica advêm não do nascimento mas do crescimento...Mais que um simples reescrever de um clássico, este filme acaba por ser também uma forma alternativa de analisar a questãodo bem e do mal. Porque é tão simples ver as coisas de maneira linear, isto é branco isto é preto. Nunca se espera que a bruxa má se comova ou que a branca de neve desate a gritar com os anões, isso não faz parte. É a esta a moral que pauta a narrativa: não nascemos maus, podemos nos tornar, mas também nos podemos redimir. Podemos ser o herói e o vilão da nossa própria história. Acho que boa uma mensagem, especialmente para quem está há pouco tempo neste mundo, e bem melhor que o redutor viveram felizes para sempre - não julguem antes de terem visto todas as cores do caleidoscópio.

 

A história faz assim uns quantos desvios ao original, o que pode não agradar a alguns, mas não é por isso que perde o encanto de um conto de fadas. Quem não gostaria de viver numa terra cheia de quedas de água e criaturas míticas? Mesmo que não se seja fã de fairytales, eu não sou fã, mas gosto especialmente desde há uns tempos para cá, deve ser de estar a ficar velha, há um bom motivo para ir ver: A Angelina. Ela é absolutamente magnifica. A maneira como interpreta as diferentes camadas da personagem...Parece que nasceu para o papel. O resto do elenco é competente, Ella fanning não está nada mal como Aurora (embora não se perceba porque é que ela fica com o príncipe....) e as aquelas três fadas são um mimo. Adorei os cenários e creio que devem merecer o preço do bilhete 3D. Algumas partes podiam estar melhor explorados e há uma ou outra talvez demasiado cliché, além do inevitável narrador. No geral é um filme com pontos interessantes, nada aborrecido e realmente encantador para os pequenos e para os grandes. Vale a pena também ficar para ouvir a versão mais dark de Once Upon A Dream cantada pela Lana [Del Rey] durante os créditos. Gosto bastante da música mas neste aspecto sou um pouco suspeita...

Slogans Honestos

 

 

 

Só verdades...Podem conferir mais no site, que foi de onde tirei estes. Mais uma descoberta feita durante navegações aleatórias na net numa noite de insónia e que achei engraçado partilhar. Acho que ainda tenho o meu monopólio, mas nunca construi hotéis: eu atirava aquilo pelo ar antes de chegar a essa fase. E a 24 de Julho custava 1000 escudos...

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