Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Filme: Dunkirk

dunkirk-poster.jpg

 

Com realização e argumento de Christopher Nolan, Dunkirk é a primeira adaptação para o grande ecrã da operação Dínamo: de 26 de Maio a 4 de Junho de 1940 perto de 340 mil soldados, especialmente ingleses, foram salvos das praias de Dunquerque onde tinham sido encurralados pelas tropas alemãs. Exaustos e sem nenhuma saída, nada mais restava a estes homens do que esperar pela morte. Mas o que começou por ser uma desastrosa derrota terminou como um milagre para qual contribuiu a coragem de centenas de civis que usando os seus próprios barcos levaram o máximo de homens que conseguiram até Dover, mesmo debaixo de intenso bombardeamento.


Vamos já tirar isto do caminho: Dunkirk não é um drama de guerra típico. Não tem personagens principais - não sabemos nada sobre estes homens (na verdade, uma boa parte deles não passam de crianças) e nem vamos ficar a saber. Só mesmo o que está à vista: que eles estão muito cansados e que querem muito ir para casa. Nada de conversas do tipo: "este sou eu e este é o meu amigo que conheci não sei onde e agora olhem para esta foto da minha adorável esposa que está em casa à espera". Em vez de se focar na história de b ou c o filme foca-se em dar uma perspectiva mais ampla do acontecido e por isso o enredo também não é linear e não segue uma ordem cronológica. Em vez de uma única perspectiva tem três que se alternam e encaixam - a perspectiva dos civis, dos aviadores que têm de proteger as tropas e das próprias que estão em terra.

 

Também não vamos ficar a saber muito mais sobre como é que eles acabaram naquela situação: quase não há contexto e quase não há diálogos. É cru, directo e tem um tom sombrio que é dado não apenas pelas bombas que caem com frequência, mas pelas próprias expressões daqueles soldados que denunciam logo nas primeiras cenas um intenso sofrimento psicológico, além do físico. Num momento estão a tentar ajudar-se e no outro estão a espezinhar-se que nem bichos. Uma luta pela sobrevivência em condições extremas para a qual o espectador é atirado logo sem nenhuma preparação prévia. O casting é esforçado e convincente ainda que havendo três linhas narrativas e não uma única, o tempo de antena para cada personagem seja um pouco reduzido. E tem de ser dito: depois de tanta gente a panicar porque o Harry ia estragar o filme, afinal ele não está nada mal. 

 

01.png

 

A1.jpg

 

Visualmente é um filme primoroso - os planos da praia e da cidade abandonada dão uma sensação de isolamento e as cenas dentro dos navios ou em fila à espera deles são sufocantes. Ao contrário do que talvez fosse esperado o filme não acaba na altura do resgate mas sim já em Inglaterra - vemos grupos de homens a andar como zombies por uma linha férrea o que é daquelas imagens que não precisa de nenhuma explicação adicional. Há várias assim ao longo do filme. Tende-se a considerar que os custos de um conflito, sejam passados ou presentes, residem apenas no número de mortos passando por alto o efeito que isso tem nos sobreviventes...Como eles se pudessem simplesmente encaixar de novo numa vida normal. O contraste entre as cores verdes e vibrantes dos campos ingleses e as cores das cenas anteriores na praia sempre cinzentas e frias é belo e triste ao mesmo tempo. Gostei bastante e recomendo, especialmente se vocês tiverem um fraco por temas destes.

Sete anos de Desabafos!

Percona-celebrates-its-7th-anniversary.jpg

 

Pois é: este blog fez 7 anos por estes dias. É sinal que ainda não arranjei realmente uma vida, mas ao mesmo tempo estou contente. O meu bebé com um nome não particularmente bom e que foi criado sem nenhuma intenção particularmente definida está a atingir uma idade respeitável...Sem nunca ter sido mandado às urtigas, embora às vezes desse vontade, e sem ter sido transformado num baby blog. Brincadeira. Ainda gosto de escrever aqui. Obrigado: ao Sapo que vai destacando posts, às pessoas que vão passando e lendo, às que entram aqui através de posts antigos, vejo isso às vezes nas estatísticas e tenho medo de clicar para ver que texto é aquele. É como ter um sótão, mas que está aberto a toda a gente. Às que são rudes...Não, a estas não. Mas fazem subir o ego. E especialmente a todas as pessoas que comentam, favoritam e subscrevem - tudo isso significa bastante. Beijos fofos para todos vós

