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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Segunda-Feira: Tristessa

 (Lana Del Rey)

 

Não vi os Óscares. Já não tenho televisão no quarto: há meses que não a ligava até que me cansei de a ter ali. Devia tê-la tirado depois da cerimónia, mas de qualquer modo não sinto falta. Entretanto passei por uma variedade de sentimentos literários. Ligeiro enfado: o romance histórico sobre D.Sebastião nunca mais chega à parte fatal tadinho, desespero: decidi continuar com a minha ideia de um dia ler todos os contos de Lovecraft, irritação: tentei ler um romance com uma boa premissa, mas não deu. Escolhi outro e o sentimento provocado por este é difícil de definir. Uma tristeza, mas não pelos motivos habituais quando personagens morrem ou assim. É qualquer coisa que vem da maneira como alguns livros estão escritos, como são tristes de uma maneira tão íntima e simples que conseguem quebrar qualquer coisa bem cá dentro. É como uma vez em que olhei para um céu estrelado e tive vontade de chorar - era tão bonito que doía. Só me ocorrem três livros que num passado recente me tenham feito chorar do nada, simplesmente pelo poder das palavras. A Strange melancholy pervades me to which I hesitate to give the grave and beautiful name of sorrow. Não é estranho como alguns autores se afadigam a escrever volumes quando uma única frase pode atingir um coração? 

Invenções úteis

Confesso que fiquei comovida quando vi os novos pacotes de leite Mimosa com tampa - não sei quando apareceram mas só vi ontem. Na embalagem diz que o novo sistema de abrir evita salpicos. Salpicos? Eu chegava a entornar metade do leite. Além disso fica mais fácil beber pelo pacote...Que é um péssimo hábito que ninguém tem. Aproveito para saudar o azeite em garrafas de plástico em vez de vidro, porque há bocado deixei cair uma. Agora só falta encontrar um modo de uma pessoa poder ouvir coisas deitada sem correr o risco de se estrangular com os fios. É incrível que ninguém tenha pensado nisto. Claro que ter o fio dos headphones enrolado à volta do pescoço não é culpa da minha propensão para o desastre...É um daqueles mistérios. Outra invenção: um modo de limpar facilmente as escovas de cabelo. O que eu queria era acordar com ele sempre liso, mas fico-me pelas escovas. E será que já fizeram um estudo sobre a dificuldade em encontrar uma boa posição para ler? 

Lendo e Relendo

 

Estive a reler a Alice no País das Maravilhas. Na verdade, li duas vezes de seguida: a edição que li no telemóvel não me agradou então fui buscar a que tenho em papel. Agora vou passar para a Alice do outro lado do espelho. Muitos amantes de livros não são fãs de reler, eu própria incluída. Quando era pequena como só tinha livros novos de vez em quando no tempo entre acabar um e receber outro novo lia os que já tinha. Alguns li tantas vezes que decorei partes inteiras. A fartura quase matou o hábito mas cada vez mais acho que reler tem muitas vantagens: é bom para a memória (creio que me consigo lembrar da história de quase todos os livros que tenho, mas há detalhes que acabam por se esbater claro. Já por isso arranjei um caderninho para ir tomando notas do que leio) especialmente se costumam sublinhar passagens. Fazer uma introspecção quando vêem certas passagens e não sabem porque as sublinharam...É giro analisar um livro à medida que o tempo vai passando.

 

Há sempre novas coisas para descobrir em certas obras - não tinha percebido como Wonderland é, de facto, um sítio tão cruel. Ao mesmo tempo aquilo é hilário de ler. Infelizmente muitas piadas perdem-se em português. Foi preciso ler duas vezes o Memorial do Convento para me dar conta que as duas personagens principais quase não falam uma com a outra - o que só me fez gostar mais do livro. O ano passado dicidi reler o Apanhador no Centeio mas fiquei mais triste do que da primeira vez...Como disse alguém: um clássico é um livro que nunca termina aquilo que tem a dizer. Reler algo ou ler um autor predilecto é como voltar a casa. Navegar por novas águas é bom, mas também é bom entrar em casa e pousar as malas. Tirar o pó dos móveis e pegar nas fotos emolduradas. Uma coisa que acho muito triste quando vejo as bibliotecas físicas passarem a digitais é que uma estante é como um álbum da nossa vida: sítios, pessoas, conversas...Basta folhear. E cada vez que relemos um livro acrescentamos uma nova camada de memória. Existirão objectos mais maravilhosos?

Conceitos errados sobre feminismo

Aqui está um tema que para muita gente continua a ser um terror. Quando ando a pesquisar encontro tantas ideias associadas ao feminismo que não me parecem correctas...Nem sei como é que continuam a ser passadas havendo informação esclarecedora disponível. juntei algumas num top. Vamos lá: 

 

1ª. Feministas são extremistas: andam de cutelo na mala prontas a castrar homens indefesos porque os odeiam a todos. Andar com um cutelo pode até dar jeito, mas para castrar indivíduos parece-me um consumo de tempo e um nojo. Já viram como é difícil tirar o sangue das unhas? Com franqueza. 

 

2ª. O feminismo ensina as mulheres a serem desavergonhadas: porque elas não casam nem têm filhos. Mas vocês podem escolher ter filhos, ficar em casa com eles e serem feministas. Não acho que seja mau ensinar as meninas a gostarem de si mesmas, a assumirem o controlo e a expressarem-se da maneira que querem. Vai haver sempre alguém a sentir a sua posição ameaçada...

 

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3ª. Não usam vestidos: ou seja - têm de abdicar de serem femininas. Para começar o conceito de ser feminina foi em grande parte construído pela sociedade patriarcal: ser meiga, doce, discreta...E de qualquer modo usar calças, vestidos ou um monóculo é uma questão pessoal. Podem continuar a defender a igualdade mesmo com saltos altos. 

 

4ª. Não depilam as pernas: a questão aqui é a necessidade de entender o corpo feminino como uma coisa natural. Esta é outra construção tipicamente patriarcal: mulheres limpinhas e puras, sem marcas. Mas nós suamos e sangramos e é extremamente prejudicial criar tabus à volta disso ou perpetuar a ideia que o corpo de uma mulher é nojento. O resto é de novo uma questão meramente pessoal. 

 

5ª. O feminismo é inútil: muita gente diz coisas como - feminismo é uma palavra feia, prefiro dizer que defendo a igualdade. Ou perguntam - se o feminismo defende todos não devia ter outro nome? Porque o movimento foi criado por mulheres para lutarem pelos seus direitos. Nada caiu no colo: foi preciso muito esforço e sangue derramado. Acho que conquistámos o direito a ter algo chamado assim. Além disso não podemos correr o risco de as conquistas femininas serem obliteradas ou "sequestradas"  Coisas do tipo: direito de voto porque foram os homens que lhes deram. E ainda persistem muitas situações sobre as quais é preciso falar, mesmo em países desenvolvidos. 

 

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