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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Os Sete Pecados Capitais da Leitura

 

 Encontrei este mini desafio no blog Tertúlias à lareira e decidi fazer...Quem estiver interessado esteja á vontade para "roubar" :)

 

GANÂNCIA:
Qual é o seu livro mais caro? Uma História da Leitura de Alberto Manguel....Isto se não contarmos com os livros técnicos. 
E o mais barato? tenho vários livros que custaram um euro, menos do que isso ainda não encontrei


IRA: 

com qual autor tem uma relação de amor/ódio? Steinbeck

GULA: 
que livro devorou e voltou a reler sem qualquer vergonha? A colecção Malory Towers (traduzida como Colégio das Quatro Torres em português) de  Enid Blyton. São seis livros juvenis sobre um grupo de raparigas que estudam num colégio interno. Li-os vezes sem conta quando era criança e há uns tempos atrás voltei a pegar neles. É interessante lê-los quando já se tem outra perspectiva...

PREGUIÇA: 
que livro você esqueceu ou deixou de lado por preguiça? Doutor Jivago de Boris Pasternak...Ao fim de cinquenta páginas já estava com umas dores de cabeça...Mas vou voltar a pegar-lhe qualquer dia.

ORGULHO: 
de que livro que leu gosta de falar para parecer extremamente intelectual? Nineteen Eighty-Four do Orwell  

LUXÚRIA: 
quais as personagens mais atraentes que já encontrou nas suas leituras? Mr. Knightley (do livro Emma) ou William Dobbin (do livro A Feira das Vaidades) não são as personagens mais atraentes em termos físicos, mas têm boas qualidades....Para mim é o mais importante.

INVEJA: 
qual o livro que os seus amigos têm e que você gostaria de receber como presente? D. Maria II de Isabel Stilwell (ser-me-á emprestado em breve espero eu...)

Banda sonora da semana

Á custa de muito benuron e brufen já estou um pouco melhor da gripe (obrigado às meninas que deixaram votos de melhoras :)...Com tanto tempo no ano tinha logo que ficar doente com este maldito calor...Como não me podia levantar da cama nem abrir as janelas iam sufocando...Será que nunca mais arrefece? Enfim...No domingo passado estava no youtube quando dei por mim ouvir as músicas do álbum little broken hearts da Norah Jones e acabei por não ouvir mais nada o resto da semana até porque se me pusesse a ouvir qualquer coisa muito forte a minha cabeça explodia. 

 

 

Parece-me um trabalho bem diferente dos anteriores dela. Mais sombrio...A milhas do alegre e inocente Sunrise. Acho que alguém deve ter sofrido um grande desgosto...Aqui fica uma das minhas preferidas:

 

 

Miriam
That's such a pretty name
I'm gonna say it when
I make you cry

Miriam
You know you done me wrong
I'm gonna smile when
You say goodbye

Now I'm not the jealous type
Never been the killing kind
But you know I know what you did
So don't put up a fight

Miriam
When you were having fun
In my big pretty house
Did you think twice?

Miriam
Was it a game to you?
Was it a game to him?
Don't tell me lies

I know he said it's not your fault
But I don't believe that's true
I've punished him from ear to ear
Now I've saved the best for you

And I'm trying not to hurt you
'Cause you might not be that bad
But it takes a lot to make me go this mad

Oh Miriam
That's such a pretty name
And I'll keep saying it
Until you die

Miriam
You know you done me wrong
I'm gonna smile when
You say goodbye

You know you done me wrong
I'm gonna smile when
I take your life
Mmm, mmm, mmm

Segunda-Feira: constipações & Cia

 

 (Florence Welch)

 

Levantar ás 6 da manhã com vómitos e dores de garganta. Fazer um esforço imenso para ir à aula das 8. Chegar à faculdade e perceber que não vai haver essa aula. Novo esforço para voltar para casa. Benuron no bucho, escrever este post...E a seguir cama. E esperar por dias melhores...Os próximos anunciam-se ranhosos.

