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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Os meus livros detestáveis

Tenho um lugar especial no coração para os livros que achei detestáveis. Não são aqueles livros que simplesmente achei aborrecidos ou assim-assim, são os que vão para lá disso...Livros como Rebecca, considerado um clássico da literatura gótica, a obra mais memorável de Du Maurier, adaptada para o ecrã por Hitchcock. Acabei-o no fim-de-semana: a história é um dramalhão digo de uma telenovela com reminiscências ao Otelo [outro livro detestável] e com muito pouco de gótico. As personagens são horríveis, pouco desenvolvidas e estão sempre as repetir as mesmas coisas. Além de tedioso, a coisa toda é bastante patriarcal. Estes dois estão arrumados neste espacinho junto com O Amante de Lady Chatterley e o A Leste do Paraíso. Leitora sofre. 

Beijos de Língua

Há pessoal que tem relutância em ler em inglês nunca percebi porquê. Eu não costumava ler livros sem ser em português, mas ganhei esse hábito depois da faculdade. Uma das desvantagens em relação à escola é que na faculdade não se consegue fugir do que não se gosta, não importa que chutem isso para o último ano. E não dava para fugir dos textos em inglês. Também havia em espanhol e em francês. Felizmente nunca tivemos de ler nada em sumério. A dada altura passei a ter umas cinco horas por semana de inglês...Bons tempos, mas acabaram e achei que devia fazer qualquer coisa para não enferrujar. Não escolho livros muito grandes ou complexos. O ultimo que li foi a Coraline. Ler um livro no original tem as suas vantagens - não ter de lidar com a tradução, o que parecendo que não às vezes afecta. É difícil imaginar Saramago noutra língua ou como deve ser ler o Murakami no original e não numa edição passada para inglês e depois para português. E em geral é mais barato. A minha edição do Frankenstein custou um euro numa banca de rua. Ainda se percebe menos quem diz que não consegue ler em português do Brasil. Vejamos: quero muito ler certo livro. Certo livro só está disponível em pt-br. leio. E pronto. Só parece esquisito um pouco ao início e dúvidas numa expressão podem ser resolvidas com o google. Isto significa que a vida da pessoa nunca se vai cruzar com o Assis? As moquecas da dona Flor. A Clarice. É uma pena. Foi num livro do Agualusa que descobri a expressão fazer casa no cangote de alguém. Achei linda. O Camilo usava palavras como opróbrio e panegírico. As personagens do Mia Couto às vezes afastam-se crepusculadas...

Mas são caros, Senhor...

Vamos lá ver: uma coisa é os livros serem caros. Outra é não se ler por causa disso. Vejo muitas vezes esta última frase e acho que há aqui alguma confusão. É claro que são caros - séries de cinco volumes divididas em dez ou coisas acima dos 25 euros é deprimente. Mas a verdade é que se consegue continuar a ler mesmo com estes preços. Podemos comprar em promoções, ir à FL e aproveitar a hora H ou escolher entre a variedade de livros que há a menos de 10 euros (e mesmo abaixo de 5), trocar os que já não queremos por novos, requisitar na biblioteca do sítio...Se são as últimas novidades que anda meio mundo a falar? Talvez não. Mas são livros pelo menos. Eu também queria ir à Fnac e comprar: a Guerra e Paz, a Odisseia, O Middlemarch, a colecção toda do Lovecraft...E vocês não me vêem queixar que não posso. Por acaso vêem e com muita frequência, mas adiante...Quando cheguei à conclusão que não era viável estar sempre a comprar livros de 15 euros pensei que ia ser mais difícil.

 

Agora dou por mim a fugir de livros a preços gostosos para os quais pareço ser sempre atraída - já mostrei aqui uns lindos que comprei em Agosto último. Quando fizeram alterações à lei do preço fixo o pessoal panicou como se essa lei já não existisse e fosse fazer com que os livros ficassem mais caros (não notei tal), mas a verdade é que não vamos falecer por não ler aquele livro. Também quem só lê um por ano não se importa se o preço sobe ou desce. Dizer que o preço é o principal ou o único culpado por não se ler é o mesmo que dizer que os miúdos não gostam de ler por causa dos livros obrigatórios: não me parece que o Cesário tenha culpa se miúdos com 16 ou 17 anos nunca leram um livro na vida. Não gostar de ler é um problema basilar da sociedade - há não muitos anos trás tínhamos uma taxa de analfabetismo monstra. Mais que achar aborrecidos, muita gente não vê utilidade nos livros. Se sou talhante ou engenheira...A literatura não serve para nada.

 

Como acham que eles não têm utilidade (Infelizmente a inclinação na sociedade actual é secundarizar as humanidades e as artes), também não se preocupam em adquiri-los (ou em arranjar alternativas para os adquirir) ou em colocá-los à disposição dos rebentos. Não vêem os benefícios que podem ter. Vocês podem dizer que não vão a museus porque são caros. Certo, mas alguns ao Domingo de manhã são grátis. Podemos dissecar o preço dos livros ou se as bibliotecas são bem ou mal geridas...Mas parece que em primeiro lugar temos um problema de mentalidade.

Vintage Reader

Eu devia abrir um blog literário: bastava escrever meia dúzia de posts, arranjar logo um monte de parcerias e depois ficar à espera que chegassem os livros. Uma meia horita para escrever as opiniões (sempre elogiosas e vagas) e está feito um sucesso. Passava a ler o mesmo que toda a gente (sonho) e acabava-se esta coisa de andar a catar livros velhos em sebos. Velhos é uma expressão rude: são vintage...Ah! A leitora não recebe encomendas todos os dias, mas é fina.

 

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