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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Os Fortes e os Fracos...

Recentemente li um livro que dizia o habitual sobre sermos o sexo fraco e assim...O interessante é que as personagens masculinas passavam metade do tempo a fazer bestices: chatearem-se uns com os outros, meterem-se em duelos, serem cruéis por nenhuma razão...Eu sou o sexo fraco, mas o teu personagem é que descarrega mau humor sobre os outros só porque foi contrariado. Um outro livro dizia que as mulheres não são capazes de amizades fortes, mas o narrador é que estava zangado com o amigo há décadas. A ironia nunca se esquece de mandar lembranças...Somos tão condescendentes com as personagens masculinas e tão duros com as femininas: a Anna Karenina é uma irresponsável, a Emma é fútil e enxerida ("Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rica, com uma casa confortável e disposição alegre". Esta descrição mata logo qualquer simpatia não é?), a Dolores [Lolita] é uma putinha; a Becky [Rebecca Sharp] é uma víbora...Por acaso ela é mesmo, mas esta é a questão: temos a mesma ideia sobre um comportamento quer seja praticado por homens ou mulheres?

 

As mulheres são emocionais demais para participar em debates diz o deputado partindo uma cadeira na cabeça de outro. Porque será que há senhores que comparam o casamento com ir para a forca? Nunca na História tipos foram obrigados a casar...Por ser mulher sou naturalmente interesseira? Ora, quem casava com meninas que tivessem o maior dote ou que tivessem a melhor posição social ou quem chegava a dono de fábricas depois de se casar com a filha do anterior ou quem podia usar à vontade o dinheiro que o outro membro do casal ganhava? Eu perguntei ao meu pipi se ele queria carregar todo o peso da maldade humana e ele disse que não. Acho que é por isto que ainda não temos uma Jane Bond - a ideia de uma mulher agir daquele modo é esmagadora para a maioria das pessoas. Os nossos padrões são também elevadíssimos para as mulheres na vida real e nem temos noção do quão nocivo isso é. A ideia de superioridade é perigosa - não só é por causa dela que alguns pensam "posso bater ou abusar desta mulher", mas é por causa dela que outros pensam que podem cometer genocídios, arrasar terras ou queimar gatos vivos...Passamos bem sem estas coisas. 

A Importância de ler Autoras

Como contei num post anterior, há uns tempos li um livro cuja história se passava numa maternidade. Fez-me pensar em algumas coisas: por exemplo, nunca tinha pensando neste tema em particular como sendo interessante ou digno de valer todo um romance de 200 páginas. Não sei se isso se deve às minhas características pessoais, à educação machista que todos recebemos ou por parecer um assunto corriqueiro - afinal nascem crianças todos os dias. Quem quer ler sobre mulheres prestes a dar à luz quando pode ler sobre uma expedição épica nas montanhas ou coisa do género? Comecei a pensar na hierarquia que faz com que algumas coisas sejam consideradas dignas e outras não. E quanto mais lia sobre as angústias daquelas personagens, mais pensava no valor que damos à experiência feminina. Já no final há uma parte que falava da importância das mulheres partilharem estas experiências, algo em que também nunca tinha pensado. Puxa, um tipo pode contar tudo e até partilhar coisas que ninguém pediu para ver. Não há tabus. As opiniões de um homem são sempre mais valorizadas: "Hoje o tema do debate é reprodução feminina. Tenho aqui comigo um advogado, um médico e dois tipos aleatórios que encontrei pelo caminho". Não seria chato se arranjassem jardineiros para debater neurociência?

 

Não faltam histórias no feminino, o problema é mesmo de percepção: a maneira como olhamos para essas histórias e da importância que lhes damos. Recentemente aconteceu-me a mesma coisa com um livro da Alice Munro, O Amor de Uma Boa Mulher. Houve uma cena que me deixou a pensar (quer dizer houve várias, afinal trata-se de Alice), que foi o momento em que uma das personagens mostra o seu velho vestido de noiva a uma rapariga mais nova: pode parecer ridículo, mas nunca tinha pensado na quantidade de sonhos e ilusões contidos nestes pedaços de tecido. Ou analisando o que acontece na maioria do planeta: quantos anos de sonhos destruídos e servidão. Por tudo isto, pelo que obriga a pensar, acho cada vez mais importante ler escritoras com regularidade. 

Coisas lindas que se dizem...

Devia existir uma lei no universo - cada vez que uma figura parental dissesse ao filho para parar de chorar e portar-se como um homem devia levar de imediato com fezes de uma gaivota que comeu demasiado. Ou: estás a portar-te como uma menina ou corres como uma menina ou os meninos não fazem x...Ou aqueles pais extremosos que gritam em pânico aos filhos para saírem da zona das bonecas. Estamos a chegar àquela altura do ano em que todo o tipo de estereótipos de género andam à solta: se não acreditam liguem agora a televisão no Panda. Sejam fortes e aguentem dez minutos. Ou esperem até os folhetos chegarem a vossa casa - sexismo ao domicílio. Corres como uma menina é uma expressão que devia desaparecer. A expressão guerra dos sexos também. Não é giro, é só parvo. 

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