 

Inspira-me: um alimento sem qual não consiga passar

 

 

Não se sabe a origem certa do queijo (há uma lenda que diz que foi descoberto por um dos filhos de Apolo, Aristeu, Rei de Arcádia), mas pensa-se que foi inventando antes da manteiga. vários povos nomeadamente, assírios, Caldeus, Egípcios e, posteriormente, Gregos e Romanos apreciavam o queijo, do qual fabricavam inúmeras variedades e cujas virtudes conheciam, pois utilizavam-no na alimentação de soldados e atletas. Actualmente contam-se cerca de 400 tipos de queijo em todo o Mundo. Da serra, de cabra, picante, com nozes, azul, camembert, mozarella, flamengo, amanteigado, requeijão...Adoro! Ao natural, com doce, no forno, ligeiramente panado...Só não gosto do queijo derretido com aqueles fios, mas fora isso marcha de qualquer forma. Não me convidem para nenhuma festa ou casamento se não tiver uma tábua de queijos! A parte chata é que engorda...aff. 

 

Informações tiradas daqui

Wolf Hall

 

 

Wolf Hall de Hilary Mantel

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 672
Editor: Civilização
Preço: 22,41€

 

Inglaterra, 1529. O rei Henrique VIII está decido a divorciar-se de Catarina de Aragão apesar da oposição da Igreja Católica. O protestantismo alastra pela Europa e William Tyndale termina a primeira tradução da bíblia para inglês. O clima é de permanente tensão: a mais pequena suspeita de heresia e acaba-se na fogueira. Enquanto isso a peste vai matando sem piedade. É neste contexto que se destaca uma figura singular: Thomas Cromwell, um advogado ao serviço do cardeal encarregado de obter o divórcio do rei, Thomas Wolsey,  Homem astuto e perspicaz, Cromwell vai-se movendo pela corte, fervilhante de intrigas onde um passo mal dado pode ser fatal, como uma sombra até que o rei repara nele…E ai começa a sua ascensão rumo ao poder. Este é fio condutor da narrativa que se inicia em 1500 quando Cromwell é apenas um rapaz de uma área pobre de Inglaterra, filho de um ferreiro, e termina em 1535 quando ele alcança o cargo de guarda-mor do arquivo, sendo nessa altura um dos homens de maior confiança do rei e um dos importantes a seguir a este.

 

Ao contrário do que acontece em muitos romances sobre os Tudor, aqui o foco não está direccionado para Ana Bolena nem para outros pormenores de alcova que tanto atraem alguns leitores. Hilary Mantel pegou na personagem mais improvável, a mais brutal e mais maquiavélica e recriou a história sob o seu ponto de vista. É uma personagem que não está inicialmente ligada à corte e que não tem sangue nobre ascendo através das suas próprias capacidades. Isto permite dar uma visão do funcionamento da corte real e da sociedade inglesa muito interessante, especialmente no início quando Cromwell é ainda um outsider ao serviço de Wosley. Com esta mudança daquilo que o foco tradicional, a autora consegue também fornecer ao leitor uma visão abrangente do processo de divórcio do rei, que foi muito mais complexo e não se resumiu unicamente a Ana Bolena.

 

Além de traçar o percurso desta personagem a autora faz também um retrato de época nomeadamente no que toca às controvérsias religiosas e politicas. Um trabalho profundo que tem todas as características que um romance histórico deve ter: é empolgante, interessante sem ser excessivamente maçudo e bem escrito. Felizmente a autora não caiu na tentação de encher a história de factos e datas, tendo restringido a acção a certo um período de anos, nem de transformar o enredo num dramalhão. Cada capítulo deixa o leitor na expectativa do que possa acontecer no seguinte: quem cai e quem sobrevive aos perigos da corte, quem sobrevive à peste, sempre presente na história…Além disso, autora fez um óptimo trabalho na humanização das personagens, nomeadamente na humanização de Cromwell atribuindo-lhe dúvidas e sentimentos que o aproximam do leitor. O rei é retratado também de forma bastante humana, especialmente nos momentos de melancolia. Podemos não estar em 1529 mas alguns sentimentos são comuns à humanidade de todas as épocas. Não se mandam pessoas para as fogueiras, mas a intolerância infelizmente ainda existe e sem dúvida que a máxima “o homem é o lobo do homem” continua actual. O passado pode sempre ensinar-nos algo e isto vê-se neste livro: decisões difíceis que têm de ser tomadas, consequências com é preciso lidar, dúvidas, ambição e queda…Wolf Hall transcende a mera narração histórica.

