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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Autores Favoritos

Como todos os leitores eu tenho um top de autores favoritos. De vez em quando adiciono novos nomes á lista, recentemente adicionei Murakami...No entanto, não leio livros destes autores com tanta frequência como seria de esperar. Chego a passar  bastante tempo sem pegar em algum ou porque não me apetece ou porque não tenho disponível na estante, tanto que quase me esqueço porque razão os tenho na lista dos melhores. Quando começo a pensar isto é sinal que já passou mesmo muito tempo e está na hora de refrescar a memória nem que seja relendo...Há qualquer coisa de maravilhoso em voltar a um autor que gostamos. É como ir para fora por um longo tempo e depois regressar a casa. No início nem nos lembramos onde temos as coisas, será nesta gaveta afinal não é, e depois tropeçamos naquela arca que está junto á porta...Mas lentamente vamos sendo invadidos por uma sensação de familiaridade e confiança. Entramos novamente no ritmo da casa. As facas no armário de cima, aquela mossa na porta, aquelas folhas amareladas no fundo de uma gaveta com coisas escritas por esse alguém que já fomos...

 

No caso dos livros a sensação é semelhante: ao início pode ser difícil entrar na história, mas depois vamos reconhecendo a escrita, as personagens, o estilo até nos sentirmos novamente integrados. Talvez até encontremos metaforicamente coisas secretas no fundo da gaveta. Nós somos marcados pelos livros, mas também os marcamos...Há memórias que deixamos dentro dos livros que muitas vezes não têm qualquer relação com o conteúdo. É como se eles tivessem sempre duas histórias: uma oficial e outra privada escrita por nós. Quando se relê um livro, isto é particularmente notório. De facto, ao fim de umas páginas já me lembrei porque gosto tanto daquele autor..E é tão reconfortante! Sim, que isto de estar sempre a ler autores novos, a sofrer surpresas e desilusões torna-se um bocado cansativo ás tantas...É sempre bom voltar a algo que conhecemos.

 

Neste momento estou a passar por isso, foi aliás por essa razão que me lembrei deste assunto, com os contos do Eça. Já não lia nada dele deste o tempo do ictiossauros e já quase me tinha esquecido...A escrita maravilhosa, as descrições, a ironia, o positivismo e o machismo, que me aborrece deveras mas todos os jardins têm as suas serpentes. Alguns contos em particular eu já tinha lido, mas decidi começar no início e acabar no fim sem andar a saltar. Houve tantos pormenores que me escaparam das primeiras vezes! Nunca tinha percebido o quão bom é O Singularidades de Uma Rapariga Loura ou O Adão e Eva. Acho que vou ter que os ler mais umas poucas. Mas o Civilização vai ser sempre o meu preferido...Como não gostar das aventuras do supercivilizado Jacinto por terras do Douro?

Lucky Ones

Há dias encontrei na net a história de um senhor que todos os dias, sem falha, visita a campa da falecida esposa. Quando tenho insónias e não me apetece ler, abro o pc e deixou-me navegar por sites aleatórios onde leio de tudo um pouco desde artigos sobre a época vitoriana até listas com as estradas mais assombradas da América...Nunca sabemos que informação pode vir a ser util não é? E depois há coisas que encontro e me deixam a pensar. Este foi um desses casos. Segundo o artigo, o senhor e aquela que veria a ser sua esposa trabalhavam na mesma empresa em Hong Kong mas nunca tinham contactado, até ao dia em que ele anunciou casualmente em voz alta que ia ao cinema ver um certo filme. Por coincidência, que as há, ela também queria ver esse filme por isso decidiram ir juntos. A partir dai começaram a falar e lentamente foram-se apaixonando (adoro esta ideia de uma pessoa se ir apaixonando...Nos livros é tipo os protagonistas olham-se uma vez e pronto já está). Casaram e viveram felizes durante umas notáveis quatro décadas. Quando ela faleceu, o senhor ficou de tal maneira infeliz que começou a ir todos visitar a campa e continua a faze-lo apesar da idade e de andar com dificuldades...Diz que o faz porque continua a ama-la. Eu não sou uma pessoa muito romântica, na verdade tenho o amor em grande descrédito. As pessoas são egoístas e só se preocupam em satisfazer o seus próprios interesses.

