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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

A Dama das Camélias

 

  (Não havia camélias cá em casa...)

 

Margarida Gautier é uma jovem e bela cortesã requisitada pelos homens mais ricos da sociedade parisiense. Vive rodeada de luxo e leva uma existência frenética, ocupando os lugares mais destacados nos bailes e nos teatros (para onde vai sempre acompanhada por um ramo de camélias, daí o título). Todos conhecem o seu nome e não há homem que não a deseje tomar por amante. É precisamente numa das noites em que ela está no seu camarote num dos teatros que lhe é apresentado Armand Duval.  habituada a ser corteja, Margarida trata o jovem com desprezo, porém alguns encontros depois começa a perceber que Duval não é como os outros homens com quem tinha privado até aí. Ele não deseja exibi-la como um troféu e preocupa-se seriamente com a sua saúde, chegando a chorar quando a vê cuspir sangue para um lenço. Margarida entrega-se assim, pela primeira vez, de corpo e alma e os dois vivem um amor intenso que desafia os preconceitos da sociedade. Infelizmente este é um amor condenado e a tragédia acabará por separa-los...

 

Escrito em 1848 esta é uma das mais famosas obras de Alexandre Dumas, filho do escritor com o mesmo nome. Foi inúmeras vezes adaptada por conhecidas actrizes como Sarah Bernhardt em 1899 e Greta Barbo em 1936, numa adaptação cinematográfica. Serviu também de inspiração á célebre ópera de Verdi, La traviata. É considerada uma obra fundamental do romancismo francês. Para simplificar digamos que é parecido com Frei Luís de Sousa do nosso Garrett. De facto, ambas as obras partilham características em termos de estilo: o fatalismo, a tragédia, os sentimentos pujantes e exacerbados, os diálogos carregados de sentimentalismo...Tudo é levado ao extremo: o amor, a loucura, o ciúme e depois o desfecho trágico. É um tipo de escrita que pode não agradar a alguns leitores.  

 

No entanto, a obra tem alguns pontos de interesse o principal dos quais é a crítica que o autor tece á sociedade francesa do seu tempo. Dumas é impiedoso no retrato que nos apresenta: o de uma sociedade de indivíduos boçais, mesquinhos e oportunistas que se regem por uma moral oca. Isto é visível logo no inicio, quando há o leilão em casa de Margarida. Convêm dizer que a história se inicia com Margarida já morta e como ela morreu cheia de dívidas o recheio da sua casa é posto a leilão. Este procedimento é retratado em inúmeros romances muitas vezes com uma intenção crítica, como acontece em A Feira das vaidades de Thackeray. É cómica forma como o autor descreve a visita das senhoras “sérias” aos aposentos da cortesã, procurando “rastos dessa vida impura de que lhes tinham feito, sem dúvida, tão estranhas narrativas”. De facto, Margarida vive rodeada de gente oportunista a começar pela sua amiga Prudência que apenas se preocupa com os seus próprios lucros, até aos amantes e admiradores que se vão afastando um por um.

 

A protagonista morre, assim, completamente sozinha. É irónico que seja Margarida, uma prostituta rotulada de devassa e pecadora, a única personagem verdadeiramente nobre, capaz de se sacrificar pela pessoa que ama. O final é verdadeiramente dramático e impossível de esquecer. Outro ponto interessante é que esta obra tem também um cariz autobiográfico. Dumas tinha uma relação com uma conhecida cortesã chamada Marie Duplessis. Pelo que li, ele amava-a sinceramente, porém não era suficiente rico para a sustentar pelo que os dois se separaram. Marie morreu em 1847 de tuberculose, com apenas 23 anos. Morreu arruinada e sozinha. É legítimo pensar que este livro foi escrito em sua homenagem, preservando assim a sua memória até aos dias de hoje. Actualmente os dois repousam no cemitério de Montmartre em Paris. Concluindo, não foi um livro que tivesse entrado para o top dos meus favoritos, pois não sou grande apreciadora de literatura romântica, mas não deixa de ser uma narrativa interessante. Não aconselho a lê-lo quando estiverem deprimidos. 

Na lista das músicas tristes....

