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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

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A Morte de Ivan Ilitch

 

A Morte de Ivan Ilitch de Lev Tolstoi

Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 96
Editor: Leya
Preço: 5,95€
 

Todos morremos sozinhos. Nunca isto foi tão verdadeiro como no caso de Ivan Ilitch, personagem principal deste romance de Tolstoi escrito em 1886. Nunca o terror do homem perante a morte foi tão real. Ivan Ilitch é um funcionário judicial que viveu toda a vida de acordo com o que a sociedade considerava correcto. O seu ideal era viver regularmente e sem sobressaltos. Casou-se por interesse e teve dois filhos, mas como a vida familiar se revelou muito complicada passou a viver apenas para o seu trabalho e para os seus jogos de cartas. Um dia é promovido e decide comprar uma nova casa passando todo o tempo a decora-la. Porém, ao colocar uns cortinados dá uma queda vindo a morrer na sequência dela mais tarde.

 

Cada linha deste livro é um murro no estômago, um mergulho nas nossas mais profundas inquietações. Quando a história começa ilitch já morreu e as cerimónias fúnebres estão a decorrer. O autor centra-se num dos amigos do defunto que tenta tudo para escapar às cerimónias sem parecer mal. A única preocupação destes "amigos" é o whist...e saber quem vai ocupar o lugar de Ilitch no tribunal. A personagem não tem ninguém que se compadeça da sua dor: nem amigos, nem filhos, nem mulher já que só esta preocupada com a herança. Nos dias que antecedem a morte Ilitch começa a interrogar-se sobre a sua vida. É nas derradeiras horas que se apercebe que esta foi fútil e vazia - "e se eu deixo a vida com o sentimento de ter perdido (...)". Interroga-se também sobre a morte que não consegue compreender nem aceitar...No fundo como nós hoje. A morte continua a ser o grande mistério - "Eu, eu deixarei de existir, mas que haverá então? nada. Mas onde estarei quando deixar de existir? É na verdade a morte? Não, não quero".

 

Ilitch tem apenas dois refúgios: as suas memórias de infância, um tempo de felicidade e Guerassime, um criado que é a única pessoa que dele se compadece pois tem uma personalidade simples e desinteressada. É o único que consegue aliviar o sofrimento de Ilitch e não culpa por estar doente como o resto da família faz. A crítica às instituições também está muito presente no livro, nomeadamente a crítica à instituição judicial burocrática e inútil - "membro inútil de várias administrações inúteis". Os médicos são igualmente criticados pela sua falta de interesse nos doentes. Trata-se assim de uma obra intemporal, perturbadora mas incrivelmente real mas questões que coloca e nos dilemas que apresenta.

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