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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Aplicação Prática

Quando vos perguntarem o que é ironia respondam isto: eu ontem estava a ouvir uma musiquinha boa e um dos versos era este - But nothing ever happens if you stay in your room. Achei que o verso estava correcto e que eu devia ser uma moça mais de exterior e mais amiga de conviver. Hoje saio de casa, dou uma queda e esfolo os dois joelhos. Nothing ever happens if you don't get hurt...Não se pode dizer que colocar álcool em cima de um joelho em carne viva seja indolor. 

Livros e Dedicatórias

O mais importante num livro é a sua história com todos os cenários e personagens - certo, mas eu sou picuinhas e gosto de ler as biografias, os agradecimentos e as dedicatórias. Uma das mais bonitas e conhecidas é a do Principezinho: "Os meninos que me perdoem por dedicar este livro a uma pessoa grande. Mas tenho uma desculpa de peso: essa pessoa grande é o meu melhor amigo no mundo inteiro". Nunca se sabe o que pode estar escondido por trás de uma linha...Na verdade, cada vez mais acho que não há limites para a quantidade de histórias que podem caber num único livro. 

 

 

("Se eu tivesse morrido antes de te conhecer teria morrido sentindo-me muito mais velho")

 

 

("You came into my life — not as one comes to visit … but as one comes to a

kingdom where all the rivers have been waiting for your reflection, all the roads, for your steps.”)

 

 

(A Sangue Frio que Truman dedicou ao companheiro e à amiga. Harper Lee e Truman Capote conheceram-se em criança - eram vizinhos em Monroeville no Alabama. Juntos inventavam histórias que passavam para o papel usando a mesma máquina de escrever. 

 

Mais tarde Lee viajou para Holcomb e ajudou nas entrevistas para o livro. O facto de Truman se ter ficado por uma referência na 1ª página depois de todo o trabalho de Lee, além das diferenças de personalidade, fizeram com que a amizade esfriasse)

 

 

("Minha negra querida: toda a saudade do mundo")

 

History Lover Problems - IV

Tenho um certo afecto pela música da Laurindinha, aquela que diz: Ó laurindinha, Vem à janela, Ver o teu amor que vai para guerra. Assim como as fotos que só nos mostram um momento na vida das personagens, e quase nunca o antes e o depois, também este pedacinho de música popular deixa muito por dizer. Para começar: que guerra? E quem era a Laurinda? E porque tem ela de ser chamada à janela? Não se despediu dele em casa? Como é laurindinha e não Dona Laurinda se calhar não são casados, além disso o último verso da música diz: Ele torna a vir, Se Deus quiser, Ainda vem a tempo de arranjar mulher - o que nos pode levar a questionar afinal qual é o papel da Laurinda nesta história. Voltando à janela: ela podia ir à porta de casa, a menos que fosse um amor daqueles proibidos - mas que toda a gente sabe pelos vistos - ah isso seria romântico! E ele foi de propósito lá despedir-se e ela teve de largar a roupa que estava a cozer e ir a correr antes que alguém fosse contar ao pai! Também pensei que ela podia ir com ele até ao sítio de embarque, mas a minha mãe disse-me que a viagem para Lisboa era cara e demorava toda uma era cretácea. Talvez fosse uma coisa platónica e a Laurinda tivesse que ser persuadida a ir à janela porque estava com vergonha. Dele também não sabemos nada, a não ser que era novo: deixai-o ir, Ele é rapaz novo, ele torna a vir. Talvez ela tenha casado sozinha como uma vez mostraram no Conta-me como foi. E depois ele voltou, tiveram seis filhos e no fim talvez ela não se tenha arrependido da espera. Ou então não esperou coisa nenhuma e foi ela mesmo para a guerra como paraquedista - algumas foram de facto, mas não vale a pena procurem isso nos manuais de História. Gente, são tantas possibilidades! Talvez eu tenha demasiado tempo livre...

