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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Estupidez no Goodreads - II

Uma pessoa nem sabe no que se está a meter quando decide andar a pescar parvoíces que se dizem no goodreads. Desta vez também dei um salto à Amazon. We Should All Be Feminists da Chimamanda: "gostei do livro, mas devemos continuar a analisar outras ideologias". Quê? "Livro inútil - Hoje em dia as mulheres na América têm privilégios especiais". Isso não é ver..."Não gostei porque as situações que a autora apresenta não são derivadas de uma sociedade machista, mas sim derivadas de factores hormonais e de diferenças naturais entre homens e mulheres, além disso os homens vivem no medo constante de serem rejeitados". Céus, que pesadelo é este? A Room of One's Own, da Virgínia - "a autora é tão agressiva!". Mano ela devia estar com o período, dá um desconto. "Detestei este livro, não admira que ela se tenha matado". Que coisa tão adorável de se dizer não é? E então algumas opiniões sobre o Diário de Anne Frank..."Achei meh porque não dou a mínima para este tema". Certo. "Ela devia estar calada". Certíssimo. "Não gostei, Anne é um bebé chorão que só se queixa embora viva no luxo e que devia estar agradecida por estar viva". Isto de facto prova a minha teoria que a estante do Ikea que tenho atrás de mim tem de longe mais sentimentos que algumas pessoas.

Estupidez no Goodreads - I

Às vezes quando acabo de ler um livro gosto de ir à procura de opiniões por aí. Quando fui à procura de opiniões sobre o Despertar havia pessoas chateadas porque acharam a protagonista egoísta e má mãe. As mesmas críticas que lhe eram feitas em 1899 - muito divertido. Quando acabei o Beloved também fui à procura e estava expectante sobre o que ia encontrar tendo em conta que é um livro sobre um certo tema escrito de uma certa maneira peculiar. Mais uma vez nem precisei de ir mais longe do que o nosso bom e velho Goodreads - "Gostei do livro, mas não me consegui conectar com as personagens porque sou branca". Ok. "Este livro representa os brancos como inimigos?" Puxa, deixa-me fazer scroll rapidamente. "Não gostei, porque é mais um livro escrito para me fazer sentir vergonha de ser branco". Gente, quão egocêntrico alguém tem que ser para dizer uma coisa destas? Não gostei porque a autora não decorou a realidade com chantilly e laçarotes de modo a proteger o meu frágil ego, e porque sou preguiçoso demais para sair da minha própria bolha de privilégio. Que tristeza...

Tempo para odiar

Quando dizem que as feministas odeiam homens - acho isso irónico. Ontem encontrei uma notícia sobre um engenheiro da Google que foi despedido por fazer circular um texto em que tentava provar que nós éramos biologicamente inferiores. Um nerd patético qualquer que conseguiu chegar à Google e quis se vingar de todas as mulheres que não quiserem brincar com a pilinha dele escrevendo um relatório...De dez páginas! Ou os que andaram a distribuir papéis que diziam que as mulheres não deviam votar, não sei em que universidade aqui. Alguém teve que fazer esses papéis, imprimir e distribuir certo? Ou os que criaram uma petição só porque uma cadeia de cinemas decidiu fazer uma sessão de um certo filme só para senhoras. Ou os idiotas que se ligaram a uma máquina que simula as dores do parto - não por simpatia, mas para tentar provar que as mulheres são umas exageradas.

 

Não contando com os que perseguem mulheres nas redes sociais, criam fóruns, deixam comentários rudes...Dizem que nós odiamos os homens, mas parece-me que quem está cheio de sentimentos negativos são tipos como estes...Que gastam tanta energia e tempo das suas vidas a mostrar o quanto nos odeiam. Energia que podia ser aplicada em coisas muito mais úteis. Por exemplo, o que aprendi sobre como a sociedade afecta negativamente os homens foi em blogs feministas, não foi com certeza em páginas de associações de direitos dos homens ou lá o que é...Também é irónico quando alguém diz que as feministas precisam é de acção entre lençóis. Uma vez recebi um comentário odiento de um zé qualquer e meses depois noutro texto ele deixou outra vez o mesmo comentário - afinal quem é que precisa de acção erótica com urgência?

Filme: Dunkirk

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Com realização e argumento de Christopher Nolan, Dunkirk é a primeira adaptação para o grande ecrã da operação Dínamo: de 26 de Maio a 4 de Junho de 1940 perto de 340 mil soldados, especialmente ingleses, foram salvos das praias de Dunquerque onde tinham sido encurralados pelas tropas alemãs. Exaustos e sem nenhuma saída, nada mais restava a estes homens do que esperar pela morte. Mas o que começou por ser uma desastrosa derrota terminou como um milagre para qual contribuiu a coragem de centenas de civis que usando os seus próprios barcos levaram o máximo de homens que conseguiram até Dover, mesmo debaixo de intenso bombardeamento.


Vamos já tirar isto do caminho: Dunkirk não é um drama de guerra típico. Não tem personagens principais - não sabemos nada sobre estes homens (na verdade, uma boa parte deles não passam de crianças) e nem vamos ficar a saber. Só mesmo o que está à vista: que eles estão muito cansados e que querem muito ir para casa. Nada de conversas do tipo: "este sou eu e este é o meu amigo que conheci não sei onde e agora olhem para esta foto da minha adorável esposa que está em casa à espera". Em vez de se focar na história de b ou c o filme foca-se em dar uma perspectiva mais ampla do acontecido e por isso o enredo também não é linear e não segue uma ordem cronológica. Em vez de uma única perspectiva tem três que se alternam e encaixam - a perspectiva dos civis, dos aviadores que têm de proteger as tropas e das próprias que estão em terra.

 

Também não vamos ficar a saber muito mais sobre como é que eles acabaram naquela situação: quase não há contexto e quase não há diálogos. É cru, directo e tem um tom sombrio que é dado não apenas pelas bombas que caem com frequência, mas pelas próprias expressões daqueles soldados que denunciam logo nas primeiras cenas um intenso sofrimento psicológico, além do físico. Num momento estão a tentar ajudar-se e no outro estão a espezinhar-se que nem bichos. Uma luta pela sobrevivência em condições extremas para a qual o espectador é atirado logo sem nenhuma preparação prévia. O casting é esforçado e convincente ainda que havendo três linhas narrativas e não uma única, o tempo de antena para cada personagem seja um pouco reduzido. E tem de ser dito: depois de tanta gente a panicar porque o Harry ia estragar o filme, afinal ele não está nada mal. 

 

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Visualmente é um filme primoroso - os planos da praia e da cidade abandonada dão uma sensação de isolamento e as cenas dentro dos navios ou em fila à espera deles são sufocantes. Ao contrário do que talvez fosse esperado o filme não acaba na altura do resgate mas sim já em Inglaterra - vemos grupos de homens a andar como zombies por uma linha férrea o que é daquelas imagens que não precisa de nenhuma explicação adicional. Há várias assim ao longo do filme. Tende-se a considerar que os custos de um conflito, sejam passados ou presentes, residem apenas no número de mortos passando por alto o efeito que isso tem nos sobreviventes...Como eles se pudessem simplesmente encaixar de novo numa vida normal. O contraste entre as cores verdes e vibrantes dos campos ingleses e as cores das cenas anteriores na praia sempre cinzentas e frias é belo e triste ao mesmo tempo. Gostei bastante e recomendo, especialmente se vocês tiverem um fraco por temas destes.

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