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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

A Casa Quieta

 

A Casa Quieta de Rodrigo Guedes de Carvalho 

Edição/reimpressão: 2005 

Páginas: 264

Editor: Dom Quixote

Preço: 16,81€

 

Este é daqueles livros sobre os quais é difícil falar. Simplesmente porque qualquer coisa que eu diga vai ficar aquém daquilo que ele é na realidade. Eu não conhecia o livro, foi-me emprestado por uma amiga. Ela também não sabia do que se tratava, só tinha lido as primeiras páginas…Salvador é um arquitecto de renome, tem uma bela casa e, mais importante, ama Mariana. Infelizmente esta tem cancro. A narrativa não é convencional, iniciando-se em 2005 quando Mariana já morreu, passando depois para 1985 e regressando ao presente no fim. Isto permite-nos ver a relação do casal antes da doença, os seus problemas, os seus pequenos hábitos criados ao longo dos anos. A beleza está nos pormenores.

 

Convém dizer que o estilo de escrita utilizado também não é convencional: os diálogos são incrivelmente expressivos, vivos, reais, misturam-se com o pensamento das personagens. Eu costumo utilizar a expressão “estranha-se, depois entranha-se” (Grande Pessoa), e acho que se aplica como um luva a este livro. A narrativa não precisa ser muito floreada, a palavra é tudo: é fria, polida como o mármore, outras vezes quente, tão cheia e por vezes tão vazia…à momentos em que ler este livro é assustador.

 

Efectivamente, não há condescendências: o autor não mexe só com as emoções, escava, esquadrinha…toca nas feridas da intimidade humana. Assombrosa a forma como é tratada a perda e a angústia e principalmente a loucura, no papel do irmão de Salvador, afectado pelas memórias da guerra e que vai falando para um psiquiatra silêncioso. É um livro emocionalmente muito forte. 

 

Foi das melhores coisas que já li. A minha parte preferida é da moeda, em que se faz o contraste entre a vida que Salvador e Mariana levam e aquela que podiam ter tido, se tivessem filhos. Nunca nos é dado o outro lado da moeda, o que podia ter sido.

“Repara bem. A vida olhada como uma moeda. Nada de mais redondo, conclusivo, perfeito. Simétrico.

Olha pois. Amacia-a entre os dedos, sente-lhe o peso, avalia as possibilidades.

Escolhe uma face ou deixa que uma face te escolha.

Olha pois. E de um lado tens.”

 

Definitivamente aconselhado!

 

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