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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

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"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Alice no País das Maravilhas

 

Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 144
Editor:Leya
Preço: 5,95€
 

Toda a gente conhece Alice: o coelho, o chapeleiro, a rainha que manda cortar a cabeça a todos....Toda a gente já viu alguma adaptação cinematográfica de Alice ou então, como eu, viu os desenhos animados. A parte que eu mais gostava era quando Alice bebia um liquido e fica minúscula, mas depois descobria que tinha deixado a chave da portinha em cima da mesa...Ora, com tantas adaptações o sentido da obra perdeu-se e acabou por se generalizar a ideia de que Alice era uma obra infantil. Mas não é. A primeira vez que peguei no livro, desisti a meio. A história é tão non-sense que chega a ser perturbadora. Uma corrida onde cada um vai na direcção que quer e onde Alice recebe de prémio um dedal que era seu, bebés que se transformam em porcos, merendas intermináveis...Efectivamente, uma consequência da infantilização da obra é que se deixa de ler nas entrelinhas. Para gostar de Alice é preciso tentar ver o que está para lá do non-sense. 

 

Carroll escreveu uma história por trás da história principal, que continua a ser objecto de teses académicas. Há quem veja em Alice uma crítica à sociedade vitoriana e também quem ache que o facto da rapariga crescer e diminuir de tamanho representa a adolescência. Interpretações à parte vale a pena mergulhar a sério porque o cruzamento das duas histórias resulta numa obra incrivelmente rica.

 

Alice existiu de facto. A 4 de 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tamisa, Charles Lutwidge Dodson [era o nome verdadeiro de Carroll], contou uma história de improviso para entreter as três irmãs Liddell (Lorina Charlotte, Edith Mary e Alice Liddell). Eram filhas de Henry George Liddell, o vice-chanceler da Universidade de Oxford. Com o objectivo de presentear Alice Liddell, Carroll passou a história para papel (Alice's Adventures Under Ground) e mais tarde acrescentou-lhe algumas cenas, dando origem ao livro que conhecemos hoje. Numa leitura mais atenta salta à vista que o livro está recheado de charadas e trocadilhos. A parte do chapeleiro e da lebre é uma delícia

 

"- Em que é que um corvo se parece com uma escrivaninha?
- vou adivinhar esta de certeza - disse em voz alta
- queres dizer: pensas que vais achar a resposta a esta pergunta? perguntou a lebre de Março.
- isso mesmo! respondeu Alice
- então deves dizer o que queres dizer! continuou a lebre de Março
- Eu digo o que quero dizer (...) pelo menos quero dizer o que digo (...) é a mesma coisa
- não é nada a mesma coisa !"

ou - " Alice olhou pensativa para o cogumelo, tentando adivinhar quais eram os dois lados: como era redondo parecia um problema difícil de resolver"

 

De referir que Carroll era matemático, e assim muitas das charadas envolvem números ou conceitos desta área. outros trocadilhos são fonéticos. Infelizmente estes perdem-se com as traduções. Alice é uma obra altamente subversiva para os padrões da época: tudo surge trocado desde o jogo de Cricket, às canções infantis até ao julgamento - "Parvoíce e estupidez! disse Alice em voz alta - essa ideia de a sentença vir primeiro. - Cala-te! - Não e não! respondeu Alice". Nenhuma criança da época vitoriana responderia deste modo....Parece-me haver assim uma clara intenção de criticar a extrema rigidez dos costumes. Este é um livro cheio de subtilezas. Perturbador e divertido. A continuação das aventuras de Alice chama-se Alice do outro lado do espelho (Through the Looking Glass and What Alice Found There)

 

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