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Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

Desabafos Agridoces

"Not all girls are made of sugar and spice...Some are made of sarcasm and nothing is fine"

2016 no feminino

Fazer resumos de 2016 pode ser deprimente, mas não no que às mulheres diz respeito. Para começar a lista 17 Badass Women You Probably Didn’t Hear About In 2016 - inclui as centenas de mulheres que protestaram na Islândia contra a diferença de salários entre homens e mulheres, as raparigas que desafiam a proibição de andar de bicicleta em Gaza e as Las Hijas de Violencia que cada vez que são assediadas na rua disparam confetis na direcção do agressor. Em Fevereiro Leonor Teles tornou-se a mais jovem realizadora de sempre a ganhar um Urso de Ouro com a sua Balada de um Batráquio. E a nível de cinema não foi só isso. Em Março uma mulher foi pela primeira vez escolhida como assessora militar da Presidência da República: a tenente-coronel Diná Azevedo tem um currículo de respeito que inclui ter sido a primeira mulher a comandar uma esquadra da Força Aérea. Em Maio 300 mulheres juntaram-se em Jerusalém para protestar contra o violência e o assédio sexual.

 

Em Outubro a nossa selecção feminina de futebol apurou-se pela primeira vez para um Campeonato Europeu. Mais cedo neste mês Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar receberam o Prémio Sakharov de Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu. E uma menção tem de ser feita às Senhoras da Força do Sol um grupo de 123 mulheres Yazidi que conseguiram fugir ao Daesh e que agora formam uma brigada de combate exclusivamente feminina. Elas estão nas linhas da frente dos combates no Iraque e participaram activamente na reconquista das montanhas Sinjar o ano passado. Noutro palco de conflito mulheres usam a música para denunciar a violência sexual. chegamos a todas as áreas: empresas, tecnologia, mudar o futuro das crianças, fazer os outros rir, lidar com regras sem sentido...

 

 

Muskaan Ahirwar vive num bairro pobre da Índia, onde muitas crianças não têm acesso à escola. Foi a pensar nelas que esta menina de 9 anos decidiu organizar uma biblioteca no exterior da sua casa. Todos os dias depois de chegar da escola à tarde ela abre a biblioteca perante dezenas de crianças que aguardam ansiosas - todos são incentivados a levar livros ou a sentarem-se para ouvirem Muskaan ler as histórias. Todo o trabalho é feito por ela com ajuda da irmã mais velha, com tal sucesso que a biblioteca já foi reconhecida como oficial com direito a placa e tudo e já há planos para adquirir mais livros pois os 119 disponíveis já foram quase todos lidos.

 

 

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Depois de notar vários sem abrigo no seu caminho para a escola Khloe Thompson de 9 anos pensou que tinha de fazer algo: ela criou um projecto chamado Khloe Kares em que com a ajuda da mãe e da avó organiza packs de produtos de higiene que depois distribui pelas mulheres sem abrigo da sua comunidade. Os sacos não são de plástico, mas de pano e ela própria costura. O seu próximo passo é conseguir dinheiro para transformar o Khloe Kares uma organização de caridade e também para comprar brinquedos para dar às crianças que vivem em casas de acolhimento. 

 

 

 

Quando Theresa Kachindamoto deixou o seu trabalho de secretária para ir ocupar o lugar de chefe em Dedza no centro do Malawi deparou-se com uma realidade chocante. O Malawi tem uma das taxas de casamento infantil mais altas do mundo (mais de metade das raparigas estão casadas antes de fazerem 18 anos), além de existirem práticas tradicionais de violência sexual. Ela reuniu os seus 50 sub-chefes e obrigou-os a assinar um documento para acabarem com o casamento infantil naquela área. Também os obrigou a anular qualquer união dessas e a mandar as crianças para a escola. Os que não cumpriram o acordado foram logo suspensos. Theresa também tenta falar com a população sobre o valor da educação e tenta arranjar quem possa pagar as despesas escolares das crianças mais pobres, quando não é ela mesmo a fazê-lo. Nos últimos três anos, e mesmo recebendo ameaças de morte, ela conseguiu anular quase 850 casamentos infantis. Todas as crianças envolvidas voltaram à escola. 

 

 

 

Maia Dua é uma estudante de 16 anos, de West Sacramento na Califórnia, que construiu um robot destinado a ajudar pessoas invisuais. Sensores usam a ecolocalização para detectar os obstáculos no caminho e um sinal sonoro é enviado para o utilizador. Feito com materiais baratos, o Seeing Eye-Bot foi projectado para ter um custo à volta dos 500 euros (muito menos que o custo de um cão guia) e uma duração de 7 anos. Este projecto foi submetido a um concurso da Marvel (destinado a raparigas com projectos na área da matemática, ciência e engenharia) e ficou em primeiro lugar entre cerca de mil candidaturas. E ela só soube do concurso quatro dias antes de acabar o prazo. Além de ser apaixonada por engenharia Maia também é praticante de wrestling. 

 

 

Em Maio deste ano a havaiana Bethany Hamilton conseguiu chegar pela primeira vez às meias-finais de uma prova do circuito mundial de surf nas ilhas Fiji, batendo na segunda ronda a número um mundial e na terceira Stephanie Gilmore que tem seis títulos mundiais. Seria um ponto alto para qualquer atleta e Bethany surfa apenas com um braço. Em 2013 (tinha 13 anos) ela estava a surfar quando foi mordida por um tubarão-tigre: perdeu 60% do sangue e o braço. Apesar do trauma em apenas um mês ela estava de novo em cima da prancha e um ano depois voltou a competir. Em 2007 entrou no circuito profissional e em 2010 esteve aqui em Peniche. Tem uma autobiografia editada: Soul Surfer: A True Story of Faith, Family, and Fighting to Get Back on the Board. 

 

 

Quando Michelle Nkamankeng tinha 4 anos ela gostava de ir à livraria e devorava os livros que os pais lhe compravam numa semana. Um ano mais tarde ela tive a sua primeira ideia para um livro depois de ter ido à praia pela primeira vez - when the second wave was still coming, I asked my dad why are the people looking there, then he said they are waiting for the wave to come (...) so then I said you have given me a great idea, I will write a book called ‘Waiting for the Waves’. Michelle começou a escrever em segredo, tirando folhas da impressora e dobrando-as para ficaram com um livro: a história de uma menina que com a ajuda da família consegue superar o medo das ondas. Depois ela escreveu mais 4 livros e decidiu que só iria continuar se os seus livros fossem publicados. Agora com 7 anos esta sul-africana é a mais jovem autora do continente africano a entrar na lista dos 10 melhores escritores infantis do mundo. Reading is fun. Always follow your dreams and don't let anybody get in your way. 

 

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