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Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Desabafos Agridoces

"Enfim, bonito e estranho, desconfio que bonito porque estranho"

Simplicidade nos Livros

Os leitores costumam ter um fraco por livros gordinhos, com várias personagens e reviravoltas do enredo. Mas devíamos apreciar os que não têm nenhuma destas características. Livros pequenos: é espantosa a quantidade de livros incríveis que não passam das duzentas ou cem páginas. Os contos: um género mal amado. Ao contrário da crença geral penso que escrever contos é mais difícil do que escrever histórias longas. Exige mais precisão, contenção e maturidade. Muitos leitores dizem que não gostam de ler contos porque ficam sempre com a sensação de que faltou mais. De incompleto. Mas um conto quando é realmente bom basta-se a si mesmo. Kate Chopin tem um conto chamado The Story of an Hour que nem chega a três páginas. Curto, mas passa a mensagem sem precisar sequer de mais uma linha. O The Yellow Wallpaper da Perkins Gilman. Ou o Nariz do Gogol. A Katherine Mansfield e a Alice Munro. Oh! e a Sophia. Da mesma forma que há livros pequenos incríveis, também há até mesmo obras primas cujos fios narrativos partem de detalhes corriqueiros, que não mudam de cenário ou que têm muito poucas personagens. A Paixão Segundo H.G da Clarice é um exemplo. Tão denso e maravilhoso, só tem duas entidades - uma mulher e uma barata e começa banalmente com a mulher sentada à mesa do café. Alguns autores conseguem escrever histórias até a partir de uma personagem sentada numa cadeira no meio de uma sala vazia e é um privilégio lê-los (e mesmo quando nos obrigam a olhar para recantos escuros cá dentro)

Mais uma prova...

...em como sou desajustada: pessoas fascinadas com a mais recente tecnologia e eu aqui sentada a derivar contentamento de já ter ocupado mais de metade do caderno onde registo o que leio - estar prestes a acabar um caderno tem um significado: ir comprar um novo! [que infelizmente não será da Wonder-Woman pois na loja onde fui não tinham outros modelos...] Também derivo contentamento de estar quase a acabar outra caneta Bic. Tenho umas vinte entradas em atraso e ando a tentar por isso em dia, não sou muito expedita porque acontece ocupar cinco páginas ou mais a falar do mesmo livro. Não passo tempo livre de Verão a ver vídeos de animais bebés fofos e a escrever...

Coisas Várias

1. Realmente tenho gostado de ler ao ar livre e do vento fresco. Também é bom se estiverem a ler coisas tristes, podem dizer que apenas vos entrou um cisco para o olho. Já estou a acabar o livro. Não quero que subam as temperaturas

2. Aqueles artigos sobre como aproveitar e decorar estantes - cheios de cores e vasos com design, mas sem livros. Ou com livros só para decorar espalhados organicamente pelas prateleiras

 

3. Numa cena de uma novela uma rapariga disse - eu mereci o estalo que me dês-te. Virei costas e fugi a correr

 

4. Agora tenho uma caixinha para os medicamentos com os dias da semana como têm os velhinhos. É o princípio do fim.

 

5. Ando viciada em vídeos de preguiças bebés. A mamar num biberão, a bocejar, agarradas a ursos de pelúcia. É muita fofura este bicho

Livros e Ar Livre

43.JPG

 

Têm sido dias difíceis para esta que vos escreve por isso aqui fica uma foto dos meus dois livros novos, de um já tinha falado aqui. Tive que encomendar porque não havia na loja. A secção de História nessa loja só ocupava umas três prateleiras, o que achei inadmissível. Novo Mundo é da editora Sibila, tem uma bela capa e é mais uma autora portuguesa - que já li antes, Quatro Novelas que tirei do site Adamastor. O que está no telemóvel é o We Were Young and at War: The First-Hand Story of Young Lives Lived and Lost in World War II, também já mencionado aqui antes penso eu. Tenho lido no meu pátio aproveitando o ventinho deitada de barriga para cima. Foi conselho médico.

Se as vaginas pudessem falar

You cannot love a vagina unless you love hair

 

Quando comecei a ler o Monólogos da Vagina fiquei logo cativada com esta frase que aparece no início. Há muito tempo que procurava alguém capaz de prenunciar tão taxativamente esta verdade. A ideia de ter de arrancar qualquer pelinho faz-me estremecer. Não desejo submeter mais nenhuma parte do meu corpo a esses métodos de tortura. Sou a favor de vaginas livres. Normalmente aplicamos o termo livre em sentido psicológico e social de nos libertarmos da repressão e da vergonha, mas não é só. Vaginas devem ter liberdade em todos sentidos. Livres de tortura disfarçada de limpeza, de coisas que apertem ou arranhem, de produtos químicos feitos para as porem a cheirar a pêssegos no Verão. É uma vagina, não um pomar na Tuscania. Querem pomares na Tuscania apanhem um avião. 

 

My vagina doesn’t need to be cleaned up. It smells good already. Not like rose petals. Don’t try to decorate. Don’t believe him when he tells you it smells like rose petals when it’s supposed to smell like pussy. That’s what they’re doing—trying to clean it up, make it smell like bathroom spray or a garden. All those douche sprays—floral, berry, rain. I don’t want my pussy to smell like rain

 

A lista de métodos de tortura para as mulheres é infindável, quando para os homens nem existe tal lista e é irónico que tantas mulheres se submetam a isto apenas porque o seu companheiro quer, porque é mais atraente para ele. Qualquer tipo que ache que pode arranjar o vosso corpo como se vocês fossem um lego não merece o vosso tempo, e também não merece nenhum que queira enfiar-se dentro de vocês mas fique enojado por ver um livro sobre vaginas na mesa-de-cabeceira ou por ter de ir comprar um pacote de pensos.

.

All this shit they’re constantly trying to shove up us, clean us up—stuff us up, make it go away. Well, my vagina’s not going away.

 

O conceito de ser feminino ainda está associado a coisas como ser pura, limpa e agradável (é por isso que estes conceitos de feminilidade e masculinidade deviam já ter desaparecido) em padrões de tal maneira elevados que nenhuma mulher os consegue atingir pois implicam deixarmos de ser humanas. Talvez todas gostássemos de parecer personagens de filme todas sensuais enquanto repousamos na cama sob temperaturas de 45 graus, quando o mais certo é estarmos inertes e suadas que nem um leitão, com as pernas em posições esquisitas. Quem produz a maior parte dos conteúdos não acha isso atractivo. Preferem colocar-nos no duche cheias de espuma sugestiva e ignorar as pingas de sangue no chão da banheira. 

 

Ver homens enojados com isto é assustador: em que mundo vivem? Que espécie de relações irão construir? Já é mau que eles tomem por certo que vão encontrar uma mulher limpa que sirva os seus propósitos, mas todo o ambiente à volta lhes diz que isso é algo que devem exigir. Só que não, porque a verdade é esta: quem não ama a vagina e não está para a tratar como ela merece ser tratada, devia brincar sozinho. 

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