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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

É oficial...

Preciso de deixar de comprar livros...Já tenho em lista de espera para lá de trinta. Enfim, não são cem nem duzentos como algumas pessoas têm mas suponho que essas tenham começado assim com meia dúzia...Ter mais livros por ler do que lidos é ridículo, por isso acho que tenho de me começar a controlar desde já. Inacreditavelmente, houve uma altura em que não tinha nem um livro por ler...Parece que foi noutra vida. Não que eu tenha vivido ainda muito, mas ás vezes sinto-me velha...O mais irritante é que se trata de uma promessa muito difícil de manter, tipo num dia uma pessoa diz que vai passar três meses sem comprar livro nenhum e noutro dia trás mais três para casa. Uma droga...Porém saudável e legal! Apesar do peso na consciência estou contente porque finalmente comprei a Anna Karenina (a Civilização lançou uma edição acessível á carteira dos comuns mortais que não se importem muito com a tradução) e também um livro do Nabokov...Ali mesmo num dos escaparates da Fnac á minha espera! Também é oficial que preciso de outra estante. Sim, estou sempre a queixar-me disto mas desta vez a realidade do facto atingiu-me...Vou ter de começar a empilhar os meus preciosos no chão não tarda. Afff...a vida de um bibliófilo é difícil. 

 

 

Vídeos que inspiram

Jennifer Livingston é apresentadora de um programa matinal americano e um dia recebeu um email indignado de um indivíduo que dizia que ela era um péssimo exemplo para as jovens da comunidade devido ao seu excesso de peso...O vídeo que segue é a respostas de Jennifer e, apesar de já não ser muito recente, vale apena ver até ao fim. Isto é que é falar!

 

Leituras atribuladas...

 

Desde há quinze dias que ando ocupada com este livro que comprei na Feira á última hora. Sim, ás vezes gosto de me mimar com uma pequena extravagância se bem que isto de pequeno não tem nada, passa das seiscentas páginas...Ora, há muito tempo que não lia nada tão piegas e dramático. A sério gente...os personagens conhecem-se, mas têm de fingir que não se passa nada e beijinhos só ás escondidas, depois separam-se porque ele tem de ir combater os alemães, voltam-se a encontrar...Entretanto bombas caem e gente morre. Não há piedade alguma neste livro: algumas partes são horríveis e tive de parar de ler para respirar...Reconheço que a reconstituição do cerco (cerco a Leninegrado, 1941) está bem feita, mas é difícil aguentar 200 páginas de gente a morrer de fome. Outras partes são tão piegas que tenho de parar á mesma porque...awwww. Especialmente deprimente se vocês forem um coração solitário como eu e não tenham ninguém para vos esperar na paragem do bus todos os dias ou para vos fazer gelado. É, a protagonista não tem muitas razões de queixa...Anyway, quando acabar isto (faltam duzentas páginas, mais ou menos) creio que terei chorado o suficiente para encher o lago Baikal...E ainda nem saiu o segundo volume. 

Das novas modas literárias...

 

Num post anterior falei de anti-heroínas e terminei esse texto dizendo que na minha opinião as chamadas femme fatale não estavam na moda, em virtude das novas tendências literárias. Pois hoje, venho novamente falar deste assunto pois é uma coisa que me tem feito alguma comichão...Sim, estou a falar da nova moda do momento: sexo. O que me chateia não é o tema em si, embora me parece estranho que as pessoas entrem em histeria com uma coisa tão normal, praticada desde sempre e já tratada por autores diversos ao longo da história. Que mania esta de pegar em coisas velhíssimas e dizer que são uma grande novidade...O que me irrita é isto: alguém já reparou como são representadas as mulheres nestes livros?