 

Sobretudo não parecem interessadas em fazer muito esforço umas pelas outras. Do que tenho observado creio que qualquer tipo de relação envolve esforço. É tipo ficar a ouvir a outra pessoa a desabafar á uma da manhã, mesmo quando estamos a morrer de sono ou relevar os 3459 defeitos que ela como todas terá. Não é só fazer likes numas fotos do face...Também leva tempo e ninguém está para isso. Para que perder tempo tentar compreender alguém quando se pode tão facilmente substituir essa pessoa? Também sou terrivelmente mesquinha ás vezes e claro egoísta. Não pretendo mandar moral...É a minha opinião. Admito que sou pessimista em relação ao género humano...Mas depois há histórias como a de cima. Apesar da minha total falta de crédito no amor (Já agora que tal pararem de publicar aquele vídeo dos beijos? já não se aguenta), ficou sempre um nada comovida quando leio coisas destas. Não consigo imaginar o que é ficar quarenta anos ao lado da mesmo pessoa. Ou melhor ser feliz ao lado da mesma pessoa durante esse tempo. É algo que contraria o meu pessimismo. Parece que há pessoas mais sortudas que outras neste mundo...

 

Livros em supermercados

 

 

Nas minhas navegações pela blogosfera em geral tenho constatado que muita gente não gosta de comprar livros em supermercados. Estão a ver...pessoas que só compram na Bertrand ou numa livraria qualquer obscura, que ficam horrorizadas com a ideia de colocar um Borges no mesmo cesto que os pacotes de arroz e que não compram na Amazon, porque que blasfémia comprar um Mo Yan no mesmo sítio onde se vendem sacos com gomas em forma de ursinhos. Ainda por cima toda a gente sabe que os supermercados só quase vendem livros ligeiros e porcarias do género. Claro que todos os leitores têm as suas finuras: há quem não empreste livros nem implorando e quem os conserve como novos sem uma única dobrinha...Ok, isto compreende-se: não querem que se estraguem ou percam, mas só comprar livros em certos sítios é algo que me ultrapassa. Talvez seja por razões psicológicas (comprar num sítio é chique e no outro é coisa de pobre...) ou metafísicas (o livro é um objecto de tal maneira sagrado que não se deve misturar com coisas mesquinhas e quotidianas como os pacotes de arroz). Pessoalmente devo dizer que sou insensível a questões metafísicas no que ao sítio onde compro livros diz respeito. Compro em qualquer lado e já coloquei um Saramago no cestinho do hiper e nada aconteceu: não me caiu um raio nem me caíram os braços. Pessoas continuaram a nascer e a morrer, os conflitos a acontecer e as placas tectónicas a mexerem-se dando a ilusão que o chão sob os nossos pés é estável. Também não acordei transformada num insecto no dia seguinte, embora não diga que um dia não venha a acontecer isso. É que é igualmente uma ilusão pensar que acordamos os mesmos todos os dias...Gosto de analisar os folhetos que chegam pelo correio para ver se há promoções e ver se há desconto para a book.lit na lista dos cupões do Continente. Sim, eu compro nessa livraria e uso o cartão. Também costuma haver promoções na Worten e no Media...Uma vez numa destes lojas eu queria um certo livro, mas o único exemplar tinha um rasgão bem grande na capa. Porém, como eu e o meu pessoal não temos nenhuma noção de chique fomos ao balcão e conseguimos um desconto de três euros para aí...Quase dava para comprar outro. É, a minha vida de bibliófila não é nada glamorosa.

