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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

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"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

45 days book challenge - dia 39

Dia 39 – Livro que custou a ler

 

 

Neste livro Truman Capote descreve um crime brutal ocorrido em Holcomb, no Kansas. No dia 15 de Novembro de 1959 Perry Edward e Richard Hickock entraram na quinta de um fazendeiro local e assassinaram todos os ocupantes: o próprio fazendeiro Herbert clutter, a sua mulher e os seus dois filhos adolescentes. Meses depois os dois criminosos são descobertos e condenados à forca. Capote recolheu testemunhos dos vizinhos, da policia e entrevistou também os autores do crime, tendo assistido ao seu enforcamento. Gostei do livro, mas fiquei agoniada em algumas partes.

 

Flores na Tempestade

 

 Flores na Tempestade de Laura Kinsale

Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 560
Editor:O Arco de Diana
Preço: 5 €
 

Christian é um duque inglês genial para a matemática, mas que leva uma vida devassa. Maddy é uma mulher de 30 anos que vive modestamente com o seu pai cego. A vida destas duas personagens tão diferentes cruza-se devido a um trágico acidente: durante um duelo o duque é gravemente ferido e entra em coma. Quando acorda é incapaz de falar e a família considerando que perdeu a razão interna-o num hospício. Pouco depois Maddy vai a esse hospício procurar emprego e fica chocada por encontrar lá o duque. Decide então ajuda-lo, qual missão. O que ela não sabia é que essa missão se tornaria superior às suas forças...Trata-se assim de um romance histórico com elevadas doses de romantismo. Digamos que é uma espécie de chick lit, mas passado no século XIX. Há alguns pontos positivos a destacar. O primeiro é que a autora conseguiu evitar o cliché "personagem masculino salva personagem feminina frágil e indefesa", aliás Christian é bastante dependente de Maddy embora também a manipule.

 

A parte do hospício é  interessante pela forma como a autora trata o sofrimento do duque, acorrentado como um animal. Este foque na revolta interior de Christian e nas dúvidas existências de Maddy contribui para uma maior profundidade quer da história quer das personagens. Certos pormenores históricos são também interessantes, por exemplo, o facto de de Maddy pertencer à sociedade dos Amigos que ainda existe hoje em dia. Esta sociedade é uma divisão da igreja protestante fundada no século XVIII em Inglaterra. Os seus membros regem-se pela simplicidade em todos os momentos da vida. Maddy vive em permanente indecisão entre seguir o duque cuja excentricidade e extravagância a chocam ou seguir os ensinamentos da Sociedade. A história acaba por se arrastar demasiado com situações desnecessárias.

 

O comportamento casmurro das personagens torna-se irritante, especialmente porque a dada altura se percebe logo como vai acabar. Em alguns momentos Maddy faz lembrar Jane Eyre pela forma como defende as suas convicções. É uma mulher pobre e pouco bonita, mas com um espírito lutador. No entanto as suas indecisões não são justificáveis já quase no final do livro...e sempre se poupava papel. Em termos de escrita é um livro banal, mas para ler debaixo da manta com uma chávena de chocolate quente serve perfeitamente!

 

Fahrenheit 451

 
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 196
Editor:Europa-América
Preço: 17,91 €
 

Neste livro Ray Bradbury apresenta uma sociedade indiferente onde o pensamento é controlado pelo governo e onde a cultura foi destruída. Ler e possuir livros é crime e quem for apanhado é preso e os livros queimados (451 é a temperatura a que o papel queima). Aqui os bombeiros ateiam fogos em vez de os apagar. É uma sociedade completamente desumanizada onde as pessoas se matam sem razão alguma e atropelam animais por prazer. As relações foram substituídas pela televisão que funciona como família. Todos os cursos de filosofia e literatura foram fechados para evitar que as pessoas desenvolvessem capacidade crítica. E no meio disto tudo existe Montag, um bombeiro que durante dez anos exerceu a sua profissão sem nunca se questionar. Um dia conhece Clarisse uma rapariga de dezassete anos que presta atenção às flores e ao orvalho da manhã. O comportamento louco de Clarisse começa a semear dúvidas na cabeça de Montag levando-o a rebelar-se.

 

A actualidade desta história é arrepiante. Corremos cada vez mais depressa: casa, trabalho, casa...não andamos a 300 à hora como as personagens do livro porque não é permitido, mas quem tem tempo para apreciar um céu azul quando sai de casa? As relações transferiram-se para o mundo virtual, para as redes sociais que ironicamente não nos tornam mais sociáveis. Todos dias tiram-nos um pouco daquilo que nos torna humanos...que seremos então senão robots sem opinião? Quanto à cultura basta ver, por exemplo, a importância que tem no nosso país onde já nem sequer há um ministério e os teatros tem de cancelar espectáculos por falta de dinheiro. Da mesma forma é sabido que os cursos de humanidade têm vindo a perder alunos, porque simplesmente não são considerados importantes e porque ter um espirito crítico é algo incómodo. Os governos naturalmente não querem pessoas que saibam pensar, mas que engulam tudo o que é dado. Fahrenheit 451 é um livro de fantasmas, porque as personagens  estão mortas, mesmo respirando.

 

Quando Montag se apercebe disto é perseguido e banido. É um livro duro e a escrita do autor não ajuda tornando tudo ainda mais absurdo. São incríveis as cenas em que Mildred (a mulher de Montag) está em frente aos ecrãs (eles tinham três ecrãs na sala) a dialogar com as personagens como se elas fossem reais. Quando a casa arde esta "família" é a única coisa que ela tem pena de deixar para trás...Não esperem portanto uma leitura fácil, mas sim uma leitura incómoda que nos leva a reflectir sobre os tempos em que vivemos.

 

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