 

Comecemos por um exemplo clássico: as Cinquentas Sombras. Ela é uma tontinha, sem sal que não sabe nada de nada e ele é um psico. A sério como é que alguém pode achar isto normal? Já nem me aventura a falar da escrita daquilo...Li excertos e foi demasiado. Mas o pior foi a avalanche de livros que vieram a seguir. Acontece com todas as modas...Alguém tem uma ideia que vende e centenas de pessoas, não posso honestamente intitula-las de escritores, decidem copiar a ideia enquanto a torneira pinga....Vivemos no século das oportunidades! Toda a gente se pode intitular de ser escritor, mesmo que não saiba escrever um chavo. O problema desta avalanche em específico é perpetuar os estereótipos: vejam a sinopse deste ou deste...É sempre a mesma treta: mulher virgem e inexperiente que se submete a um tipo, invariavelmente, possessivo e ciumento. Depois temos isto e mais isto...Podia estar aqui o dia todo com exemplos.Os machos alfa super dominantes estão na moda e o mulherio delira...Epá eu se encontrasse um gajo assim fugiria na direcção oposta.

 

Enfim, depois de uma luta árdua travada ao longo dos séculos pela independência feminina, incluído a independência sexual, parece-me inacreditável que promovam estes estereótipos...A total anulação da mulher. Deita-te e elas deitam-se, ajoelha-te e elas ajoelham-se... Inacreditável, de facto, que se continue a querer que as mulheres sejam caladinhas, virgens e totalmente obedientes. Como li num livro: vivemos na era medieval com ar condicionado. E há livros (atenção: tudo isto escrito por mulheres) que são mesmo: bates-me mas eu gosto de ti á mesma, porque és todo bom. Acho que submeter, bater e humilhar não deviam ser coisas a incluir numa relação, quanto mais tentar passar uma boa imagem disto. Sei que as mulheres tendem a gostar de idiotas, infelizmente sei, mas haja limites. Imaginem uma miúda de 15 anos a tomar como ideal uma relação desequilibrada e sufocante como as que são descritas nestes livros onde as personagens femininas não têm vontade nem amor próprio. Não está certo gente...Sinceramente, acho que o problema é que as pessoas não são capazes de analisar o que lêem e engolem tudo....E depois parece que estamos a progredir ao falar de sexo sem restrição, mas...

O blog faz três aninhos...

 

Ah pois faz! Ou melhor fez ontem, mas eu só me lembrei hoje. Parece incrível, tendo em conta que foi uma ideia surgida do tédio...Bem, também tinha vontade de partilhar umas coisinhas, embora tivesse logo descoberto que não tinha afinal assim tanto para dizer. Isto foi noutra plataforma com outro nome (em inglês para soar melhor....) e com o visual mais feio que já vi, porque não sabia personalizar fosse o que fosse...Pensando continuo a não ser grande espingarda nisto. Só mudo cabeçalhos e fundos e siga. Enfim, não sei como chegou o estaminé a esta bela idade...Uma pessoa abre uma coisa destas pensa em escrever meia dúzia de balelas e depois faze-lo desaparecer e quando damos por nós não conseguimos carregar no botão de apagar. Eu ligo-me demasiado ás coisas, é um dos meus defeitos...Mas estou contente, especialmente porque o blog continua a ser o que era no início: um sítio despretensioso e relativamente livre. E prontos, obrigado aos que passam aqui e comentam e mesmo aos que apenas passam. Sabe bem pensar que dispensaram um pouco do vosso tempo a este espaço. Tomem lá um beijo com classe (update: o blog está em destaque na página principal...Obrigado Sapinho!)

 

Certos livros deviam vir com aviso

Como eu tinha dito no meu post sobre o To Kill a Mockingbird, andava a precisar de mudar de ares a nível literário. Não gosto de ler livros que se passam na mesma época ou no mesmo sítio assim de seguida...Ora, depois de quatro livros passados na América sulista estava a precisar de viajar figurativamente para um sitio completamente diferente, tipo com neve ou montanhas. O meu estado de espírito levo-me a pegar na Expiação do Ian McEwan, sabe-se lá por quê visto que não tem nenhuma das coisas anteriores. Anyway, eu já andava para comprar este livro há imenso tempo, mas até á última Feira do Livro, nunca se tinha proporcionado. Já nem me lembro porque o coloquei na wishlist, sim eu tive em tempos uma wishlist que tinha um número de páginas imenso...Tive de desistir de a ter, embora alguns títulos me tenham ficado na cabeça. Basicamente tinha planeado ler o livro em questão durante esta semana, mas acabei por lê-lo em dois dias...

