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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

D.Dinis, A Quem Chamaram o Lavrador

 

 

D.Dinis, A Quem Chamaram o Lavrador de Cristina Torrão

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 416
Editor: Ésquilo
Preço: 19,80€
 

Todos nós conhecemos algo sobre D. Dinis: que foi o sexto rei de Portugal casado como Isabel De Aragão, mais tarde tornada santa, que mandou plantar o célebre pinhal de Leiria ou que fundou a primeira universidade. Talvez alguns se recordem das Flores de verde pino, ou outras cantigas daquele que também ficou conhecido como o rei-poeta. Tudo isto vem nos livros de História, juntamente com mais uns quantos factos e uma infindável lista de datas. Ora, Cristina Torrão dá-nos uma visão diferente deste monarca: ela tira-o do pedestal e atribui-lhe uma dimensão humana.

 

Esta é a principal qualidade do romance: a transformação das figuras históricas que todos conhecemos em pessoas, que até se assemelham a nós em certos momentos. Mais do que um rei, D.Dinis era um homem que além do governo da nação também tinha que se debater com problemas comuns…Assim, mais do que factos impessoais a autora dá especial destaque à esfera privada de D.Dinis: a relação conturbada com Isabel, tão ascética e tão pouco dada aos prazeres da vida, a relação com o irmão sempre a cobiçar-lhe o trono…Uma verdadeira trama familiar descrita com grande sensibilidade. Alguns trechos são particularmente comoventes, por exemplo, o encontro de D.Dinis, ainda criança, com o seu avô Afonso X em Toledo ou a chegada de Isabel a Trancoso com apenas doze anos, mas de cabeça erguida “como se passeasse todos os dias pelo Castelo de Trancoso”.

 

Isabel desce também um pouco do pedestal de Santa é retratada como uma mulher que apesar de tentar suportar tudo com penitência também sente ciúmes e se enfurece, especialmente quando vê que o filho não recebe aquilo que lhe devido…Como qualquer mãe. Muito interessante a recriação do milagre das rosas: em frente a um grupo de mendigos Isabel pede que lhe cheguem o cesto do pão, mas por engano alguém lhe dá um cesto com rosas. Talvez mais credível que D. Dinis se ter postado em frente à rainha com um ar temível perguntando o que levava ela no regaço. O facto é que não existem bons e maus, como acontece na historiografia em que tudo parece muito linear (basta ver que na nossa história temos as rainhas “boas” e as rainhas “más”, por exemplo). Neste romance temos pessoas com várias facetas que enfrentam situações mais ou menos tensas. Temos personagens com profundidade e perceber isto torna a leitura muito agradável. Isto não quer dizer que a autora descure os factos, pelo contrário…Há bastantes pormenores históricos para serem assimilados, sobretudo no que toca à política. No entanto, a leitura nunca se torna maçuda. A autora consegue intercalar bem os momentos de decisão política com os momentos de foro mais pessoal. Da mesma forma há uma perfeita intercalação das várias facetas de D. Dinis: o lado de estratega com o lado boémio…As certezas com as dúvidas. Todos estes pormenores se tornam necessários para perceber o contexto em que o rei se move…Como tentar entender uma personagem se não se conhecer o contexto em que esta se insere? Assim, além de um retrato humano, Cristina Torrão fornece também um retrato de época marcado por guerras, tratados que se quebram e voltam a fazer, caminhos diplomáticos tortuosos.

 

Em suma, trata-se de um romance histórico onde o lado humano é o mais valorizado e por isso nos prende às suas páginas. Não estamos perante figuras distantes que sintam coisas que nos sejam desconhecidas. Estamos perante invejas, pequenos e grandes ódios, amores, traições…E quem não tem uma família que não dê dores de cabeça, nem que seja por uma vez? É realmente gratificante ler num romance sobre a nossa história, tão rica em toda a espécie de episódios dos trágicos aos caricatos. Em especial quando se trata de um romance de grande qualidade como este.

