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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Há gente troll em todo o lado

A minha faculdade é o sítio ideal para gente com dificuldade em orientar-se. Só tem seis pisos: o -2, onde está a biblioteca e os estúdios, o - 1, onde é o bar, o 0 onde é a recepção, o 1 e o 2 onde são salas e 3 que é onde está o refeitório...é só isto, logo é difícil alguém perder-se. Só que hoje um anormal qualquer decidiu trocar a placa de sinalização dos pisos...onde dizia piso 1 era na verdade o piso 2 e vice-versa. Claro que isto provocou algum pânico especialmente para quem estava atrasado (era o meu caso -_-). Mas qual será a graça disto?? Ainda por cima outro anormal (se calhar o mesmo) arrancou o botão do elevador que permite manter as portas abertas....Ainda ficamos sem elevador de vez. A sério gente:

 

 

Jack Skellington {#emotions_dlg.heart}

As coisas que eu vejo no comboio

 

Há cerca de 3 anos que ando regularmente de comboio. No inicio achava secante e só agredecia não ter de apanhar dois transportes ou mais. Mas depois foram acontecendo coisas bizarras: pedradas nas janelas, velhinhos bêbados, pessoas à luta...Sabe-se lá o que pode acontecer num dia que parece absolutamente normal. Isto das pessoas à batatada é verídico: na semana passada uma senhora ia sair com um carrinho de bebé do elevador da estação (que é apertadinho) e apareceu uma velhota que se queria enfiar no elevador à força. A outra disse-lhe para esperar e a velhota em resposta mando-a para aquela parte e entrou no elevador. Já lá dentro a mãe da criança deve-lhe ter ido qualquer coisa só sei que oiço a velha a chamar puta à outra em alto e bom som. Vai daí a gaja levanta a mão e dá um estalo na cara da velha. A seguir foi o caos: gente aglomerada à volta do elevador, um tipo a tentar puxar a outra para fora e a velha a gritar que a estavam a tentar matar...E eu tipo wtf?? Mas não se vêem só cenas tristes...Um dia às nove da manhã apanhei o comboio para o Rossio que claro ia cheio como aliás vai sempre sejam oito da manhã ou da noite e encostei-me à lateral para ser mais fácil sair (eu sou previdente...). Quando olho para frente e vejo um miúdo de uns nove anos sentado em cima da mochila a ler...O meu primeiro pensamento foi: um miúdo a ler!!! Segundo pensamento: e está a ler o Principezinho!! (era efectivamente um edição tipo grande do Principezinho). Terceiro pensamento: e está a ler concentrado num comboio cheio de gente! Foi bonito de se ver. Também já vi um senhora a jogar Game Boy...há anos que não via uma coisa dessas. As pessoas fazem um sem número de coisas num comboio para matar o tempo: lêem (livros em papel e digital), namoram (por vezes de forma bastante descarada); fazem sopa de letras, dormem, conversam ao telemóvel aos berros, fazem croché...jogar Game Boy nunca tinha visto...já não me sinto tão mal por livros em papel. Em termos de originalidade, a seguir a esta vem a rapariga com vinte e poucos anos que estava a bordar...a sério gente pensava que só as senhoras acima dos 50 bordavam. E em terceiro a gótica que estava a desenhar...Eu topo sempre que entra alguém diferente do comum. As pessoas tendem a parecer-se demasiado infelizmente...Pessoas: tornando o meu dia sempre um pouco mais bizarro.

Daisy Miller

 

Daisy Miller de Henry James

Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 104
Editor: Europa-América
Preço: 6,55€ 
 

Frederick Winterbourne é um americano radicado à vários anos em Genebra. Um dia decide ir visitar a sua tia que esta hospedada num hotel em Vevey. Aí conhece Anne Miller (conhecida por Daisy) que está hospedada  no hotel com a mãe e com o seu irrequieto irmão mais novo e que também é americana. Winterbourne fica fascinado com a beleza e com modos da jovem: Daisy não cora nem tem os traços de timidez característicos das raparigas europeias. Este fascínio leva-o a seguir Daisy até Roma onde a descobre a passear despudoradamente pela rua com um cavalheiro...Este "atrevimento" precipitará a acção final. Daisy é uma heroína sem causa: viola as regras de conduta da sociedade, sem no entanto parecer ter consciência disso. Não pisa o risco para chocar os outros, mas porque é a sua inclinação natural.

 

Este comportamento fascina Winterbourne que tenta ao longo de toda a história arranjar um rótulo para a jovem. Será ela tão inocente como aparenta? Ou será uma mundana dissimulada? Por oposição a Daisy, Winterbourne é rígido e não consegue demarcar-se da opinião dos outros. Uma das características mais fascinantes deste pequeno romance é que atrás de um enredo e de uma linguagem muito simples está todo um jogo de sentido. Os diálogos que as duas personagens trocam parecem fúteis, mas há sempre qualquer coisa de sublimar...numa mensagem que não é dita explicitamente. Daisy parece estar sempre a tentar puxar Winterbourne para fora da sua rigidez, sendo mesmo atrevida ("Sempre tive muita vida social com cavalheiros", diz ela na primeira conversa que travam). A mensagem porém não é compreendida, senão tarde demais – "Enviou-me uma mensagem (...) que eu, na altura não compreendi(...)", dirá Winterbourne no final.

 

Daisy queria ser amada, mas de uma maneira livre como ela própria era. Quando Daisy pergunta a Winterbourne se acreditou quando ela lhe disse que estava noiva, está na verdade a dar-lhe uma oportunidade. A resposta de Winterbourne está também imbuída de um sentido – "Acredito que faz pouca diferença se esta noiva ou não". Para Daisy é um sinal que ele não aceita o seu modo de ser. Podiam simplesmente ser directos um com o outro...Mas assim são as relações entre os humanos. Cheias de sentidos ocultos.

 

Outra característica do romance é que não fornece pontos de apoio para o leitor. Daisy é apresentado ao ritmo das divagações de Winterbourne, sendo que também nunca se fica a saber muito sobre o próprio. São ambíguas tanto as personagens como os diálogos. As diferenças entre americanos e europeus são uma constante. Winterbourne começa por atribuir os atrevimentos de Daisy ao facto de ser americana o que o leva em Roma a perguntar a um americano o que acha do comportamento da compatriota. Como se sabe as americanas eram sempre vistas como sendo mais livres e até mais promíscuas que as mulheres europeias. Anne é como uma flor que floresce entre a neve impiedosa do Inverno (os nomes das personagens não terão sido escolhidos ao acaso). Mas as flores rapidamente murcham e desaparecem...Um romance breve, mas belíssimo.

 

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