Segunda-Feira: Old Soul

 (Elizabeth Olsen)

 

Ando viciada na nova rubrica da Rádio Comercial - gira discos. Há episódios que me fazem o coração dar saltinhos de alegria. Fico a pensar se não será mais difícil para os miúdos de hoje desenvolver um conceito de nostalgia. É tudo tão incrivelmente rápido: uma banda que é hoje e amanhã já é outra, um livro que se vendeu muito e agora apodrece nas estantes. Não há tempo para desenvolver real afeição por alguma coisa. E uma pessoa com vinte anos já se sente velha...Eu na verdade não podia passar sem Youtube, já o Face pode ter um treco que não me faz falta. É obvio que o conceito de privacidade já sofreu grandes alterações e que o conceito de memória terá também inevitavelmente de passar por essas mudanças - um dia teremos um dispositivo para armazenar todas as memórias (24 horas por dia), tudo guardado por pastas e com possibilidade de apagar e reorganizar a gosto...Por exemplo, por culpa do gira discos não consigo agora tirar o glory of Love da cabeça. Entretanto acabei o Castelo do Kafka - estive contar o número de livros que já li este ano e achei deprimente, mas com leituras como esta não faz mal. E sim, há quem ache difícil, sem sentido e se irrite por a obra não estar acabada. E é isso tudo, por isso é que é tão boa. Vamos ver se agora começo o Maus. 

A leitora e os seus velhinhos

Ontem estava a olhar para a minha estante e lembrei-me de ir buscar a máquina e fotografar os meus velhinhos. Alguns estão vincados, manchados, sem lombada, com mofo...Mas que hei-de fazer? Mais uma heresia a juntar ao facto de escrever nas margens - às vezes a caneta. Não cabiam todos neste post. Por exemplo, deixei de fora a minha épica edição do Retrato de Dorian Grey que tem páginas soltas: saltaram logo da primeira vez que o abri. Uns dois ou três que trouxe do lixo recentemente têm capítulos que parecem ter sido arrancados à tesourada. Fiquei de coração partido e não consegui livrar-me deles. E também porque há coisas que precisam de ser preservadas da invasão do digital. 

 

 

(Mar Morto do Jorge Amado)

 

 

(Marcas de um anterior proprietário no Rei Édipo)

 

 

(A problemática dos livros com páginas coladas aliada à problemática de ter pouco jeito com tesouras)

 

 

(Detalhe de uma missiva que encontrei dentro de um livro do Somerset Maugham)

 

Sexismo Quotidiano

Os últimos tempos têm me fornecido material para a pasta: sexismo que observo em primeira mão. Claro que há as notícias, os blogs...Mas nada bate a emoção de ouvir certas opiniões ou de assistir do outro lado da rua a uma senhora a ser incomodada por um tipo ao volante. Sabem o que se diz, que uma mulher séria não tem ouvidos. Estive a considerar com muita seriedade esta questão de ser séria e decidi que vou seriamente deixar de ouvir. No dia em que alguns senhores aprenderam a calar a boca. Claro que estas experiências podem nos tornar menos tolerantes com pessoas que dizem que o problema não existe. Estará a chover na realidade paralela? Ontem li um comentário que dizia que os saltos altos eram o pior pesadelo de uma feminista (wtf?) e uma crónica que começava por falar nos casos de assédio num partido francês, passava para a Simone de Beauvoir e terminava a dizer que os homens são hoje vítimas e que tanto homens como mulheres podem ser abusadores - qual a lógica deste encadeamento? Nenhuma. Por momentos temi que este mundo e o outro se chocassem de tal modo que um portal negro se abrisse e eu fosse sugada lá para dentro. Na verdade, nem comento aqui tudo quanto encontro: casamentos forçados, Kesha, presidentes interinos na América do sul (aka: medo), disparidade ridícula de salários...Fico com o estômago embrulhado só de pensar. Então, eu estava a conversar e a coisa desviou-se para o tema "futuro" - e antes que eu tivesse tempo de pensar noutro melhor, ouvi que iria ter de arranjar um homem. Respondi que não queria porque dava muito trabalho...Uma vez respondi que preferia arranjar um ouriço. O que é que uma pessoa há-de fazer?

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