Segunda Feira: Somewhere...


 (Judy Garland)

 

Nada como começar a semana cheia de energia...Nop. Não me apetece fazer nada, nem escrever nada ou arrastar-me seja para onde for. Essas pessoas cheias de planos irritam-me: sabem sempre para onde ir e o que fazer como se tivessem uma bússola incorporada. Sabem sempre qual o melhor caminho como se andar perdido não fosse opção. Uma seca, especialmente quando acham que devem dar lições de moral...Tenho para mim que a minha bússola se deve ter avariado. Se calhar eu vim da fábrica com defeito...Há sempre coisas que saem assim. E não existe livro onde se possa reclamar. Anyway, no fim de semana vi os Óscares (muito resumidamente: boa apresentação, que incluiu distribuição de pizza e o melhor selfie de sempre, boa música [a actuação da Pink deu-me uns arrepios], bons momentos de homenagem [esqueceram o Rei Leão no primeiro, mas lembraram-se do Milk no segundo...Um dos meus filmes preferidos], muitos discursos inspiradores e comoventes, Jennifer Lawrence a cair como habitual e um monte de vestidos que pareciam cortinados...Foi divertido), devorei um pacote de waffers da Milka (tão calórico, mas tão bom...) e roguei pragas ás pessoas que gostam de se comer nos corredores dos centros comercias. Podia ter evitado essas cenas, mas a Book.It colocou os livros do Saramago com desconto e isso é motivo que baste. Deprimi e agora estou precisamente a ler...

 

Bookmarks

Ando sem inspiração para escrever. Há alturas assim...Ainda por cima estou outra vez constipada e tenho um ouvido meio tapado e a zunir. Devia ter cuidado com o frio e evitar os fones, mas não faço nenhuma das duas coisas. Não consigo passar o dia sem música...Enfim, enquanto espero que a vontade de divagar sobre assuntos profundos (Guerra da Crimeia outra vez? gente, qual é a necessidade disso? Deviam era usar Axe) volte decidi fazer uns marcadores para aumentar a minha colecção. Como todos os amantes de livros adoro estes pequenos e úteis objectos, mas não tenho muitos assim originais. Após uma pesquisa encontrei algumas ideias executáveis, mesmo para quem é um zero á esquerda em trabalhos manuais como eu:

 

 

 

Para estes tirei a ideia daqui. Tive que fazer umas adaptações pois não tenho tinta na impressora nem papel de plastificar, além de que nem sei fazer isso: recortei imagens de umas revistas velhas (umas Volta ao Mundo de 2005 que não sei como vieram parar cá a casa), colei aleatoriamente em cartolina e depois colei entre duas folhas de acetato. Tive alguns problemas com a cola, uma coisa líquida e nojenta que acabava sempre mais nas minhas calças e cabelo do que no papel, mas enfim...Para os outros usei o mesmo processo, mas desenhei em vez de recortar. Quando andava á procura de material (não comprei nada tirando o raio da cola), encontrei um diário velho daqueles de miúda e fiz marcadores como o que está na segunda foto. Recortei o papel á medida, colei em cartolina e decorei com frases e pequenas imagens.

 

 

A ideia da raposa tirei algures da net, já não me lembro de onde. Era para imprimir e depois recortar á volta...Visto não ter tinta decidi desenha-la. Só quando fechei o livro é que percebi que a raposinha além de ficar com orelhas de fora como era suposto, também ficava com um bocado da cabeça porque a fiz demasiado grande. Mas ficou fofinha...Para fazer a flor segui estas instruções. É só dobrar e depois decorar a gosto. Os corações vi aqui e também é só dobrar e prender com fita. Como não tinha papel com padrão ou origami, nem sei onde arranjar tal, fiz usando as revistas velhas já citadas. Houve algumas experiências mal sucedidas, especialmente porque as minhas ideias nem sempre correspondem ao que consigo fazer, mas foi divertido.

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