 

Inspira-me: Um desporto olímpico que goste de ver pela TV

Gosto de ver as provas de ginástica. Ainda ontem estive a ver os saltos na trave e fiquei boquiaberta...Como é que é possível elas darem três piruetas e aterrarem direitas em cima daquela barra tão estreita? Quando andava na escola eu tinha um medo terrível desta trave, por causa do meu medo das alturas e da minha total falta de equilíbrio...Achava que a qualquer momento podia cair dali de cima, bater com a cabeça algures e morrer. Talvez por isso não me deixo de surpreender com a leveza destas atletas e forma como elas fazem parecer tudo tão simples...Embora saibamos que são precisas muitas horas de treino e de sacrifício. No Domingo consegui ver a prova de saltos no cavalo, que acho que nunca tinha assistido. Não consegui foi ver a prova de ginástica rítmica que é aquela que é executada no chão com fitas e arcos...É lindíssimo! 

 

 (Jordyn Wieber)

 

(Catalina Ponor)

 

(a portuguesa Zoi Lima)

 

(Alexandra Piscupesc)

 

Primeira foto tirada do site uol olimpiadas 2012; segunda e quarta deste blog e terceira do site da RTP

Jogos Olímpicos e a mentalidade tuga

Hoje nas notícias ouvi Mário Santos, chefe da Missão de Portugal aos Jogos Olímpico, dizer que o nosso país tem "pouca cultura desportiva" e "que se exige medalhas sem consciência do que é o alto rendimento e uma participação a este nível". Acho que este assunto merece um pouco de reflexão, pois infelizmente é algo que parece intrínseco à mentalidade portuguesa. Trocado por miúdos: a mentalidade de que quando as coisas correm bem é tudo fantástico, mas quando correm mal é tudo uma treta, cambada de malandros. Então quando chega os Jogos Olímpicos parece que o pessoal fica obcecado com as medalhas e qualquer coisa que não corresponda a isso, lá está, é uma treta.

 

Chamam-me o que quiserem, mas eu acho que não são só as medalhas que contam, mas conseguir superar os seus próprios records e as suas próprias metas, sejam chegar a uma medalha ou não. É preciso ter alguma noção das coisas: quando se está sentado no sofá é tudo muito fácil, aliás no sofá da sala todos nós somos políticos, economistas e atletas medalhados. A minha mãe, por exemplo, resolve todos os problemas do mundo há hora do jantar...Mas é realidade é bem diferente. E é esta: não estamos lá, não sabemos o esforço que estes atletas tiveram que fazer para estar na competição, nem os anos que tiveram de treinar quando seria mais fácil estar com a família ou passear ao Domingo. E temos de convir: o desporto que a maioria das pessoas faz é correr para apanhar o comboio e olha lá...Eu sou uma nulidade em qualquer desporto. Demorei dois anos a aprender a nadar e mesmo assim quando tento nadar "à sapo" (não sei o termo certo) afundo-me. Não seriamos todos mais felizes se não nos puséssemos a mandar bitates sobre coisas que não conhecemos?

 

Por falar nisso, alguém sabe o nome de pelo menos alguns atletas da comitiva portuguesa? Não devem ter uma vida tão interessante como certas pessoas sobre quem se gosta muito ler nas revistas no comboio depois de se ter corrido para o apanhar, não esquecer que antes de apanhar o dito é preciso passar o bilhetinho, e agora onde que o raio do bilhete se meteu...É quase uma corrida de obstáculos. Mas fala-se e insulta-se pessoas da qual nem se sabe o nome. Não dúvido que quando passava a notícia da derrota de Portugal pela Coreia do Sul no Ténis de Mesa não deve ter faltado quem achasse que devíamos ter ganho e blá blá, com se termos aos quartos já não fosse bom. Claro que mais seria melhor, mas foi onde chegaram e acho que é um motivo de orgulho. Não nos podemos esquecer também que não existem só os Jogos Olímpicos, mas também europeus e afins onde a participação portuguesa brilha...Ainda que estas competições não tenham tanta projecção. 

 

Mas, assim são as mentalidades neste jardim à beira mar plantado...

Uma curta para abrir o mês

Uma das coisas que eu gosto de fazer no Youtube, além de procurar músicas, é procurar anúncios publicitários originais e curtas-metragens. De vez em quando também procuro filmes, mas dá demasiado trabalho andar à procura das várias partes e depois descubro que passa da parte um para a quatro..aff. Quando encontro alguma coisa que me agrada especialmente guardo o endereço...Então porque não postar aqui?

 

Pois bem, aqui está uma das minhas curtas preferidas: Nought de Jonathan Beamish. É um bocado surrealista... 

 

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