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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Inspira-me: coisas boas que não pagam imposto

 

Hoje estou um bocado deprimida, por isso esta sugestão do Sapo veio mesmo a calhar. Segue uma listinha de coisas boas que não custam dinheiro:

 

- ficar de manhã na cama, especialmente no Inverno

 

- não ter aquela aula maçante

 

- chegar a casa depois de um dia inteiro de aulas

 

- passear à beira mar

 

- ligar a rádio e estar a dar daquela música

 

- pessoas sorridentes

 

- abraços

 

- sonhar

 

- ficar sozinho em casa para se poder cantar e dançar à vontade

 

- estar no aeroporto à espera de alguém e ver essa a pessoa a chegar

 

- ir a biblioteca folhear livros

 

- ir à janela ver amanhecer

 

- passar àquela cadeira tramada

 

- receber elogios

Ada ou Ardor

 

Ada ou Ardor de Vladimir Nabokov

Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 662
Editor: Teorema
Preço: 32,86€
 

Escrito em 1969 Ada ou Ardor é considerado o romance mais complexo de Nabokov, autor do célebre Lolita. Um misto de romance com ficção científica com paródia, que se lê como se de um jogo se tratasse. O autor vai semeado pistas ao longo do texto que cabe ao leitor encontrar. Nada é o que parece e qualquer momento podemos tropeçar...A acção centra-se em Van e Ada, dois jovens provenientes de uma família aristocrática russa, que se apaixonam para toda a vida. Ao longo dos capítulos vamos acompanhando as desventuras deste amor: traições, separações e reencontros. A história começa no Verão de 1884 quando Van então com catorze anos vem passar as férias a Ardis Hall, a propriedade da sua tia Marina.  Ai Van conhece a sua prima Ada com doze anos, que é na verdade sua irmã. O facto não os impede se entregarem despudoradamente um ao outro....Se forem muito puristas é melhor escolherem outra leitura.

 

A sua obsessão acaba por arrastar tudo à frente, incluindo a irmã de Ada, Lucette que terá o mesmo destino da Ophelia de Shakespeare. Um vórtice de dependência que os faz convergir sempre um para outro, apesar das longas separações e das infidelidades. A partir deste centro de acção surgem muitas outras histórias: Nabokov fala do scrabble, das borboletas, das diferentes espécies de orquideas…E do tempo. Ao longo de toda narrativa desenvolve-se o conceito de tempo e espaço. Van, o narrador, dedica os últimos capítulos precisamente à textura do tempo (“O passado é, portanto, uma constante acumulação de imagens”). De referir que a história se desenrola na Antiterra, um planeta onde a Rússia e os Estados Unidos estão ligados e onde os acontecimentos Históricos são uma versão alternativa dos da Terra. Apesar de se estar no século dezanove já existem carros e aviões, mas não existem telefones.

 

A estrutura do romance não é linear. A história é contada por Van já idoso, mas outras vezes é contada em terceira pessoa e há ainda intervenções de Ada. Esta mistura de vozes acontece com frequência no mesmo parágrafo. Também é frequente a história avançar e retroceder, “obrigando” o leitor a folhear os capítulos anteriores e a prestar bastante atenção aos pormenores. Há inúmeras referências a outros autores no texto: Maupassant; Shakespeare, Tchekov, Turgueniev, Tolstoi (o livro começa com a frase de abertura de Anna Karenina, mas invertida), além de referência a figuras como Toulouse-Lautrec e Freud (que Nabokov detestava) e até Vasco da Gama. A maior parte destas alusões estão escondidas sob a forma de trocadilhos ou anagramas (Borges passa para Osberg por exemplo). De facto, não faltam jogos de palavras que tornam o texto muitíssimo rico, além de vocábulos inventados pelo próprio autor. Nota positiva para o tradutor que verteu para a língua lusa as partes em francês (o livro foi escrito originalmente em inglês mas tem partes em francês e russo) e a explicação de alguns trocadilhos. O texto é de facto intrincado e denso, recheado de ironia e com descrições belíssimas. Em suma, trata-se de uma leitura portentosa que exige concentração e paciência, mas sem dúvida que vale a pena.

 

Tristes notícias matinais

 

A ilação que tiro daqui: quem lê continua a faze-lo. Alguns têm a sorte de continuar a ler como faziam antes da crise. Outros lêem menos, mas continuam a ler de qualquer forma. De facto, existem diversas alternativas aos preços absurdos das grandes cadeias de livrarias: comprar em segunda mão, requisitar na biblioteca (its free!), aproveitar promoções de 50% (os supermercados costumam fazer), trocar com outras pessoas (a titulo individual e\ou estando registado num site como o bookMooch). Não é tão fácil como ir a uma livraria comprar e levar, dá um pouco trabalho andar à procura do melhor preço, comparar e tal...Portanto eu acho que as pessoas que gostam de ler não vão deixar de faze-lo, mesmo que sejam obrigadas a ler menos. Agora quem não gosta de ler, nem que este país vivesse na maior fartura. Não posso deixar de ter certa pena daquelas 348 pessoas...Cada um têm os seus gostos, mas mesmo assim:

 

 

Imagem tirada daqui

Mais sugestões para poupar em livros neste post da Fernanda

Inspira-me: Viajar no tempo

 

 

O inspira-me sugere um evento da história portuguesa a que gostasse de assistir, mas já que podemos ligar a máquina do tempo eu aproveito e faço um périplo:

 

Começava por viajar para a época dos descobrimentos. Gostava de estar nos portos a ver as mercadorias: as especiarias, as sedas, o açúcar...e provar os prato com estes condimentos, pois como era moda na altura os mais abastados mandavam encher os pratos com tudo e mais alguma coisa. Actualmente, o açúcar é a coisa mais corriqueira, mas na altura era uma preciosidade. Nos barcos é que não ia...ainda morria de escorbuto. Depois dava um pulinho para ver a construção do Convento de Mafra, pode ser que dê-se de caras com a Blimunda e o seu maneta.  Novo salto para ir ao terreiro do paço ver o regicídio...depois de muitos e muitos séculos de monarquia deu na veneta àquele pessoal fazer tombar o rei ali mesmo em pleno terreiro. Salto o Salazar à frente e passo directamente para o 25 de Abril, com cuidado para não levar um tiro da PIDE (DGS nessa altura). E depois voltava antes que as coisas começarem a ficar quentes outra vez.

 

Se houvesse oportunidade de fazer um périplo internacional gostava de dar um salto à biblioteca de Alexandria, de ver a electricidade a chegar a Paris pela primeira vez, e de assistir aos principias acontecimentos do século vinte que é das épocas que eu acho mais interessante.

 

Muitas coisas para ver {#emotions_dlg.dork}

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