 

All I know is everything is not as it's sold
But the more I grow, the less I know
And I have lived so many lives
Though I'm not old
And the more I see, the less I grow
The fewer the seeds, the more I sow

 

Then I see you standing there
Wanting more from me
And all I can do is try
Then I see you standing there
Wanting more from me
And all I can do is try, try

 

I wish I hadn't seen
All of the realness
And all the real people
Are really not real at all
The more I learn, the more I learn
The more I cry, the more I cry
As I say goodbye to the way of life
I thought I had designed for me

 

Then I see you standing there
Wanting more from me
And all I can do is try
Then I see you standing there
I'm all I'll ever be
But all I can do is try
Oh try, try, try

 

All of the moments that already past
Try to go back and make them last
All of the things we want each other to be
We never will be, we never will be as wonderful
That's life

 

That's you baby, this is me baby
We are, we are, we are, we are, we are
Free in our love
We are free in our love
Try

Ranking das escolas 2012

 

 

Como a maioria das pessoas deve ter reparado, já foi publicado o ranking das escolas básicas e secundárias relativo a 2012. O ano passado analisei a listagem em papel, mas este ano optei pela solução mais barata que foi ver directamente na net, embora os meus olhos não tenham achado muita piada...Entretanto nos telejornais também já passaram algumas peças sobre o assunto. Não se verificam grandes mudanças em relação ao ano passado: os colégios privados ocupam os primeiros lugares e só lá para o lugar 20 e poucos é que aparece uma escola pública. Ora, se o ano passado não me prenunciei sobre isto, agora apetece-me mesmo faze-lo porque, na minha opinião, estas listagens não têm grande credibilidade.

 

Para começar comparam realidades que não têm comparação possível, senão vejamos: eu andei uma escola com sei lá quantos mil alunos uns maus, uns médios e outros bons, sim porque também havia quem fosse realmente bom com direito a quadro de honra e tudo (só consegui essa proeza no último ano do secundário...), todos com diferentes origens e dificuldades, divididos por turmas de trinta e tal, sendo que cada professor tinha pelo menos três ou quatro turmas. O material (projectores, cadeiras, computadores...) era sempre escasso para tanta gente e nem sempre as coisas funcionam....Agora tentem comparar esta realidade com a realidade de um colégio com meia dúzia de alunos, escolhidos a dedo, que tem tudo á disposição incluindo professores para os ajudar se tiverem dificuldades.

 

Duvido que os alunos que frequentam os colégios entrem todos os dias nas salas de aula com fome por não terem o que comer em casa...Infelizmente isto acontece em muitas escolas e junte-se aos problemas de pobreza, problemas de violência, desenraizamento, etc....A minha escola não era das piores mesmo assim. Ás vezes as coisas não funcionavam como queríamos mas, por exemplo, nunca tivemos problemas graves de violência o pior era mesmo a sobrelotação.

 

Portanto, este ranking põem ao mesmo nível realidades completamente diferentes, já nem falo de colocarem na lista escolas de necessidades especiais que é absolutamente ridículo. Atenção que eu não tenho nada contra quem escolhe um ou outro estabelecimento de ensino, mas temos que ver que os problemas e necessidades de uns e outros não são comparaveis. Acabam-se por criar preconceitos, pois se há muito mau aluno nas públicas, também há bons alunos e bons professores...Eu pelo menos tive a sorte de ter bons professores. Também tive daqueles que se estavam nas tintas e outros que eram meio desparafusados, mas felizmente estes não eram a maioria. Com mais ou menos condições nunca chumbei nenhum ano e terminei com média para entrar na área que queria. Além de que eu não acho que montanhas de exames sejam nem de perto nem de longe a melhor maneira de avaliar os conhecimentos de um aluno, mas enfim isso outra conversa que dava pano para mangas...

 

Agora menos a sério, numa das peças jornalísticas que vi mostraram imagens de um colégio todo xpto com piscina e tudo...Devo dizer que na minha secundária também havia piscina. É que nosso campo cada vez que chovia ficava apto á prática de desportos aquáticos. E o material eléctrico que de vez em quando explodia também era o máximo...Mas não morremos, antes ganhamos alguma capacidade de desenrasque...

 

duvido que quem fez estas listagens tenha algum conhecimento da realidade, pois assim fosse não misturava alhos com bugalhos. Mas os números enchem sempre os olhos da populaça...Enfim. 

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