 

Resultado de imagem para happy pug puppy gif

A igualdade não é uma tarte

Em A Vida Secreta das Abelhas Lily que é a personagem principal engraça romanticamente com outra personagem e ele também engraça com ela. Mas como eles são de cores diferentes a coisa torna-se complicada. Ela pensa: puxa, na escola disseram-nos que os negros eram todos feios e burros mas este não é nem uma coisa nem outra e agora o que faço? Enquanto ele pensa: se chegar perto desta rapariga vou acabar morto. Fez-me lembrar daquela situação em que está um grupo de cavalheiros na rua - se eu fosse também um senhor preocupava-me com a possibilidade de me assaltarem. Como não sou tenho de esperar não ser assaltada\não ouvir coisas nojentas\não ser perseguida\não ser violada. Isto acontece desde que temos quê? Uns 11 ou 12 anos? Quanto menos privilegiados somos maior cuidado temos que ter se queremos continuar vivos. Claro que por crescermos e vivermos numa sociedade injusta podemos ser levados a pensar que isto é normal ou que é a maneira correcta de pensar e que temos de defender os nossos privilégios: não quero estas pessoas perto de mim", "não quero ver filmes com elas", "não quero que tenham os mesmos direitos que eu" - e tenho o direito de dizer e fazer tudo o que me apetecer para combater estas ameaças. Algumas pessoas vêem esta questão dos direitos como uma tarte: se estas pessoas pegarem uma fatia eu vou ficar com menos. 

  

Sairmos da nossa própria bolha de privilégio, qualquer que ela seja, não é fácil. Há uns tempos falei aqui da iniciativa de uma livraria americana: durante uma semana todos os livros de homens estiveram virados ao contrário de modo que não se visse a lombada. Nos comentários da notícia havia gente zangada. Pessoal que preferiu sentir-se ameaçado em vez de pensar como é sentir que nunca ou quase nunca se é representado ou como deve ser frustrante sentir que nada daquilo do que se diz é levado a sério. "Não percebo porque é que esta gente faz motins contra a polícia" ou "esta gente não devia estar contente por viver num campo de refugiados? Não caiem bombas ali, ah!" - comentários clássicos. Recentemente encontrei este: "não percebo porque há-de ser mais difícil para as mulheres do que para nós viver sem instalações sanitárias!", alguém que ficou indignado ao ver um vídeo sobre mulheres que vivem em zonas remotas da Índia. Comentários destes mostram quão longe se consegue estar de compreender a realidade de um semelhante.

Os meus livros difíceis

Realmente não sou muito de ler coisas ditas levezinhas. Não numa base regular pelo menos. Também não costumo ir ao cinema ver comédias, se o quisesse fazer ligava a televisão ao Domingo à tarde. Não pagava um bilhete que vendo bem não é barato. E escolher o que se vai ver só no momento em que se chega lá é uma prática que repudio. Quando era miúda achava que tinha de ler qualquer livro até ao fim por mais torturante que estivesse a ser. Já me deixei disso, mas ainda me sinto atraída quando pessoas escrevem críticas em que dizem que um livro é dificílimo e aborrecido com dois parágrafos de descrição seguidos - mentalmente coloco-o na minha lista de colossos. O que tenho na estante e achei difícil: a Ada do Nabokov, já mencionado aqui algumas vezes, Conversa na Catedral do Llosa e o Castelo cuja leitura só pegou para aí à terceira tentativa. Mas o que importa é quando o esforço compensa, não trocava nenhum destes três por outra coisa. 

Quem Escreve...

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Avisos

As opiniões sobre livros e afins podem conter spoilers. Comentários agressivos ou insultuosos não serão aprovados. Este blog não adopta o novo acordo ortográfico

Calendário

Agosto 2017

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Sumo que já se bebeu

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

A dona lê

Tem Reclamações a Fazer?

Já visitaram o estaminé

subscrever feeds