 

O debate das grandes questões é sempre intercalado com cenas de ambiente doméstico e é  neste ambiente que mais se nota o trabalho de humanização de Cromwell, quando ele está à secretária a pensar nas decisões a tomar ou nas filhas levadas pela peste. Também contribui para este processo a escrita lírica da autora. Uma escrita apurada, especialmente nos diálogos onde é fácil o leitor perder-se, mas através do qual a autora cria cenas vívidas que ficam na nossa mente. Por exemplo, a cena em que Cromwell conversa com Wosley em que as velas se apagam ou a cena em que a Maria Tudor está sentada em frente à lareira apagada, na mais absoluta solidão.  Wolf Hall é assim um trabalho profundo e apaixonante que explora os caminhos menos trilhados da História e que nos dá a visão de uma personagem original para a sua época e que conseguiu chegar onde poucos se atreviam…por isso pagou também um alto preço. Um prazer para qualquer leitor, especialmente para quem gosta de História. 

 

Pobres Estantes...

 

 

Durante as minhas navegações pela blogosfera literária encontrei um curioso artigo do Público. Já não é recente em termos de data, mas o assunto em questão é mais do que actual...Então a notícia diz que a conhecida empresa de moveis Ikea está a adaptar as suas estantes aos leitores do futuro fazendo, por exemplo, prateleiras envidraçadas para colocação de objectos decorativos em vez de livros. Isto porque no futuro os leitores terão os seus livros em aparelhos electrónicos e assim as estantes perderão a sua função. Apesar de estar a par desta realidade, não consegui deixar de me sentir triste...Não que tenha alguma coisa contra e-books, kindles, ect, pelo contrário. Acho que têm vantagens...A mim  dar-me-iam imenso jeito nos transportes públicos, pois escusava de ter de carregar calhamaços na mala. Mas ter TODOS os meus livros dentro de uma coisa dessas...

 

O problema é que eu gosto dos livros enquanto objectos: gosto das capas, das lombadas, do cheiro das folhas...Gosto de folhear um livro à procura das minhas passagens favoritas, de enfiar o nariz nas folhas como ando a fazer agora no livro que estou a ler de Somerset Maugham que está tão velhinho. O cheiro não é muito agradável, mas é reconfortante e um kindle é uma coisa fria e impessoal, apesar das suas vantagens. Quanto às estantes eu concordo com quem disse que uma casa sem livros é uma casa sem alma. Não consigo imaginar uma casa sem estantes cheias, mesmo que dê trabalho a arrumar e a limpar. Ás vezes ponho-me a tirar todos os meus livros da estante e a arruma-los...É uma actividade relaxante! Além disse cada estante tem algo de único: há pessoas que põem os livros ao monte, há quem separe por género...Eu gosto de ter os meus livros direitinhos, mas gosto de misturar autores e géneros. Por mais simples que seja organizar uma estante com meia dúzia de cliques, para mim perde a graça toda. 

 

Mas não sou pessimista ou pelo menos não muito: acho que os livros em papel não vão acabar. Certamente que as vendas baixarão, como aliás já estão a baixar, mas quem gosta realmente do objecto livro continuará a comprar. Tornar-se-ão produto para um público específico. É um facto que o livro se está a desmaterializar como já aconteceu com os filmes e com a música. Dentro de um único aparelho temos todas as músicas, filmes e livros da nossa preferência. É também com esse mesmo aparelho que estabelecemos relações com os outros, que guardamos partes da nossa memória....Dependemos cada vez das máquinas, tanto que chego a pensar: quem domina quem?

 

Já quase não precisamos de sair de casa: convivemos, compramos, pesquisamos, através de uma máquina. Faz-me lembrar o Fahrenheit 451...Arrepiou-me sempre que me lembro desta obra em que é proibido ler e possuir livros e onde havia aquele maldito cão com uma agulha. Adiante...não sei se já falei disto (não sei porque tenho a sensação que me estou a repetir...), mas é assustador ver como as coisas estão a perder o seu lado material e palpável. A ideia de não poder pegar num livro é realmente assustadora para mim, especialmente porque acho que ler não tem de ser apenas uma experiência visual...Também se podem usar os outros sentidos!

 

No artigo é dito que "é legítimo concluir que as nossas casas poderão começar a transformar-se em lugares menos atafulhados"....Que infeliz a pessoa que escreveu isto! Não sabe que não há nada que um verdadeiro leitor mais goste do que ter a casa cheia de livros: livros empilhados nas mesas! pela sala fora! Na garagem! Logo agora que eu estava precisar de uma estante nova....Será que já foi posta em prática esta ideia? Não ligo muito aos catálogos do Ikea que vem parar lá casa, mas aparece que tenho de estar atenta...

 

Imagem tirada daqui (é um artigo da revista The Economist sobre o assunto, quem tiver curiosidade é só clicar...)

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