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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Feira do Livro 2017: o que trouxe e assim

A FL parece cada vez mais uma espécie de feira da ladra não é? Dá ideia que se pode vender de tudo lá, sem falar no barulho. E nada contra o aumento de sítios para comer, mas não estará a ficar um bocado demais? Só quero ver livros em paz. Ainda assim fiquei com vontade de provar os waffles. O que acabei por provar foi uma cerveja com limão que estavam a dar sei lá onde e que não é grande coisa. Num plot twist inesperado: a de frutos vermelhos é boa. Será que dá para se ficar bêbedo com isso? Eu curtia ficar bêbeda na FL: era a única maneira de aguentar aqueles preços e a escolha musical em certos stands. Mas não é preciso estar nesse estado para se sentir uma tremura no coração quando se olha lá de cima...Puxa, como é bonita esta cidade. Muito calor e muita gente deixou-me grumpy a cair para o sentimental. Vi uma menina bem pequenina que pulou do seu carrinho e disse que queria um livro - e queria escolher sozinha. Crianças nunca têm livros a mais.

 

 

E os adultos também não. Tinha a intenção de comprar só escritoras e até cheguei bem cedo para ver as coisas com olhos de ver...Era o que tinha de fazer, pois elas estavam lá. O processo de escolher foi simples, era só chegar a qualquer banca e: este não, este não, isto será um autor? ok esquece, tu definitivamente não...Reparem: a colecção de clássicos essenciais RTP - o ano passado comprei dois. Títulos muito apetecíveis. Já foram lançados nove. Mas quantas autoras até agora? Zero. Se não se dão ao trabalho de incluir nenhuma, então também não me apetece continuar a comprar a colecção. É um exemplo. Tenho mais autores do que autoras na pilha dos livros por ler e isso é algo a mudar. 

 

 

O Slaughterhouse 5 foi a única excepção porque já o li e queria uma versão em papel - que por acaso estava nova, a um preço muito bom, no meio de outros livros avulsos. Nunca li nenhuma das autoras que trouxe: mal posso esperar por experimentar! Nem consegui arrumá-los assim que cheguei, tive que colocá-los sob a cama e folhear cada um deles. Sou uma booklover, não me julguem. Sniffar livros, abraçá-los, e\ou ficar a apreciar capas e lombadas durante 15 minutos seguidos são comportamentos que deviam ser considerados normais naquele recinto. A Mulher-Casa também estava nos avulsos e os outros três foram em segunda mão. 

 

 

 (Compras na Leya)

Filme: Wonder Woman

 

E cá está: o primeiro grande blockbuster com uma super-heroína em anos, realizado por Patty Jenkins e com Gal Gadot no papel da icónica personagem. Havia muita pressão: seria Gal uma boa escolha para interpretar Diana Prince? Conseguiria este filme salvar-nos do aborrecimento de tantos outros quase exclusivamente masculinos? E salvar a DC de mais um desastre? Diana, princesa de Themyscira, uma ilha unicamente habitada por amazonas, vive protegida do exterior até ao dia em que um aviador chamado Steve Trevor cai ali por acidente. Com ele vêm revelações inquietantes: o mundo está mergulhado na lama da Grande Guerra (1918) e precisa de ajuda. Mas deixar a segurança de Themyscira para o mundo dos homens terá as suas consequências. 

 

Temos visto filmes com todo o tipo de super-heróis dos mais sérios, até aos engraçadinhos passando por horas de explosões e força bruta. Era fácil cair no erro de criar uma heroína unidimensional que se limita a aviar mocada em indivíduos só porque sim. Mas não é assim que Diana é: ela é idealista e tem um grande coração - e nenhum medo de o mostrar. É algo tão refrescante de ver. A dada altura ouvi um tipo, umas filas ao lado, dizer para a rapariga que estava com ele que ela só estava gostar porque o filme tinha uma mulher. Eu pensei: certo, eu também fiquei contente por esse facto, mais há mais do que isso. Este não é um filme sobre quem é o rei do pedaço ou sobre quem é o mais forte. É sobre honestidade. E amor. E é fácil conectar-nos com a personagem porque conseguimos sentir que ela é real. Tem sentimentos reais. Os valores de honra com que ela foi criada no seu mundo parecem não se aplicar no nosso: como é que os humanos salvam com uma mão e matam com a outra? Quem nunca se questionou sobre isto...Ou se sentiu confuso com este mundo. O olhar inocente (e não afectado por convenções) de Diana vai directo ao nosso coração, especialmente quando ela começa a ver tantas pessoas a sofrer à sua volta. Isto não faz dela menos badass. Que belo retrato de uma super-heroína. Inspirador para todos, especialmente nos dias que correm.

 

 

Gal Gadot encaixa-se perfeitamente nas características da personagem: a nível de personalidade e a nível físico. Tão charmosa e os seus movimentos são perfeitos. Em algumas partes dos combates vê-se que ela estava mesmo a sentir a adrenalina da coisa. Não acho que o slow motion prejudique, pelo contrário. Aquela cena na trincheira é a minha favorita e talvez seja mesmo a melhor do filme: ver Diana ir onde nenhum homem teve coragem de ir, debaixo de fogo porque é o que ela sabe estar certo...Puxa. Diana vem de uma cultura que nunca lhe ensinou a duvidar dos seus próprios direitos, e como tal não precisa de pedir desculpa por nada. O Chris Pine também é um cavalheiro muito charmoso e um óptimo suporte para a Gal. A química entre os dois resulta natural e sem partes forçadas. A inocência da nossa protagonista proporciona alguns momentos adoráveis: Steve, porque é que aquelas pessoas andam de mãos dadas? awww
 
Boas personagens secundárias (temos amazonas de várias formas, cores e idades, desde os 20 aos 50, e também uma personagem nativa. Diversidade. Existe neste filme); bom guarda-roupa (da época e os fatos das guerreiras - sim, é possível mostrar o corpo feminino como algo natural e confiante sem objectivá-lo. Plus: não há ângulos de câmara estranhos), fotografia (belo contraste de cores entre os dois mundos) e banda sonora que ajuda a deixar tudo mais épico. O CGI no fim é um pouco overwhelming (de notar que o budget para este filme foi inferior ao que normalmente é atribuído a outros do mesmo género: 149 milhões contra os 250 do Batman v Superman, por exemplo) e os vilões podiam ser melhores explorados. Apesar disso, no final do dia continua ser um sólido pedaço de entretenimento que acerta em muitos aspectos - recomendo é claro. 

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