 

Tive a sensação de que se o largasse depois ia ser difícil voltar...Aconteceu-me não há muito tempo com outro livro: li metade de seguida e depois larguei-o para só acabar agora passado meses. Ando muito sensível e quando a história começa a ficar difícil a minha primeira ideia é fazer uma pausa...Estou a envelhecer e a ficar mole, definitivamente. Assim este do McEwan foi quase todo lido de rajada. E em jeito de micro review tenho isto a dizer: alguns livros deviam vir com aviso. Tipo os livros eróticos que trazem (pelo menos alguns) um aviso de conteúdo susceptível. Alguns deviam vir com um aviso do género: cuidado leitora, quando menos esperar o seu coração irá derreter tipo malteser posto ao sol. Assim uma pessoa podia prevenir-se com um lenço (ou vários...) e escusava de ter que usar as mangas da blusa. Analisando friamente é um livro bastante bom: o enredo é engenhoso; a reconstituição histórica é interessante e a prosa é magnifica. Aqueles primeiras páginas são um prazer de ler! A narrativa não é muito fluída....É preciso ter alguma paciência, mas vale apena. E aquele fim...É a melhor coisa do livro, a seguir á cena da jarra, sim que eu sou obtusa e só percebi as maroscas do enredo no final. Enfim, mais uma recomendação aqui do estaminé. Já agora convém esclarecer que a minha pessoa não necessitou de usar a blusa para limpar os olhos. Pelo menos até as primeiras 190 páginas. A partir dai...Ai gente...

 

 

Proíbam as velhinhas na praia!

Há dias via a seguinte notícia: Betty Faria Indignada com críticas por ter ido á praia de Biquini. Não sei quem é a senhora, mas tenho de concordar com os críticos: então não se vê logo que as senhoras a partir de uma certa idade só devem ir á praia vestidas como afegãs? Aliás senhoras de idade nem deviam entrar nas praias de maneira nenhuma para não deprimir as meninas novas que acham que vão ficar assim para sempre. Nem sequer na rua devem andar, que desagradável para a vista...Como diz a Marina Girls Never look a day past thirty, logo esta senhora já devia estar num canto qualquer como os iogurtes que passam do prazo mas que nos vamos esquecendo de deitar fora.

Toda a gente sabe que uma mulher não é para ser ouvida, é para ser vista...Depois quando passa do prazo é para ir sendo progressivamente esquecida, até porque nessa altura uma série de bonequinhas barbie, a quem também terão prometido juventude eterna, já terão ocupado o seu lugar. De facto, não importa que a senhora seja livre de andar até nua se lhe apetecer. A liberdade de acção e consciência são coisas da retórica, o que importa é o prazo. Passaste, estás fora. O mundo é assim e os velhos são a degradação, o fim,  a senilidade...Não devem andar para aí a incomodar quem ainda não pensa nisso. Sim, que isto dos velhos activos fica bem em reportagens, mas não na vida real propriamente dita.

Devia haver um limite de idade para entrar nas praias, de forma a não chocar os que se acham juízes. Imaginem quantos não devem ter morrido de apoplexia assim que viram a senhora de biquíni...Não se faz! Também devia haver uma limite de peso, imagina-se gordos e gordas a estragar na vista no areal. Gordos ainda vá, um homem pode ter o peso que entender e ainda assim ser popularíssimo, mas mulheres nem pensar. 

A sociedade exige perfeição, toda a gente sabe: és velha, tens pneus, tens sardas (eu desde que vi uma moça a dar dicas para tapar as sardas, já estou por tudo), não tens peito...Que vais para uma praia fazer? Devia haver pessoal a impedir a entrada de banhistas feios. Melhor deviam arranjar-lhes uma praia á parte, coitados podem nem ter culpa de não ter nascido com a qualidade mais importante de todas, ainda que seja uma qualidade que tem ela própria a validade de um iogurte. E não venham com aquela treta da beleza interior...Só as pessoas feias dizem isso, para se sentirem melhor.

E esqueci-me dos deficientes...Imaginem estragar a vista aos saudáveis. Portanto, é obvio que esta senhora brasileira devia ter juízo e da próxima vez enfiar uma burca. Ah adorável feira das vaidades que glorifica para a seguir queimar...Adorava fazer parte dela, infelizmente sou feia. Se quiser ir á praia amanhã devo escolher uma burca amarela ou azul?

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